Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Olá futuro, prazer estar em você.

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O Homo Ciberneticus

por Alexandre Teixeira*

Confira entrevista com o futurólogo britânico

Ian Pearson

Ian-PearsonAos 51 anos, não é nenhum aventureiro diletante. Ele é formado em física teórica e matemática aplicada e, por 20 anos, foi pago pela British Telecom (BT), para antecipar tendências e ajudar a materializá-las sob a forma de produtos e serviços. Foi na BT, em 1991, quando o telefone celular ainda era novidade, que Pearson concebeu o sistema de transmissão de texto que daria origem ao SMS, o popular torpedo. Consta que ele anteviu o modelo de console sem fio para videogames dotado de um acelerômetro capaz de detectar movimentos em três dimensões que hoje se associa ao Wii, da Nintendo, e ao Xbox, da Microsoft. Em sua passagem pela BT, Pearson chamou a atenção para o potencial de serviços hoje consagrados, como os mecanismos de busca e o e-mail. Nem sempre o ouviram.
Atualmente, ele atua em carreira solo, à frente da empresa Futurizon, que fundou em Ipswich, na Inglaterra. Por meio dela, presta consultoria e faz palestras, internacionalmente. Consciente das vulnerabilidades da profissão de futurólogo, Pearson diz ter, desde 1991, um histórico comprovado de 85% de precisão em suas previsões para horizontes de dez anos.
“Minhas ferramentas são: uma sólida experiência em ciência e engenharia, análise de tendências, senso comum, tino comercial, saber quando ouvir outras pessoas e um montão de pensamentos”, afirma ele.
Pearson lançou seu livro mais recente, em 2011, You Tomorrow (Você amanhã), sem tradução brasileira. Ele define o trabalho como “um livro sobre o futuro da vida cotidiana”. Soa pretensioso?
Pearson se defende:
“Embora use o título de futurologista, que soa ligeiramente amalucado, sou apenas um engenheiro fazendo deduções lógicas para o amanhã, baseado em coisas que já podemos ver acontecendo”.
Alexandre — Sei que sua especialidade é o futuro, mas gostaria de falar, inicialmente, sobre o passado. O senhor é capaz de citar acertos de futurologistas que ajudaram organizações a antecipar tendências relevantes?
Pearson — Acertamos a maioria das coisas que aconteceram na world wide web, no começo dos anos 1990. Entre os anos de 1991 e 1992, ajudamos empresas de toda a Europa a projetar a infraestrutura necessária para a “banda larga” que agora vemos como algo comum. Houve pouquíssimas surpresas, porque fomos precisos na definição dessa estratégia. Este é, provavelmente, o melhor exemplo.
Alexandre — E o que dizer dos erros e fracassos dos futurólogos?
Pearson — Bom, há sempre aqueles notórios, como o do Bill Gates, dizendo que ninguém nunca iria querer mais do que 640K de memória, esse tipo de coisa. Mas ele não é um futurista profissional, então é realmente injusto. Não preciso ir além de mim mesmo para trazer alguns erros. No passado cheguei a dizer que, no ano 2000, estaríamos trocando a TV pela realidade virtual.
Alexandre — De acordo com suas previsões, em 20 anos, os computadores serão mais inteligentes que os seres humanos, capazes de transmitir sensações e mesmo de preservar o conteúdo da mente humana, o que soa um tanto assustador…
Pearson — É assustador, mas esse movimento não começa da noite para o dia. Ele chega pouco a pouco e você se acostuma a ele. A cada ano diversas coisas novas são lançadas e nós apenas as aceitamos. Ao longo de um período de dez anos, isso significa muita mudança. Hoje mesmo, temos supercomputadores mais rápidos que o cérebro humano, em termos de poder de processamento. Então, já temos essa equivalência com as máquinas. Daqui a 20 anos, você terá equipamentos, no seu bolso, mais espertos que seu cérebro. Você também será capaz de ligar computadores a seu sistema nervoso periférico usando uma pele microelétrica. Você poderá imprimir telas eletrônicas na superfície da pele. Essa pele eletrônica se ligará aos nervos na palma da sua mão. Os sinais elétricos digitados na pele viajarão por esses nervos acionando comandos ou sendo armazenados em um computador. E vice-versa. Em algum ponto do futuro, ao experimentar um jogo de computador ou assistir a um anúncio, você poderá, literalmente, sentir algo em seu corpo, graças a um estímulo dessas terminações nervosas.
Alexandre — Não estou tão certo de que iria gostar de que um anúncio me tocasse desse modo. O que mais seria possível?
Pearson — Muito do processo de pensamento vai ser capturado nessa mesma geração de tecnologias. Se você criar um link e transferir todo o seu processo de pensamento para um computador, poderá gravar a sua mente toda. Estamos falando de 2045, 2050, o que é um futuro mais distante. Mas capturar apenas sensações é uma coisa razoavelmente superficial. Poderemos fazer isso dentro de 20 anos ou antes disso.
