Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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A arte zen do amor inquebrável desde o aço à civilização

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A arte zen do amor inquebrável desde o aço à civilização moderna

Quem com ferro feres, com ferro serás ferido.
Ou então a célebre 'casa de ferreiro, espeto de pau'

Com quantas dobras do tempo se forja um coração inquebrável?

A história, implacável, assim como os fatos ora transmutados em mitos, não nos deixa escapa-los. Quer queira ou não estamos impregnados deles em nosso DNA. Somos atos transformados em consequências, somos a herança do seu criador. Porém sempre haverá a remota chance de mudar de direção, em qualquer direção que for, lá estará o acaso ou o resultado de uma escolha que passou.

“A Pátria não é ninguém. São todos. E cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acovardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam,mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originalmente no amor.”
Rui Barbosa

Quiçá sairemos às ruas e encontraremos melhores caminhos que este?
Que se encontre o amor maior que este, que prova todos os corações no fogo das paixões de Rui, nas parábolas de Jesus, ou ainda nas reflexões de Quinn.

"Viva pela espada, morra pela espada".

Ou então "Olho por olho, dente por dente"

Este dito de Jesus vem de Mateus 26:52, que descreve um discípulo (identificado em João 18:10 como sendo Simão Pedro) sacando uma espada para defender Jesus no Jardim das Oliveiras, mas que é admoestado por Jesus, que lhe pede que guarde a arma:
"Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada. (Mateus 26:52)"
Orígenes sugeriu que a "espada" nos evangelhos seja interpretada como uma imagem[2] , cuja exegese seria consistente com a Epístola aos Efésios: "Tomai o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus» (Efésios 6:17)"

E também com a Epístola aos Hebreus:
"Pois a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e que penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e pronta para discernir as disposições e pensamentos do coração.(Hebreus 4:12)"

A arte do aço provado pelo fogo


A expressão "Casa de ferreiro, espeto de pau" é usada quando se quer dizer que uma pessoa hábil em determinada coisa, não usa essa habilidade a seu favor.
Não acredito! João, o melhor pedreiro, pagou para Antônio construir o muro da casa dele, casa de ferreiro, espeto de pau. Presumivelmente detém as competências nesse dado ramo ou atividade, utilizava em beneficio do próximo, contudo, parece dicotomicamente não aplicar tais competências e experiências adquiridas em situações ou circunstâncias, em geral de âmbito pessoal, que lhe seriam benéficas, obviamente aplicáveis e sobretudo úteis. Ex.: Um pedreiro vive a reformar a casa dos outros, no entanto a sua própria casa ele não arruma.

O ferreiro aplica todo o seu tempo no ofício de fazer espetos de ferro para os outros que não lhe sobra tempo de fazer espetos de ferro para si próprio; usando em sua casa espetos de pau.




Além da civilização


“A articulação de um modo de vida mais simples (feita por Quinn) vai conquistar aqueles que a globalização deixou de fora”. Publishers Weekly

Os moradores de rua e os jovens estão convergindo rapidamente para o território sócio-econômico que identifiquei neste livro como um território que se encontra “Além da civilização”. A maior parte dos moradores de rua foram lançados nele involuntariamente, ao passo que muitos jovens anseiam inconscientemente por ele, como qualquer pessoa que deseja mais da vida do que apenas a chance de comer na manjedoura onde o mundo está sendo engolido. É a eles e a suas esperanças que este livro é particularmente dedicado.

Uma das crenças mais fundamentais da nossa cultura é a de que a civilização deve continuar a qualquer custo, sejam quais forem as circunstâncias. Implícita nessa crença está outra: a de que a civilização é a mais importante invenção humana e jamais deve ser abandonada.
Daniel Quinn, conhecido por seu transformador romance Ismael, adotado em escolas e universidades de mais de vinte países, questiona em Além da Civilização a forma como o homem se posiciona em relação ao restante da comunidade da vida, orientando-nos a viver como membros dessa comunidade, e não como senhores dela.

Em uma prosa densa, mas leve e agradável, ele nos apresenta uma série de pequenos ensaios de uma página, com idéias e reflexões que nos fazem vislumbrar uma nova alternativa para salvar o mundo, que envolve a desconstrução da civilização e a revisão de antigos paradigmas de nossa sociedade.

Por que a civilização planta o alimento para trancá-lo e depois obriga os indivíduos a ganhar dinheiro para comprá-lo de volta? Por que não progredimos além da civilização e abandonamos o estilo hierárquico de vida que causa grande parte de nossos problemas sociais?

Usando metáforas criativas e bastante eficazes, Quinn desfila para nós suas idéias sobre os problemas da sociedade humana e aponta caminhos rumo a um novo território, “além da civilização”. Esse território não é um espaço geográfico, mas um inexplorado espaço cultural, social e econômico situado “do outro lado” da organização hierárquica da civilização.

A jornada que conduz a esse território não representa um modo de demolir a hierarquia da civilização, mas, antes, apresenta uma maneira de deixá-la para trás. É a “rota de escape” para um futuro no qual as pessoas comuns podem reivindicar sua dignidade, alegria, igualdade e autoconfiança. Essa rota está, é claro, escondida; de outro modo, teria sido descoberta anteriormente. Mas, como Quinn demonstra, está escondida onde se encontram todos os grandes segredos: bem à vista de todos.

Zen and the arte of motorcycle maintenance - an inquiry into values


Veja a galeria de máquinas motocycles históricas, motocicletas custom desde 1930.


Robert M. Pirsig (1974)
(Ed. Harper Torch Philosophy, New York, 1999, 540 pgs.)

Resenha crítica de “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas – Uma Investigação Sobre Valores”, de Robert M. Pirsig (1974)


Kerouac 


Os tensos e intensos anos 1960 já haviam passado mas ainda eram visíveis no espelho retrovisor quando Robert M. Pirsig publicou Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas em 1974.

Após ter sido recusado por 121 editores, este “romance filosófico” e quase auto-biográfico impactou de modo marcante a literatura norte-americana dos anos 70, vendendo mais de 5 milhões de cópias mundo afora.

Mas este não era só um best seller a ser esquecido no próximo verão como uma modinha passageira, mas também um livro que seria considerado por boa parte da crítica literária como uma obra definidora de época.

Talvez não seja exagero sugerir que Zen representou para os anos 70 algo de similar ao que significou para os anos 1950 o fenômeno On The Road – Na Estrada, que Jack Kerouac publicou em 1957 e que logo se tornou uma grande inspiração para a chamada Geração Beat.

Apesar de não ser nada parecido com um panfleto celebratório do ideário hippie, a discussão sobre a herança, as contradições e os sonhos da contra-cultura nos crazy sixties é algo que marca as páginas de Robert M. Pirsig.


Sem ser um livro rotulável como hippie ou beatnik, ainda assim sente-se a presença de um diálogo com as várias vertentes contra-a-corrente que marcaram o pós-2ª Guerra. Uma tentativa de diagnosticar os males de seu tempo e sugerir estradas de melhor qualidade norteia como uma bússola esta viagem de motocicleta que realizam pai e filho através dos EUA.

Todo o agito utópico, psicodélico e lúdico da Geração Hippie já parecia em maré baixa em 1974, quando o livro foi publicado e tornou-se um estouro editorial. Mas as questões levantadas durante os anos 1960 continuavam prementes e urgentes, assim como os ideais de vida alternativa que foram propostos por aqueles que se revoltaram contra o Sistema yankee na época – fim dos anos 1960 e começo dos 1970 – em que este derramava bombas e napalm sobre o Vietnã, apoiava e financiava ditaduras militares na América Latina e prosseguia lobotomizando mentes com propaganda anti-comunista em um contexto de Guerra Fria.

Easy Rider

O plot narrativo do livro de Pirsig parece prestar tributo a certos road movies libertários como Easy Rider – Sem Destino (1969), de Dennis Hopper, hoje consagrado como um clássico do cinema sessentista. Há no protagonista de Pirsig algo daquela atitude “Born To Be Wild” que se encarna nos motoqueiros interpretados por Hopper e Peter Fonda.

Também o protagonista de Zen é descrito como uma espécie de rolling stone, mais interessado em ir do que em chegar, devorando quilômetros sem olhar para trás, com seu filho Chris na garupa e frequentemente às lágrimas com tanto nomadismo selvagem.

Mas há em Zen também algo de proustiano, uma busca pelo tempo perdido: o livro relata a jornada que realiza o protagonista para recuperar seu passado – que lhe foi em parte roubado pelos eletrochoques a que foi submetido. Estamos diante de um narrador que tem que lidar com um evento psíquico traumático, o shock treatment pelo qual passou, contra sua vontade, e através do qual procurou-se exterminar sua antiga personalidade.

