Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Sonho Techno Africano

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"Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, assegurada pelos outros, não se sente intimidada que os outros sejam capazes e bons para ele ou ela ter auto-confiança que vem do conhecimento que ele ou ela tem do seu próprio lugar no grande todo."

 

Ubuntu é um conceito que nós temos nos dialetos Bantu. Ubuntu é a essência de ser pessoa. Significa que nós somos pessoa através de outra pessoa. Nós não podemos ser totalmente humanos sozinhos. Nós fomos feitos para a interdependência, nós fomos feitos para a família.

 

Quando você tem ubuntu, você acolhe os outros. Você é generoso e compassivo. Se o mundo tivesse mais ubuntu, nós não teríamos guerras.

 

Nós não teríamos essa enorme distância entre ricos e pobres. Você é rico, então você pode prover o que está faltando para os outros. Você é poderoso, então você pode ajudar os fracos, como um pai e uma mãe ajudam seus filhos. Esse é o sonho de Deus”

 

fonte: TUTU, Arcebispo Desmond. Nenhum Futuro Sem Perdão (No Future Without Forgiveness). Disponivel em: http://www.beliefnet.com/story/143/story_14326_1.html.

 

A palavra ubuntu possui um significado muito bonito.

 

Ubuntu é uma antiga palavra africana que significa algo como

 

"Humanidade para os outros"

 

ou ainda

 

"Sou o que sou pelo que nós somos".

 

A distribuição Ubuntu trás o espírito desta palavra para o mundo do software livre.

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

Fundamentos no homem racional


A origem do pensamento / A origem da divisão / O mundo divido


por Leo Barros [1] 
e Luciana Nabuco

Toda ação parte do pensar. O mundo dominante ocidental divide o pensamento em campos de conhecimento, áreas filosóficas, econômicas, informacionais, arquivísticas, etc...  Atualmente há uma deficiência na base do sistema dominante. Urge uma discussão sobre o propósito dessas áreas e como elas são trabalhadas no campo científico e assim propor mudanças de paradigma.
O homem ocidental se forja na Grécia, pátria mãe da criação de conceitos. O paradigma grego do pensamento racional se perpetua no homem moderno. Continuamos seguindo a lógica dos pensadores universais. Legitimando essa visão superior.
O pensamento racional é o fogo subtraído dos deuses por Prometeu, cujo nome significa “aquele que pensa antes”. Através dessa chama divina o homem ocidental começa a classificar, dividir o mundo em esferas de superior/inferior, civilidade/barbárie, para então apreender o poder, reconhecer a sua autoridade.
Essa racionalidade se estabelece como verdade absoluta, única visão do mundo, sabedoria superior a ser seguida, detentora de um amplo imaginário que dá significado às formas, apropriando-se delas e estabelecendo controle e poder. Um exemplo disso é visto no filme “Matrix”, onde a Matriz é uma forma de controle do mundo, olho que tudo vê. A construção desse mundo depende de quem detém o saber. Mais adiante, ao analisarmos o documentário “Zeitgest” veremos quem são esses agentes que fragmentam o mundo. Por domínio, o homem ocidental cria mecanismos para centralizar a produção do conhecimento e assim determinar a separação entre civilizados e bárbaros.

O controle da Informação / O grande arquivo do pensamento / Dividir para dominar


Dentro desse raciocínio, “conhecer é saber, é poder”, o arquivo se insere como a materialização dos projetos de dominação. Conhecer para ter o poder. Ter o poder para dominar. O arquivo é o registro dessa instituição que detém o conhecimento, refletindo-se na figura do Estado. A arquivologia por conseguinte é o saber do Estado. Todo esse corpo de conhecimento se fundamentou nas bases clássicas do pensamento moderno. Esse pensamento, como vimos,
se apóia em uma visão etnocêntrica. Ou seja, a exclusão de tudo o que não está inserido dentro do grupo racional e superior.
Tudo o que é desconhecido, fora de uma classificação é o estranho, o diferente, o “monstruoso”. Ironicamente, é o próprio saber que constrói o conceito de “mostruosidade”, senão a retórica dualista não teria sentido. Um exemplo disso é visto no filme “Vênus Negra”, história verídica da africana Sarah Baartman, que no século XIX era exibida em feiras européias como um ser degenerado devido às suas peculiaridades físicas, e foi catalogada pelo pensamento ocidental em bancas de cientistas e naturalistas, dissecada física e moralmente como “monstro”.
A ciência, uma das divisões do campo de conhecimento, é usada como auxiliar do pensamento superior ocidental. Esse sistema classificatório de espécies chamado taxonomia corrobora todo esse discurso colonialista e etnocêntrico. Segundo Valdei Araújo no texto “O Arquivo e o Monstro”, o monstro existe para ocupar o espaço do que é errado, defeituoso, degenerado. Vemos claramente essa idéia no filme “Drácula” de Bram Stocker, onde o personagem principal personifica o desconhecido, a aberração. O temor do outro que não conhecemos, da
cultura desconhecida relegada ao plano da aberração.
Surge então o conceito de “Arquivos Utópicos”, descrições idealistas para impressões de domínio e compreensibilidade do real. Nesse contexto, o papel do arquivista é com o levantamento e organização de dados, levando em consideração aspectos como: contexto e construção, verdade e mentira, história oral, documentos sensíveis, sigilosos, confrontamento de fontes, fatos e subjetividade, memória e imaginário e outros tipos de documentação. O homem encontra assim seus mecanismos de dominação. O filme “Lawrence da Arábia” ilustra bem essa idéia. Nele, o jovem tenente do Império Britânico é designado em uma missão de reconhecimento e catalogação de tribos árabes. Lembrando que um espaço dominado é um espaço catalogado dentro do pensamento etnocêntrico. Lawrence irá registrar aspectos culturais, geográficos e políticos de um grupo desconhecido para ampliação do Império Britânico. Inútil dizer que essa classificação nada tem de inocente, pois o Império é o rolo compressor de culturas alheias ao seu sistema. Seu verdadeiro intuito é subjugar um grupo em benefício próprio. Porém, Lawrence subverte o próprio sistema ao se inserir na cultura regional dos beduínos. “Sou alguém fora do comum. Vim de um país gordo, de gente gorda”. “Você não é gordo, responde o beduíno. “Não. Eu sou diferente”.
Assim a história começa a ser vista pelo outro lado.
Mas quem é o real?
Poderia ser tudo o que é transmitido através da escrita ou conto?
Quem é o contador da história?
Ele descreve o que ele vê ou o que pensa que vê?
No texto “A Filosofia e os Fatos”, de Portelli, essas narrativas constituem matéria não exclusivamente literária, mas também histórica. “A construção da narrativa em si, quer seja justa ou equivocada pode enganar-se no momento da interpretação”. Surge a indagação, essa história contada é representativa? De quem?
A própria descrição já contém um fator subjetivo, pois depende do olho de quem vê. Essa representatividade não significa normalidade. E o outro lado? Quem não está dentro dessa história é o anormal?
Entramos no campo das possibilidades, da subjetividade das experiências imaginadas. Portelli nos lembra que a sociedade não é uma rede geometricamente uniforme como a abstração das ciências sociais nos representa.