Alexandre — Se pensarmos em termos de sociedades, e não apenas do desenvolvimento tecnológico puro, considerando também economia e política, o senhor acha que essa evolução será predominantemente positiva ou negativa?
Pearson — É inteiramente possível ter avanços positivos e, ao mesmo tempo, um aumento da opressão, da vigilância e da invasão de privacidade. Podemos ter as duas coisas: equipamentos fantásticos que fazem a nossa vida muito melhor e também um governo opressivo. A tecnologia se presta a ambos os propósitos. No momento, infelizmente, estamos vendo evidências de que vamos ter ambos ao mesmo tempo. Na Europa, por exemplo, temos governos que querem monitorar cada coisa que fazemos, com a instalação de câmeras para controle de velocidade nas ruas, o monitoramento do que você faz no seu telefone celular e dos seus e-mails.
Alexandre — A tecnologia pode tornar real a figura do Grande Irmão orwelliano.
Pearson — Há muitas invasões de privacidade para as quais os governos querem usar as novas tecnologias. Vemos forças policiais pedindo para usar veículos teleguiados que os militares utilizam no Afeganistão para nos monitorar. Temos grandes empresas de TI, como a Apple, tentando ajudá-las ao inventar novas tecnologias que permitam inabilitar todos os smartphones em uma área, apenas enviando um sinal especial.
Alexandre — Não sei qual é a expressão certa para isso, mas o senhor vem escrevendo sobre algo que poderíamos chamar de imortalidade eletrônica. Quanto tempo teremos de esperar até esse tipo de imortalidade se tornar realidade?
Pearson — Há um projeto que as pessoas do Google chamam de Projeto 2045, porque é exatamente quando elas deverão estar atingindo essa imortalidade eletrônica. A essa altura, você terá um arquivo tão bom da sua mente no mundo das máquinas que seu corpo morrerá e você poderá seguir em frente como uma entidade-máquina. Acho que estão sendo otimistas quanto ao período de tempo. Se você quer um link tão transparente entre seu cérebro e as máquinas para que a maioria dos seus pensamentos e das suas memórias esteja acontecendo dentro do mundo da TI, provavelmente terá de esperar até os anos 2050. E então, 10, 15 ou 20 anos depois, vai virar rotina. Em 2070, será normal para as pessoas usar a TI como extensão de seus cérebros. Até certo ponto, muito de seu processo de pensamento e muitas de suas memórias estarão duplicadas ou totalmente armazenadas no mundo da TI. Então, seus corpos morrerão, seus cérebros morrerão, elas perderão uma porcentagem de sua mente e parte de sua personalidade desaparecerá com ela, mas muita coisa vai ficar no mundo da TI. Então, será de fato uma imortalidade eletrônica.
Alexandre — Nesse mundo que o senhor vislumbra, androides terão mentes humanas quase reais e coexistirão com seres humanos. Isso soa como ficção científica, algo como o filme Blade Runner, com androides se confundindo com humanos. Quão real é essa imagem?
Pearson — Estou certo de que você viu o filme Eu Robô [uma produção de 2004, inspirada numa coletânea de contos de Isaac Asimov e ambientada em 2035, na qual um policial tecnofóbico investiga um crime que pode ter sido cometido por um robô]. Acho que aquele equilíbrio [entre humanos e máquinas] não está muito longe do que eu esperaria ver. A maioria das casas provavelmente terá um ou dois desses robôs de estilo androide, desempenhando várias tarefas. Teremos um monte deles.
Alexandre — Quão parecidos com humanos? Reais a ponto de nos confundirmos?
Pearson — A tecnologia permitirá que sejam bem parecidos com humanos. Já temos peles de silicone que podem imitar a pele humana. Também teremos músculos de silicone, muito mais poderosos que o músculo humano. Então, poderemos ter androides cinco vezes mais poderosos que os humanos. Alguma coisa com a força do Schwarzenegger, um robô muito forte que se pareça com um ser humano normal. No que diz respeito à imortalidade eletrônica, muita gente pensa que teremos um robô ou androide no qual faremos um download da nossa mente e seguiremos em frente depois de mortos, ocupando-o o tempo todo. Eu não acho que será assim. Penso que poderemos muito bem compartilhar robôs.
Alexandre — Como isso seria possível?
Pearson — Você terá uma população de, talvez, mil pessoas armazenada em um serviço on-line que suportará suas vidas, eletronicamente, dentro de uma rede. Elas poderão viajar pelo mundo na velocidade da luz. É um tipo de existência completamente diferente. Poderão, ocasionalmente, habitar um androide, mas não consigo ver por que iriam querer fazer isso o tempo todo. Então, esses robôs seriam perfeitamente adequados para o compartilhamento. As pessoas poderão alugar um androide por alguns minutos toda vez que precisarem de um.