Em busca das raízes da “insanidade” daquele Phaedrus que ele foi um dia, e cuja memória foi parcialmente dizimada pelo shock treatment, o narrador tenta refazer sua vida pregressa como professor de inglês e de retórica, como estudioso de religiões orientais na Índia, como aluno de um curso de filosofia em Chicago. E assim vai comunicando aos leitores, em uma série de chautaquas, sua filosofia-de-vida, lentamente reconstruída conforme as páginas progridem e os quilômetros são atravessados sobre duas rodas.

Pirsig procede sem pressa pois julga que uma das doenças do século 20 é justamente a impaciência, o corre-corre, a ansiedade, a incapacidade de estar com a mente quieta e o coração tranquilo. A sociedade ultra-tecnológica de racionalidade triunfante, longe de ter-nos conduzido a uma civilização sábia, com sujeitos capazes de meditação atenta e reflexão profunda, levou-nos aos labirintos de cimento e poluição destas selvas-de-pedra que chamados de metrópoles, polvilhadas por massas de frenéticas “formigas que trafegam sem porquê” (como cantarola Raul Seixas em “S.O.S”).


Phaedrus tem consciência de ser alguém que saiu dos trilhos da normalidade, tornando-se um perigoso questionador de autoridades e sistemas: “he was released from any felt obligation to think along institutional lines and his thoughts were already independent to a degree few people are familiar with. He felt that institutions such as schools, churches, governments and political organizations of every sort all tended to direct thought for ends other than truth, for the perpetuation of their own funcions, and for the control of individuals in the service of these functions.” (148)

A grande viagem que Pirsig nos descreve não é apenas através das estradas, rumo ao topo de montanhas, às margens dos rios, mas também a viagem interior de um personagem em busca da verdade sobre si mesmo. Uma busca inseparável de seu esforço de decifração do grande enigma do mundo.

Sua motocicleta não flui apenas sobre terra e asfalto, levantando poeira física, mas flui também pelos trilhos da lembrança, a-trippin’ down the memory lane… Ele tenta encontrar seu caminho em meios aos escombros, tentando colar os cacos de passado e de memória que restaram no filme um tanto desconexo e confuso de sua consciência.

Neste sentido, Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas lembra, em alguns de seus temas e episódios, outro clássico da literatura norte-americana da segunda metade do século XX: Um Estranho no Ninho, de Ken Kesey, que também traz vívidas e impressionantes descrições sobre as sequelas deixadas por certos bárbaros processos psiquiátricos, como a terapia-de-choque e a lobotomia.

Ken Kesey

Uma das primeiras teses que o livro apresenta ao leitor é de uma tendência, naqueles que foram chamados de hippies (e, uma geração antes, de beatniks), de revolta contra a massificação e a tecnologia. Em boa parte da trip, o narrador e seu filho Chris são acompanhados pelos amigos John e Sylvia, o casal Sutherland, descritos como um par de rebeldes radicalmente “anti-tecnológicos” e “anti-sistema”. É como um modo de escapar de uma sociedade tecnocrática, desumanizadora e mortífera que John e Sylvia sobem em suas motocicletas e aderem a um estilo de vida de outsiders.

Mas Pirsig logo aponta o paradoxo na atitude daqueles que pensam protestar contra a tecnologia, mas sentados numa BMW de duas rodas e motor possante. A imagem um tanto caricatural do hippie como uma criatura natureba, abraçadora de árvores, com flores nos cabelos, que só aprecia cenários idílicos, que nunca come nada industrializado, que tem seu próprio pomar e horta, é posta em questão pelo livro de Pirsig. Zen nos faz pôr em dúvida se existiu de fato na história cultural da América do Norte nos 1960 qualquer real movimento, disseminado e significativo, que questionasse as raízes do projeto tecno-científico ocidental.



A revolta contra a massificação, o consumismo, o individualismo, os valores do capitalismo selvagem, muitas vezes se dá através de um radical virar às costas a “tudo isso que está aí”, ao Sistema como um todo – podemos pensar, por exemplo, em Chris McCandless, vulgo Alexander Supertramp, cuja vida-viagem foi descrita com tanta vivacidade e brilhantismo tanto no livro-reportagem de Jon Krakauer quanto no filme de Sean Penn, Into the Wild – Na Natureza Selvagem.

McCandless queima todo seu dinheiro, abandona seu carro e adere a um estilo-de-vida nômade como andarilho e caroneiro, até que enfim parte para o Alaska para ficar em meio à natureza selvagem. Mas também neste caso a situação de McCandless é paradoxal: se, por um lado, como fiel seguidor de Thoreau, ele vai em busca de um lugar que possa chamar de Walden, ele ao mesmo tempo não consegue recusar completamente toda a vida civilizada: lembremos que ele constrói seu refúgio contra a friaca em um ônibus abandonado, que leva consigo manuais de botânica que o auxiliam na escolha dos alimentos, além de carregar consigo seus livros prediletos. Trata-se claramente, portanto, de uma recusa de certos aspectos da civilização, enquanto outros continuam sendo valorizados como benesses muitas vezes essenciais para a sobrevivência.

Em sua obra Pirsig está constantemente mostrando estas contradições daqueles que se colocam na contra-corrente das tendências culturais hegemônicas – como os hippies e beatnikes. A leitura de Zen me fez pensar naqueles que estiveram envolvidos nos eventos que mais marcaram época na era Flower Power.

Tudo bem que durante os dias que durou a lendária festa de Woodstock em 1969 era o maior barato tomar banho pelado no rio, rolar na grama molhada pelo orvalho da madrugada ou brincar de guerrinha de lama. No interior do estado de Nova York, redescobria-se um cenário onde a natureza ainda não havia sido tão transformada (e poluída) pelo engenho humano – em contraste, por exemplo, ao corredor polonês de arranha-céus em Manhattan.


Mas a maior parte daqueles que estiveram no festival ali chegaram em automóveis e motocicletas, com o desejo expresso de curtir música amplificada em mega altofalantes, e poucos dias depois estariam talvez em suas casas com ar condicionado, bebendo cerveja enlatada, guardando comida industrializada no freezer…

Em suma: é quase impossível ser um hippie que defende fanaticamente um estilo-de-vida arcaico e roots, condenatório da tecnologia, e ao mesmo tempo estar em êxtase com o LSD e ouvindo a guitarra elétrica de Jimi Hendrix. Pois estas experiências psicodélicas e estéticas são inimagináveis sem os avanços tecnológicos precedentes. O próprio Albert Hoffmann não criou sua “poção mágica”, tão celebrada pelos hippies, enquanto trabalhava para a indústria farmacêutica em um laboratório high-tech? E seria concebível toda a apologia do “amor livre” sem que antes houvesse surgido e se disseminado outro rebento farmacológico do início dos anos 60, a pílula anti-concepcional?

Eis portanto um dos “problemas” que Pirsig persegue em seu livro: aqueles que se dizem anti-sistema, contra-cultura, críticos da tecnologia, são os mesmos que louvam motocicletas, guitarras elétricas e drogas sintéticas, ou seja, “produtos” da racionalidade tecno-científica ocidental que supostamente estava em questão para os movimentos sociais norte-americanos nos anos 60.

O que Pirsig investiga a fundo neste seu romance-viagem, sem mencionar Adorno e Horkheimer, é algo semelhante ao que os autores da Escola de Frankfurt chamavam de Razão Instrumental. Zen procura decifrar o enigma do porquê o século XX tornou-se um pesadelo – resumível em nomes como Hiroshima, Auschwitz, Chernobyl… – e quais os possíveis caminhos para uma vida mais zen.

O que a manutenção de motocicletas tem a ver com tudo isso? Seria muito demorado repassar todos os argumentos de Pirsig livro afora, então aqui intento uma modesta tentativa de síntese, com as minhas próprias palavras, da defesa entusiasmada que faz o narrador de um sujeito que não é só o piloto de sua motoca, mas também o seu mecânico.

Em meio à reflexão sobre a racionalidade científica e seus produtos tecnológicos, a motocicleta que carrega os personagens através da América selvagem aparece como digna da atenção do filósofo – e não só por ter se tornado uma espécie de símbolo libertário, pelo menos de acordo com grupos como os Hell’s Angels (vide o livro de Hunter S. Thompson) e todos os “asseclas” do estilo-de-vida Easy Rider.

A motocicleta, que pode ser considerada uma bicicleta motorizada e complexificada, é ao mesmo tempo o resultado histórico de um processo de avanço tecnológico indissociável da tecno-ciência ocidental. O século XX tem uma de suas peculiaridades justamente no fato de ser o primeiro século com produção em massa de novos meios de transporte individual, veículos movidos por motores de combustão interna e que queimam combustíveis fósseis…

O livro de Pirsig silencia quase completamente sobre os subprodutos ecológicos destes inventos – como a poluição que recobre tantas das metrópoles globais, repletas de carangas que são junkies de gasolina e peidam pelos escapamentos densas nuvens de CO2…

Ele prefere se deter sobre um fenômeno que analisa detidamente e que ele chama pelo nome de “dualismo sujeito-objeto”: este fenômeno é “encarnado” por seu amigo John Sutherland, aquele sujeito que só quer saber de pilotar sua motoca e curtir sua viagem, mas não entende bulhufas sobre a mecânica e o funcionamento interno do objeto que possui. Sempre que a joça enguiça, John precisa sair correndo em busca da ajuda salvífica de um especialista.