Outrossim, podemos questionar quem constituiu essa rede de informação, quem se imbuiu da autoridade de dividir, fracionar, ditar regras, normas, tudo em benefício de um sistema que hoje vemos defasado. Quem não permite que possamos ver do outro lado?
Segundo Pedro Demo, em seu texto “A Ambivalência na Sociedade de Informação”, a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. Exemplificando essa manipulação, voltamos ao filme “Matrix” e a cena da pílula oferecida ao personagem Neo. A pílula é o elemento catalisador, a desconstrução da realidade manipulada, a ampliação da visão, a possibilidade de enxergar a realidade de outro modo. Nesse ponto, o papel do educador é fundamental. O bom preceptor é quem dá a pílula para que seu pupilo veja além dele. Segundo o filósofo humanista Krisnahmurti, o verdadeiro propósito da educação é ajudar a descobrir o que nós queremos, para que possamos nos entregar de mente, corpo e coração naquilo que amamos fazer. Ao ser puxado para o caminho da tradição, do medo, da hereditariedade familiar, das exigências da sociedade, o homem se aniquila e impede o fluxo verdadeiro, por medo de não conseguir sobreviver no mundo, pela enxurrada de informações que nos chegam diariamente, com um único propósito de nos classificar em um pensamento estabelecido como o padrão. Krisnahmurti ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em um mundo dividido em “ismos”, em ocidente e oriente, mas afirma que não amar o que se faz gera conflito e a doença social moderna.

O homem e sua grande invenção – a máquina [sistema] perfeita que irá destruí-lo.


A doença social se resume no excesso. A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas, quando que sua eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Por isso, a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos como produtos do crescimento que nós produzimos, numa produção de bens e aumento deliberado do consumo como propósito de vida. Vivemos dentro de um pensamento capitalista ordenado por grandes corporações, uma minoria dominante que gere, regula, classifica, e controla nas esferas econômicas, políticas e sociais.
No documentário Zeitgeist são debatidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como ocorre o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável. Sair dessa classificação dominante seria inverter o jogo, olhar as coisas sob novas perspectivas. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. Uma sociedade que esmaga o diferente relegando-o em um limbo social, econômico e cultural só tem a saída para a desintegração. Vivemos, pois, encarcerados em um sistema capitalista que depende do crescimento. Para sair desse colapso, deveríamos buscar um objetivo que seria a sobrevivência sustentável do homem através de um método próximo da proposta científica atual com um diferencial: toda política seria redundante, pois eliminaríamos opiniões e interesses da minoria dominante, e os campos de conhecimento, a ciência seria usada para gerir recursos globalmente, coordenar a produção de forma eficiente, num sistema de verdadeira distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos Estados e nações. Ou seja, a corporatocracia que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos. A eficiência seria uma economia baseada em recursos para toda a humanidade. Portanto, urge repensar a Educação e dissolver programas de comportamento sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas do mundo atual. Não podemos mais nos ancorar em sistemas tradicionais, no único pensar dito superior. Isso significa exclusão e desintegração. Devemos aliar ao conhecimento novas informações que colaborem e integrem o homem. No documentário “Entrevista com Milton Santos”, vemos que há uma parcela de pensadores, homens que formam o corpo social e crítico de um país como o Brasil, que não se deixam subjugar pela autoridade etnocêntrica e selvagem atual. Milton nos diz que não há produções excessivas de informações, mas de ruídos, os fatos estão à mostra e as notícias são interpretações desses fatos. Afinal, as agências de informação são controladas por grupos financeiros, e os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. Ele ressalta que reclamamos contra os autoritarismos, os inevitáveis “ismos” e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento padrão, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos que são apenas limitadores da verdadeira liberdade e cidadania.


“Porque no Brasil jamais teve cidadãos, nós a classe média não queremos direito, queremos privilégios, e os pobres não têm direito. Não há, pois, cidadania nesse país, nunca houve”.
Milton Santos


A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas. Nosso principal objetivo deveria ser a sobrevivência sustentável em um sistema de distribuição global sem interferência dos controladores do Estado e nações, a Corporatocracia, que regula um sistema cuja finalidade é o lucro, o domínio e o poder econômico. Segundo Pedro Demo em seu texto “Ambivalência na Sociedade da Informação” - a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas, e quando traduzida em telecomunicação tende fortemente o instrucionismo. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. A dificuldade de olhar as coisas sob novas perspectivas, invertendo um pouquinho desse jogo, poderia evitar o colapso do sistema atual. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. A atual sociedade é fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder. Isso gera conflito e desintegração. E cria mecanismos para perpetuação desse poder e achatamento de grupos e esferas que não compartilham desse propósito. No documentário Zeitgeist são discutidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como acontece o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável.
Quando o principal objetivo é a sobrevivência sustentável do homem, com um método próximo do que seria a proposta científico de hoje, com um diferencial: daqui por diante, toda política é redundante, pois não se trata de opiniões e interesses da minoria dominante, mas sobre ciência e como gerir recursos globalmente, coordenar a produção para a demanda de forma eficiente, num sistema de distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos estados e nações, a saber, a corporatocracia, que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos, passando-se então para a Economia Baseada em Recursos a toda humanidade.
Deve-se também, para entender esse sistema que assegura o consumo apenas do necessário e o quanto se pode crescer e, tendo essa exata noção, deve-se repensar a Educação e dissolver Programas de Comportamentos Sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas deste mundo atual.

Na essência do Zeitgeist, temas como comportamento humano – falhas na educação fundamental, fase infância; Crime, violência e medo - A taxiologia – tratado das classificações – medo e violência são partes importantes de um produto de uma sociedade doente, onde quanto maior a igualdade numa sociedade, ou quanto menor a distância entre pobres e ricos, menos criminalidade e melhor nível de educação; Dinheiro igual a dívida, todo dinheiro que existe no mundo é emprestado de uma dívida bancária e assim por diante, fator que torna esse sistema ainda mais crítico são os juros pagos sobre o reembolso do dinheiro emprestado, onde mais dinheiro deve ser criado, perpetuando essa dívida impagável, em efeito bola-de-neve auto-corrosivo.

A eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Daqui resulta que a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos e o produto do crescimento que nós produzimos. Considere a produção de bens e o aumento deliberado do consumo como propósito da vida, que é viver para o consumo no sistema capitalista, onde a economia depende do crescimento. Se o crescimento é estagnado, o sistema entra em colapso. Esta paralisação, por sua vez, tem a ver com o sistema monetário, que se alimenta do débito a partir da falência, ou quebra do sistema de países inteiros como no caso recente da Grécia, na dependência na figura do FMI – leia-se: famílias que controlam as indústrias e empresas que controlam a economia global - cujo objetivo final é o crescimento de suas reservas econômicas, sustentar a existência de uma espécie endêmica, visto que a economia é a força motriz deste crescimento, portanto, quanto mais pessoas doentes, produz-se mais drogas, cria-se toxicodependência, subsistência e sub-empregos, mais subserviência e controle, e assim por diante...