Alexandre — Como um veículo para visitar o mundo físico?
Pearson — Talvez por umas poucas horas. Elas poderão vir, ocasionalmente, ao mundo físico como pessoas físicas. Mas, na maior parte do tempo, ficarão contentes em existir apenas eletronicamente, dentro de uma máquina. Há também a possibilidade de várias pessoas usarem um mesmo androide ao mesmo tempo. Indo além, há a possibilidade de usar um link entre o cérebro e a máquina para compartilhar o corpo de outra pessoa enquanto ela o usa.
Alexandre — Para quê?
Pearson — Para ocupar a mesma rede sensorial dela. Assim, você poderia experimentar as mesmas sensações, viver uma espécie de simbiose.
Alexandre — Muitas obras de ficção científica especulam sobre um mundo no qual as máquinas assumem o controle, como O Exterminador do Futuro e Matrix. Isto vai ser um risco real?
Pearson — Não vai ser; já é um risco real, uma vez que estamos avançando por uma estrada na qual as máquinas se tornam tão espertas quanto as pessoas e já estamos criando máquinas autônomas. As pessoas tentarão conectar essas duas coisas. Então, teremos máquinas autônomas tão espertas quanto ou mais do que humanos.
Alexandre — A ponto de poderem se insurgir?
Pearson — Isso parece quase inevitável no caminho que já estamos trilhando. Não é um risco; é uma probabilidade que seguiremos por uma estrada na qual haverá máquinas mais espertas que o homem. Existe um risco, então, de que terminemos entrando em conflito com elas em algum momento, se decidirem seguir um caminho diferente. Quando um robô é apenas uma máquina simples, a que se pede para aceitar instruções, ele faz o que mandam. Mas se damos a ele uma mente tão sofisticada quanto a de um ser humano, ele logo se torna capaz de entender situações. Ele percebe que foi instruído a fazer algo, mas que, na realidade, tem algum pensamento independente. Pode racionalizar a situação e, se não gostar das suas razões, optar por não fazer o que você quer. Ele pode optar por desobedecer, se tiver tecnologia superior à sua disposição.
Alexandre — Se vamos ter dispositivos tecnológicos conectados aos nossos cérebros para aumentar a velocidade em que operam, para melhorar nossa memória e expandir o conteúdo que eles podem armazenar, podemos assumir que isso vai gerar uma nova divisão de classes na sociedade?
Pearson — [longa pausa] Ah, sim… Podemos falar de uma nova classe de pessoas chamada homo ciberneticus, quando você adiciona capacidade eletrônica ao cérebro humano para melhorar seu desempenho. Você pode melhorar o desempenho de seu cérebro, teoricamente, por um fator de 100 milhões. Acrescentar um monte de zeros ao seu QI. Se você for muito mais esperto do que o seu vizinho, ele não poderá competir com você. É como uma competição entre você e um caracol, dado o abismo intelectual.
Alexandre — Esse abismo intelectual é um pesadelo ético.
Pearson — Se houver conflitos, não há meio de as pessoas comuns serem capazes de competir. Elas não irão conseguir projetar os mesmos sistemas de armamentos, se chegarmos ao nível do conflito armado. Certamente não poderiam ter as mesmas ideias para criar novas empresas ou tecnologias. Em todas as coisas para as quais você usa o cérebro, se tivermos uma geração de pessoas ciberneticamente melhoradas, elas teriam uma vantagem muito grande sobre as pessoas comuns.
Alexandre — De novo, é meio assustador. Mas vamos falar um pouco de negócios. Como o senhor acredita que o marketing será praticado pelas empresas nesse futuro?
Pearson — Penso em uma nova mídia, que deverá chegar direto ao seu sistema nervoso para estimular sensações. Isso amplia o escopo do marketing. Não é apenas vídeo e áudio. No futuro, vai ser possível sentir o produto, interagir com ele. Provar uma roupa como se a estivesse vestindo. Sentir a sua textura.
Alexandre — Quando se pensa no desenvolvimento da internet, muitas empresas tiveram sucesso no mundo real com modelos de negócio criados a partir das possibilidades que a web oferece. O Google é um exemplo disso. O senhor consegue imaginar que tipo de companhia e de novos setores tendem a liderar a criação de mercados nesse futuro?
Pearson — Elas virão do mundo da realidade aumentada. Acredito que dentro de 20 anos muita gente estará usando algum tipo de aparato na cabeça – que pode ser um par de óculos como o que estou usando, dentro dos quais haverá lasers capazes de “escrever” imagens diretamente na retina, ou mesmo lentes de contato ativas, que funcionarão como displays tridimensionais de alta definição e alta resolução. Isso abre um novo mundo, porque lhe permite levar sua vida cotidiana e ao mesmo tempo ter montes de informações de marketing, entretenimento, socialização, negócios…
