Sociedade da Informação - O arquivo, o mostro e o império
A possibilidade da desinformação em processos informativos como componente intrínseco da comunicação humana. Em parte é fenômeno normal, por conta de dupla seletividade: nosso aparato perceptor capta o que lhe é viável captar, e cada sujeito capta de acordo com seus interesses. O problema está, sobretudo, na manipulação excessiva da informação, provocando efeitos imbecilizantes mais ou menos ostensivos. É o caso do advertising que pretende causar um tipo de influência imperceptível muito efetiva, porque se apóia em estratégias refinadas de conhecimento especializado. É fundamental preservar o ambiente crítico e autocrítico para poder reduzir e controlar a informação.Utiliza-se a nomenclatura da “sociedade do conhecimento” praticamente como sinônimo de “sociedade da informação”, mesmo que esta última noção contenha, como mostra com grande verve Castells, ainda a perspectiva da “rede”. O conceito de rede está bem mais próximo do campo da informática, apontando ademais para o mundo virtual da rede não física, embora não menos real. Sem rebuscar filigranas conceituais, creio que a problemática se concentra em dois patamares mais visíveis:

a) de um lado, temos o desenvolvimento sem precedentes do conhecimento como bases emancipatória ambíguas desta sociedade, provocando condições mais favoráveis de condução autônoma, como bem mostram Böhme/Stehr em sua discussão sobre a sociedade do conhecimento:
“O que distingue uma sociedade do conhecimento acima de tudo, do ponto de vista de suas precursoras históricas é que se trata de uma sociedade que é, a um nível sem precedentes, o produto de sua própria ação. A balança entre natureza e sociedade, ou entre fatos além do controle dos humanos e aqueles submetidos a seu controle, elevou-se de modo impressionante. Elevou-se mais e mais para as capacidades que são construídas socialmente e permitem que a sociedade opere por si mesma” (p. 19);
Embora se trate de uma trajetória de emancipação muito ambivalente, por conta dos efeitos colonizadores persistentes, não se pode evitar de reconhecer que a capacidade de condução da história aumentou flagrantemente; o processo galopante de informatização pode ser reconhecido como seu carro chefe, porque condensa os mais evidentes impactos teóricos e práticos do conhecimento;
b) de outro lado, porém, é mister observar que outra mola mestra comparece à cena, que é a competitividade econômica baseada na produção e uso intensivos de conhecimento, revelando que a dinâmica desta sociedade do conhecimento é feita de modo preponderante pelo mercado neoliberal; em termos teóricos, estaríamos vivendo agora a “mais-valia relativa”, como assinalava Marx, fundada em ciência e tecnologia, ou seja, a produtividade econômica é alimentada essencialmente, não mais pela força física do trabalhador, mas por sua inteligência; Marx, sem fazer maiores aprofundamentos sobre a mais-valia relativa, previu que traria consigo repercussões inimagináveis no processo produtivo, embora sem desfazer seu caráter espoliativo; ao contrário, como mostram outros autores, o trabalho duro, em vez de recuar, parece, amplamente, tornar-se ainda mais dramático; enquanto para uma menor parte dos trabalhadores é sempre possível produzir mais e melhor com menos horas trabalhadas, para muitos, sob o efeito da mais-valia, é mister trabalhar ainda mais para obter ou manter os mesmos salários, cuja tendência de decréscimo é geral.
O Arquivo e o Monstro
Ou como utilizar os conhecimentos ocidentais para marginalizar
Impressão de domínio e compreensibilidade do real. Mais do que uma ação coordenada e centralizada...
Escrito, oral ou filmado, o arquivo é sempre o produto de uma linguagem própria, que emana de indivíduos singulares ainda que possa exprimir o ponto de vista de um coletivo (administração, empresa, partido político etc.). Ora, é claro que essa língua e essa escrita devem ser decodificadas e analisadas.Mas, mais que de uma simples "crítica interna", para retomar o vocabulário ortodoxo, trata-se aí de uma forma particular de sensibilidade à alteridade, de "um errar através das palavras alheias", para retomar a feliz expressão de Arlette Farge. É esse encontro entre duas subjetividades o que importa, mais que o terreno sobre o qual ele se dá ou o tipo de rastro que o torna possível através do tempo.
Nesse sentido, muitas vezes esquecemos que muitos arquivos escritos não passam eles próprios
de testemunhos contemporâneos ou posteriores aos fatos, dotados de um componente irredutível de
subjetividade e de interpretação que sua condição de "arquivo" absolutamente não reduz: é o caso dos autos policiais - para tomar apenas um exemplo entre os arquivos ditos "sensíveis" -, que muitas vezes são apenas o resultado de transcrições escritas e conservadas de depoimentos orais que foram objeto de uma mediação, de uma narrativa, a qual não pode senão alterar a declaração original feita pelo ator ou a testemunha interrogada. A escrita, a impressão, portanto a possibilidade de um documento resistir ao tempo e acabar um dia sobre a mesa do historiador não conferem a esse vestígio particular uma verdade suplementar diante de todas as outras marcas do passado: existem mentiras gravadas no mármore e verdades perdidas para sempre.
O Arquivo utópico. Na impossibilidade de controlar o território, produzam dados. Um grande arquivo utópico.
Monstruosidade = desconhecido.
O monstro e o Império
O Império contra-ataca

Necessidade de mobilização de imensa quantidade de dados, mais do que um arquivo real, o arquivo imperial implica na possibilidade de qualquer arquivo. Quanto mais se envolve nas malhas informacionais do Império, mais vulnerável sua resistência.
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| Marcas globais que vendem notícias hegemônicas |
notícia de verdade é aquela que vende.
Heróis e vilões em papéis trocados
Sua face disruptiva parece evidente, porque conhecer implica intrinsecamente questionar. Sua tendência desconstitutiva é frontal, embora possa ser facilmente dissimulada.
Questões

- Você consegue agora perceber melhor as relações entre racionalidade, cultura e poder?
- De que forma as relações de poder passam pelo controle informacional?
- É possível pensarmos hoje em um novo colonialismo informacional? Em que termos?
- Como ajuda a um futuro profissional da informação entender esse controle?
Vulnerabilidade = ignorância

A sociedade da informação informa bem menos do que se imagina, assim como a globalização engloba as pessoas e povos bem menos do que se pretende.
Na sociedade da mercadoria, mercadoria vem antes. A informação é em si ambivalente, tanto em quem a pronuncia, quanto em quem a recebe. Em todos os momentos passa pelo filtro da subjetividade, além de sua dimensão estar limitada pelo aparato perceptor e conceitualizador. Mas é esta ambivalência que resgata
sempre a possibilidade de criar, inventar. Se tudo fosse apenas lógico, seria apenas repetitivo. O mundo da informação é agitado, conturbado, porque é, ao mesmo tempo, intrinsecamente manipulado e impossível de ser totalmente manipulado.
A matriz é real
Na sequencia de imagem abaixo vemos um deses personagens da vida real.
Poderia ser o NEO de MATRIX, mas é apenas um cidadão fugindo dos capatazes do Estado, aplicando uma belíssima voadora no agente Smith e escapando pela única saída possível: a busca por sua liberdade.E a vida continua...
Fontes:
















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