Manual do Sobrevivente Moral
Em situações de desvios de caráter
Personalidades egozóides
Mundos deturpados
Ambientes de pressão e repressão
Direitos cerciados, censura à liberdade de expressão
Vamos à definição
Lobby deve ser distinguido de relações públicas, porque não se trata apenas de uma comunicação social com diversos públicos, mas de uma ação específica visando obter um resultado concreto. A comunicação social tem por objeto os públicos, o lobby tem como objeto a "tomada de decisão". Relações públicas pode preparar as bases constituintes do poder, esclarecer, persuadir, mas a culminação de uma campanha de opinião é obtida por um momento específico em que se encontra o interesse e a autoridade.
O marketing tem por objeto o comprador, cliente, o consumidor, enquanto o lobby (novamente) tem por objeto o poder decisório. Mesmo nas empreiteiras e fornecedoras de governo, onde o tomador de decisão política pode coincidir com o comprador, há o cuidado de distinguir em funções diferentes as duas atividades.
O lobby, como consumação última de uma campanha de opinião pública, é o beneficiário de relações públicas. Fazer lobby também não deve ser visto como competência exclusiva da recentemente regulamentada profissão de relações públicas.
O lobby é
PERFIL DO LOBBYIST
- Conhecimento de Governo.
- Cultura Geral.
- Conhecimento Jurídico.
- Senso Comercial.
- Discrição/Confidencialidade.
- Tato Político.
- Postura.
- Conhecimento do Produto.
- Integridade Ética.
COMO MONTAR UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE O AMBIENTE EXTERNO
- 1. A informação é fundamental.
Conhecer o ambiente sobre o qual se vai trabalhar. - 2. Evitar identificação político-partidária da empresa.
- 3. Evitar "figurões" para a direção das relações externas. Procurar profissionais.
- 4. Trabalhar no curto e no longo prazo.
- 5. Evitar pontos de conflito entre a empresa e o meio ambiente.
- 6. Identificar variáveis futuras. Ter canais próprios para identificar metas do governo.
- 7. Análise da estrutura econômica, política e social.
- 8. A imprensa é um material básico de trabalho.
LEITURA CRÍTICA DA IMPRENSA
- Destrinchar a notícia. Identificar sua origem. Foi "press-release"? Quem distribuiu? Quem está pagando?
- Análise comparativa de vários jornais. Identificar pontos comuns (estruturas de frases repetidas) em vários jornais, que possam fornecer pista para a origem da notícia.
- Analisar o balanço dos veículos. Conhecer o endividamento dos periódicos. Dívida em dólar ou real? Com que banco?
- Analisar a carteira de anunciantes. De quem o jornal depende?
- Interesses ostensivos do veículo.
- Conhecer os interesses não-explícitos. Perfil do proprietário e dos jornalistas.
- Analisar notícias em nível nacional. Às vezes a notícia surge em outras praças.
- Acompanhar o perfil das autoridades. A sua política, os seus pronunciamentos, os seus interesses.
- Procurar o "off" em contatos informais com os jornalistas.
- Compreender como um jornalista produz a notícia.
Combinar análises econômico-políticas mais profundas (cenários semestrais) com contatos para análise conjuntural mais frequentes (relatórios de conjuntura) cada 15 dias. Almoços com jornalistas.
PLANO DE LOBBY
I. DEFINIÇÃO DO OBJETO DO LOBBY
- O que queremos? Qual é o nosso pleito?
- É legal?
- É moral?
- Coincide com a causa pública ou com o interesse da sociedade?
- Coincide com o "discurso" ou ideologia do governo?
- Qual é o nosso poder político de barganha?
- Qual o atrativo (político, ideológico, econômico, eleitoral) que nosso pleito apresenta?
- Qual é a imagem política de nossa empresa? Temos contencioso social/político?
- Quais os nossos pontos fortes e pontos fracos? (LISTAR)
- Qual é o poder de barganha de nossos possíveis aliados?
II. MONTAGEM DA ESTRATÉGIA
- Identificação dos interesses ou pleitos. Definição do projeto. O QUÊ
- Localização das áreas que decidem no governo. Definição dos segmentos do ambiente político. ONDE
- Identificação de oportunidades e ameaças no ambiente. ONDE
- Identificação dos atores e aliados. QUEM
- Identificação dos oponentes e/ou interesses contrários. QUEM
- Determinação do momento oportuno para a ação. QUANDO
- Elaboração do orçamento de investimentos na campanha ou no projeto. QUANTO
- Definição da "lógica dos acontecimentos" da sequência e das etapas da campanha. COMO
III. INICIAR A COALIZÃO
- Identificação dos atores principais (poder decisor. aliados. oponentes).
- Identificação dos segmentos favoráveis e desfavoráveis do ambiente.
- Análise do nosso poder de barganha.
- Avaliação do poder de barganha de nossos aliados.
- Seleção de aliados.
- Negociação com os aliados.
- Identificação dos oponentes.
- Avaliação do poder de barganha dos oponentes.
- Formulação de estratégias ofensivas e defensivas.
- Antecipação de contra-respostas dos oponentes.
- Negociação com os oponentes.
- Consolidação da coalizão.
IV. DESENVOLVER A CAMPANHA ("PUBLlCIZING")
- Definição do projeto. Elaboração do documento básico.
- Preparo interno da empresa.
- Formação do grupo de pressão: entidade de classe, fundação, grupo de opinião, assessorias de comunicação social, assessorias especiais.
- Escolha dos instrumentos de comunicação social: imprensa, relações públicas, carta a congressistas, busca de aliados dentro do governo, visitas à empresa. etc.
