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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Olá futuro, prazer estar em você.

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O Homo Ciberneticus

por Alexandre Teixeira*

Confira entrevista com o futurólogo britânico

Ian Pearson

Ian-PearsonAos 51 anos, não é nenhum aventureiro diletante. Ele é formado em física teórica e matemática aplicada e, por 20 anos, foi pago pela British Telecom (BT), para antecipar tendências e ajudar a materializá-las sob a forma de produtos e serviços. Foi na BT, em 1991, quando o telefone celular ainda era novidade, que Pearson concebeu o sistema de transmissão de texto que daria origem ao SMS, o popular torpedo. Consta que ele anteviu o modelo de console sem fio para videogames dotado de um acelerômetro capaz de detectar movimentos em três dimensões que hoje se associa ao Wii, da Nintendo, e ao Xbox, da Microsoft. Em sua passagem pela BT, Pearson chamou a atenção para o potencial de serviços hoje consagrados, como os mecanismos de busca e o e-mail. Nem sempre o ouviram.
Atualmente, ele atua em carreira solo, à frente da empresa Futurizon, que fundou em Ipswich, na Inglaterra. Por meio dela, presta consultoria e faz palestras, internacionalmente. Consciente das vulnerabilidades da profissão de futurólogo, Pearson diz ter, desde 1991, um histórico comprovado de 85% de precisão em suas previsões para horizontes de dez anos.
“Minhas ferramentas são: uma sólida experiência em ciência e engenharia, análise de tendências, senso comum, tino comercial, saber quando ouvir outras pessoas e um montão de pensamentos”, afirma ele.
Pearson lançou seu livro mais recente, em 2011, You Tomorrow (Você amanhã), sem tradução brasileira. Ele define o trabalho como “um livro sobre o futuro da vida cotidiana”. Soa pretensioso?
Pearson se defende:
“Embora use o título de futurologista, que soa ligeiramente amalucado, sou apenas um engenheiro fazendo deduções lógicas para o amanhã, baseado em coisas que já podemos ver acontecendo”.
Alexandre — Sei que sua especialidade é o futuro, mas gostaria de falar, inicialmente, sobre o passado. O senhor é capaz de citar acertos de futurologistas que ajudaram organizações a antecipar tendências relevantes?
Pearson — Acertamos a maioria das coisas que aconteceram na world wide web, no começo dos anos 1990. Entre os anos de 1991 e 1992, ajudamos empresas de toda a Europa a projetar a infraestrutura necessária para a “banda larga” que agora vemos como algo comum. Houve pouquíssimas surpresas, porque fomos precisos na definição dessa estratégia. Este é, provavelmente, o melhor exemplo.
Alexandre — E o que dizer dos erros e fracassos dos futurólogos?
Pearson — Bom, há sempre aqueles notórios, como o do Bill Gates, dizendo que ninguém nunca iria querer mais do que 640K de memória, esse tipo de coisa. Mas ele não é um futurista profissional, então é realmente injusto. Não preciso ir além de mim mesmo para trazer alguns erros. No passado cheguei a dizer que, no ano 2000, estaríamos trocando a TV pela realidade virtual.
Alexandre — De acordo com suas previsões, em 20 anos, os computadores serão mais inteligentes que os seres humanos, capazes de transmitir sensações e mesmo de preservar o conteúdo da mente humana, o que soa um tanto assustador…
Pearson — É assustador, mas esse movimento não começa da noite para o dia. Ele chega pouco a pouco e você se acostuma a ele. A cada ano diversas coisas novas são lançadas e nós apenas as aceitamos. Ao longo de um período de dez anos, isso significa muita mudança. Hoje mesmo, temos supercomputadores mais rápidos que o cérebro humano, em termos de poder de processamento. Então, já temos essa equivalência com as máquinas. Daqui a 20 anos, você terá equipamentos, no seu bolso, mais espertos que seu cérebro. Você também será capaz de ligar computadores a seu sistema nervoso periférico usando uma pele microelétrica. Você poderá imprimir telas eletrônicas na superfície da pele. Essa pele eletrônica se ligará aos nervos na palma da sua mão. Os sinais elétricos digitados na pele viajarão por esses nervos acionando comandos ou sendo armazenados em um computador. E vice-versa. Em algum ponto do futuro, ao experimentar um jogo de computador ou assistir a um anúncio, você poderá, literalmente, sentir algo em seu corpo, graças a um estímulo dessas terminações nervosas.
Alexandre — Não estou tão certo de que iria gostar de que um anúncio me tocasse desse modo. O que mais seria possível?
Pearson — Muito do processo de pensamento vai ser capturado nessa mesma geração de tecnologias. Se você criar um link e transferir todo o seu processo de pensamento para um computador, poderá gravar a sua mente toda. Estamos falando de 2045, 2050, o que é um futuro mais distante. Mas capturar apenas sensações é uma coisa razoavelmente superficial. Poderemos fazer isso dentro de 20 anos ou antes disso.
Alexandre — Se pensarmos em termos de sociedades, e não apenas do desenvolvimento tecnológico puro, considerando também economia e política, o senhor acha que essa evolução será predominantemente positiva ou negativa?
Pearson — É inteiramente possível ter avanços positivos e, ao mesmo tempo, um aumento da opressão, da vigilância e da invasão de privacidade. Podemos ter as duas coisas: equipamentos fantásticos que fazem a nossa vida muito melhor e também um governo opressivo. A tecnologia se presta a ambos os propósitos. No momento, infelizmente, estamos vendo evidências de que vamos ter ambos ao mesmo tempo. Na Europa, por exemplo, temos governos que querem monitorar cada coisa que fazemos, com a instalação de câmeras para controle de velocidade nas ruas, o monitoramento do que você faz no seu telefone celular e dos seus e-mails.
Alexandre — A tecnologia pode tornar real a figura do Grande Irmão orwelliano.
Pearson — Há muitas invasões de privacidade para as quais os governos querem usar as novas tecnologias. Vemos forças policiais pedindo para usar veículos teleguiados que os militares utilizam no Afeganistão para nos monitorar. Temos grandes empresas de TI, como a Apple, tentando ajudá-las ao inventar novas tecnologias que permitam inabilitar todos os smartphones em uma área, apenas enviando um sinal especial.