Alexandre — É um admirável mundo novo para a publicidade.
Pearson — Você pode mudar o modo como as coisas se parecem, adicionar valor a ambientes digitalmente e obviamente processar informações de mão dupla. Ver o que os consumidores estão olhando, pesquisar o perfil deles e entregar informação customizada diretamente dentro de seus campos de visão. Se você me conhece bem, sabe que game vou jogar esta noite no meu Xbox. E, provavelmente, poderá usar esses mesmos personagens [do videogame] para entregar informação no meu campo de visão. Ou eu vou poder atirar nesses caras enquanto minha mulher faz compras.
Alexandre — Interessante, mas um tanto invasivo, não?
Pearson — O marketing ganha uma nova dimensão quando começa a colocar coisas no campo de visão das pessoas à medida que elas andam por aí no seu dia a dia. E a informação flui nas duas mãos. Eu gostaria de viver num mundo assim, porque ele torna minha vida mais divertida. Eles [os publicitários] gostariam de viver num mundo assim, porque lhes dá mais oportunidades de me vender coisas. E eu posso querer comprá-las. Vou gostar desse marketing, desde que ele seja personalizado. Não gostamos de ver anúncios porque eles são para outras pessoas. Você perde seu tempo. Quando o anúncio é sobre algo de seu interesse, você olha para ele. Às vezes, você sai explorando a internet atrás de informação sobre um produto, então uma ferramenta de marketing pode tentar antecipar o que você iria procurar, de todo modo. Vejo uma nova geração de empresas usando essa combinação de criação de perfis, contextualização e personalização para entrar na sua vida cotidiana utilizando novas mídias. É product placement na vida real para valer.
Alexandre — O senhor escreveu sobre a transição do capitalismo para a “economia do cuidado”. Pode explicar o que é “economia do cuidado” e como essa transição vai acontecer?
Pearson — Sim, à medida que os computadores ficarem mais espertos, eles vão assumir mais e mais dos nossos afazeres. Pense nas coisas mundanas da rotina, como procurar voos ou descobrir a que horas um avião vai chegar, providenciar um táxi para ir ao aeroporto, saber como o trânsito está hoje em São Paulo, achar um caminho melhor, esse tipo de coisa que nos aborrece hoje. No futuro, seu computador vai fazer esse tipo de função para você, perfeitamente. Isso vai tornar sua vida mais fácil. No limite, se você elimina do seu trabalho todas as coisas baseadas em conhecimento e todas as coisas administrativas, o que sobra são as partes que têm a ver com o lidar com outras pessoas. Lidar com a sua equipe, dar a ela avaliações de desempenho, guiá-la, liderá-la, esse tipo de tarefa. Ou trabalhos como ser uma enfermeira, um professor, um policial ou alguma coisa em que você tem de lidar com pessoas.
Alexandre — Daí o conceito de economia do cuidado.
Pearson — Chamo de economia do cuidado porque, nesse tipo de trabalho que envolve habilidades humanas, as competências mais valiosas são relacionadas a cuidar. Uma enfermeira, por exemplo, é normalmente considerada intelectualmente júnior, na comparação com o consultor mais graduado de um hospital. Mas o consultor mais graduado do hospital é basicamente um robô muito inteligente. Você pode substituir esse cérebro esperto por um computador esperto. Não é muito valioso.
Alexandre — Já a enfermeira não pode ser trocada por um robô.
Pearson — Você poderá dar a ela uma versão 20 anos melhorada de um iPad, de longe mais esperta do que o consultor do hospital, que a tornará mais esperta do que o consultor. Então, ela poderá superar o desempenho do consultor em termos de diagnósticos. É com a entrega de cuidados que sempre associamos uma enfermeira. Com o lado da compaixão, de interagir com um ser humano como um ser humano. As enfermeiras, supostamente, são muito boas nisso. Você valorizará a enfermeira mais do que o consultor, porque ela pode, facilmente, fazer o trabalho dele, mas ele não pode fazer o trabalho dela. Então, nós vemos uma inversão. Vamos de uma economia da informação dominada pelo intelecto para uma que é muito mais baseada em habilidades humanas.
Alexandre — Que competências serão mais valorizadas na economia do cuidado?
Pearson — Compaixão, amor, todo o lado emocional. É muito mais calorosa uma sociedade em que as pessoas têm habilidades pessoais e os computadores, robôs e androides dão conta das coisas mundanas que ninguém faz questão de fazer. A economia do cuidado é uma economia orientada para o humano, que é possível por termos máquinas muito espertas.