Uma grande mentira bem contada e, voilà, uma grande verdade incontestável.


No depoimento de Milton, vemos que produzimos muito mais comida do que se pode comer, descobriu-se que a comunidade européia premia quem deixa de produzir comida, e castiga quem produz mais do que a cota estabelecida – por quem?

A questão da fome não é sobre produção mas sim de distribuição, a exemplo de epidemias de fome na África onde os E.U.A recusou ajuda caso condições políticas não fossem atendidas. A fome deixa de ser o centro da questão da humanidade e sua organização em uma sociedade mal-intencionada será o foco.
Caso continuemos entorpecidos pela realidade que nos cerca, o receituário do Banco Mundial seja seguido, teremos que aprender a conviver com a morte pela sede em breve, onde os recursos hídricos também serão monopolizados, sobre premissa de que não haverá água para todos, quando na verdade, há as Transnacionais da Água, sob a lógica de suas ações na bolsa financeira, muralhas do capitalismo fragmentando o espaço por controle, poder e lucro. Quando deveríamos reiniciar o debate sobre nossa civilização, abandonado em função do crescimento econômico, juros, inflação e outras abstrações, onde civilização não é objeto de discussão, abrindo precedentes para barbáries como essa, na qual se mata povos e nações indiscriminadamente.

A mídia e sua fábula de globalização, onde o homem deixou de ser o centro do mundo em função do dinheiro em estado puro, fruto de uma geopolítica proposta pelos economistas, impostas pela mídia, controlada pela corporatocracia, onde 6 empresas controlam 90% do mercado da mídia mundial. Ancorada no livre-mercado com trilha para o paraíso, sua antropologia moderna criou seu Homo-Davos, pregando o fim da história através de fundos para anestesiar a pobreza, quando deveria intermediar as reais necessidades da humanidade, e não maçantes repetições de informações compradas notoriamente percebidas. Uma nova ordem mundial estabelecida em competitividade sem limites morais. Não há produção excessivas de informações mas de ruídos, existem os fatos, e as notícias são interpretações destes fatos, com as grandes agencias são controladas por grandes grupos financeiros, os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. A informação como instrumentos de processos globalitaristas, produzindo formas totalitárias de vida.

As formas tradicionais de democracia atuais não convencem os mais pobres. Procuram uma alternativa numa globalização solidária, por meio de ONGs e organizações do terceiro setor. Mas o Estado no seu exercício através da política, torna-se indispensável se socializadores, pois as forças de desigualdades são muito mais fortes que no passado, onde não se discute o papel da democracia, seqüestrada e condicionada, cabendo apenas o poder ao cidadão na esfera política, substituir um governo que não gosta e colocar outro que talvez venha a gostar, participando do que seria real democracia, apenas os representantes das minorias dominantes, definidas anteriormente. A palavra perde seu conceito original e tornam-se vazias pois o tempo mudou, e sua coerências não reflete-se principalmente na atuação política. Reclamamos contra os autoritarismos, fascismo, nazismo e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento standard, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos limitadores que pressupõe liberdade e cidadania, apenas na retórica da globalização.

Coisas realmente simples, como a técnica como plataforma para a liberdade – segundo depoimento dos Crenaques da Serra do Cipó, ainda no filme com Milton – ser universal aqui mesmo olhando para evolução de nossa própria existência, vai permitir - sem abandonar - o que a gente é, um povo indígena, somos perfeitamente universais, a exemplo do índio jornalista e produtor gráfico, Ailton Crenaque, que usa a Rede Povos na Floresta como tecnologia da comunicação para integrar o povo indígena e seringueiro.
Este fenômeno pode se multiplicar, por enquanto há uma coerção contra estas formas, limitadas em termos renovadores por escassez de recursos e falta de incentivo dos legisladores, porém pela demanda que vem de baixo, de forma explosiva, teremos alguma coisa nova acontecendo através daqueles com ‘curiosidade aguçadas’, numa grande utopia para o século vinte e um.

Tudo isso precisa ser mudado para que haja uma sociedade correta, equânime. Tendemos a achar que isso é tarefa impossível. Não é, somos eu e você que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhemos cria infelicidade ou contribui para a destruição da humanidade. A mudança ocorrerá quando não estivermos na busca pelo poder, quando eliminarmos inveja, ódio e antagonismo. Quando em nossos relacionamentos causarmos alguma transformação. Assim estaremos de forma genuína a criar uma nova sociedade, formada por pessoas livres da tradição, das correntes do autoritarismo. Somente o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade. O fogo sagrado subtraído por Prometeu não deve ser exclusivo de uma minoria.

O fogo só tem razão quando alimenta e aquece na escuridão.
Dessa forma, concluímos através de um pensamento de Krisnahmurti, pois apenas descobriremos a resposta quando rompermos com o medo:

“Veremos o quão importante é trazer para a mente humana a revolução radical.

Essa crise é uma crise na consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as velhas normas, os velhos padrões, e as antigas tradições. 

E, considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva, agressão e assim por diante... 
O homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. 
E construiu a sociedade nestes termos”.

“O que estamos tentando, como toda essa discussão e retórica, é ver se não podemos fazer acontecer uma radical transformação da mente.          

Não aceitar as coisas como elas são, entende-las, mergulhar nelas, examiná-las. Usar o seu coração, a sua mente e tudo o que você tem pra descobrir 
um jeito de viver diferente. Mas isso depende de você e de mais ninguém. Porque nisso não há professor, nem aluno, não há um líder, não há guru, 
não há mestre, nem há salvador... Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder, você é tudo e... Entender é transformar o que há”.
Krishnamurti


Reposição de mentes atrofiadas através da semeadura de espécies mentais novinhas em folha.