Alexandre — Não sei qual é a expressão certa para isso, mas o senhor vem escrevendo sobre algo que poderíamos chamar de imortalidade eletrônica. Quanto tempo teremos de esperar até esse tipo de imortalidade se tornar realidade?
Pearson — Há um projeto que as pessoas do Google chamam de Projeto 2045, porque é exatamente quando elas deverão estar atingindo essa imortalidade eletrônica. A essa altura, você terá um arquivo tão bom da sua mente no mundo das máquinas que seu corpo morrerá e você poderá seguir em frente como uma entidade-máquina. Acho que estão sendo otimistas quanto ao período de tempo. Se você quer um link tão transparente entre seu cérebro e as máquinas para que a maioria dos seus pensamentos e das suas memórias esteja acontecendo dentro do mundo da TI, provavelmente terá de esperar até os anos 2050. E então, 10, 15 ou 20 anos depois, vai virar rotina. Em 2070, será normal para as pessoas usar a TI como extensão de seus cérebros. Até certo ponto, muito de seu processo de pensamento e muitas de suas memórias estarão duplicadas ou totalmente armazenadas no mundo da TI. Então, seus corpos morrerão, seus cérebros morrerão, elas perderão uma porcentagem de sua mente e parte de sua personalidade desaparecerá com ela, mas muita coisa vai ficar no mundo da TI. Então, será de fato uma imortalidade eletrônica.
Alexandre — Nesse mundo que o senhor vislumbra, androides terão mentes humanas quase reais e coexistirão com seres humanos. Isso soa como ficção científica, algo como o filme Blade Runner, com androides se confundindo com humanos. Quão real é essa imagem?
Pearson — Estou certo de que você viu o filme Eu Robô [uma produção de 2004, inspirada numa coletânea de contos de Isaac Asimov e ambientada em 2035, na qual um policial tecnofóbico investiga um crime que pode ter sido cometido por um robô]. Acho que aquele equilíbrio [entre humanos e máquinas] não está muito longe do que eu esperaria ver. A maioria das casas provavelmente terá um ou dois desses robôs de estilo androide, desempenhando várias tarefas. Teremos um monte deles.
Alexandre — Quão parecidos com humanos? Reais a ponto de nos confundirmos?
Pearson — A tecnologia permitirá que sejam bem parecidos com humanos. Já temos peles de silicone que podem imitar a pele humana. Também teremos músculos de silicone, muito mais poderosos que o músculo humano. Então, poderemos ter androides cinco vezes mais poderosos que os humanos. Alguma coisa com a força do Schwarzenegger, um robô muito forte que se pareça com um ser humano normal. No que diz respeito à imortalidade eletrônica, muita gente pensa que teremos um robô ou androide no qual faremos um download da nossa mente e seguiremos em frente depois de mortos, ocupando-o o tempo todo. Eu não acho que será assim. Penso que poderemos muito bem compartilhar robôs.
Alexandre — Como isso seria possível?
Pearson — Você terá uma população de, talvez, mil pessoas armazenada em um serviço on-line que suportará suas vidas, eletronicamente, dentro de uma rede. Elas poderão viajar pelo mundo na velocidade da luz. É um tipo de existência completamente diferente. Poderão, ocasionalmente, habitar um androide, mas não consigo ver por que iriam querer fazer isso o tempo todo. Então, esses robôs seriam perfeitamente adequados para o compartilhamento. As pessoas poderão alugar um androide por alguns minutos toda vez que precisarem de um.
Alexandre — Como um veículo para visitar o mundo físico?
Pearson — Talvez por umas poucas horas. Elas poderão vir, ocasionalmente, ao mundo físico como pessoas físicas. Mas, na maior parte do tempo, ficarão contentes em existir apenas eletronicamente, dentro de uma máquina. Há também a possibilidade de várias pessoas usarem um mesmo androide ao mesmo tempo. Indo além, há a possibilidade de usar um link entre o cérebro e a máquina para compartilhar o corpo de outra pessoa enquanto ela o usa.
Alexandre — Para quê?
Pearson — Para ocupar a mesma rede sensorial dela. Assim, você poderia experimentar as mesmas sensações, viver uma espécie de simbiose.
Alexandre — Muitas obras de ficção científica especulam sobre um mundo no qual as máquinas assumem o controle, como O Exterminador do Futuro e Matrix. Isto vai ser um risco real?
Pearson — Não vai ser; já é um risco real, uma vez que estamos avançando por uma estrada na qual as máquinas se tornam tão espertas quanto as pessoas e já estamos criando máquinas autônomas. As pessoas tentarão conectar essas duas coisas. Então, teremos máquinas autônomas tão espertas quanto ou mais do que humanos.
Alexandre — A ponto de poderem se insurgir?
Pearson — Isso parece quase inevitável no caminho que já estamos trilhando. Não é um risco; é uma probabilidade que seguiremos por uma estrada na qual haverá máquinas mais espertas que o homem. Existe um risco, então, de que terminemos entrando em conflito com elas em algum momento, se decidirem seguir um caminho diferente. Quando um robô é apenas uma máquina simples, a que se pede para aceitar instruções, ele faz o que mandam. Mas se damos a ele uma mente tão sofisticada quanto a de um ser humano, ele logo se torna capaz de entender situações. Ele percebe que foi instruído a fazer algo, mas que, na realidade, tem algum pensamento independente. Pode racionalizar a situação e, se não gostar das suas razões, optar por não fazer o que você quer. Ele pode optar por desobedecer, se tiver tecnologia superior à sua disposição.
Alexandre — Se vamos ter dispositivos tecnológicos conectados aos nossos cérebros para aumentar a velocidade em que operam, para melhorar nossa memória e expandir o conteúdo que eles podem armazenar, podemos assumir que isso vai gerar uma nova divisão de classes na sociedade?
Pearson — [longa pausa] Ah, sim… Podemos falar de uma nova classe de pessoas chamada homo ciberneticus, quando você adiciona capacidade eletrônica ao cérebro humano para melhorar seu desempenho. Você pode melhorar o desempenho de seu cérebro, teoricamente, por um fator de 100 milhões. Acrescentar um monte de zeros ao seu QI. Se você for muito mais esperto do que o seu vizinho, ele não poderá competir com você. É como uma competição entre você e um caracol, dado o abismo intelectual.
Alexandre — Esse abismo intelectual é um pesadelo ético.