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fonte: Revista da ESPM, Edição nº 5 • setembro/outubro 2013 - Por Alexandre Teixeira

Um dia no cotidiano de 2280

Rui Santo*

Você acorda e vai “escovar os dentes” cujas cerdas são sensores emocionais, combinados com a visão astrológica.

As cerdas identificam e enviam sinais para uma central, que reenvia direto para sua mesa virtual, os alimentos necessários e na quantidade exata para equilibrar emocionalmente o seu dia, conforme você programou.
Com o advento da transferência de matéria não há sobras de alimentos e os objetos materiais – armários, fogões, mesas, geladeiras, estoques, casas, carros – agora existem apenas virtualmente. Tudo é virtual.
Toma o “café da manhã” e vai trabalhar, isto é, muda de ambiente no mesmo lugar. Pega seu “controle pessoal celular” que recebeu ao nascer e ao apertar o único botão do controle, pela identificação digital sintonizada com sua mente e o que você está pensando, projeta na parede virtual desse ambiente a tela de um computador e outra tela pequena a sua frente, como um teclado para digitar, que foi sua opção entre falar, pensar  e digitar.
“Trabalha” atendendo os compromissos solicitados pelo seu contratante temporário e pelos clientes de outras dimensões, aqui mesmo, no planeta terra.
Esse trabalho exige a instalação na mente de um chip especial, relacionado com o aperfeiçoamento de seu conhecimento profissional e em função de sua capacidade cognitiva (e /ou física) ampliada.
É um provocador de sinapses mentais para respostas adequadas aos clientes.
Mais tarde sai para fazer alguns trabalhos externos, nos órgãos do governo que ainda se mantém 200 anos atrasados, isto é, as instalações existem fisicamente como lembrança do século XX, mas como a transferência de matéria ainda não consegue transferir seres vivos, você prefere ir pela rede aérea, invisível para os demais.
- Oh Rui! Só falta precisar carimbar com tinta azul escuro e reconhecer firma nos documentos, não é?
Quando sai do órgão público no fim da tarde, resolve ficar por ali mesmo. Aciona seu “controle pessoal celular” trazendo sua “casa virtual” para onde está ao invés de pegar transporte e todo o movimento de pessoas que preferem voltar para o mesmo lugar de onde vieram.
Na verdade, ninguém tem mais endereço físico como conhecemos até o século XX. Temos apenas endereço eletrônico e GPS. Aonde formos nossa “casa virtual” estará a um aperto de botão do seu intransferível “controle pessoal celular” que sabe tudo sobre você e só funciona com você. Essa revolução foi causada pela formulação matemática de Einstein: E = mc2, isto é, tudo que era matéria, desmaterializou-se e agora é só energia. Assim, cada um pode dar a forma que preferir a energia, isto é, sua própria moda, decoração, design, casa, carro, etc. tudo virtual, embora pareça, ilusoriamente, material.
- Oh Rui, será que os vírus, na hora da transferência, não vão colocar a cama virtual no chuveiro, se é que vamos precisar tomar banho e com que água?
Na cozinha na hora de jantar você chama sua mulher que surge em uma tela que é a própria parede lateral, e ela senta do outro lado da mesa, na “casa virtual” dela, mas é como se estivessem na mesma mesa que você está agora.
Enquanto conversam, na outra parede, digo na outra tela, seu clone, isto é, seu filho o chama.
Você conversa com ele e com sua mulher como se estivessem todos juntos na mesma mesa, embora cada um esteja distante do outro, algumas centenas de quilômetros. No canto da tela, há um mapa GPS indicativo de onde cada um está, as características climáticas do lugar naquele instante, a saúde pelo DNA, a foto kirlian, o horóscopo diário, o I Ching, o estado de humor, o estado emocional e os campos energéticos dos que aparecem na tela (você escolheu o que deve aparecer entre as 1.200 opções!!!).
Os noticiários net-on-line (você dispõe de mais de 290, simultaneamente), e mais os programas que você escolheu, aparecem espalhados nas diversas e pequenas telas que contornam a tela central. Sua cognição se desenvolveu em tal nível nos últimos 30 anos, que você pode assistir três a quatro programas simultaneamente.
A filha do casal – clone de sua mulher – aparece na hora do jantar em outra tela de parede inteira e pede a mãe alguma coisa que esta solicita ao sistema de transferência de matéria, apertando aquele único botão, e mandando que seja entregue, on-line, no endereço eletrônico + GPS, onde está a filha de sua mulher.
Os quatro (o pai com seu clone – filho com a mulher e com a clone – filha dela)[1] conversam como se estivessem juntos na mesma mesa, até que o filho resolve ir fazer alguma outra coisa, saindo da conexão.
Num dia “Tempo Net” programado, já que o calendário e o conceito de “mês, semana e fim de semana” acabaram, combinam uma posição “GPS – primavera” para se encontrarem fisicamente e escolhem a “casa virtual” de quem vão ficar em função da estação do ano no local para onde vão. O mais votado deve levar seu “controle pessoal celular” para transferir sua casa para esse ponto GPS e receber todos.
Depois de dois dias de encontro, cada um volta para seus endereços GPS, mas a filha – clone resolve ficar mais perto da mãe por uns dias.
O consumo foi desmaterializado completamente como condição para salvação do planeta. Há um excesso de alternativas virtuais gratuitas e os baixíssimos impostos pagos sustentam os cursos públicos para desenvolvimento da cognição e motivação nos quais participam os que se “desguiaram“.
O mundo mudou muito nos últimos 280 anos.
Os valores transferiram-se do “fazer” na revolução industrial, para o “ter” que quase destruiu a terra no ano 2000, e agora em 2280 os valores transferiram-se para o “ser” como a melhor forma de dar sustentação à população e preservar o ambiente para todos.
A mudança moral do “ter” para o “ser”, transformou os valores de propriedade em valores de conhecimento, criatividade e intuição, emoções e relacionamentos em detrimento de objetos materiais que praticamente deixaram de existir, exceto nos museus de história do tempo.
Agora todos têm disposição para tudo que quiserem, já que aquele tempo consumido em trabalho para o “ter” pode ser eliminado e preenchido com esforços prazerosos para o “ser”.
Um valor extraordinário para o desenvolvimento e elevação do espírito humano, baseando-se nas novas descobertas e compreensão de estar de passagem na dimensão conhecida como “vida”, na qual, “malas pesadas tiram o prazer de caminhar”.
– Vamos dormir – diz o pai para a mãe, durante o encontro real.
– É Rui, pelo jeito, certas coisas vão demorar mais para mudar… Ainda bem!!!
O futuro pode estar difícil de ser profetizado, mas pode ser fácil de ser “reconstruído”.
fonte: Galáxia Criativa, 2003. A mola propulsora para criatividade, inovação e futuro. Rui Santo.
[1] Essa foi uma decisão da humanidade: cada um cria clones de si mesmo e não da junção de um homem com uma mulher naquele tal de casamento que existia no sec. XX. Tal decisão está criando um grande e novo problema. O avanço do ser humano parou nas cognições que existiam, já que todos querem ter seu clone aos 25 anos. Uma solução está sendo discutida no universo: clone de si mesmo somente após os 65 anos, já que a população vive até os 105 anos, como único jeito de avançar cognitivamente uma vez que se pressupõe que aos 65 anos todos evoluíram mentalmente
CRIA = ATIVA + A + MENTE
Se você concorda, por favor, envie para todos os seus amigos.
Se você não concorda, por favor, envie para os seus inimigos.
Mas contribua com a circulação, socializando a informação!
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Ficcao cientifica realidade aumentada e viagens espaciais – real mundo imaginario