Em uma sociedade basicamente errada, não pode haver meio de vida correto. Nosso meio de vida, qualquer que seja, leva à guerra, à miséria geral e à destruição, e isso é perfeitamente óbvio. Nossa ocupação, seja qual for, contribui inevitavelmente para que haja conflito, decadência, implacabilidade e sofrimento.
Então, a atual sociedade é basicamente errada, fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder, de modo que cria meios de vida errados, como as profissões de soldado, policial, advogado. Por sua própria natureza, essas profissões são um fator de desintegração da sociedade, e quanto mais soldados, policiais e advogados, mais evidente se torna a decadência da sociedade. No mundo todo há cada vez mais homens de negócios que os acompanham.
Tudo isso precisa ser mudado para que seja fundada uma sociedade correta, e achamos que essa é uma tarefa impossível. Não é, e somos você é eu que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhamos cria infelicidade para um outro ou contribui para a destruição da humanidade, como vemos diariamente. Só haverá mudança quando você e eu não estivermos buscando poder, quando não formos invejosos, cheios de ódio e antagonismo. Quando, em nossos relacionamentos, causamos alguma transformação, estamos ajudando a criar uma nova sociedade formada por pessoas que não estão pressas à tradição, que não pedem nada para si mesmas, que não estão em busca de poder, porque são ricas por dentro, encontraram a realidade. Só o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade, só o homem que ama pode transformar o mundo.
No campo educacional e filosófico, educação, trabalho e dinheiro – o que é educação e como decidir com o quê trabalhar – parte III de Krishnamurti – o verdadeiro propósito da educação é ajudá-lo a descobrir o que quer, para que você, quando for adulto, possa se entregar de mente, coração e corpo aquilo que realmente ama fazer. Descobrir o que realmente gosta de fazer exige bastante inteligência, porque, se tiver medo de não ser capaz de ganhar a vida, ou de não se encaixar nessa sociedade podre, nunca descobrirá. Mas, se não tiver medo, se recusar-se a serem puxados para o caminho da tradição por seus pais, professores, pelas exigências superficiais da sociedade, você poderá descobrir o que realmente ama fazer. Portanto, para descobrir, você não pode ter medo de não conseguir sobreviver.
Mas muito de nó ainda tem esse medo. O que será de mim se eu não fizer o que meus pais querem? Se não me encaixar na sociedade, perguntam-se. Com medo, fazemos o que nos mandam fazer, e nisso não há amor, há apenas contradição, e esta contradição intima é um dos fatores que criam ambição destrutiva.
Autoconhecimento – medo e raiva e violência - Parte dois de Krishnamurti – ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em conceitos de um mundo dividido “ismos” de todo tipo. Desse modo, a função básica da educação é ajudá-lo a descobrir o que realmente ama fazer, para que você entregue a mente e o coração aquilo. Porque isso cria dignidade humana, varre para longe a mediocridade, a mesquinha mentalidade burguesa. Por essa razão é tão importante ter os professores certos... Descobrirão a resposta quando amarem o que estão fazendo. Se você é engenheiro porque precisa ganhar a vida, ou porque seu pai ou a sociedade esperam isso de você, esse é outra forma de compulsão, e compulsão, sob qualquer forma, cria contradição, conflito.
Mas se você realmente ama ser engenheiro, ama arquivologia ou até mesmo a ciência, ama plantar uma árvore, pintar um quadro, ou escrever uma poesia, não por status e para ser admirado, mas apenas porque ama o que faz, então descobrirá que não está competindo com ninguém.
O autor Pensa que este é o segredo: amar o que se faz. Talvez queira trabalhar com a cabeça, ou produzir algo com as mãos. Alguma destas coisas é o que você realmente ama. Ou seu interesse é meramente uma reação à pressão social?

“As únicas limitações que temos como raça humana são aquelas que impomos a nós mesmos... 
Numa sociedade decadente, a Cultura, se for verdadeira deve também refletir decadência, e a menos que queira desacreditar e trair - 
em relação à sua função social - a cultura deve mostrar o mundo 
como mutável e ajudar a mudá-lo”.

Quando não tiver mais nada 

Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
E quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal
Haraie nama krsna, yadavaya nama há (3x)
Yadavaya madhavaya Krsna vaya nama há
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Adeus dor


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO


Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012 

TEMAS | TEXTOS
CLAVAL, P. Espaço e Poder. Rio de Janeiro : Zahar, 1978, p. 7-21.
ARAÚJO, Valdeí. O Arquivo e o Monstro. Resenha sobre o texto de RICHARDS, Thomas. The Imperial Archive: knowledge and fantasy of Empire. London, New York: Verso, 1993.
PORTELLI, Alessandro. A Filosofia e os Fatos. Narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. Tempo. v. I, n.2. Rio de Janeiro, 1996. p. 59-72.
DEMO. Pedro. Ambivalências da sociedade da informação. Ciência da Informação, v.29, n.2, mai/ago/2000. Brasília-DF. IBICT, 2000, p. 37-42.
KRISHNAMURTI, J. O que você está fazendo com a sua vida?: Passagens selecionadas sobre grandes questões que nos afligem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era. 2008.

FILMES
Lawrence da Arábia, 1962. Direção David Lean.
Vênus Negra, 2010. Direção Abdellatif Kechiche.
Zeitgeist – the movie, 2007 – Dirigido por Peter Joseph. Disponível em
Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá: uma proposta libertaria para estes dias tumultuados. 2001. Direção Silvio Tendler.
Bram Stoker's Drácula, 1992 (EUA). Direção: Francis Ford Coppola.
The Matrix - 1999 (EUA) – Direção Andy e Larry Wachowski

Vale a pena destacar da Sinopse o seguinte: Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais se encontra conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.

“ Estamos fazendo ensaios do que será a humanidade... Nunca houve”.
Milton Santos


[1] Luciana Nabuco – jornalista proteiforme -  colaborou anotando tudo num esforço supra humano de por ordem em minhas idéias, e ajudou na escrita deste devaneio.
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Zeitgeist na visao do Google

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Antes de fazer o mundo, Deus poderia ter pesquisado…

Sobre o Zeitgeist do Google.

Como toda informação passível de manipulação, o Google também esforça-se para não ser manipulado, ou pelo menos parecer que não é manipulável. Independente disso, é mais uma ferramenta aprimorada desta empresa de tecnologia que pode ajudar-nos a observar nós mesmos. E toda a noção do que se passa na mente dos mortais mais singulares do planeta Terra. Nossa, Como somos “criativos”!
Pode ser que você não acredite muito nos resultados – meu caso – mas a curiosidade de saber o que os outros andam buscando na internet é mais importante do que a precisão destes dados. E acompanhar as evoluções da internet numa página bem montada, com design e conteúdo dinâmicos, já vale a pena a visita.

Vejam com seus próprios olhos ; )

Zeitgeist 2011: como o mundo pesquisou

Como o ano está ficando para trás, vamos dar uma olhada nos maiores eventos, notícias e pessoas que marcaram esse ano. Analisamos as milhões de consultas digitadas no Google ao longo do ano para dar a você uma visão de 2011 através das lentes das pesquisas do Google.

Metodologia

Para coletar o Google Zeitgeist do fim do ano de 2011, estudamos a agregação de bilhões de consultas que as pessoas digitaram no Google neste ano. Usamos dados de várias fontes, entre elas o Google Insights para pesquisa e as ferramentas de dados internas. Também filtramos o que é spam e consultas repetidas para desenvolver listas que melhor reflitam "o espírito da época". Todas as consultas de pesquisa que estudamos são anônimas, e nenhuma informação pessoal foi usada.

Uma palavra sobre como descrevemos as listas: exceto quando explicitado, todos esses termos de pesquisa são os mais populares de 2011, sendo classificados na ordem das consultas com o maior volume de pesquisas neste ano. Em alguns casos, listamos as consultas com as "maiores subidas", o que significa que encontramos as pesquisas mais populares feitas em 2011 e, em seguida, classificamos essas pesquisas com base no aumento da popularidade delas em comparação com 2010. De modo inverso, as consultas com as "maiores quedas" eram muito populares em 2010, mas perderam parte da popularidade em 2011.

Sobre essas visualizações

Os números de pesquisa normalizados refletem quantas pesquisas foram feitas durante um período específico, em relação ao número total de pesquisas feitas no Google ao longo do tempo. Eles não representam números absolutos de volume de pesquisa, pois os dados são normalizados e apresentados em uma escala de 0 a 100. Cada consulta é dividida pela pontuação mais alta atingida, ou 100. Quando não há dados suficientes, 0 é exibido. Saiba mais sobre como fixamos a escala e padronizamos os dados de pesquisa.