Pearson — Se houver conflitos, não há meio de as pessoas comuns serem capazes de competir. Elas não irão conseguir projetar os mesmos sistemas de armamentos, se chegarmos ao nível do conflito armado. Certamente não poderiam ter as mesmas ideias para criar novas empresas ou tecnologias. Em todas as coisas para as quais você usa o cérebro, se tivermos uma geração de pessoas ciberneticamente melhoradas, elas teriam uma vantagem muito grande sobre as pessoas comuns.
Alexandre — De novo, é meio assustador. Mas vamos falar um pouco de negócios. Como o senhor acredita que o marketing será praticado pelas empresas nesse futuro?
Pearson — Penso em uma nova mídia, que deverá chegar direto ao seu sistema nervoso para estimular sensações. Isso amplia o escopo do marketing. Não é apenas vídeo e áudio. No futuro, vai ser possível sentir o produto, interagir com ele. Provar uma roupa como se a estivesse vestindo. Sentir a sua textura.
Alexandre — Quando se pensa no desenvolvimento da internet, muitas empresas tiveram sucesso no mundo real com modelos de negócio criados a partir das possibilidades que a web oferece. O Google é um exemplo disso. O senhor consegue imaginar que tipo de companhia e de novos setores tendem a liderar a criação de mercados nesse futuro?
Pearson — Elas virão do mundo da realidade aumentada. Acredito que dentro de 20 anos muita gente estará usando algum tipo de aparato na cabeça – que pode ser um par de óculos como o que estou usando, dentro dos quais haverá lasers capazes de “escrever” imagens diretamente na retina, ou mesmo lentes de contato ativas, que funcionarão como displays tridimensionais de alta definição e alta resolução. Isso abre um novo mundo, porque lhe permite levar sua vida cotidiana e ao mesmo tempo ter montes de informações de marketing, entretenimento, socialização, negócios…
Alexandre — É um admirável mundo novo para a publicidade.
Pearson — Você pode mudar o modo como as coisas se parecem, adicionar valor a ambientes digitalmente e obviamente processar informações de mão dupla. Ver o que os consumidores estão olhando, pesquisar o perfil deles e entregar informação customizada diretamente dentro de seus campos de visão. Se você me conhece bem, sabe que game vou jogar esta noite no meu Xbox. E, provavelmente, poderá usar esses mesmos personagens [do videogame] para entregar informação no meu campo de visão. Ou eu vou poder atirar nesses caras enquanto minha mulher faz compras.
Alexandre — Interessante, mas um tanto invasivo, não?
Pearson — O marketing ganha uma nova dimensão quando começa a colocar coisas no campo de visão das pessoas à medida que elas andam por aí no seu dia a dia. E a informação flui nas duas mãos. Eu gostaria de viver num mundo assim, porque ele torna minha vida mais divertida. Eles [os publicitários] gostariam de viver num mundo assim, porque lhes dá mais oportunidades de me vender coisas. E eu posso querer comprá-las. Vou gostar desse marketing, desde que ele seja personalizado. Não gostamos de ver anúncios porque eles são para outras pessoas. Você perde seu tempo. Quando o anúncio é sobre algo de seu interesse, você olha para ele. Às vezes, você sai explorando a internet atrás de informação sobre um produto, então uma ferramenta de marketing pode tentar antecipar o que você iria procurar, de todo modo. Vejo uma nova geração de empresas usando essa combinação de criação de perfis, contextualização e personalização para entrar na sua vida cotidiana utilizando novas mídias. É product placement na vida real para valer.
Alexandre — O senhor escreveu sobre a transição do capitalismo para a “economia do cuidado”. Pode explicar o que é “economia do cuidado” e como essa transição vai acontecer?
Pearson — Sim, à medida que os computadores ficarem mais espertos, eles vão assumir mais e mais dos nossos afazeres. Pense nas coisas mundanas da rotina, como procurar voos ou descobrir a que horas um avião vai chegar, providenciar um táxi para ir ao aeroporto, saber como o trânsito está hoje em São Paulo, achar um caminho melhor, esse tipo de coisa que nos aborrece hoje. No futuro, seu computador vai fazer esse tipo de função para você, perfeitamente. Isso vai tornar sua vida mais fácil. No limite, se você elimina do seu trabalho todas as coisas baseadas em conhecimento e todas as coisas administrativas, o que sobra são as partes que têm a ver com o lidar com outras pessoas. Lidar com a sua equipe, dar a ela avaliações de desempenho, guiá-la, liderá-la, esse tipo de tarefa. Ou trabalhos como ser uma enfermeira, um professor, um policial ou alguma coisa em que você tem de lidar com pessoas.
Alexandre — Daí o conceito de economia do cuidado.
Pearson — Chamo de economia do cuidado porque, nesse tipo de trabalho que envolve habilidades humanas, as competências mais valiosas são relacionadas a cuidar. Uma enfermeira, por exemplo, é normalmente considerada intelectualmente júnior, na comparação com o consultor mais graduado de um hospital. Mas o consultor mais graduado do hospital é basicamente um robô muito inteligente. Você pode substituir esse cérebro esperto por um computador esperto. Não é muito valioso.
Alexandre — Já a enfermeira não pode ser trocada por um robô.
Pearson — Você poderá dar a ela uma versão 20 anos melhorada de um iPad, de longe mais esperta do que o consultor do hospital, que a tornará mais esperta do que o consultor. Então, ela poderá superar o desempenho do consultor em termos de diagnósticos. É com a entrega de cuidados que sempre associamos uma enfermeira. Com o lado da compaixão, de interagir com um ser humano como um ser humano. As enfermeiras, supostamente, são muito boas nisso. Você valorizará a enfermeira mais do que o consultor, porque ela pode, facilmente, fazer o trabalho dele, mas ele não pode fazer o trabalho dela. Então, nós vemos uma inversão. Vamos de uma economia da informação dominada pelo intelecto para uma que é muito mais baseada em habilidades humanas.
Alexandre — Que competências serão mais valorizadas na economia do cuidado?
Pearson — Compaixão, amor, todo o lado emocional. É muito mais calorosa uma sociedade em que as pessoas têm habilidades pessoais e os computadores, robôs e androides dão conta das coisas mundanas que ninguém faz questão de fazer. A economia do cuidado é uma economia orientada para o humano, que é possível por termos máquinas muito espertas.