Já o narrador é o entusiástico defensor da tese: “seja você seu próprio mecânico” – o que exige um conhecimento técnico dos processos envolvidos no funcionamento de uma motocicleta que a grande maioria dos usuários nunca se preocupa em adquirir.

Isso lembra um pouco o modo como lidamos com outros produtos tecnológicos, como telefones celulares ou aviões. A grande maioria dos usuários de celular não compreende o processo histórico através do qual as tecnologias de comunicação foram mutando e se transformando. Julgam desnecessário compreender o longo caminho trilhado desde os tempos de Graham Bell até a era do Skype, dos smartphones, da telefonia via satélite.

De modo similar, quase todos os passageiros de um grande avião seriam incapazes de explicar em detalhes como é possível que um jumbo de milhares de toneladas possa planar no ar como uma águia, assim como desconhecem a história das evoluções que separam os primeiros experimentos de Santos Dumont e dos irmãos Wright dos atuais boeings 737 ultra hi-tech.


Lidamos com os bens tecnológicos, via de regra, como meros usuários de um serviço, ou possuidores de um objeto que foi inventado por outros, sendo que deixamos a uma casta de especialistas o trabalho de criar, compreender, ajustar e operar aquilo que não temos paciência ou interesse para tentar compreender.

Para o narrador do romance de Pirsig, realizar a manutenção da própria motocicleta aparece como um meio de superar essa cisão entre o usuário e o especialista. Trata-se de compreender intimamente a motocicleta não como um punhado “morto” de matéria, mas como resultado de um longo processo através do qual o engenho humano foi compreendendo e transformando a natureza, aprendendo a controlar suas forças e dar direção às suas energias.

Além disso, realizar uma constante manutenção da motoca é acreditar em sua durabilidade, na possibilidade de tê-la como possante companheira de jornada por toda uma vida, o que é um antídoto contra a mentalidade descartista típica de tempos de obsolescência programada – aquele tipo de ideologia que tenta nos convencer que só seremos pessoas plenas caso tenhamos o “carro do ano” e que devemos trocar de moto a cada 5 anos (ou menos…).

A cultura consumista e descartista é claramente descrita por Pirsig como junk, como um estilo-de-vida de baixa qualidade. E, como o próprio título do livro já aponta, alguns dos remédios possíveis para curar as tendências estúpidas e destrutivas do capitalismo ocidental estão… no Oriente.

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas reitera aquela apologia das sabedorias orientais tão recorrente na contra-cultura dos anos 50 e 60  – é só lembrar, por exemplo, de George Harrison e sua adesão ao hare krishna, sua paixão pelas cítaras, suas canções (especialmente na carreira solo) recheadas com mantras, sua admiração pelo guru Maharishi, ou em John Lennon indo buscar inspiração para “Tomorrow Never Knows”, canção que encerra Revolver, no Livro Tibetano dos Mortos.

O fato dos Beatles – influência imensuravelmente impactante sobre a cultura dos sixties – terem passado um tempo morando na Índia, na época do White Album, é apenas um dentre centenas de outros casos de orientalização manifestada na era Hippie.

Beatles e o Maharishi

Os Beatles na Índia com o Maharishi em 1968

Os principais conceitos do sistema filosófico de Phaedrus (o personagem de Pirsig antes do eletro-choque) têm confessas similaridades com noções do zen budismo, do hinduísmo, do taoismo. É como se Pirsig estivesse tentando traduzir para um público ocidental o que significa, por exemplo, o Tao ou o Zen. Mas não há nada no livro que cheire à pregação dogmática ou fanática – e o trecho do livro que descreve o período do personagem na Índia, quando ele estuda misticismo e religiões orientais em Benares, mostra bem as contradições irreconciliáveis entre uma mente formada nos rigores do racionalismo ocidental e uma mente mística que busca o completo silenciamento dos raciocinações em prol de uma intuição a-intelectual.

No fundo, Phaedrus está muito mais “ancorado”, conhece muito mais profundamente, tem uma carga de leitura muito maior, no racionalismo filosófico ocidental – e os diálogos-com-pensadores de maior envergadura do livro de Pirsig se dão em relação a Platão, Sócrates, Aristóteles, Kant…

O Oriente, longe de “impregnar” o texto, faz aparições esporádicas, um tanto fragmentárias, e sempre em contraponto com a exacerbada valorização do racional que caracteriza o galho socrático da história da filosofia. Pirsig tem plena consciência de que o zen budismo está longe de valorizar a razão tanto assim – e que um grande mestre zen budista, através de seus ditos misteriosos ou de enigmáticos e indecifráveis koans, pretende conduzir a mente a um dilema insolúvel que a faça desesperar dos poderes racionais.

O zen budismo está todo organizado como um sistema de atentados contra a megalomania da razão; deseja a todo momento pôr a razão em maus lençóis, mostrar a razão em toda sua pequenez e todo seu ridículo; o mestre fica contente quando a mente do discípulo atinge um estado que Pirsig descreve como stuck, tradutível como “travado”, “estacionado”, “estagnado”.

Eis uma grande oposição entre dois sistemas de pensamento: de um lado, o racionalismo científico ocidental, que se orgulha pelos avanços tecnológicos imensos e variados que possibilitou, e que aponta como panacéia uma tentativa de compreensão de mundo neutra, objetiva, desapaixonada, “puramente racional”; de outro, as milenares doutrinas orientais, que valorizam a meditação, a serenidade, a paz de espírito, a busca pelo nirvana, a harmonização entre o humano e a natureza a que pertencemos, com a valorização da intuição pré-intelectual e da abertura de consciência (awareness)…

Se Phaedrus acaba lançado no turbilhão da insanidade, talvez seja pois seu corpo parece estar no centro de um cabo-de-guerra entre o Ocidente e o Oriente, sendo que ele ouve o chamado tanto das motocicletas quanto dos monastérios. E todo esse livro-viagem parece animado pelo desejo de reconciliar o que antes era pensado como oposição, unir aquilo que a compreensão dualista separa.

Pirsig retrata um pensamento acostumado a operar com oposições dualistas – Phaedrus adora dividir o mundo entre a mentalidade clássica e a romântica, entre as pessoas hip e os squares, entre o ocidente e o oriente… – ao mesmo tempo que vai progressivamente descobrindo uma doutrina, muito próxima do taoísmo e do monismo spinozista, e que procura demolir todo tipo de oposição dual. Não mais a razão contra a emoção, não mais o espírito contra a matéria, mas uma compreensão mais plena que abrace ambos os pólos da oposição e toda a imensidão que há entre eles e fora deles.

No fundo, talvez não haja ilusão maior do que a de se pensar que se compreende a vida por inteiro, que é possível dominá-la com a razão; talvez não haja megalomania mais perniciosa do que pensar que qualquer linguagem inventada por humanos possa dar conta de descrever o espetáculo inominável do universo. No fim das contas, a viagem da vida talvez não valha tanto pelo ponto de chegada, que para todos nós é o túmulo, mas pela própria jornada por estes caminhos tão estranhos, polvilhados de beleza e de mistério. A jornada é a recompensa.

“Sábio é quem se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Fernando Pessoa. E este espetáculo é tão maior que a linguagem e a razão! Não conheço frase que melhor sintetize essa sabedoria que transcende a razão do que o sarcástico e sagaz ditado zen: “quando o sábio aponta para a Lua, o idiota fica olhando para o dedo…”


Na sequência, uma seleção de alguns dos trechos do livro que mais me impressionaram:

“Clichés and stereotypes such as ‘beatnik’ or ‘hippie’ have been invented for the antitechnologists, the antisystem people, and will continue to be. But one does not convert individuals into mass people with the simple coining of a mass term. John and Sylvia are not mass people and neither are most of the others going their way. It is against being a mass person that they seem to be revolting.” (21)

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“…to tear down a factory or to revolt against a government or to avoid repair of a motorcycle because it is a system is to attack effects rather than causes; and as long as the attack is upon effects only, no change is possible. The true system, the real system, is our present construction of systematic tought itself, rationality itself, and if a factory is torn down but the rationality which produced it is left standing, then that rationality will simply produce another factory. If a revolution destroys a systematic government, but the systematic patterns of thought that produced that government are left intact, then those patterns will repeat themselves in the suceeding government…” (122)