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Ficção científica, realidade aumentada, viagens espaciais, gadgets smartphones e outros brinquedinhos do nosso real mundo imaginado.

As últimas, nem tão novas assim, mas muito mais pedidos sobre tecnologia e ficção científica, alimentando o imaginário real do mundo das possibilidades.

Novo material de carbono da NASA pode construir elevadores espaciais

A idéia de um elevador capaz de transportar humanos para o espaço com facilidade é uma fantasia de escritores de ficção científica já há tempos. No entanto, uma nova forma de fita de carbono pode de fato tornar isto uma realidade.

Motivada por um investimento de 4 milhões de dólares da NASA, a equipe da Universidade de Cambridge desenvolveu uma fita leve e flexível que acredita-se ser a mais forte do mundo. No momento, a equipe está produzindo 1 grama do material por dia, suficiente para esticar até 29km em comprimento.

De acordo com Alan Windle, professor de ciência dos Materiais em Cambridge, a NASA quer 230.400km deste troço – mas ele menciona que seria necessário um nível industrial de produção para obter isso.

space-elevator-carbon-fibe

Ainda assim, esta idéia que já foi ridícula está de fato ganhando adeptos. Os japoneses já consideraram seriamente fazer um a partir de nanotubos de carbono e alguns acreditam que este novo projeto pode ser bem-sucedido em menos de uma década. Eu não acredito muito nisso – mas ainda fico com a minha mente aberta. [Times Online via io9]

Braço arrancado é substituído por protótipo biônico realístico

Um belo dia andando no carro do amigo, Evan Reynolds teve seu braço arrancado e ele se tornou uma das primeiras pessoas a receber um I-Membro robótico inteiramente funcional estilo Luke Skywalker da empresa Touch Bionics.

Ele estava com o braço pra fora da janela do carro quando seu amigo saiu de um estacionamento tirando uma fina de um poste de madeira. “Em uma fração de segundo o braço foi amputado”, contou o universitário britânico de 19 anos ao Telegraph UK. “Foi algo bem nojento”. Seu amigo aplicou um torniquete e salvou a vida de Evan (uma observaçãozinha: ainda bem que ele ainda é seu amigo, Evan – eu não sei se eu seria tão clemente assim).

Mais tarde, o irmão mais velho de Evan entrou em contato com a Touch Bionics, uma empresa escocesa, e eles acabaram acoplando no garoto um braço de 60 mil dólares que você vê no vídeo acima, capaz de “descascar uma batata, agarrar uma bola e segurar uma garrafa d’água”. No ano passado, a Touch forneceu braços para diversas pessoas, inclusive soldados feridos em combate. A cirurgia de Evan foi em fevereiro do ano passado.

bioarm

“Ele é tão sensível que eu consigo pegar uma garrafa d’água ou um copo de papel sem esmagá-lo, e até mesmo arremessar uma bola. Eu só preciso imaginar estar pegando algo ou agarrando algo e os dedos se movem automaticamente”, contou ao Telegraph. [Telegraph UK via Geekologie]

Leia aqui a seqüencia deste tópico e mais viagens espaciais, realidade aumentada e outras ‘reais’ nunca antes imaginadas e discutidas.

 

Como escolher um smartphone?

Confira características e funcionalidades dos ‘computadores de bolso’. Dicas sobre contratação de plano de dados, confira.

por Juliana Carpanez

Os smartphones são chamados de telefones celulares inteligentes por causa das diversas funções que desempenham: com esses computadores de bolso, é possível acessar a internet, criar e visualizar diferentes tipos de arquivo, enviar e receber e-mails, tirar fotos, fazer vídeos, armazenar e ouvir músicas, além de ter acesso a diversas outras funcionalidades. Confira dicas para escolher um smartphone.

Para quem é?

Os smartphones têm como público-alvo os usuários que precisam – ou acham realmente útil – ter as funcionalidades de um computador sempre à mão, mesmo quando estão na rua. Com o smartphone, o usuário pode consultar e-mails sempre que quiser ou atualizar seu Twitter a qualquer hora, por exemplo. No entanto, isso tem um custo: para ter acesso à web é necessário ter disponível uma rede sem fio (Wi-Fi) ou contratar um plano de dados oferecido pela operadora móvel.