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fonte: Revista da ESPM, Edição nº 5 • setembro/outubro 2013 - Por Alexandre Teixeira

Um dia no cotidiano de 2280

Rui Santo*

Você acorda e vai “escovar os dentes” cujas cerdas são sensores emocionais, combinados com a visão astrológica.

As cerdas identificam e enviam sinais para uma central, que reenvia direto para sua mesa virtual, os alimentos necessários e na quantidade exata para equilibrar emocionalmente o seu dia, conforme você programou.
Com o advento da transferência de matéria não há sobras de alimentos e os objetos materiais – armários, fogões, mesas, geladeiras, estoques, casas, carros – agora existem apenas virtualmente. Tudo é virtual.
Toma o “café da manhã” e vai trabalhar, isto é, muda de ambiente no mesmo lugar. Pega seu “controle pessoal celular” que recebeu ao nascer e ao apertar o único botão do controle, pela identificação digital sintonizada com sua mente e o que você está pensando, projeta na parede virtual desse ambiente a tela de um computador e outra tela pequena a sua frente, como um teclado para digitar, que foi sua opção entre falar, pensar  e digitar.
“Trabalha” atendendo os compromissos solicitados pelo seu contratante temporário e pelos clientes de outras dimensões, aqui mesmo, no planeta terra.
Esse trabalho exige a instalação na mente de um chip especial, relacionado com o aperfeiçoamento de seu conhecimento profissional e em função de sua capacidade cognitiva (e /ou física) ampliada.
É um provocador de sinapses mentais para respostas adequadas aos clientes.
Mais tarde sai para fazer alguns trabalhos externos, nos órgãos do governo que ainda se mantém 200 anos atrasados, isto é, as instalações existem fisicamente como lembrança do século XX, mas como a transferência de matéria ainda não consegue transferir seres vivos, você prefere ir pela rede aérea, invisível para os demais.
- Oh Rui! Só falta precisar carimbar com tinta azul escuro e reconhecer firma nos documentos, não é?
Quando sai do órgão público no fim da tarde, resolve ficar por ali mesmo. Aciona seu “controle pessoal celular” trazendo sua “casa virtual” para onde está ao invés de pegar transporte e todo o movimento de pessoas que preferem voltar para o mesmo lugar de onde vieram.
Na verdade, ninguém tem mais endereço físico como conhecemos até o século XX. Temos apenas endereço eletrônico e GPS. Aonde formos nossa “casa virtual” estará a um aperto de botão do seu intransferível “controle pessoal celular” que sabe tudo sobre você e só funciona com você. Essa revolução foi causada pela formulação matemática de Einstein: E = mc2, isto é, tudo que era matéria, desmaterializou-se e agora é só energia. Assim, cada um pode dar a forma que preferir a energia, isto é, sua própria moda, decoração, design, casa, carro, etc. tudo virtual, embora pareça, ilusoriamente, material.
- Oh Rui, será que os vírus, na hora da transferência, não vão colocar a cama virtual no chuveiro, se é que vamos precisar tomar banho e com que água?
Na cozinha na hora de jantar você chama sua mulher que surge em uma tela que é a própria parede lateral, e ela senta do outro lado da mesa, na “casa virtual” dela, mas é como se estivessem na mesma mesa que você está agora.
Enquanto conversam, na outra parede, digo na outra tela, seu clone, isto é, seu filho o chama.
Você conversa com ele e com sua mulher como se estivessem todos juntos na mesma mesa, embora cada um esteja distante do outro, algumas centenas de quilômetros. No canto da tela, há um mapa GPS indicativo de onde cada um está, as características climáticas do lugar naquele instante, a saúde pelo DNA, a foto kirlian, o horóscopo diário, o I Ching, o estado de humor, o estado emocional e os campos energéticos dos que aparecem na tela (você escolheu o que deve aparecer entre as 1.200 opções!!!).
Os noticiários net-on-line (você dispõe de mais de 290, simultaneamente), e mais os programas que você escolheu, aparecem espalhados nas diversas e pequenas telas que contornam a tela central. Sua cognição se desenvolveu em tal nível nos últimos 30 anos, que você pode assistir três a quatro programas simultaneamente.
A filha do casal – clone de sua mulher – aparece na hora do jantar em outra tela de parede inteira e pede a mãe alguma coisa que esta solicita ao sistema de transferência de matéria, apertando aquele único botão, e mandando que seja entregue, on-line, no endereço eletrônico + GPS, onde está a filha de sua mulher.
Os quatro (o pai com seu clone – filho com a mulher e com a clone – filha dela)[1] conversam como se estivessem juntos na mesma mesa, até que o filho resolve ir fazer alguma outra coisa, saindo da conexão.
Num dia “Tempo Net” programado, já que o calendário e o conceito de “mês, semana e fim de semana” acabaram, combinam uma posição “GPS – primavera” para se encontrarem fisicamente e escolhem a “casa virtual” de quem vão ficar em função da estação do ano no local para onde vão. O mais votado deve levar seu “controle pessoal celular” para transferir sua casa para esse ponto GPS e receber todos.
Depois de dois dias de encontro, cada um volta para seus endereços GPS, mas a filha – clone resolve ficar mais perto da mãe por uns dias.
O consumo foi desmaterializado completamente como condição para salvação do planeta. Há um excesso de alternativas virtuais gratuitas e os baixíssimos impostos pagos sustentam os cursos públicos para desenvolvimento da cognição e motivação nos quais participam os que se “desguiaram“.
O mundo mudou muito nos últimos 280 anos.
Os valores transferiram-se do “fazer” na revolução industrial, para o “ter” que quase destruiu a terra no ano 2000, e agora em 2280 os valores transferiram-se para o “ser” como a melhor forma de dar sustentação à população e preservar o ambiente para todos.
A mudança moral do “ter” para o “ser”, transformou os valores de propriedade em valores de conhecimento, criatividade e intuição, emoções e relacionamentos em detrimento de objetos materiais que praticamente deixaram de existir, exceto nos museus de história do tempo.
Agora todos têm disposição para tudo que quiserem, já que aquele tempo consumido em trabalho para o “ter” pode ser eliminado e preenchido com esforços prazerosos para o “ser”.
Um valor extraordinário para o desenvolvimento e elevação do espírito humano, baseando-se nas novas descobertas e compreensão de estar de passagem na dimensão conhecida como “vida”, na qual, “malas pesadas tiram o prazer de caminhar”.
– Vamos dormir – diz o pai para a mãe, durante o encontro real.
– É Rui, pelo jeito, certas coisas vão demorar mais para mudar… Ainda bem!!!
O futuro pode estar difícil de ser profetizado, mas pode ser fácil de ser “reconstruído”.
fonte: Galáxia Criativa, 2003. A mola propulsora para criatividade, inovação e futuro. Rui Santo.
[1] Essa foi uma decisão da humanidade: cada um cria clones de si mesmo e não da junção de um homem com uma mulher naquele tal de casamento que existia no sec. XX. Tal decisão está criando um grande e novo problema. O avanço do ser humano parou nas cognições que existiam, já que todos querem ter seu clone aos 25 anos. Uma solução está sendo discutida no universo: clone de si mesmo somente após os 65 anos, já que a população vive até os 105 anos, como único jeito de avançar cognitivamente uma vez que se pressupõe que aos 65 anos todos evoluíram mentalmente
CRIA = ATIVA + A + MENTE
Se você concorda, por favor, envie para todos os seus amigos.
Se você não concorda, por favor, envie para os seus inimigos.
Mas contribua com a circulação, socializando a informação!
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Internet para todos e acesso a informacao campanha

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ACESSO A INFORMAÇÃO PARA TODOS

 
As empresas de Internet estão fazendo altos lucros, mas enganando seus clientes em relação a uma Internet rápida e confiável. O governo finalmente quer intervir e regulamentar, mas ele precisa de um protesto em massa do público para abafar o lobby das telecoms que são contra a regulação. Temos apenas 24 horas até o voto decisivo -- envie uma mensagem de apoio pelos novos padrões de Internet urgent e encaminhe para todos:



Sign the petition
As empresas de Internet estão fazendo lucros imensos, mas enganando seus clientes em relação a uma Internet rápida e confiável. Finalmente o governo quer intervir e regulamentar, mas ele precisa de um protesto em massa do público para abafar o lobby das telecoms que são contra a regulação.

O serviço de internet é como um faroeste virtual - um mercado sem regulamentação do governo, onde o serviço é lento ou muitas vezes inexistente. Aqueles de nós que vivem no Norte do Brasil pagam três vezes mais pela Internet do que aqueles em São Paulo, mas o nosso serviço é quatro vezes mais lento. Enquanto isso, a Telefonica, sozinha, fez 4,3 bilhões de reais em lucros no ano passado.