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“It’s sometimes argued that there’s no real progress; that a civilization that kills multitudes in mass warfare, that pollutes the land and oceans with ever larger quantities of debris, that destroys the dignity of individuals by subjecting them to a forced mechanized existence can hardly be called an advance over the simpler hunting and gathering and agricultural existence of prehistoric times. But this argument, though romantically appealing, doesn’t hold up. The primitive tribes permiteed far less individual freedom than does modern society. Ancient wars were committed with far less moral justification than modern ones. A technology that produces debris can find, and is finding, ways of disposing of it without ecological upset. And the schoolbook pictures of primitive man sometimes omit some of the detractions of his primitive life – the pain, the disease, famine, the hard labor needed just to stay alive. From that agony of bare existence to modern life can be soberly described only as upward progress, and the sole agent for this progress is quite clearly reason itself.” (157)

* * * * *

“No one is fanatically shouting that the sun is going to rise tomorrow. They know it’s going to rise tomorrow. When people are fanatically dedicated to political or religious faiths or any other kinds of dogmas or goals, it’s always because these dogmas or goals are in doubt. The militancy of the Jesuits he somewhat resembled is a case in point. Historically their zeal stems not from the strenght of the Catholic Church but from its weakness in the face of the Reformation. It was Phaedrus lack of faith in reason that made him such a fanatic teacher. (…) He was telling them you have to have faith in reason because there isn’t anything eles. But it was a faith he didn’t have himself.” (190)

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“What was behind this smug presumption that what pleased you was bad, or at least unimportant in comparison to other things? It seemed the quintessence of the squareness he was fighting. Little children were trained not to do ‘just what they liked’ but… but what?… Of course! What others liked. And which others? Parents, teachers, supervisors, policemen, judges, officials, kings, dictators. All authorities. When you are trained to despise ‘just what you like’ then, of course, you become a much more obedient servant of others – a good slave. When you learn not to do ‘just what you like’ then the System loves you. But suppose you do just what you like? Does that mean you’re going to go out and shoot heroin, rob banks and rape old ladies? (…) Soon he saw there was much more to this than he had been aware of. When people said, ‘Don’t do just what you like’, they didn’t just mean, ‘Obey authority’. They also meant something else. This ‘something eles’ opened up into a huge area of classic scientific belief which stated that ‘what you like’ is unimportant because it’s all composed of irrational emotions within yourself.” (297)

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“…at the cutting edge of time, before an object could be distinguished, there must be a kind of nonintellectual awareness, which he called awareness of Quality. You can’t be aware that you’ve seen a tree until after you’ve seen the tree, and between the instant of vision and instant of awareness there must be a time lag. We sometimes think of that time lag as unimportant. But there’s no justification for thinking that the time lag is unimportant – none whatsoever. The past exists only in our memories, the future only in our plans. The present is our only reality. The tree that you are aware of intellectually, because of that small time laf, is always in the past and therefore is always unreal. Any intellectually conceived object is always in the past and therefore unreal. Reality is always the moment of vision before the intellectualization takes place. There is no other reality. The preintellectual reality is what Phaedrus felt he had properly identified as Quality. (…) He showed a way by which reason may be expanded to include elements that have previously been unassimilable and thus have been considered irrational. I think it’s the overwhelming presence of these irrational elements crying for assimilation that creates the present bad quality, the chaotic, disconnect spirit of the 20th century.” (315 – 327)

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“One thing about pioneers that you don’t hear mentioned is that they are invariably, by their nature, mess-makers. They go forging ahead, seeing only their noble, distant goal, and never notice any of the crud and debris they leave behind them. Someone else gets to clean that up and it’s not a very glamorous or interesting job.” (326)

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“Reality is, in its essential nature, not static but dynamic. And when you really understand dynamic reality you never get stuck. It has forms but the forms are capable of change.” (364)

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Pergunte ao Oráculo

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Dicas e truques para pesquisa na internet – Pergunte ao Google

Pergunte ao Oráculo

O Google  vem aprimorando seu principal produto ou razão de ser uma ferramenta de busca. Neste propósito vem tornando seu mecanismo de busca mais inteligente e modificando a forma como apresenta os resultados. Como consequência direta desses esforços os resultados e as de estratégias de SEO e SEM devem ser revistas, e fica cada vez mais difícil “enganar” o Google com habilidades que de fato não geram melhores resultados na primeira página de busca.
Confira estas e outras dicas oficiais no próprio site do Google e alguns “shots” de palestrantes sobre o assunto na Feira do Empreendedorismo do SEBRAE.

 

Captura de tela das preferências do Histórico da web

Histórico da web

O Histórico da web oferece um registro de sites visitados e uma linha do tempo das suas ações. Você também pode pesquisar seu próprio histórico on-line. Experimente em www.google.com/history.

 

Comece de forma simples

Não importa o que você procura, nosso lema é "mantenha a simplicidade". Comece inserindo um nome ou uma palavra. Se estiver procurando por um local ou produto em um lugar específico, insira o nome junto com a cidade ou o CEP.
 
Captura de tela dos resultados de ortografia correta para 'gooogle'

 

Ignore a ortografia

O corretor ortográfico do Google padroniza automaticamente para a escrita mais comum de uma palavra, mesmo que você não tenha digitado corretamente.
Pesquise por “gooogle”

 

Use palavras comuns na web

Um mecanismo de pesquisa funciona relacionando as palavras inseridas com páginas da web. Ou seja, usar as palavras que tem mais probabilidade de aparecer naquelas páginas oferecerá os melhores resultados. Por exemplo, em vez de dizer minha cabeça dói , diga dor de cabeça, já que é o termo que um site de medicina usaria.

Quanto menos, melhor

Um ou dois termos simples de pesquisa retornarão resultados mais abrangentes. Comece com termos de pesquisa curtos e, em seguida, refine seus resultados incluindo mais palavras.

Captura de tela da consulta de frase exata para

Pesquise uma frase exata

Coloque palavras entre aspas "[qualquer palavra]" para pesquisar por uma frase exata e na ordem exata. Lembre-se de que as pesquisas com aspas podem excluir resultados relevantes. Por exemplo, uma pesquisa por"Alexander Bell" excluirá páginas que se referem aAlexander G. Bell. Pesquise por “"ser ou não ser"”

Use palavras descritivas

Quanto mais específica for a palavra, maior será a chance de obter resultados relevantes. Dessa forma [toques de celebridades] é melhor do que [sons de celebridades]. Porém, lembre-se de que se a palavra tiver o significado correto, mas não for a mais usada pelas pessoas, ela poderá não corresponder às páginas que você busca.

Não se preocupe com maiúsculas e minúsculas

A pesquisa não diferencia maiúsculas e minúsculas. Uma pesquisa por new york times apresenta os mesmos resultados que New York Times.

Captura de tela da consulta

Pesquise em um site específico

Antes de sua consulta, digite site: se desejar que sua resposta venha de um site ou tipo de site específico (.org, .edu). Por exemplo: site:edu ou site:nytimes.com.

Não se preocupe com pontuação

A pesquisa ignora pontuação. Isso inclui @#%^*()=[]\ e outros caracteres especiais.

Pesquise por tipo de arquivo

Pesquise por tipos específicos de arquivos, como PDF, PPT, ou XLS, adicionando filetype: e a abreviação de três letras.

Inclua ou ignore palavras e caracteres em sua pesquisa

Destaque palavras e caracteres comuns como o e e se eles forem essenciais para a sua pesquisa (como no título de um filme ou livro) colocando-os entre aspas: "o". Você também pode usar o sinal de menos "-" para especificar itens específicos que você não deseja ver nos resultados, como ingredientes em uma receita.

Encontre páginas relacionadas

Use o operador related: para encontrar páginas com conteúdo similar. Digite "related:" seguido pelo endereço do site. Por exemplo, se você encontrar um site de que gostou, tente usar related:[Insira o URL] para localizar sites similares.

Pesquise por números em uma faixa

Fique dentro do seu orçamento pesquisando apenas itens em uma faixa de números colocando ".." entre os valores.

Captura de tela de uma conversão de milhas para km

Faça conversões numéricas

Converta qualquer medida (por exemplo, milhas para quilômetros ou onças para litros) digitando o número e a unidade de medida.

Captura de tela da consulta por

Veja que horas são

Para ver a hora certa em qualquer lugar do mundo, pesquise por horário e a cidade ou país.

Captura de tela da conversão de dólares americanos para pesos

Faça conversões monetárias

Veja as taxas de conversão monetária pesquisando por[moeda 1] em [moeda 2].

Pesquise na web
em todos os idiomas

Quando estiver pesquisando, clique em "Mais ferramentas de pesquisa" no painel à esquerda da página de resultados e, a seguir, selecione "Páginas estrangeiras traduzidas". Esse recurso escolherá o melhor idioma para pesquisar e fornecer resultados traduzidos.
 