>>> Características físicas

As telas desses aparelhos são geralmente maiores que as dos telefones celulares tradicionais. Os comandos podem ser dados de duas formas: pela tela sensível ao toque (algo que se tornou popular depois do lançamento do iPhone) ou pelo teclado. Cabe ao usuário saber qual a alternativa mais confortável para uso do aparelho.

A capacidade de armazenamento pode já ser disponibilizada pelo próprio aparelho (8 GB, 16 GB, 32 GB, por exemplo) ou ser oferecida com o uso de cartões de memória, como o microSD, vendidos separadamente.

>>> Funcionalidades

Os smartphones geralmente oferecem acesso à internet (e todas as vantagens aí incluídas, como e-mails, mapas, redes sociais, notícias e sites de vídeos, por exemplo), câmera digital (geralmente de 2 megapixels a 5 megapixels), câmera de vídeo e tocador digital, entre outras funcionalidades.

Essa lista de funcionalidades ganha ainda mais força com o uso de programas chamados aplicativos: pagos ou gratuitos, eles permitem por exemplo que o usuário visualize as melhores opções de rotas de trânsito, receba notícias de seus sites favoritos, veja qual a programação da TV, as próximas sessões do cinema mais perto e até controle as calorias de cada refeição. Tudo na tela do celular.

>>> Preços

O valor pago pelo smartphone não se restringe ao preço do aparelho. Pelo fato de o produto oferecer acesso à internet, o consumidor deve pensar também no plano contratado na operadora de telefonia móvel: quanto mais barato o eletrônico, mais caro tende a ser o plano. E vice-versa.

A Vivo, por exemplo, cobra R$ 2,1 mil por um iPhone 3GS de 16 GB no plano pré-pago. No plano pós-pago de R$ 585 mensais (com internet ilimitada e 1.400 minutos de ligações, entre outros), o mesmo modelo sai por R$ 750. Já na TIM, o iPhone 3GS de 16 GB mais barato custa R$ 999, dentro do plano mensal de R$ 299 mensais (pacote de dados com 1 GB, 400 minutos de ligações para TIM, cem minutos para demais operadoras móveis ou fixas, entre outros).

Também é possível comprar smartphones desbloqueados, sem qualquer vínculo com operadoras (nesse caso, é possível por exemplo fazer um plano pré-pago). No entanto, muitos dizem que um celular inteligente sem plano de dados para acesso à internet é como uma Ferrari sem gasolina: usa-se muito pouco de sua grande capacidade.

>>> Como escolher um plano?

Um plano de telefonia móvel para celulares inteligentes geralmente contém ligações de voz, torpedos e plano de dados. Na hora de fazer a contratação, o usuário deve ter em mente quanto de cada serviço vai usar, para não pagar por aquilo que não vai usar (ou pagar valores extras por exceder o limite de seu plano).

Talvez a parte mais difícil dessa contratação seja o plano de dados. Se o usuário tem acesso à tecnologia de conexão sem fio (Wi-Fi) em sua casa e escritório, por exemplo, não precisará do plano de dados quando estiver nesses dois ambientes: nesse caso, uma opção ilimitada (e mais cara) pode não ser vantajosa. O mesmo não acontece para uma pessoa que passa muito tempo na rua, precisa ter acesso constante a seus e-mails e não tem internet sem fio no ambiente doméstico.

Para se ter uma ideia que 100 MB de dados podem fazer, a Claro exemplificou a pedido do G1: com esse pacote é possível enviar ou receber 10.240 e-mails; baixar 2.048 imagens; fazer o download de 26 músicas em MP3 de quatro minutos cada; assistir a quatro horas de vídeo streaming ou fazer o download de quatro trailers com cinco minutos cada. Se ultrapassar o limite do pacote de dados, o cliente paga por megabyte excedente (o valor depende do plano).

>>> Sistema operacional

Assim como os computadores, os smartphones funcionam com sistemas operacionais. Os aparelhos disponíveis no mercado usam, entre outras, as plataformas Windows Mobile, Symbian, Mac OS X, Palm webOS, Blackberry e Android – esta última alternativa, desenvolvida pelo Google, chegará em breve ao mercado brasileiro.

“Esse mercado ainda não está maduro o bastante para que o usuário faça a escolha da compra com base no sistema operacional. Hoje, o que faz a diferença na hora da compra é o aparelho”, afirmou ao G1 Juan Ortiz, diretor regional da HTC América Latina. A empresa produz aparelhos baseados em Windows Mobile, da Microsoft, e recentemente passou a oferecer também produtos com o Android.

Na hora de comprar um aparelho, se não houver preferência pelo sistema operacional, o usuário deve fazer um teste para ver com qual modelo se sente mais confortável (peça o smartphone do amigo emprestado por meia hora). O aparelho moderno pode, de fato, tirar fotos em alta resolução e mandá-las por e-mail – no entanto, se você não se adaptar bem ao sistema operacional e interface, essa tarefa pode se mostrar bem complicada.