Sobre as visualizações da "Página inicial"

Ao clicar em "Ver mais detalhes" em uma das imagens de pesquisa da página inicial, você verá uma breve narrativa com informações gráficas sobre a "pesquisa mais realizada" selecionada de 2011. O gráfico mostra o aumento no volume de pesquisa, o volume ao longo do ano, o volume em comparação a um evento relacionado e o volume por país.

Observação: como essas são as 10 consultas globais mais realizadas, um termo pode aparecer em destaque na lista de mais realizadas e, ainda assim, ter um volume de pesquisa inferior às outras consultas.

Sobre as visualizações das "Listas dos 10 principais"

A matriz de visualização mostra o volume semanal padronizado dos termos de pesquisa ao longo de 2011. Selecione uma consulta no lado esquerdo da tela para visualizar o volume de pesquisa dos termos ao longo do ano. Compare os termos de pesquisa selecionando listas adicionais. Passe o mouse sobre a matriz para visualizar artigos de notícias associados e ajuste o indicador de tempo para isolar um período específico.

Observação: as listas especificadas como "mais realizadas" medem o crescimento de cada termo em comparação com 2010. Portanto, um termo pode aparecer em destaque na lista de mais realizadas e, ainda assim, ter um volume de pesquisa inferior às outras consultas.

Mais dados

Esperamos que você goste de nossa retrospectiva dos acontecimentos de 2011. Mas a história não precisa acabar por aqui. Se você estiver interessado em continuar explorando as tendências de pesquisa em todo o mundo, há várias maneiras de fazer isso.

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Você pode usar uma grande variedade de ferramentas do Google Tradutor para traduzir qualquer uma das páginas internacionais do Zeitgeist de fim de ano para até 64 idiomas. Se, por exemplo, você fala espanhol, mas quer ler o que foi mais pesquisado no Japão neste ano, basta inserir o texto ou o URL da página do Google Zeitgeist do Japão no Google Tradutor para ler no seu próprio idioma. Ou você pode usar a Barra de Ferramentas Google no Internet Explorer ou Firefox, com tradução avançada que exibirá a página em outro idioma automaticamente. Além disso, você pode traduzir qualquer página automaticamente com o Google Chrome.

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Battlefield 3 Zeitgeist 11Nosso Google Zeitgeist de fim de ano é apenas uma pequena amostra das consultas e tendências de pesquisa que achamos interessantes neste ano. Se você quiser ir além do que compartilhamos aqui, tente usar estas ferramentas para descobrir mais sobre os termos de pesquisa regionais e globais com o passar do tempo (em alguns casos, podem ser encontrados dados que datam de 2004).

Google Trends - Para obter uma visão geral dos dados de consulta de pesquisa, insira até cinco termos de pesquisa para ver a popularidade relativa com o passar do tempo. Você pode usar o Google Trends para comparar termos em qualquer idioma de qualquer país. No momento, a interface está disponível em inglês dos EUA, chinês e japonês.
Google Trends para websites - Google Trends para dados de tráfego de site. Digite o endereço de um site para ver os visitantes por região e os sites relacionados visitados. Disponível atualmente apenas em Inglês dos EUA.


Google Insights para pesquisa - Uma visão mais detalhada dos dados de consulta de pesquisa para usuários avançados. Crie suas próprias listas de consultas "mais populares" e com as "maiores subidas" para diferentes regiões geográficas com o passar do tempo e por tópico. O Google Insights para pesquisa está disponível em 40 idiomas.
Hot Trends (somente na Índia, Japão, Cingapura e EUA) - As 40 principais consultas de pesquisa com as maiores subidas, atualizadas continuamente durante todo o dia.

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Sistema Financeiro Mundial – a economia dos valores fantasma

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Sistema Financeiro Mundial – a economia dos valores fantasma
Países realmente podem falir?

Da Redação Der Spiegel

Os pacotes de resgate que visam escorar os mercados financeiros na Europa estão ficando cada vez mais caros. Uma preocupante depreciação da moeda é inevitável e falências de Estados não podem mais ser descartadas. Poderia a zona do euro também cair vítima da crise financeira global?



"Há um rumor circulando de que os Estados não podem falir", disse recentemente a chanceler alemã, Ângela Merkel, em um evento de um banco privado em Frankfurt. "Este rumor não é verdadeiro."

É claro que ela está certa. Os países podem falir se permitirem que seus gastos deficitários saiam do controle e não puderem mais arcar com o serviço de suas dívidas. Os comentários de Merkel podem ser interpretados como um alerta de que os países precisam manter seus déficits sob controle. A mensagem é: se os governos forem longe demais na tentativa de resgatar as empresas e a economia, eles próprios poderão enfrentar uma insolvência.



Até o momento, os governos nacionais já foram bem longe. Sejam os Estados Unidos ou a Europa, as somas que os governos estão desembolsando para impedir o colapso do sistema financeiro são impressionantes.

A Alemanha sozinha já forneceu garantias de crédito de €42 bilhões para impedir o colapso do Hypo Real Estate de Munique, um poço sem fundo que a maioria agora acredita que terá que ser totalmente nacionalizado. O único obstáculo é uma cláusula legal que limita a participação acionária do Estado nos bancos a 33%. Enquanto isso, o segundo maior banco popular da Alemanha, o Commerzbank, foi resgatado, com o Estado assumindo um quarto das ações da empresa. E o prejuízo de € 4,8 bilhões no último quarto trimestre na principal instituição financeira da Alemanha, o Deutsche Bank, sugere que ele também poderá necessitar de assistência do Estado.

De inconcebível a inevitável



A imagem é ainda mais sombria nos Estados Unidos, onde o economista Nouriel Roubini estima que os prejuízos no setor financeiro totalizarão US$ 3,6 trilhões. No Reino Unido, o governo já nacionalizou em parte o Royal Bank of Scotland e o Lloyds TSB -e muitos especialistas vêem a nacionalização plena como inevitável.



Há poucos que discordam dessas medidas. Caso bancos vitais para o sistema quebrem, o sistema financeiro global poderia sofrer um colapso. Mas quanto os países podem gastar até que a bolha dos gastos deficitários estoure? Um cenário inimaginável? Há menos de um ano, a nacionalização de bancos nos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido seria inconcebível. Hoje, mesmo os Estados Unidos -lar do capitalismo desenfreado- vêem estas medidas como inevitáveis.



Os empréstimos tomados pelos países para financiar os resgates, programas de estímulo econômico e queda na receita tributária criarão um fardo duradouro. Pior, com a continuidade do declínio no setor bancário, não está claro se esses gastos imensos serão eficazes. Especialmente quando outros países menos estáveis economicamente ao redor da Alemanha estão mergulhando em parafuso.

Veja o exemplo do Reino Unido. O país está à beira da ruína financeira. Os imóveis estão supervalorizados, os lares estão altamente endividados e seu vasto setor financeiro foi duramente atingido pela crise. A confiança na capacidade do Reino Unido de superar a turbulência econômica está diminuindo a cada dia, como ficou evidente com a forte desvalorização da libra, que quase chegou à paridade com o euro. Há apenas 13 meses, ela valia € 1,40.