- Escolha e treinamento dos agentes.
- Redação e divulgação dos documentos. "press-releases" e "mailing lists".
- Iniciar a campanha: levar a questão ao público. Escolher o momento certo.
- Criar uma atitude favorável por parte da opinião pública.
- Escolher o momento certo e trabalhar as áreas decisórias do governo individualmente ou em grupo. Negociar.
- Participar de comissões de assessoramento dos legisladores.
- Fechar a questão. Concluir a negociação.
V. ESTRUTURA DO LOBBY
- Definição de responsabilidades e autoridade.
Distribuição dos "papéis". - Identificar os executivos que atuarão na campanha.
Áreas internas da empresa envolvidas na discussão do problema. - Definir o orçamento de cada projeto.
- Contratar assessoria individual externa.
Contratar os agentes do lobby. - Contratar empresas especializadas em comunicação social para apoio de campanha e facilitação de contratos.
- Organizar os recursos internos: instalações. secretaria, "mailing list", material promocional, folheteira, banco de dados, assessoria técnica de produto, sistemas de informações, comunicações e correspondências.
- Treinar as pessoas envolvidas.
- Definir com o presidente da empresa a sua participação pessoal.
Problema Moral do "LOBBY"
PRIMEIRO
É possível julgar moralmente o comportamento político?
Há maior anomalia no tráfico político brasileiro do que em outros países?
Um "Estado de Exceção" produz um ambiente moral melhor ou pior do que o de outros sistemas abertos?
O capitalismo selvagem é mais corruptor do que o comunismo?
A pressão pela sobrevivência durante a recessão aumenta as práticas de corrupção?
Quem é o corruptor: quem pressiona para obter um favor ou quem o dá em troca de um ganho pecuniário?
É possível julgar moralmente quem dá uma propina?
Você daria propina para salvar uma vida?
SEGUNDO
Em política, freqüentemente a moral é decorrente de uma "ética de situação" pela qual uma dada ação só pode ser julgada dentro de coordenadas ad hoc do aqui e do agora, dentro de um contexto concreto que pode justificar ou não a moralidade.TERCEIRO
QUARTO
- Algum empresários não aprovam "em nenhuma hipótese" essa prática em suas empresas, mesmo à custa de perder negócios ou reduzir a atuação em certos setores.
- Outros sabem que alguém nos seus escalões inferiores dá propina, mas oficialmente desconhecem a questão.
- Alguns consideram que isso "faz parte das regras do jogo" e, caso necessário, aceitam a situação.
- Para alguns, há uma distinção entre aceitar fazer "em nome da sobrevivência da empresa" e não desejar fazê-lo em nome pessoal, como se fosse possível distinguir com nitidez a responsabilidade moral da pessoa física e da jurídica.
- Há quem costume classificar áreas ou setores onde a prática da propina é "condição do negócio", e outras em que não é.
- Outros levantam a questão de quem é o corruptor: o funcionário do governo ou seu intermediário que propõe o percentual de ganho, ou o funcionário da empresa que dá a propina, como se deixar-se corromper não seja parte da corrupção.
- Há ainda a questão de saber se a propina só consiste em "dar dinheiro" ou alternativas como a promoção no emprego, o favor sexual, etc. O folclore machista está saturado de episódios de natureza sexual, etc.
- Há quem considere a propina como um costume cultural, apontando povos mais ou menos corruptos, no que vai um traço de preconceito nacional ou racial.
No sentido de contribuir com algo concreto, sugiro, aqui, aos empresários algumas medidas:
- Estar pronto a esclarecer a ética em qualquer caso concreto.
- Evitar ou abandonar a vinculação com pessoas do poder ou seus intermediários que sejam conhecidos como recebedores de propina.
- Detectar, internamente, as áreas envolvidas e fazer uma profilaxia organizacional.
- Introduzir no treinamento dos executivos a discussão da ética de negócios.
- Colaborar com grupos de trabalho, visando coibir as práticas incorretas.
- Estabelecer uma "Política para Dar e Receber Presentes" ou "Brindes", e fazê-la cumprir pelos diretores, gerentes e associados.
- Colaborar ativamente com todos os setores vivos de consciência da sociedade (como a imprensa) para o progresso da moralidade pública.
- Examinar detidamente as áreas de contencioso da empresa sob o ponto de vista não apenas legal, mas ético.
- Conduzir o planejamento estratégico para a dimensão social e ética, evitando que suas diretrizes sejam produto de uma "mente tecnocrática".
- Evitar associações com pessoas ou grupos que reconhecidamente atuam contra o interesse público e bem comum.
QUINTO
Em breve acompanhe aqui a continuação dessa série MANUAL DO SOBREVIVENTE MORAL:
- Poder, Política e Desenvolvimento Organizacional
- Cultura Empresarial Brasileira
- Política e Responsabilidade Social da Empresa
- Elegia do Empresário Falido (Ou: Vamos Tentar Tudo Outra Vez)
- Esta Crise Ameaça Levar-nos à Desmoralização Interna,
- A Responsabilidade Democrática numa Sociedade em Crise
- Pensar Claro, Primeiro Passo para uma Regeneração Política
- Especulação sobre a Possibilidade do Socialismo no Brasil
- Como Crescer numa Era de Retórica Populista
- Para Ajudar a Compreender a Função da Imprensa
- Como Fazer "LOBBY" com a Oposição no Poder
- Negociação
- É Hora de nos Livrarmos do Raciocínio Tecnocrático

































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