Captura de tela da previsão meteorológica para Chicago

Verifique o clima

Pesquise por meteorologia seguido por um CEP dos EUA ou o nome de qualquer cidade no mundo para obter a meteorologia atual e a previsão. Insira apenas meteorologia para obter a meteorologia do seu local atual.
Pesquise por “clima são paulo”

Captura de tela da cotação da ação GOOG

Verifique cotações da bolsa em tempo real

Ao digitar o símbolo de uma ação na caixa de pesquisa, você obterá cotações da ação atualizadas em tempo real nos resultados de pesquisa. Clique no link da página de resultados de pesquisa para obter uma análise detalhada do mercado do Google Finance. Pesquise por “GOOG”

Verifique resultados
e programações esportivas

Saiba os resultados e o horário dos jogos do seu time favorito, pesquisando pelo time ou liga na caixa de pesquisa.

Captura de tela do Goggles identificando um livro

Pesquise com o Goggles

Deseja pesquisar a web usando a câmera do celular em vez de palavras? Em um celular Android, abra o aplicativo Google Goggles (em um iPhone, abra o aplicativo de Pesquisa do Google e selecione Goggles), tire uma foto do item sobre o qual deseja pesquisar e aguarde os resultados. Não é necessário digitar.

Rastreie suas encomendas

Rastreie suas encomendas da UPS, FedEx ou do serviço postal dos EUA digitando o número de rastreamento diretamente na caixa de pesquisa. Os resultados mostrarão o status de sua encomenda.

Captura de tela da consulta

Veja definições

Coloque define: na frente de qualquer palavra para ver sua definição. Pesquise por “define: loquacidade”

Captura de tela: escolhendo tamanho de imagem

Pesquise usando a pesquisa de imagens avançada

Use a Pesquisa de imagens avançada para encontrar um tamanho, uma cor ou um tipo exato de foto ou imagem. Com as ferramentas no painel à esquerda, você pode filtrar sua pesquisa para incluir somente fotos com rostos, clip art, imagens em alta resolução ou somente imagens disponíveis para uso comercial.

Captura de tela da consulta

Calcule qualquer coisa

Insira qualquer equação matemática na caixa de pesquisa e sua resposta será calculada. Pesquise por “100*3,14-cos(83)=”

Localize a atividade de terremotos

Digite terremoto na caixa de pesquisa e os resultados apresentarão informações do US Geological Survey mostrando o horário, o local e a magnitude de terremotos recentes.

Captura de tela dos resultados de churrascaria com mapa

Pesquise por local

Adicione um CEP ao final da pesquisa de local, como costelas de porco e obtenha resultados que mostram as churrascarias mais próximas, junto com números de telefone, um mapa e até comentários. Se você não incluir seu CEP, poderemos sugerir locais próximos a você. Pesquise por “costelas de porco 35201”

Pesquise locais por CEP e códigos de área

Deseja saber onde se localiza um CEP ou um código de área? Digite-o na caixa de pesquisa. 

Compre e compare

Use o link "Compras" no painel à esquerda na página de resultados para procurar produtos e comparar preços na web.

Captura de tela do nascer do sol em Baltimore

Veja os horários do nascer e do pôr do sol

Para ver o horário exato do nascer e do pôr do sol em cidades dos EUA e do mundo, pesquise por nascer do solou pôr do sol e o nome da cidade. Pesquise por “nascer do sol rio de janeiro”

Encontre empresas locais

Para encontrar uma loja, um restaurante ou outra empresa em uma área específica, insira o tipo de negócio e o local e apresentaremos uma lista de locais próximos, junto com um mapa, análises e informações de contato. Se você não incluir o local em sua pesquisa, encontraremos locais próximos a você.

Captura de tela de horários de filmes localizados

Veja a programação dos cinemas

Pesquise pelo nome de um filme ou simplesmente "cinema" para ver a localização de cinemas e horários de exibição em sua região. Pesquise por um “filme”

Leia livros de domínio público

Leia gratuitamente os textos completos de obras de domínio público como Moby Dick. Basta selecionar "Livros" no painel esquerdo dos resultados de pesquisa.

Delimite uma faixa

Para especificar uma determinada faixa de números, digite "..", um espaço e os números dentro daquela faixa. Por exemplo, se estiver procurando por carros com mais de 300 cavalos de potência, pesquise por carros "300.. cavalos de potência". Veja outros exemplos: "220.. V" ou"1.. RPM" ou bateria "8000.. mAh"

Captura de tela da consulta dos

Veja horários de voos

Para ver os horários dos voos para um determinado destino ou a partir dele, digite voos de ou voos para seguido da cidade ou aeroporto de interesse. Você também pode incluir outro local com para ou de e verificar a programação para uma determinada rota.*Os dados de programações de voos são fornecidos pela OAG e QuickTrip by Innovata. Pesquise por “voos rio para são paulo”

Captura de tela dos horários específicos da consulta por

Verifique horários de voos

Visualize informações em tempo real de chegadas e partidas de voos em cidades dos EUA. Basta pesquisar pelo nome da companhia aérea e número do voo. Pesquise por “frontier 667”

Veja notícias do mundo todo

Pesquise por tópicos e clique na guia "Notícias" no painel esquerdo para obter resultados de notícias de fontes de todo o mundo.

Captura de tela dos resultados de mapa da consulta por

Pesquise por um endereço

Para mapear qualquer localidade, digite o nome ou CEP da cidade seguido pela palavra "mapa" e você verá o mapa do lugar. Clique nele para vê-lo no Google Maps. Pesquise por “97232 mapa”

Termos semelhantes

Obtenha resultados que incluam sinônimos colocando o sinal "~" em frente ao termo de pesquisa. Uma pesquisa sobre [receitas ~sobremesas Natal], por exemplo, retornará resultados para sobremesas, além de doces, biscoitos e outras guloseimas.

Captura de tela do recurso de comando de voz

Pesquise por voz

Fale para pesquisar. Toque no botão de microfone na caixa de pesquisa do Google, ou pressione por alguns segundos o botão de pesquisa do telefone para ativar a tela "Fale agora". A Pesquisa por voz para Android suporta Voice Actions no Android 2.2 (Froyo) e superior.

Examine dados públicos

Pesquise termos demográficos como população ou taxa de desemprego, seguido por uma cidade, estado ou país e você receberá dados instantâneos sobre o local escolhido diretamente do U.S. Census Bureau e do Bureau of Labor Statistics. A partir daí, você poderá clicar para comparar taxas em locais diferentes.

Captura de tela de gráficos financeiros

Obtenha informações financeiras interativas

Para obter resultados financeiros interativos, vá para google.com no iPhone ou celular com Android (2.1 ou superior) e pesquise pelo símbolo de uma ação. Você verá um gráfico interativo em um cartão e poderá alternar as visualizações conforme períodos diferentes tocando nos botões abaixo do gráfico.
Captura de tela das previsões de pesquisa instantânea

Instant no celular

O Google Instant no celular torna as pesquisas mais rápidas exibindo não apenas previsões, mas resultados reais de pesquisas enquanto você digita. A versão beta está disponível para a maioria dos aparelhos iPhone e Android nos EUA. Para experimentar, acesse google.com no navegador do celular e toque no link "Ativar" do Google Instant, abaixo da caixa de pesquisa (se você não vir o link, aguarde um momento e atualize a página).
Captura de tela da pré-visualização dos resultados de pesquisa

Use a pré-visualização do Instant no celular

As pré-visualizações do Google Instant estão disponíveis no celular para dispositivos Android (2.2+) e iOS (4.0+) em 38 idiomas. Assim como na versão para computador das pré-visualizações do Instant, você pode comparar visualmente os resultados de pesquisa das capturas de tela de páginas, facilitando e agilizando a escolha do resultado correto.
Captura de tela de pesquisa nas proximidades

Pesquise por local

Se você deseja encontrar sushi perto de você, vá para Google.com no seu smartphone e digite "sushi". Se tiver optado por compartilhar seu local com o Google, você verá resultados de restaurantes próximos ao seu local atual. Se você desejar pesquisar em outro local, especifique uma localização na consulta, como "pizza Kansas City".
Captura de tela de previsão com controle deslizante para o clima

Interaja com a meteorologia

Para ver um snippet novo de resultados de pesquisa sobre meteorologia que permite que você se envolva com os resultados, acesse google.com no iPhone ou em um aparelho Android e pesquise por "meteorologia".

Por dentro da pesquisa


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fonte: https://www.google.com/intl/pt-BR/insidesearch/tipstricks/all.html
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Parceria em Redes Sociais com treze milhões de visualizações

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Oportunidade de parceria em Rede Social

Estou oferecendo parceria em redes sociais que totalizam mais de 13 milhões de visualizações e acessos de variados países nos cinco continentes - além de idiomas de origem latina - focalizada em expressões artísticas diversificadas, que dialoguem bem com a contemporaneidade.
Aceito residência artística ou curadoria de terceiros. A seguir listo uma gama de possibilidades em ações pertinentes para divulgação neste e em outros canais parceiros.
Sitam-se convidados a interagir!