Uma segunda Islândia



"Eu não investiria dinheiro nenhum no Reino Unido", diz o investidor americano Jim Rogers. E o economista Willem Buiter, um ex-consultor do Banco da Inglaterra, alerta sobre o "risco do Reino Unido se tornar uma segunda Islândia".





Também é possível olhar para o exemplo da Itália, que está caminhando para ingressar em um clube bastante exclusivo -e indesejável. Com 106% do produto interno bruto, a Itália terá o terceiro maior déficit nacional do mundo.



Em um país que há muito tinha uma taxa de poupança sólida, os gastos deficitários não provaram ser um problema muito grande no passado. O maior desafio para o governo era fazer as pessoas se interessarem por comprar títulos a uma taxa de juros estabelecida. O ministro das finanças do país descreveu esse investimento como "o mais sólido e seguro disponível". É claro, nem todo mundo compartilha essa opinião no momento -particularmente nem os próprios italianos. Um título da dívida oferecido em meados de janeiro só encontrou interessados depois que o governo aumentou acentuadamente a taxa de juros oferecida.



Neste ano, Roma teve que pagar € 220 bilhões em títulos de curto prazo. Autoridades financeiras foram citadas como tendo dito que caso um título não encontre interessados, "seria um desastre para o Estado". Em dezembro, o ministro do trabalho italiano, Maurzio Sacconi, alertou que a Itália poderia falir se o país não conseguisse mais vender títulos públicos, por causa da abundância de oferta de outros países. "Isso criaria um problema de liquidez para o pagamento de salários e aposentadorias e acabaríamos como a Argentina."

O Reino Unido como uma segunda Islândia, a Itália como uma segunda Argentina. A Islândia atualmente está praticamente falida e a Argentina se tornou insolvente em 2001. Não é de se estranhar que esses comentários de autoridades públicas estejam deixando as pessoas nervosas. Em nenhum outro momento da história, desde o final da Grande Depressão, o risco de falências nacionais foi tão grande na Europa quanto agora.

Os orçamentos nacionais na maioria dos países membros da União Européia estão em estado miserável. Especialistas financeiros da Comissão Européia em Bruxelas estimam que, apenas neste ano, os gastos deficitários nos 16 membros da zona do euro totalizarão 4% do PIB, com esse número aumentando para 4,4% no próximo ano. O Pacto de Estabilidade do euro, entretanto, permite apenas 3%. A Comissão estima que em 2010, 17 países da UE ultrapassarão esse total. A lista inclui países como a Alemanha (4,2%), França (5%), Espanha (5,7%) e Reino Unido (9,6%). Espera-se que a Irlanda fique no topo da lista com gastos deficitários previstos de 13%.

Essas previsões, é claro, existem apenas no papel por ora. Mas o ministro das finanças da Áustria, Josef Pröll, alerta que "algum dia chegará o dia do pagamento".

Títulos de dívida europeus?



Na semana passada, Pröll e seus colegas formularam um pedido de mudança de curso, dizendo que um estímulo fiscal coordenado era necessário e deveria incluir uma "consolidação orçamentária coordenada" por toda a Europa. Mas como isso ocorreria não está claro.



Em uma audiência perante o comitê econômico do Parlamento Europeu na semana passada, Joaquim Almunia, comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, foi fuzilado de perguntas para as quais tinha poucas respostas. Como um primeiro passo, ele sugeriu que seis a oito países deveriam reduzir seus déficits. Mas ele não sugeriu como poderiam fazer isso.



Para alguns governos, consolidação orçamentária é a coisa mais distante de seu pensamento no momento. Em vez disso, esses países estão fazendo tudo o que podem para encontrar formas de assegurar o crédito, que está se tornando cada vez mais difícil. "Países menores estão sendo empurrados para fora dos mercados de crédito porque os países maiores estão tomando bilhões", membros do Parlamento disseram para Almunia. Sua resposta: é verdade, mas não é possível "pôr de lado os mercados de capital".

Visando resolver o problema, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que também é o ministro das Finanças de seu país, propôs que os 16 países da zona do euro criassem um "Euro título" comum. Os países menores elogiaram a proposta, mas ela foi recebida com rejeição instantânea por Berlim.

A Alemanha, até o momento, conseguiu tomar empréstimos baratos porque ainda conta com uma excelente classificação de crédito. Se o país enchesse seus cofres oferecendo Euro títulos da dívida, ele teria que pagar € 3 bilhões ou mais neste ano. Pröll, o ministro das finanças austríaco, também pareceu desinteressado, rejeitando os Euro títulos como dando carta branca para a criação de mais dívidas às custas dos outros.

Muitos líderes europeus criticaram a abordagem da Alemanha diante da crise financeira -o país foi lento na implantação de um pacote de estímulo econômico e alguns zombaram da chanceler Ângela Merkel como sendo a "Madame Não". Mas na Alemanha, o governo está preocupado com o risco de uma tomada excessiva de empréstimos e em sobrecarregar as futuras gerações com dívidas. O governo já abandonou seu plano de um orçamento equilibrado até 2011, e Merkel alertou sobre os limites do papel de Berlim em qualquer resgate.

Merkel teme que os resgates sobrecarregarão o governo. Afinal, se a dívida do governo continuar crescendo, em algum momento ele não mais será capaz de pagar os juros. A tomada de empréstimos no valor de € 18,5 bilhões prevista para 2009 já é maior do que a do ano passado, e nesta semana o governo está em processo de aprovação de um segundo pacote de estímulo econômico que, combinado com outros empréstimos, poderia elevar o gasto deficitário de 2009 para a marca de € 50 bilhões. Nenhum outro governo alemão teve que tomar tanto dinheiro em empréstimo.



Para assegurar que futuras gerações não fiquem amarradas a uma dívida imensa, o plano contém uma cláusula que a partir de 2011 canalizará € 1 bilhão por ano das receitas do banco central da Alemanha, o Bundesbank, que antes iam para o orçamento do governo. Atualmente, o Bundesbank injeta € 3,5 bilhões por ano no orçamento. Até 2012, quaisquer lucros no banco ultrapassando € 3,5 bilhões serão destinados ao pagamento da crescente dívida pública.



A maioria dos especialistas acredita que o governo alemão ainda possui espaço para manobra, mas um maior gasto deficitário pode ser inevitável e poucos sabem quanto seria necessário. Berlim poderá em breve estabelecer um ou mais dos chamados "bancos podres", onde as instituições financeiras em dificuldades colocariam seus empréstimos podres -um programa que exigiria uma maior tomada de empréstimos pelo governo.



Um verdadeiro teste para a zona do euro



O governo exercitou um certo grau de cautela nos gastos deficitários nos últimos anos, o que frequentemente faltou em alguns outros países da UE. E os políticos em Berlim relutaram em promover enormes programas de estímulo econômico que poderiam encorajar outros a abandonarem qualquer senso de responsabilidade fiscal.