Temos 24 horas até a votação crucial para o acesso à Internet rápida e confiável para todos - envie uma mensagem para a Anatel, a agência responsável por estabelecer os regulamentos, e em seguida, encaminhe este email para seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/internet_para_todos/?vl

Neste momento, nosso governo está planejando uma expansão maciça dos serviços de Internet por todo o país, trazendo o acesso à informação a todos e até mais lucros para as empresas privadas de telecomunicações. Mas essa expansão é inútil se não existirem normas que garantam o bom serviço de Internet para os cidadãos mais pobres e as comunidades rurais. Normas de qualidade da Internet são o primeiro passo importante para um Brasil completamente conectado.

A ANATEL tem o poder de regulamentar as comunicações no Brasil, mas fontes dizem que o conselho diretor está sendo pressionado por grandes empresas a adiar ou abandonar estes regulamentos - protegendo grandes lucros ao invés do direito à informação para os brasileiros.

Se enviarmos uma enxurrada de mensagens de apoio a ANATEL apoiando a regulamentação do acesso à Internet, poderemos dominar o lobby de telecomunicações e garantir um futuro com Internet confiável e justa para todos os brasileiros. Envie uma mensagem agora, e depois encaminhe para todos:

http://www.avaaz.org/po/internet_para_todos/?vl

Nossos direitos enquanto usuários da Internet estão em perigo constante, mas juntos podemos vencer mesmo as maiores ameaças. Em agosto, o poder do povo ajudou a adiar um projeto de leis de crimes digitais altamente restritivo no Congresso abrindo o caminho para o Marco Civil, um projeto de lei pelos direitos do usuário da Internet. Agora vamos nos unir mais uma vez e levantar um coro enorme a nível nacional para melhorar a qualidade de nosso acesso à Web e alcançar o direito de Internet para todos.

Com esperança,

Luis, Diego, Carol, Emma, Ricken, Alex, Alice e o resto do time da Avaaz

Mais informações:

Saiba mais sobre a Campanha Banda Larga para pressionar a Anatel e garantir a Internet para todos:
http://campanhabandalarga.org.br/

Conselheira da Anatel sugere redução das taxas de interconexão (Folha de S. Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/992494-conselheira-da-anatel-sugere-reducao-das-taxas-de-interconexao.shtml

Idec convoca consumidores para pressionar Anatel por qualidade da internet (Portal do Consumidor)
http://www.portaldoconsumidor.gov.br/noticia.asp?busca=sim&id=19900

Fatos sobre as operadoras de telefonia no Brasil (Teleco)
http://www.teleco.com.br/operadoras/grupos.asp

Campanha "Toda quinta é dia de pressão na Anatel" tem participação do Procon (UOL)
http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/infomoney/2011/10/20/campanha-toda-quinta-e-dia-de-pressao-na-anatel-tem-participacao-do-procon.jhtm


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Sistema Financeiro Mundial – a economia dos valores fantasma

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Sistema Financeiro Mundial – a economia dos valores fantasma
Países realmente podem falir?

Da Redação Der Spiegel

Os pacotes de resgate que visam escorar os mercados financeiros na Europa estão ficando cada vez mais caros. Uma preocupante depreciação da moeda é inevitável e falências de Estados não podem mais ser descartadas. Poderia a zona do euro também cair vítima da crise financeira global?



"Há um rumor circulando de que os Estados não podem falir", disse recentemente a chanceler alemã, Ângela Merkel, em um evento de um banco privado em Frankfurt. "Este rumor não é verdadeiro."

É claro que ela está certa. Os países podem falir se permitirem que seus gastos deficitários saiam do controle e não puderem mais arcar com o serviço de suas dívidas. Os comentários de Merkel podem ser interpretados como um alerta de que os países precisam manter seus déficits sob controle. A mensagem é: se os governos forem longe demais na tentativa de resgatar as empresas e a economia, eles próprios poderão enfrentar uma insolvência.



Até o momento, os governos nacionais já foram bem longe. Sejam os Estados Unidos ou a Europa, as somas que os governos estão desembolsando para impedir o colapso do sistema financeiro são impressionantes.

A Alemanha sozinha já forneceu garantias de crédito de €42 bilhões para impedir o colapso do Hypo Real Estate de Munique, um poço sem fundo que a maioria agora acredita que terá que ser totalmente nacionalizado. O único obstáculo é uma cláusula legal que limita a participação acionária do Estado nos bancos a 33%. Enquanto isso, o segundo maior banco popular da Alemanha, o Commerzbank, foi resgatado, com o Estado assumindo um quarto das ações da empresa. E o prejuízo de € 4,8 bilhões no último quarto trimestre na principal instituição financeira da Alemanha, o Deutsche Bank, sugere que ele também poderá necessitar de assistência do Estado.

De inconcebível a inevitável



A imagem é ainda mais sombria nos Estados Unidos, onde o economista Nouriel Roubini estima que os prejuízos no setor financeiro totalizarão US$ 3,6 trilhões. No Reino Unido, o governo já nacionalizou em parte o Royal Bank of Scotland e o Lloyds TSB -e muitos especialistas vêem a nacionalização plena como inevitável.



Há poucos que discordam dessas medidas. Caso bancos vitais para o sistema quebrem, o sistema financeiro global poderia sofrer um colapso. Mas quanto os países podem gastar até que a bolha dos gastos deficitários estoure? Um cenário inimaginável? Há menos de um ano, a nacionalização de bancos nos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido seria inconcebível. Hoje, mesmo os Estados Unidos -lar do capitalismo desenfreado- vêem estas medidas como inevitáveis.



Os empréstimos tomados pelos países para financiar os resgates, programas de estímulo econômico e queda na receita tributária criarão um fardo duradouro. Pior, com a continuidade do declínio no setor bancário, não está claro se esses gastos imensos serão eficazes. Especialmente quando outros países menos estáveis economicamente ao redor da Alemanha estão mergulhando em parafuso.

Veja o exemplo do Reino Unido. O país está à beira da ruína financeira. Os imóveis estão supervalorizados, os lares estão altamente endividados e seu vasto setor financeiro foi duramente atingido pela crise. A confiança na capacidade do Reino Unido de superar a turbulência econômica está diminuindo a cada dia, como ficou evidente com a forte desvalorização da libra, que quase chegou à paridade com o euro. Há apenas 13 meses, ela valia € 1,40.

Uma segunda Islândia



"Eu não investiria dinheiro nenhum no Reino Unido", diz o investidor americano Jim Rogers. E o economista Willem Buiter, um ex-consultor do Banco da Inglaterra, alerta sobre o "risco do Reino Unido se tornar uma segunda Islândia".





Também é possível olhar para o exemplo da Itália, que está caminhando para ingressar em um clube bastante exclusivo -e indesejável. Com 106% do produto interno bruto, a Itália terá o terceiro maior déficit nacional do mundo.