A plataforma também determina quais aplicativos estarão disponíveis para o smartphone. Os programas para o iPhone estão disponíveis na loja on-line iTunes, as opções para os aparelhos da Nokia (Symbian) estão na Ovi, os aplicativos para modelos com plataforma Android estão na Android Market e os programas para Blackberry estão na App World, por exemplo.

>>>Desvantagens

Os smartphones são mais caros que aparelhos com menos funcionalidades e, pelo fato de o usuário ter de contratar um plano de dados, pode acabar pagando mais caro para a operadora de telefonia móvel (os valores referem-se à comodidade não oferecida pelos aparelhos mais simples). Além disso, navegar na internet ou visualizar documentos em uma tela de 3,5 polegadas (do iPhone, por exemplo) é mais desconfortável do que fazer o mesmo em um monitor de 19 polegadas.

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  • 'Personal nerd' ensina a usar internet e até iPhone

    Pessoas pouco ligadas à tecnologia podem se sentir desconfortáveis quando se deparam com termos relacionados ao assunto: Orkut, Twitter, YouTube, MSN, iPod, iPhone e Blackberry não são, exatamente, palavras das mais fáceis. Para se familiarizar com esse universo -- muitas vezes mais simples do que parece (ou soa) - os desconectados já contam com o serviço de especialistas que oferecem aulas particulares para ensinar somente aquilo que seus alunos precisam.

    As aulas vão desde ligar e desligar o computador a fazer conexão com a internet, passando pelo acesso a sites e utilização de programas específicos (MSN Messenger e Skype, por exemplo). Também já existem professores particulares caso a dificuldade esteja no uso de dispositivos portáteis, como o tocador digital iPod e os telefones iPhone e Blackberry, por exemplo.

    “Esse tipo de aula é conveniente, porque ensina somente o que o aluno deseja aprender. Nos cursos de informática, as pessoas veem muitas coisas que acabam não colocando em prática”, afirma Roberto Takashi Endo, de 32 anos, que começou a dar aulas de internet em Guarulhos, São Paulo, há cerca de um ano. “O professor particular também tem mais paciência para ensinar do que a família, pois vê o aluno como um cliente”, continua Roberto, que cobra R$ 25 a hora.

    De acordo com ele, os “mais pedidos” entre seus alunos são como usar ferramentas on-line para reduzir fotos, como baixar arquivos, como mudar a extensão de arquivos digitais e também questões específicas sobre o Orkut. Entre o público de mais de 50 anos, diz o professor sem formação na área técnica, as dúvidas relacionadas aos comunicadores instantâneos são bastante frequentes.

    Também nesse mercado, o cientista da computação José Roberto Santos da Cruz, de 32 anos, acredita que a demanda por aulas particulares de tecnologia seja bastante grande: cada vez mais as pessoas têm computadores em casa e muitas delas não fazem ideia de como usá-los. Por isso, conta, muitas vezes é necessário começar as explicações realmente do básico, ensinando o usuário sobre conceitos para iniciantes. “Muitos ainda confundem sites com endereço de e-mail”, exemplifica o professor de Curitiba, que cobra R$ 35 a hora.

    A ideia das aulas particulares surgiu quando José ainda estava na faculdade e participou de um projeto de inclusão digital para a terceira idade. “Naquela ocasião, vi que muitas pessoas são enganadas por aqueles que se dizem entendidos em informática. Por isso, decidi mostrar para essas pessoas que a internet não é tão assustadora nem difícil de ser usada quanto elas pensam.”

    Aula de smartphone

    Marisa Kulik enfrentou um dilema quando foi presenteada com um celular multimídia iPhone: deixá-lo de lado e fazer uma desfeita a quem a presenteou ou encarar o problema de frente? “Não sabia nem ligar. Uso muito pouco a tecnologia, não é uma necessidade no meu trabalho”, disse a artista plástica, que mora em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo. Pedir a ajuda dos filhos, nem pensar. “Eles já me conhecem, nem tentam me ensinar.”

    Como escolheu a segunda opção, a artista tomou uma decisão parecida com a dos alunos de internet e contratou os serviços de um consultor para aprender a usar o aparelho.

    Após uma hora de aula em sua própria residência com o instrutor Flávio Trascoveschis, de 37 anos, ela já sentia um pouco mais confiante. “Já dá para ter uma noção. Vou poder utilizar a agenda, o Google Maps [página do site de buscas do Google, que disponibiliza mapas na internet] e tirar fotos do meu trabalho”, contou. Obviamente que nem tudo é tão fácil quanto parece. E Marisa admite que está apenas começando a dominar a sua mais nova “ferramenta” de trabalho.

    De acordo com Flávio, a dificuldade de lidar com os mais variados tipos de aparelhos eletrônicos, a exemplo do que ocorre com Marisa, é mais comum do que se imagina e independe de idade. Para alguém que já tenha algum conhecimento de como utilizar a tecnologia, o consultor estima um curso com o total de quatro horas para que esta pessoa dominar plenamente o uso de um iPhone.
    Flávio trabalha em um escritório de São Paulo criado há dez anos, que hoje conta seis consultores: quatro atendem a domicílio ou diretamente nas empresas, enquanto outros dois dão aulas on-line. O custo da hora/aula presencial é de R$ 50, e o da aula on-line é de R$ 25.

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