No passado, um punhado de países membros da UE tomou empréstimos sem pensar duas vezes. Agora, eles foram duramente atingidos pela desaceleração econômica, porque suas classificações de crédito foram rebaixadas e estão sendo forçados a tomar empréstimos a taxas de juros mais altas. Espanha, Itália, Irlanda e Grécia foram atingidas de forma particularmente dura.


Os países que têm que tomar empréstimos tão caros são ameaçados pelo aumento constante das taxas de juros, que por sua vez aumentam suas dívidas. Em resposta, a classificação de crédito cai ainda mais, elevando ainda mais os juros, o que se transforma em um círculo vicioso.

Os especuladores no mercado criam pressões adicionais. As tensões poderiam escalar ainda mais e criar um verdadeiro teste para a zona do euro.

A rede de segurança do euro



Antes de sua adoção do euro, países como Itália, Grécia e Espanha simplesmente desvalorizavam suas moedas em tempos de dificuldades e reduziam suas taxas de juros para aumentar as oportunidades de exportação para suas economias. Atualmente, como membros da zona do euro, esta opção não está mais disponível por causa das regras orçamentárias rígidas que visam assegurar a estabilidade da moeda comum.



O colapso potencial da zona do euro é um assunto altamente debatido recentemente nas rodas do mercado financeiro. Um problema é que o tratado do euro não possui cláusulas que permitam que países altamente endividados abandonem voluntariamente a moeda comum. Mesmo se existissem, entretanto, qualquer país que deixasse a zona do euro apenas exacerbaria seus problemas. Suas classificações de crédito despencariam ainda mais, os empréstimos se tornariam mais caros. E as velhas dívidas teriam que ser quitadas em euro. Em caso de desvalorização da própria moeda, elas ficariam ainda mais caras. O comissário europeu da Alemanha, Günter Verheugen, considera o debate sobre uma saída do euro como "pura propaganda barata contra o euro por parte de especuladores nos mercados anglo-americanos".

Mas o que aconteceria se um país membro da zona do euro falisse? Durante os próximos 24 meses, por exemplo, a Grécia terá que levantar € 48 bilhões para o serviço de dívidas antigas, ao mesmo tempo em que precisa tapar os buracos em seu orçamento.



Se um país como a Grécia se tornar insolvente, ele seria inicialmente poupado das piores consequências da falência por ser membro da zona do euro. O euro perderia parte de seu valor, certamente, mas a economia grega não tem um papel muito grande na Europa e a desvalorização seria limitada.

As consequências para a Grécia também seriam limitadas. Como a moeda permaneceria relativamente forte, não haveria crise no setor varejista, não haveria estocagem especulativa e não haveria mercado negro -em outras palavras, não criaria uma crise econômica maior do que a já existente. Nem levaria a um aumento do desemprego.

Sob o escudo protetor da União Européia, a vida em um Estado falido seria relativamente confortável. A pergunta mais importante, entretanto, é como a UE reagiria.

Cenário de pior caso



Um cenário é que ela poderia declarar a Grécia como sendo um caso excepcional e fornecer empréstimos visando impedir a falência. Mas isso teria consequências desastrosas. Afinal, por que países fracos fariam algum esforço para equilibrar seus orçamentos se soubessem que a UE os resgataria em um cenário de pior caso.



Se a UE permanecesse firme contra a Grécia, isso certamente seria justo em relação aos países membros que praticaram uma disciplina orçamentária equilibrada no passado. Mas isso também seria politicamente insustentável, porque provocaria uma fuga dos investidores de qualquer país que exibisse o menor sinal de não ser capaz de manter o serviço de sua dívida. Eles teriam que continuar aumentando os juros sobre seus títulos, e o vírus da Grécia acabaria por se disseminar ainda mais, levando outros países à falência.

Neste cenário altamente teórico, o euro, de fato, sofreria um colapso. A moeda poderia sobreviver à falência de um país membro, mas não poderia sustentar uma série delas.



Os euro céticos há muito alertam que a tensão dentro da zona do euro poderia destruir a moeda algum dia. Eles agora sentem que suas convicções foram confirmadas -apesar desses cenários mencionados ainda estarem longe da realidade.



A própria Alemanha tem pouca dificuldade em levantar dinheiro. Mas mesmo aqui, diante dos rombos multibilionários no orçamento nacional, os investidores estão lentamente ficando nervosos em relação aos títulos da dívida alemã. Muitos investidores inseguros estão começando a perguntar "o que o futuro reserva para países com classificação AAA", diz o analista da Moody's, Alexander Kockerbeck. Especialistas da empresa de classificação americana já estão alimentando seus computadores com cenários de pior caso. Em um, eles inseriram dados de teste para 2010 e 2011 presumindo uma retração da economia de 3% a cada ano. Neste modelo, o déficit nacional subiria rapidamente dos atuais cerca de 70% para 80% do PIB.

"O fardo dos juros seria de cerca de 7% da receita do governo", disse Kockerbeck, dizendo que a Alemanha ainda conseguiria preservar sua alta classificação de crédito. Mas se esse número subir para 10%, o país poderia perder a melhor classificação, porque seus custos de financiamento subiriam.



A agência de classificação de crédito concorrente, Standard & Poors, que na semana passada rebaixou a classificação da Espanha, mantém uma posição semelhante. O analista Kair Stukenbrock confirmou na semana passada a classificação AAA da Alemanha. Ele também disse que atualmente presume "que a economia alemã e o orçamento do governo podem suportar a atual crise financeira sem perder sua classificação de crédito".

Estrangulado pelo pagamento de juros



Em tempos normais, presumindo que um país tenha uma classificação de crédito sólida e uma boa economia, a tomada de empréstimo é rotineira. A Alemanha emite rotineiramente títulos de curto e longo prazo que pagam juros. Eles podem ter qualquer duração entre um dia e 30 anos. Mas alguns outros países, como a Espanha e a França, emitem até mesmo títulos de 50 anos. A maioria deles é vendida por leilões -e quanto mais alto o preço, mais barato é para os países tomarem empréstimo, mas isso também reduz os lucros para os investidores.



O pagamento da dívida é bem mais complicado. No caso mais simples, o país apenas quita a dívida. É extremamente raro, é claro, um país fazer isso. Na maioria dos casos, os países renovam suas dívidas em vez de quitá-las -e ao fazê-lo eles criam uma nova dívida. Hoje, o governo alemão tem que pagar € 43 bilhões por ano em juros. É a segunda maior despesa no orçamento federal atrás dos gastos sociais.



Mas isso poderá mudar rapidamente. Se, por exemplo, as taxas de juros subirem aos níveis de 1995, o país poderia se ver diante de € 20 bilhões adicionais em pagamentos, e isso sem levar em conta qualquer nova dívida. É claro, dada a natureza da atual crise, o fardo da dívida aumentará. Ninguém sabe quanto, nem como o país poderá eliminar essa dívida antes que ele comece a ser estrangulado pelo pagamento de juros.

Uma forma de pagar a dívida, é claro, é por meio de cortes imensos de gastos e programas austeros de poupança. Mas isso é difícil. Muito mais atraente é a rota da inflação. O Estado pode simplesmente imprimir dinheiro e pagar suas dívidas. Ou o banco central imprime dinheiro e o injeta na economia. A moeda é desvalorizada, mas o Estado não se importa porque isso facilita o pagamento de suas dívidas.