Em um país que há muito tinha uma taxa de poupança sólida, os gastos deficitários não provaram ser um problema muito grande no passado. O maior desafio para o governo era fazer as pessoas se interessarem por comprar títulos a uma taxa de juros estabelecida. O ministro das finanças do país descreveu esse investimento como "o mais sólido e seguro disponível". É claro, nem todo mundo compartilha essa opinião no momento -particularmente nem os próprios italianos. Um título da dívida oferecido em meados de janeiro só encontrou interessados depois que o governo aumentou acentuadamente a taxa de juros oferecida.



Neste ano, Roma teve que pagar € 220 bilhões em títulos de curto prazo. Autoridades financeiras foram citadas como tendo dito que caso um título não encontre interessados, "seria um desastre para o Estado". Em dezembro, o ministro do trabalho italiano, Maurzio Sacconi, alertou que a Itália poderia falir se o país não conseguisse mais vender títulos públicos, por causa da abundância de oferta de outros países. "Isso criaria um problema de liquidez para o pagamento de salários e aposentadorias e acabaríamos como a Argentina."

O Reino Unido como uma segunda Islândia, a Itália como uma segunda Argentina. A Islândia atualmente está praticamente falida e a Argentina se tornou insolvente em 2001. Não é de se estranhar que esses comentários de autoridades públicas estejam deixando as pessoas nervosas. Em nenhum outro momento da história, desde o final da Grande Depressão, o risco de falências nacionais foi tão grande na Europa quanto agora.

Os orçamentos nacionais na maioria dos países membros da União Européia estão em estado miserável. Especialistas financeiros da Comissão Européia em Bruxelas estimam que, apenas neste ano, os gastos deficitários nos 16 membros da zona do euro totalizarão 4% do PIB, com esse número aumentando para 4,4% no próximo ano. O Pacto de Estabilidade do euro, entretanto, permite apenas 3%. A Comissão estima que em 2010, 17 países da UE ultrapassarão esse total. A lista inclui países como a Alemanha (4,2%), França (5%), Espanha (5,7%) e Reino Unido (9,6%). Espera-se que a Irlanda fique no topo da lista com gastos deficitários previstos de 13%.

Essas previsões, é claro, existem apenas no papel por ora. Mas o ministro das finanças da Áustria, Josef Pröll, alerta que "algum dia chegará o dia do pagamento".

Títulos de dívida europeus?



Na semana passada, Pröll e seus colegas formularam um pedido de mudança de curso, dizendo que um estímulo fiscal coordenado era necessário e deveria incluir uma "consolidação orçamentária coordenada" por toda a Europa. Mas como isso ocorreria não está claro.



Em uma audiência perante o comitê econômico do Parlamento Europeu na semana passada, Joaquim Almunia, comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, foi fuzilado de perguntas para as quais tinha poucas respostas. Como um primeiro passo, ele sugeriu que seis a oito países deveriam reduzir seus déficits. Mas ele não sugeriu como poderiam fazer isso.



Para alguns governos, consolidação orçamentária é a coisa mais distante de seu pensamento no momento. Em vez disso, esses países estão fazendo tudo o que podem para encontrar formas de assegurar o crédito, que está se tornando cada vez mais difícil. "Países menores estão sendo empurrados para fora dos mercados de crédito porque os países maiores estão tomando bilhões", membros do Parlamento disseram para Almunia. Sua resposta: é verdade, mas não é possível "pôr de lado os mercados de capital".

Visando resolver o problema, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que também é o ministro das Finanças de seu país, propôs que os 16 países da zona do euro criassem um "Euro título" comum. Os países menores elogiaram a proposta, mas ela foi recebida com rejeição instantânea por Berlim.

A Alemanha, até o momento, conseguiu tomar empréstimos baratos porque ainda conta com uma excelente classificação de crédito. Se o país enchesse seus cofres oferecendo Euro títulos da dívida, ele teria que pagar € 3 bilhões ou mais neste ano. Pröll, o ministro das finanças austríaco, também pareceu desinteressado, rejeitando os Euro títulos como dando carta branca para a criação de mais dívidas às custas dos outros.

Muitos líderes europeus criticaram a abordagem da Alemanha diante da crise financeira -o país foi lento na implantação de um pacote de estímulo econômico e alguns zombaram da chanceler Ângela Merkel como sendo a "Madame Não". Mas na Alemanha, o governo está preocupado com o risco de uma tomada excessiva de empréstimos e em sobrecarregar as futuras gerações com dívidas. O governo já abandonou seu plano de um orçamento equilibrado até 2011, e Merkel alertou sobre os limites do papel de Berlim em qualquer resgate.

Merkel teme que os resgates sobrecarregarão o governo. Afinal, se a dívida do governo continuar crescendo, em algum momento ele não mais será capaz de pagar os juros. A tomada de empréstimos no valor de € 18,5 bilhões prevista para 2009 já é maior do que a do ano passado, e nesta semana o governo está em processo de aprovação de um segundo pacote de estímulo econômico que, combinado com outros empréstimos, poderia elevar o gasto deficitário de 2009 para a marca de € 50 bilhões. Nenhum outro governo alemão teve que tomar tanto dinheiro em empréstimo.



Para assegurar que futuras gerações não fiquem amarradas a uma dívida imensa, o plano contém uma cláusula que a partir de 2011 canalizará € 1 bilhão por ano das receitas do banco central da Alemanha, o Bundesbank, que antes iam para o orçamento do governo. Atualmente, o Bundesbank injeta € 3,5 bilhões por ano no orçamento. Até 2012, quaisquer lucros no banco ultrapassando € 3,5 bilhões serão destinados ao pagamento da crescente dívida pública.



A maioria dos especialistas acredita que o governo alemão ainda possui espaço para manobra, mas um maior gasto deficitário pode ser inevitável e poucos sabem quanto seria necessário. Berlim poderá em breve estabelecer um ou mais dos chamados "bancos podres", onde as instituições financeiras em dificuldades colocariam seus empréstimos podres -um programa que exigiria uma maior tomada de empréstimos pelo governo.



Um verdadeiro teste para a zona do euro



O governo exercitou um certo grau de cautela nos gastos deficitários nos últimos anos, o que frequentemente faltou em alguns outros países da UE. E os políticos em Berlim relutaram em promover enormes programas de estímulo econômico que poderiam encorajar outros a abandonarem qualquer senso de responsabilidade fiscal.



No passado, um punhado de países membros da UE tomou empréstimos sem pensar duas vezes. Agora, eles foram duramente atingidos pela desaceleração econômica, porque suas classificações de crédito foram rebaixadas e estão sendo forçados a tomar empréstimos a taxas de juros mais altas. Espanha, Itália, Irlanda e Grécia foram atingidas de forma particularmente dura.