13.880.486 visualizações

Causas:
Cultura e Artes, Empoderamento Econômico, Educação, Meio ambiente, Direitos Humanos, Ciências e Tecnologias.

Áreas de experiências / residências artísticas:
Economia Colaborativa | Economía Colaborativa, Formação Livre | Formación Libre, Gestão Ambiental | Gestión Ambiental, Artes Visuais | Artes Visuales, Fotografia | Fotografía, Design | Diseño Vídeo | Video, Cinema / Audiovisual, Estética / Experimentações | Estética / Ensayos, Movimentos Sociais | Movimentos Sociales, Democratização da Comunicação | Democratización de la Comunicación, Políticas Culturais | Políticas Culturales, Produção Cultural | Producción cultural, Jornalismo Independente | Periodismo Independiente, Esportes | Deportes, Direitos Humanos | Derechos Humanos, Redes Sociais | Redes Sociales, Mobilidade Urbana / Cidades | Mobilidad Urbana / Ciudades Meio Ambiente / Indígena | Medio Ambiente / Indígena.

Algumas redes:

Confira todas as conexões aqui

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Manual do sobrevivente em caso de estupro mental desvios de caráter e ego zoides no mundo torpe

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Manual do Sobrevivente Moral

Em situações de desvios de caráter
Personalidades egozóides
Mundos deturpados
Ambientes de pressão e repressão
Direitos cerciados, censura à liberdade de expressão


Nossos currículos omitem frequentemente o treinamento para o lobby como também omitem qualquer dose teórica de discussão sobre Ciência Política. Esta omissão não é involuntária, mas constitui uma repressão vitoriana que corre em nosso sangue desde o século XIX. A política é tida como coisa suja, a representação de interesses é vista como um assunto publicamente inconveniente. Essa repressão vitoriana conduz o assunto para o submundo não-oficializado, onde então vale tudo, onde, no esterco e na escuridão, vegeta essa planta autoritária que está escondida em todos nós, pronta para florescer as flores do Mal.

Vamos à definição

Lobby é a ação de influenciar sobre o tomador de decisão na esfera do poder público. A atuação persuasora sobre o poder público. O esforço para influenciar, a tentativa de, a ação para. Por extensão, pode-se chamar de lobby também o grupo de pessoas que exerce essa influência, ou o mecanismo de pressão ou de representação junto ao poder público. A esse último, os franceses chamam de "groupes de pression" e os norte-americanos de "interest groups".

Lobby deve ser distinguido de relações públicas, porque não se trata apenas de uma comunicação social com diversos públicos, mas de uma ação específica visando obter um resultado concreto.
A comunicação social tem por objeto os públicos, o lobby tem como objeto a "tomada de decisão". Relações públicas pode preparar as bases constituintes do poder, esclarecer, persuadir, mas a culminação de uma campanha de opinião é obtida por um momento específico em que se encontra o interesse e a autoridade.

Da mesma forma, a ação comercial ou de venda não pode ser confundida com a de lobby.
O marketing tem por objeto o comprador, cliente, o consumidor, enquanto o lobby (novamente) tem por objeto o poder decisório. Mesmo nas empreiteiras e fornecedoras de governo, onde o tomador de decisão política pode coincidir com o comprador, há o cuidado de distinguir em funções diferentes as duas atividades.

Cabe ainda lembrar que o lobby não é uma profissão e nem poderá ser (mesmo sendo exercido em sua grande maioria por profissionais de relações públicas), dado que o ato de influenciar pode vir a ser exercido por pessoa ou grupo de qualquer agremiação profissional. Não posso imaginar um lobista portador de carteirinha profissional. O fato de o lobby não ser uma profissão não impede que seja registrado, protocolado, classificado para efeito de controle social e de estabelecimento de uma ética própria.

Desta forma, não existe lobby junto à opinião pública, como não existe lobby junto à imprensa.
O lobby, como consumação última de uma campanha de opinião pública, é o beneficiário de relações públicas. Fazer lobby também não deve ser visto como competência exclusiva da recentemente regulamentada profissão de relações públicas.

O lobby é

sempre pejorativo quando outros são beneficiados; quando somos nós os beneficiados, não se usa a expressão. Os democratas norte-americanos usam a expressão contra grupos econômicos vinculados ao Partido Republicano: neste sentido, o lobby das petroleiras.

Saindo fora do debate semântico, fazem lobby todos os grupos da sociedade, todas as pessoas físicas e jurídicas, os grupos de interesses, representantes de ideologias de direita e de esquerda. O lobby não é departamentalizado dentro da estrutura da empresa. Fazem lobby em tempo parcial todos os executivos, desde o presidente do conselho até o engenheiro de obras.
Fazem lobby em tempo integral geralmente uma ou mais pessoas localizadas em diretorias ou assessorias a nível de presidência. Essa "assessoria política", ao mesmo tempo, esclarece a diretoria, planeja a ação e articula os contatos.

O lobby mais comum é o individual, de uma empresa ou de um grupo econômico;
mas ele atinge a sua forma mais complexa quando atua coletivamente através de grupos de pressão, associações de classe, consórcios, sindicatos, sociedades civis, clubes de diretores, associações comerciais ou federações de indústria.

É evidente que o lobby, transformado em instrumento do poder econômico, torna se nocivo, precisando ser regulamentado e controlado pelo poder público. Mas ele não é necessariamente um instrumento prejudicial à sociedade aberta e à representação democrática. A representação dos interesses tanto se pode fazer através das urnas, como através dos grupos de interesse. Nota-se a sua presença nas sociedades mais formalmente democráticas, como uma alternativa de eficácia mais rápida e segura.

A imagem é contundente dos conflitos de interesses que muitas vezes explodem no espaço público. Pode acontecer em qualquer esquina, em qualquer tempo, porém dificilmente conheceremos cara a cara quem são os agentes que provocam ou disparam as forças de pressão sobre os interesses da sociedade.

PERFIL DO LOBBYIST

  1. Conhecimento de Governo.
  2. Cultura Geral.
  3. Conhecimento Jurídico.
  4. Senso Comercial.
  5. Discrição/Confidencialidade.
  6. Tato Político.
  7. Postura.
  8. Conhecimento do Produto.
  9. Integridade Ética.

COMO MONTAR UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE O AMBIENTE EXTERNO


Regras Básicas:
  • 1. A informação é fundamental.
    Conhecer o ambiente sobre o qual se vai trabalhar.
  • 2. Evitar identificação político-partidária da empresa.
  • 3. Evitar "figurões" para a direção das relações externas. Procurar profissionais.
  • 4. Trabalhar no curto e no longo prazo.
  • 5. Evitar pontos de conflito entre a empresa e o meio ambiente.
  • 6. Identificar variáveis futuras. Ter canais próprios para identificar metas do governo.
  • 7. Análise da estrutura econômica, política e social.
  • 8. A imprensa é um material básico de trabalho.

LEITURA CRÍTICA DA IMPRENSA

  1. Destrinchar a notícia. Identificar sua origem. Foi "press-release"? Quem distribuiu? Quem está pagando?
  2. Análise comparativa de vários jornais. Identificar pontos comuns (estruturas de frases repetidas) em vários jornais, que possam fornecer pista para a origem da notícia.
  3. Analisar o balanço dos veículos. Conhecer o endividamento dos periódicos. Dívida em dólar ou real? Com que banco?
  4. Analisar a carteira de anunciantes. De quem o jornal depende?
  5. Interesses ostensivos do veículo.
  6. Conhecer os interesses não-explícitos. Perfil do proprietário e dos jornalistas.
  7. Analisar notícias em nível nacional. Às vezes a notícia surge em outras praças.
  8. Acompanhar o perfil das autoridades. A sua política, os seus pronunciamentos, os seus interesses.
  9. Procurar o "off" em contatos informais com os jornalistas.
  10. Compreender como um jornalista produz a notícia.


    Combinar análises econômico-políticas mais profundas (cenários semestrais) com contatos para análise conjuntural mais frequentes (relatórios de conjuntura) cada 15 dias. Almoços com jornalistas.



PLANO DE LOBBY

Metodologia de trabalho

I. DEFINIÇÃO DO OBJETO DO LOBBY

  1. O que queremos? Qual é o nosso pleito?
  2. É legal?
  3. É moral?
  4. Coincide com a causa pública ou com o interesse da sociedade?
  5. Coincide com o "discurso" ou ideologia do governo?
  6. Qual é o nosso poder político de barganha?
  7. Qual o atrativo (político, ideológico, econômico, eleitoral) que nosso pleito apresenta?
  8. Qual é a imagem política de nossa empresa? Temos contencioso social/político?
  9. Quais os nossos pontos fortes e pontos fracos? (LISTAR)
  10. Qual é o poder de barganha de nossos possíveis aliados?