Independente de como o país escolha pagar sua dívida, serão os contribuintes que terão que arcar com a conta no final. De fato, o único momento em que é possível quitar o déficit por meio da poupança do governo é durante períodos de boom, períodos em que o governo pode elevar impostos, ou se puder reduzir seus gastos.

“As pessoas também pagam o preço da inflação porque à medida que a moeda é desvalorizada, os preços aumentam”.


Até agora, o processo tem sido sutil. Desde o final dos anos 90, os principais bancos centrais nos Estados Unidos e Europa triplicaram o volume de dinheiro em circulação. Nos últimos meses, o volume de dinheiro em circulação nos Estados Unidos e Europa aumentou quase 50%.

Fenômeno universal



Os bancos centrais estão tentando usar a enxurrada de liquidez para prevenir um colapso do sistema financeiro global e, consequentemente, das economias. Ao mesmo tempo, eles também podem estar abrindo o caminho para a próxima crise. O dinheiro já está insanamente barato: o Federal Reserve (Fed, o banco central) americano já reduziu sua taxa de juro chave para quase zero e o Banco Central Europeu já a reduziu a 2%. É extremamente provável que as taxas de juros sejam reduzidas ainda mais.



Mas se os pacotes de resgate surtirem efeito e a economia começar a se recuperar, então os bancos centrais aumentarão novamente as taxas de juros -caso contrário seríamos ameaçados por uma onda imensa de inflação e uma próxima crise, ainda pior, seria inevitável. Mas a ação poderia também levar muitos países altamente endividados à falência.

Em um estudo feito pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), os economistas americanos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff pesquisaram as crises financeiras dos últimos 800 anos e concluíram que falências do Estado eram um "fenômeno universal". Muitos países, na verdade, faliram mais de uma vez.

Entre 1500 e 1800, a França se tornou insolvente oito vezes. A Espanha faliu sete vezes durante o século 19. A insolvência é um fenômeno comum em cada período da história, eles concluíram, e seria errôneo pensar que falências do Estado são uma "característica distinta do mundo financeiro moderno".

Nada mais é inimaginável



Na maioria dos casos, os cofres do país foram esvaziados pela guerra. Mas em cada caso, os países conseguiram se recuperar da ruína. Eles provaram ser incrivelmente cheios de recursos no uso de suas ligações com bancos, empresas e, especialmente, com a população.



A solução mais simples para os Estados era simplesmente se recusar a pagar suas dívidas. Em 1557, o rei Felipe 2º da Espanha se recusou a pagar as dívidas de seu país após suas caras batalhas militares contra a Holanda e os otomanos. Foi uma decisão que prejudicou seriamente os bancos mutuantes em Augsburgo, Alemanha, e eles nunca se recuperaram plenamente.



Mesmo após a Revolução, os novos regentes da França foram ainda mais longe. Eles expropriaram propriedades das igrejas, de grandes latifundiários e executaram alguns mutuantes.



Uma opção igualmente brutal foi ir à guerra visando saquear as áreas ocupadas. Mas esses métodos de consolidação orçamentária tendiam a acontecer apenas quando as coisas começavam a entrar em colapso. Mesmo no passado, a inflação era o método preferido de lidar com a dívida. Eles criavam mais dinheiro e o desvalorizavam. É um método que foi adotado já na Roma antiga, quando os romanos desvalorizavam suas moedas usando menos metais preciosos nelas. Isso se tornou uma prática padrão. Em Viena, o conteúdo de prata na moeda de Kreuzer foi reduzido em 60% entre 1500 e 1800, e o pfennig de Augsburgo perdeu mais de 70% de seu valor.

Assim que o papel moeda foi introduzido, o processo foi ainda mais simplificado, já que bastava imprimi-lo. O primeiro país a começar a imprimir dinheiro em grande escala foi a França, no século 18, quando precisou pagar a montanha de dívida acumulada por Luís 14. Em tempos de crise, os governos franceses sempre caíram nessa tentação.

O alerta da hiperinflação



Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, o Reich alemão também começou a desatrelar sua moeda do ouro. Até então, qualquer um podia trocar o papel moeda por metais preciosos. A desvinculação da moeda fez com que a quantidade de dinheiro em circulação subisse de 13 bilhões para 60 bilhões de marcos no final da guerra, enquanto os produtos em oferta foram reduzidos em um terço. Os preços dispararam.



O desenvolvimento desastroso atingiu seu pico em 1923, com a hiperinflação. O dólar na época chegou a valer 4,2 trilhões de marcos. As notas bancárias eram impressas em 130 gráficas privadas, freqüentemente em apenas um lado do papel para economizar tinta. A única forma de deter a desvalorização em massa era a troca da moeda.

Em novembro de 1923, o governo emitiu o chamado rentenmark. A moeda anterior podia ser trocada a uma taxa de 1 trilhão de marcos para 1 rentenmark. A inflação parou rapidamente. As pessoas falavam do "milagre do rentenmark". Mas a verdade é que ele eliminou as economias e investimentos de grande parte dos alemães de classe média, enquanto os ricos foram forçados a financiar a guerra comprando títulos do governo que agora não valiam nada. Os bancos e seguradoras também perderam seu capital. O maior vencedor, além das pessoas que tinham empréstimos e hipotecas que não conseguiam mais pagar, foi o governo. Sua dívida da guerra encolheu até se tornar insignificante.



“Esses eventos traumáticos permanecem como parte da memória coletiva da Alemanha e alimentam um temor latente da hiperinflação até hoje. As pessoas precisam temer?”

Por ora não. Em comparação a muitos outros países, a Alemanha está bem posicionada para enfrentar a crise. A economia nos últimos anos vinha mais forte do que a de outros países membros da UE e ela não era tão dependente do setor financeiro quanto o Reino Unido. E diferente dos Estados Unidos, ela não é dependente de mutuantes estrangeiros.



A Islândia, por sua vez, já está praticamente falida. No Leste Europeu, vários países estão cambaleando -a Letônia já teve que pedir ajuda ao FMI e ao Banco de Desenvolvimento do Leste Europeu. Na capital, Riga, 40 pessoas ficaram feridas em um protesto violento que ocorreu em 13 de janeiro.



O Reino Unido também está em apuros. E se não fosse pela proteção que sua adoção da moeda comum lhes confere, alguns países da zona do euro estariam no momento lutando pela sua sobrevivência. Os Estados Unidos, por outro lado, estão explorando o fato de ainda serem considerados estáveis apesar de seus problemas enormes -e o fato dos chineses serem detentores de uma parcela imensa de suas reservas de moeda estrangeira na forma de títulos americanos.



A situação melhorará? Seria uma ilusão acreditar que os países aprenderam com seus erros do passado, alertaram os economistas americanos Reinhart e Rogoff. De fato, outro Estado poderia falir a qualquer momento e levar sua população consigo.



Nesta crise, nada mais é inimaginável.


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Tradução: George El Khouri Andolfato
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