Os países que têm que tomar empréstimos tão caros são ameaçados pelo aumento constante das taxas de juros, que por sua vez aumentam suas dívidas. Em resposta, a classificação de crédito cai ainda mais, elevando ainda mais os juros, o que se transforma em um círculo vicioso.

Os especuladores no mercado criam pressões adicionais. As tensões poderiam escalar ainda mais e criar um verdadeiro teste para a zona do euro.

A rede de segurança do euro



Antes de sua adoção do euro, países como Itália, Grécia e Espanha simplesmente desvalorizavam suas moedas em tempos de dificuldades e reduziam suas taxas de juros para aumentar as oportunidades de exportação para suas economias. Atualmente, como membros da zona do euro, esta opção não está mais disponível por causa das regras orçamentárias rígidas que visam assegurar a estabilidade da moeda comum.



O colapso potencial da zona do euro é um assunto altamente debatido recentemente nas rodas do mercado financeiro. Um problema é que o tratado do euro não possui cláusulas que permitam que países altamente endividados abandonem voluntariamente a moeda comum. Mesmo se existissem, entretanto, qualquer país que deixasse a zona do euro apenas exacerbaria seus problemas. Suas classificações de crédito despencariam ainda mais, os empréstimos se tornariam mais caros. E as velhas dívidas teriam que ser quitadas em euro. Em caso de desvalorização da própria moeda, elas ficariam ainda mais caras. O comissário europeu da Alemanha, Günter Verheugen, considera o debate sobre uma saída do euro como "pura propaganda barata contra o euro por parte de especuladores nos mercados anglo-americanos".

Mas o que aconteceria se um país membro da zona do euro falisse? Durante os próximos 24 meses, por exemplo, a Grécia terá que levantar € 48 bilhões para o serviço de dívidas antigas, ao mesmo tempo em que precisa tapar os buracos em seu orçamento.



Se um país como a Grécia se tornar insolvente, ele seria inicialmente poupado das piores consequências da falência por ser membro da zona do euro. O euro perderia parte de seu valor, certamente, mas a economia grega não tem um papel muito grande na Europa e a desvalorização seria limitada.

As consequências para a Grécia também seriam limitadas. Como a moeda permaneceria relativamente forte, não haveria crise no setor varejista, não haveria estocagem especulativa e não haveria mercado negro -em outras palavras, não criaria uma crise econômica maior do que a já existente. Nem levaria a um aumento do desemprego.

Sob o escudo protetor da União Européia, a vida em um Estado falido seria relativamente confortável. A pergunta mais importante, entretanto, é como a UE reagiria.

Cenário de pior caso



Um cenário é que ela poderia declarar a Grécia como sendo um caso excepcional e fornecer empréstimos visando impedir a falência. Mas isso teria consequências desastrosas. Afinal, por que países fracos fariam algum esforço para equilibrar seus orçamentos se soubessem que a UE os resgataria em um cenário de pior caso.



Se a UE permanecesse firme contra a Grécia, isso certamente seria justo em relação aos países membros que praticaram uma disciplina orçamentária equilibrada no passado. Mas isso também seria politicamente insustentável, porque provocaria uma fuga dos investidores de qualquer país que exibisse o menor sinal de não ser capaz de manter o serviço de sua dívida. Eles teriam que continuar aumentando os juros sobre seus títulos, e o vírus da Grécia acabaria por se disseminar ainda mais, levando outros países à falência.

Neste cenário altamente teórico, o euro, de fato, sofreria um colapso. A moeda poderia sobreviver à falência de um país membro, mas não poderia sustentar uma série delas.



Os euro céticos há muito alertam que a tensão dentro da zona do euro poderia destruir a moeda algum dia. Eles agora sentem que suas convicções foram confirmadas -apesar desses cenários mencionados ainda estarem longe da realidade.



A própria Alemanha tem pouca dificuldade em levantar dinheiro. Mas mesmo aqui, diante dos rombos multibilionários no orçamento nacional, os investidores estão lentamente ficando nervosos em relação aos títulos da dívida alemã. Muitos investidores inseguros estão começando a perguntar "o que o futuro reserva para países com classificação AAA", diz o analista da Moody's, Alexander Kockerbeck. Especialistas da empresa de classificação americana já estão alimentando seus computadores com cenários de pior caso. Em um, eles inseriram dados de teste para 2010 e 2011 presumindo uma retração da economia de 3% a cada ano. Neste modelo, o déficit nacional subiria rapidamente dos atuais cerca de 70% para 80% do PIB.

"O fardo dos juros seria de cerca de 7% da receita do governo", disse Kockerbeck, dizendo que a Alemanha ainda conseguiria preservar sua alta classificação de crédito. Mas se esse número subir para 10%, o país poderia perder a melhor classificação, porque seus custos de financiamento subiriam.



A agência de classificação de crédito concorrente, Standard & Poors, que na semana passada rebaixou a classificação da Espanha, mantém uma posição semelhante. O analista Kair Stukenbrock confirmou na semana passada a classificação AAA da Alemanha. Ele também disse que atualmente presume "que a economia alemã e o orçamento do governo podem suportar a atual crise financeira sem perder sua classificação de crédito".

Estrangulado pelo pagamento de juros



Em tempos normais, presumindo que um país tenha uma classificação de crédito sólida e uma boa economia, a tomada de empréstimo é rotineira. A Alemanha emite rotineiramente títulos de curto e longo prazo que pagam juros. Eles podem ter qualquer duração entre um dia e 30 anos. Mas alguns outros países, como a Espanha e a França, emitem até mesmo títulos de 50 anos. A maioria deles é vendida por leilões -e quanto mais alto o preço, mais barato é para os países tomarem empréstimo, mas isso também reduz os lucros para os investidores.



O pagamento da dívida é bem mais complicado. No caso mais simples, o país apenas quita a dívida. É extremamente raro, é claro, um país fazer isso. Na maioria dos casos, os países renovam suas dívidas em vez de quitá-las -e ao fazê-lo eles criam uma nova dívida. Hoje, o governo alemão tem que pagar € 43 bilhões por ano em juros. É a segunda maior despesa no orçamento federal atrás dos gastos sociais.



Mas isso poderá mudar rapidamente. Se, por exemplo, as taxas de juros subirem aos níveis de 1995, o país poderia se ver diante de € 20 bilhões adicionais em pagamentos, e isso sem levar em conta qualquer nova dívida. É claro, dada a natureza da atual crise, o fardo da dívida aumentará. Ninguém sabe quanto, nem como o país poderá eliminar essa dívida antes que ele comece a ser estrangulado pelo pagamento de juros.

Uma forma de pagar a dívida, é claro, é por meio de cortes imensos de gastos e programas austeros de poupança. Mas isso é difícil. Muito mais atraente é a rota da inflação. O Estado pode simplesmente imprimir dinheiro e pagar suas dívidas. Ou o banco central imprime dinheiro e o injeta na economia. A moeda é desvalorizada, mas o Estado não se importa porque isso facilita o pagamento de suas dívidas.