II. MONTAGEM DA ESTRATÉGIA

  1. Identificação dos interesses ou pleitos. Definição do projeto. O QUÊ
  2. Localização das áreas que decidem no governo. Definição dos segmentos do ambiente político. ONDE
  3. Identificação de oportunidades e ameaças no ambiente. ONDE
  4. Identificação dos atores e aliados. QUEM
  5. Identificação dos oponentes e/ou interesses contrários. QUEM
  6. Determinação do momento oportuno para a ação. QUANDO
  7. Elaboração do orçamento de investimentos na campanha ou no projeto. QUANTO
  8. Definição da "lógica dos acontecimentos" da sequência e das etapas da campanha. COMO

III. INICIAR A COALIZÃO

  1. Identificação dos atores principais (poder decisor. aliados. oponentes).
  2. Identificação dos segmentos favoráveis e desfavoráveis do ambiente.
  3. Análise do nosso poder de barganha.
  4. Avaliação do poder de barganha de nossos aliados.
  5. Seleção de aliados.
  6. Negociação com os aliados.
  7. Identificação dos oponentes.
  8. Avaliação do poder de barganha dos oponentes.
  9. Formulação de estratégias ofensivas e defensivas.
  10. Antecipação de contra-respostas dos oponentes.
  11.  Negociação com os oponentes.
  12. Consolidação da coalizão.

IV. DESENVOLVER A CAMPANHA ("PUBLlCIZING")

  1. Definição do projeto. Elaboração do documento básico.
  2. Preparo interno da empresa.
  3. Formação do grupo de pressão: entidade de classe, fundação, grupo de opinião, assessorias de comunicação social, assessorias especiais.
  4. Escolha dos instrumentos de comunicação social: imprensa, relações públicas, carta a congressistas, busca de aliados dentro do governo, visitas à empresa. etc.
  5. Escolha e treinamento dos agentes.
  6. Redação e divulgação dos documentos. "press-releases" e "mailing lists".
  7. Iniciar a campanha: levar a questão ao público. Escolher o momento certo.
  8. Criar uma atitude favorável por parte da opinião pública.
  9. Escolher o momento certo e trabalhar as áreas decisórias do governo individualmente ou em grupo. Negociar.
  10. Participar de comissões de assessoramento dos legisladores.
  11. Fechar a questão. Concluir a negociação.

V. ESTRUTURA DO LOBBY

  1. Definição de responsabilidades e autoridade.
    Distribuição dos "papéis".
  2. Identificar os executivos que atuarão na campanha.
    Áreas internas da empresa envolvidas na discussão do problema.
  3. Definir o orçamento de cada projeto.
  4. Contratar assessoria individual externa.
    Contratar os agentes do lobby.
  5. Contratar empresas especializadas em comunicação social para apoio de campanha e facilitação de contratos.
  6. Organizar os recursos internos: instalações. secretaria, "mailing list", material promocional, folheteira, banco de dados, assessoria técnica de produto, sistemas de informações, comunicações e correspondências.
  7. Treinar as pessoas envolvidas.
  8. Definir com o presidente da empresa a sua participação pessoal.


Problema Moral do "LOBBY"

PRIMEIRO

O debate das relações entre o poder e os diversos grupos de pressão ou lobbies traz, freqüentemente, o tema da moralidade e da corrupção. 
Este ensaio procura enfocar um pequeno aspecto, dentro da imensidão dos problemas dessa área. Ao percorrer a sua extensão, conclui-se que a questão está longe de ser encerrada. Por falta talvez de maior debate e amadurecimento por parte dos próprios dirigentes, as pessoas envolvidas sentem-se desconfortáveis ou com má consciência ao abordar o assunto.

A questão da propina no lobby levanta mais perguntas do que respostas: 

É possível julgar moralmente o comportamento político?
Há maior anomalia no tráfico político brasileiro do que em outros países?
Um "Estado de Exceção" produz um ambiente moral melhor ou pior do que o de outros sistemas abertos?
O capitalismo selvagem é mais corruptor do que o comunismo?
A pressão pela sobrevivência durante a recessão aumenta as práticas de corrupção?
Quem é o corruptor: quem pressiona para obter um favor ou quem o dá em troca de um ganho pecuniário?
É possível julgar moralmente quem dá uma propina?
Você daria propina para salvar uma vida?

Em maior ou menor escala, o comportamento político usa as paixões humanas e nisso está o seu potencial de provocar juízos morais
As relações de poder são relações de troca. De um lado, alguém recebe apoio ou sustentação; de outro, os
contribuintes esperam algo em câmbio. Em toda relação de poder existe o tráfico de influência: quem recebe apoio dá algo em troca para manter as bases de apoio.
Mesmo o presidente de uma empresa, acionista controlador que seja, sabe que deve fazer concessões em troca de apoio de determinados acionistas ou diretores.
É, pois, ingênuo supor que o comportamento político esteja na esfera do ideal. Quem vota favorece alguém; o votado deve corresponder às expectativas e interesses de seus constituintes até um ponto que ele considere razoável. Do sistema representativo, o tráfico político estende a sua asa sobre quase todas as esferas da ação do poder, chegando finalmente até a instância que estamos abordando. ou seja, o tráfico de influências nas atividades comerciais.
Esse tráfico político, que poderíamos considerar teoricamente normal, deve ser delimitado por princípios da Razão Moral superior. a respeito às leis e aos direitos humanos, o bem comum, o interesse público, a segurança nacional. Porém, já dizia Maquiavel que os interesses têm raízes mais profundas do que as convicções. 
Dada a grande pressão dos interesses humanos, o comportamento político precisa ser controlado e posto a descoberto para que os instrumentos da sociedade possam exercer o seu controle. 
Há momentos em que a sociedade civil se torna delinqüente, como dramaticamente descreve William Golding em O Senhor das Moscas. Momentos esses em que se pode até pôr em dúvida a capacidade da própria sociedade civil de vigiar os seus próprios atos, como no caso das sociedades totalitárias, as sociedades fascistas ou nazistas, por exemplo.
Teoricamente, uma sociedade aberta favorece mais o controle do comportamento político do que uma sociedade totalitária ou autoritária, ou uma sociedade revolucionária no seu período de "terror". Porém, o julgamento moral torna-se difícil numa comparação forçada entre uma sociedade autoritária do tipo "despotismo esclarecido" de Frederico II, na Prússia, e uma sociedade aberta, porém revolucionária, como o da Revolução Francesa. Qual delas foi mais delinquente em seu comportamento político?

Uma coisa têm as sociedades fechadas em comum: elas tranquilizam mais um observador ingênuo beneficiário da situação. Não apresentam "escândalos". O comportamento dos dirigentes e dos grupos de pressão é cercado de uma ideologia oficial que os "santifica". Em contraposição, a sociedade aberta, com o escrutínio dos órgãos de informação pública, apresenta na superfície a intranquilidade que caracteriza o jogo aberto dos interesses, o eriçamento das contradições e conflitos, a massificação das paixões. O bom burguês é levado ao cotidiano escândalo moral da sociedade aberta.
A entrada para a era da "abertura" brasileira deve, sem dúvida, ter despertado em muitos brasileiros a visão de uma sociedade em conflito, onde as tensões se apresentam em campo aberto, onde o desacordo é expresso até com violência, onde cada grupo e cada minoria se acha no dever de vir lutar pelos seus interesses à luz do dia. A violência cotidiana dessa expressão dos interesses e desacordos é que põe algumas pessoas em sobressalto. 
É preciso ter humildade e esperança para aceitar que esse livre jogo das expressões venha a produzir uma sabedoria coletiva. Às vezes, é esperar demais supor que se chegue a soluções sábias. A democracia, já dizia Churchill, é o menos mau de todos os regimes.

SEGUNDO

Outra questão é a dificuldade de julgar a moralidade das ações dos outros. 
No folclore popular, sempre que os outros estão ganhando nós estamos sendo roubados.
A autoridade é sempre corrupta quando os favorecidos não somos nós.
O julgamento moral em política é quase impossível no momento em que a ação decorre. Julgar se um agente usou os meios apropriados, se não feriu o bem comum, pode ser feito a posteriori, no futuro, pelos historiadores políticos. Quando muito, podemos julgar os nossos próprios atos. Quando muito porque, mesmo aí, a psicologia freudiana nos ensinou o quanto de submerso, inconsciente e nebuloso existe em nosso próprio comportamento.

Em política, freqüentemente a moral é decorrente de uma "ética de situação" pela qual uma dada ação só pode ser julgada dentro de coordenadas ad hoc do aqui e do agora, dentro de um contexto concreto que pode justificar ou não a moralidade.
Devem existir "princípios eternos" superiores, como, por exemplo, o respeito pela vida, mas o comportamento político cotidiano está às voltas com problemas mais comezinhos, como: fazer concessões, vender-se ou não, dar ou receber propinas, exercer coerção sobre pessoas utilizando a influência de seus superiores, amedrontar, etc.
O esforço para moralizar uma determinada época consiste em estabelecer as "regras do jogo", os "códigos de ética", criar dispositivos de controle ou de divulgação.
Apesar de todo esforço que deve continuar sendo feito, assim mesmo resulta difícil julgar moralmente as outras pessoas. Só podemos julgar moralmente a nós mesmos.


TERCEIRO


Após Watergate, muitas empresas norte-americanas, apanhadas no escândalo das propinas políticas, e até algumas tendo os seus dirigentes condenados criminalmente, viram-se às voltas com a necessidade de uma moralização das práticas comerciais. Algumas filiais brasileiras de multinacionais têm, até hoje, a prática de exigir de seus diretores e gerentes a assinatura de um compromisso anual de não exercer nenhuma pressão sobre funcionários governamentais que possa ser classificada como coerção, extorsão ou corrupção. Algumas empresas controlam rigorosamente, através de "Políticas de Dar e Receber Presentes", a troca de favores entre diretores e figuras no poder público.

No processo de "abertura", a própria sociedade brasileira está se tornando consciente da necessidade de ampliar os controles. Sabe-se que a própria "comunidade de informações" está voltada, hoje, para o acompanhamento de situações e de grupos onde se suspeita de abuso do poder econômico ou de prática de corrupção. Praticamente, todos os ministérios e secretarias de Estado estão se organizando para "auditar" e corrigir comportamentos. Essa ação de "auditoria" do poder público é sem dúvida necessária e elogiável, mas não esgota o assunto. 

É a própria sociedade civil quem deve exercer a "auditoria" sobre as suas práticas políticas.

Como não acredito no "rearmamento moral", só posso esperar que os diversos grupos que compõem a sociedade não só debatam os seus "códigos de ética", mas exerçam o controle, pondo a público as questões. Independente de qualquer imperativo religioso ou confessional, a sociedade deve exercer os seus mecanismos de consciência à luz da Razão Moral. 
Os órgãos de imprensa têm particularmente o dever de escrutinizar o comportamento político em todas as questões de interesse e bem comum. Tornar o jogo conhecido pela opinião pública. "Disclosure", ou disposição para estar aberto ou transparente, é um requisito de todos os cidadãos quando o que fazem afeta o bem comum.
A sociedade da "abertura" não tem um único centro de poder, mas vários; não tem um só partido no poder, mas vários; não tem uma só ideologia, mas varias. Conviver com esse pluralismo requer estar sendo devassado e escrutinizado diariamente. A sociedade que sobreviver à "abertura" deverá dar prioridade ao cumprimento das leis e ao respeito pelos direitos humanos, deverá, portanto, colocar no mais alto nível o imperativo moral.

QUARTO


Dar dinheiro ou bens de valor venal elevado em troca de favores políticos está muito ligado à opinião popular sobre os lobbies. Aqui entra a questão da propina nas trocas de favor.
Em Brasília, usa-se a terminologia anglo-americana para isso: "brabe", "bribery" (suborno) ou "bribing" (ato de subornar).

Eis, aqui, o resultado de minhas investigações:
  1. Algum empresários não aprovam "em nenhuma hipótese" essa prática em suas empresas, mesmo à custa de perder negócios ou reduzir a atuação em certos setores.
  2. Outros sabem que alguém nos seus escalões inferiores dá propina, mas oficialmente desconhecem a questão.
  3.  Alguns consideram que isso "faz parte das regras do jogo" e, caso necessário, aceitam a situação.
  4. Para alguns, há uma distinção entre aceitar fazer "em nome da sobrevivência da empresa" e não desejar fazê-lo em nome pessoal, como se fosse possível distinguir com nitidez a responsabilidade moral da pessoa física e da jurídica.
  5. Há quem costume classificar áreas ou setores onde a prática da propina é "condição do negócio", e outras em que não é.
  6. Outros levantam a questão de quem é o corruptor: o funcionário do governo ou seu intermediário que propõe o percentual de ganho, ou o funcionário da empresa que dá a propina, como se deixar-se corromper não seja parte da corrupção.
  7. Há ainda a questão de saber se a propina só consiste em "dar dinheiro" ou alternativas como a promoção no emprego, o favor sexual, etc. O folclore machista está saturado de episódios de natureza sexual, etc.
  8. Há quem considere a propina como um costume cultural, apontando povos mais ou menos corruptos, no que vai um traço de preconceito nacional ou racial.

Toda essa questão é pelo menos muito controversa, como se vê. O mal entendido é ainda mais favorecido pelo obscurecimento e pela atmosfera de mistério que o cerca. 
Não discutir a questão é talvez mais daninho do que deixar como está.


Gilberto Freire já escreveu sobre o sentido de culpa e má consciência que o brasileiro tem diante do lucro, identificando as suas raízes culturais e religiosas. Em nossa sociedade, ainda de certa forma rural, o homem de negócios ainda tem um grande espaço a ganhar quanto à legitimidade social de seu trabalho. O empresário é periodicamente alvo das acusações da má consciência popular. No assunto em pauta, o empresário é responsabilizado pelo grau de corrupção das práticas comerciais. O lobby empresarial está ligado popularmente à idéia de propina. Na realidade, o grande vilão na sociedade brasileira não é o Estado, é o homem de negócios. Eis por que é duplamente importante que o próprio empresário promova a luta contra a corrupção.



No sentido de contribuir com algo concreto, sugiro, aqui, aos empresários algumas medidas:

  1. Estar pronto a esclarecer a ética em qualquer caso concreto.
  2. Evitar ou abandonar a vinculação com pessoas do poder ou seus intermediários que sejam conhecidos como recebedores de propina.
  3. Detectar, internamente, as áreas envolvidas e fazer uma profilaxia organizacional.
  4. Introduzir no treinamento dos executivos a discussão da ética de negócios.
  5. Colaborar com grupos de trabalho, visando coibir as práticas incorretas.
  6. Estabelecer uma "Política para Dar e Receber Presentes" ou "Brindes", e fazê-la cumprir pelos diretores, gerentes e associados.
  7. Colaborar ativamente com todos os setores vivos de consciência da sociedade (como a imprensa) para o progresso da moralidade pública.
  8. Examinar detidamente as áreas de contencioso da empresa sob o ponto de vista não apenas legal, mas ético.
  9. Conduzir o planejamento estratégico para a dimensão social e ética, evitando que suas diretrizes sejam produto de uma "mente tecnocrática".
  10. Evitar associações com pessoas ou grupos que reconhecidamente atuam contra o interesse público e bem comum.

QUINTO

Um gesto de boa vontade para com as pessoas de fora é a prática de dar presentes. Dar presentes não deve ser confundido com dar propinas. Um presente é simbólico, elegante, sem alto valor venal, não é negociado, não é dado no momento do favor, não é para ser devolvido, é, enfim, um sinal de atenção. 

Os presentes são geralmente baseados em sugestões dos diretores ou gerentes, adquiridos e distribuídos pela área de relações públicas, numa época determinada (o Natal, por exemplo), em categorias de valor conforme uma classificação em quatro ou cinco níveis de beneficiado.
A instituição cujos funcionários recebem brindes deve do mesmo modo elaborar uma política para o recebimento de presentes. O funcionário ou diretor presenteado deve levar o fato ao conhecimento da presidência ou da direção geral, para que o assunto não esteja carregado de mal-entendidos. Presentes, mesmo de alto valor, não devem ser recusados; são aceitos como gesto de simpatia ou de troca de atenção, mas, conforme o nível, poderão ser destinados a um fundo central e depois sorteados entre os membros da organização ou doados a uma instituição de caridade. 
Pode-se estabelecer um nível de valor pelo qual o presente fique com o destinatário, seja destinado ao fundo geral para sorteio ou seja destinado a uma instituição filantrópica.

Em breve acompanhe aqui a continuação dessa série MANUAL DO SOBREVIVENTE MORAL:


  • Poder, Política e Desenvolvimento Organizacional
  • Cultura Empresarial Brasileira
  • Política e Responsabilidade Social da Empresa
  • Elegia do Empresário Falido (Ou: Vamos Tentar Tudo Outra Vez)
  • Esta Crise Ameaça Levar-nos à Desmoralização Interna,
  • A Responsabilidade Democrática numa Sociedade em Crise
  • Pensar Claro, Primeiro Passo para uma Regeneração Política
  • Especulação sobre a Possibilidade do Socialismo no Brasil
  • Como Crescer numa Era de Retórica Populista
  • Para Ajudar a Compreender a Função da Imprensa
  • Como Fazer "LOBBY" com a Oposição no Poder
  • Negociação
  • É Hora de nos Livrarmos do Raciocínio Tecnocrático






Flores Astrais
Secos e Molhados

Um grito de estrelas vem do infinito
E um bando de luz repete o grito
Todas as cores e outras mais
Procriam flores astrais

O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia






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by The Hedonist Cover Art: "Portrait of Sun Ra", oil on canvas by Paul David Elsen

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