Independente de como o país escolha pagar sua dívida, serão os contribuintes que terão que arcar com a conta no final. De fato, o único momento em que é possível quitar o déficit por meio da poupança do governo é durante períodos de boom, períodos em que o governo pode elevar impostos, ou se puder reduzir seus gastos.

“As pessoas também pagam o preço da inflação porque à medida que a moeda é desvalorizada, os preços aumentam”.


Até agora, o processo tem sido sutil. Desde o final dos anos 90, os principais bancos centrais nos Estados Unidos e Europa triplicaram o volume de dinheiro em circulação. Nos últimos meses, o volume de dinheiro em circulação nos Estados Unidos e Europa aumentou quase 50%.

Fenômeno universal



Os bancos centrais estão tentando usar a enxurrada de liquidez para prevenir um colapso do sistema financeiro global e, consequentemente, das economias. Ao mesmo tempo, eles também podem estar abrindo o caminho para a próxima crise. O dinheiro já está insanamente barato: o Federal Reserve (Fed, o banco central) americano já reduziu sua taxa de juro chave para quase zero e o Banco Central Europeu já a reduziu a 2%. É extremamente provável que as taxas de juros sejam reduzidas ainda mais.



Mas se os pacotes de resgate surtirem efeito e a economia começar a se recuperar, então os bancos centrais aumentarão novamente as taxas de juros -caso contrário seríamos ameaçados por uma onda imensa de inflação e uma próxima crise, ainda pior, seria inevitável. Mas a ação poderia também levar muitos países altamente endividados à falência.

Em um estudo feito pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), os economistas americanos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff pesquisaram as crises financeiras dos últimos 800 anos e concluíram que falências do Estado eram um "fenômeno universal". Muitos países, na verdade, faliram mais de uma vez.

Entre 1500 e 1800, a França se tornou insolvente oito vezes. A Espanha faliu sete vezes durante o século 19. A insolvência é um fenômeno comum em cada período da história, eles concluíram, e seria errôneo pensar que falências do Estado são uma "característica distinta do mundo financeiro moderno".

Nada mais é inimaginável



Na maioria dos casos, os cofres do país foram esvaziados pela guerra. Mas em cada caso, os países conseguiram se recuperar da ruína. Eles provaram ser incrivelmente cheios de recursos no uso de suas ligações com bancos, empresas e, especialmente, com a população.



A solução mais simples para os Estados era simplesmente se recusar a pagar suas dívidas. Em 1557, o rei Felipe 2º da Espanha se recusou a pagar as dívidas de seu país após suas caras batalhas militares contra a Holanda e os otomanos. Foi uma decisão que prejudicou seriamente os bancos mutuantes em Augsburgo, Alemanha, e eles nunca se recuperaram plenamente.



Mesmo após a Revolução, os novos regentes da França foram ainda mais longe. Eles expropriaram propriedades das igrejas, de grandes latifundiários e executaram alguns mutuantes.



Uma opção igualmente brutal foi ir à guerra visando saquear as áreas ocupadas. Mas esses métodos de consolidação orçamentária tendiam a acontecer apenas quando as coisas começavam a entrar em colapso. Mesmo no passado, a inflação era o método preferido de lidar com a dívida. Eles criavam mais dinheiro e o desvalorizavam. É um método que foi adotado já na Roma antiga, quando os romanos desvalorizavam suas moedas usando menos metais preciosos nelas. Isso se tornou uma prática padrão. Em Viena, o conteúdo de prata na moeda de Kreuzer foi reduzido em 60% entre 1500 e 1800, e o pfennig de Augsburgo perdeu mais de 70% de seu valor.

Assim que o papel moeda foi introduzido, o processo foi ainda mais simplificado, já que bastava imprimi-lo. O primeiro país a começar a imprimir dinheiro em grande escala foi a França, no século 18, quando precisou pagar a montanha de dívida acumulada por Luís 14. Em tempos de crise, os governos franceses sempre caíram nessa tentação.

O alerta da hiperinflação



Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, o Reich alemão também começou a desatrelar sua moeda do ouro. Até então, qualquer um podia trocar o papel moeda por metais preciosos. A desvinculação da moeda fez com que a quantidade de dinheiro em circulação subisse de 13 bilhões para 60 bilhões de marcos no final da guerra, enquanto os produtos em oferta foram reduzidos em um terço. Os preços dispararam.



O desenvolvimento desastroso atingiu seu pico em 1923, com a hiperinflação. O dólar na época chegou a valer 4,2 trilhões de marcos. As notas bancárias eram impressas em 130 gráficas privadas, freqüentemente em apenas um lado do papel para economizar tinta. A única forma de deter a desvalorização em massa era a troca da moeda.

Em novembro de 1923, o governo emitiu o chamado rentenmark. A moeda anterior podia ser trocada a uma taxa de 1 trilhão de marcos para 1 rentenmark. A inflação parou rapidamente. As pessoas falavam do "milagre do rentenmark". Mas a verdade é que ele eliminou as economias e investimentos de grande parte dos alemães de classe média, enquanto os ricos foram forçados a financiar a guerra comprando títulos do governo que agora não valiam nada. Os bancos e seguradoras também perderam seu capital. O maior vencedor, além das pessoas que tinham empréstimos e hipotecas que não conseguiam mais pagar, foi o governo. Sua dívida da guerra encolheu até se tornar insignificante.



“Esses eventos traumáticos permanecem como parte da memória coletiva da Alemanha e alimentam um temor latente da hiperinflação até hoje. As pessoas precisam temer?”

Por ora não. Em comparação a muitos outros países, a Alemanha está bem posicionada para enfrentar a crise. A economia nos últimos anos vinha mais forte do que a de outros países membros da UE e ela não era tão dependente do setor financeiro quanto o Reino Unido. E diferente dos Estados Unidos, ela não é dependente de mutuantes estrangeiros.



A Islândia, por sua vez, já está praticamente falida. No Leste Europeu, vários países estão cambaleando -a Letônia já teve que pedir ajuda ao FMI e ao Banco de Desenvolvimento do Leste Europeu. Na capital, Riga, 40 pessoas ficaram feridas em um protesto violento que ocorreu em 13 de janeiro.



O Reino Unido também está em apuros. E se não fosse pela proteção que sua adoção da moeda comum lhes confere, alguns países da zona do euro estariam no momento lutando pela sua sobrevivência. Os Estados Unidos, por outro lado, estão explorando o fato de ainda serem considerados estáveis apesar de seus problemas enormes -e o fato dos chineses serem detentores de uma parcela imensa de suas reservas de moeda estrangeira na forma de títulos americanos.



A situação melhorará? Seria uma ilusão acreditar que os países aprenderam com seus erros do passado, alertaram os economistas americanos Reinhart e Rogoff. De fato, outro Estado poderia falir a qualquer momento e levar sua população consigo.



Nesta crise, nada mais é inimaginável.


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Tradução: George El Khouri Andolfato
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