Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

Fundamentos no homem racional


A origem do pensamento / A origem da divisão / O mundo divido


por Leo Barros [1] 
e Luciana Nabuco

Toda ação parte do pensar. O mundo dominante ocidental divide o pensamento em campos de conhecimento, áreas filosóficas, econômicas, informacionais, arquivísticas, etc...  Atualmente há uma deficiência na base do sistema dominante. Urge uma discussão sobre o propósito dessas áreas e como elas são trabalhadas no campo científico e assim propor mudanças de paradigma.
O homem ocidental se forja na Grécia, pátria mãe da criação de conceitos. O paradigma grego do pensamento racional se perpetua no homem moderno. Continuamos seguindo a lógica dos pensadores universais. Legitimando essa visão superior.
O pensamento racional é o fogo subtraído dos deuses por Prometeu, cujo nome significa “aquele que pensa antes”. Através dessa chama divina o homem ocidental começa a classificar, dividir o mundo em esferas de superior/inferior, civilidade/barbárie, para então apreender o poder, reconhecer a sua autoridade.
Essa racionalidade se estabelece como verdade absoluta, única visão do mundo, sabedoria superior a ser seguida, detentora de um amplo imaginário que dá significado às formas, apropriando-se delas e estabelecendo controle e poder. Um exemplo disso é visto no filme “Matrix”, onde a Matriz é uma forma de controle do mundo, olho que tudo vê. A construção desse mundo depende de quem detém o saber. Mais adiante, ao analisarmos o documentário “Zeitgest” veremos quem são esses agentes que fragmentam o mundo. Por domínio, o homem ocidental cria mecanismos para centralizar a produção do conhecimento e assim determinar a separação entre civilizados e bárbaros.

O controle da Informação / O grande arquivo do pensamento / Dividir para dominar


Dentro desse raciocínio, “conhecer é saber, é poder”, o arquivo se insere como a materialização dos projetos de dominação. Conhecer para ter o poder. Ter o poder para dominar. O arquivo é o registro dessa instituição que detém o conhecimento, refletindo-se na figura do Estado. A arquivologia por conseguinte é o saber do Estado. Todo esse corpo de conhecimento se fundamentou nas bases clássicas do pensamento moderno. Esse pensamento, como vimos,
se apóia em uma visão etnocêntrica. Ou seja, a exclusão de tudo o que não está inserido dentro do grupo racional e superior.
Tudo o que é desconhecido, fora de uma classificação é o estranho, o diferente, o “monstruoso”. Ironicamente, é o próprio saber que constrói o conceito de “mostruosidade”, senão a retórica dualista não teria sentido. Um exemplo disso é visto no filme “Vênus Negra”, história verídica da africana Sarah Baartman, que no século XIX era exibida em feiras européias como um ser degenerado devido às suas peculiaridades físicas, e foi catalogada pelo pensamento ocidental em bancas de cientistas e naturalistas, dissecada física e moralmente como “monstro”.
A ciência, uma das divisões do campo de conhecimento, é usada como auxiliar do pensamento superior ocidental. Esse sistema classificatório de espécies chamado taxonomia corrobora todo esse discurso colonialista e etnocêntrico. Segundo Valdei Araújo no texto “O Arquivo e o Monstro”, o monstro existe para ocupar o espaço do que é errado, defeituoso, degenerado. Vemos claramente essa idéia no filme “Drácula” de Bram Stocker, onde o personagem principal personifica o desconhecido, a aberração. O temor do outro que não conhecemos, da
cultura desconhecida relegada ao plano da aberração.
Surge então o conceito de “Arquivos Utópicos”, descrições idealistas para impressões de domínio e compreensibilidade do real. Nesse contexto, o papel do arquivista é com o levantamento e organização de dados, levando em consideração aspectos como: contexto e construção, verdade e mentira, história oral, documentos sensíveis, sigilosos, confrontamento de fontes, fatos e subjetividade, memória e imaginário e outros tipos de documentação. O homem encontra assim seus mecanismos de dominação. O filme “Lawrence da Arábia” ilustra bem essa idéia. Nele, o jovem tenente do Império Britânico é designado em uma missão de reconhecimento e catalogação de tribos árabes. Lembrando que um espaço dominado é um espaço catalogado dentro do pensamento etnocêntrico. Lawrence irá registrar aspectos culturais, geográficos e políticos de um grupo desconhecido para ampliação do Império Britânico. Inútil dizer que essa classificação nada tem de inocente, pois o Império é o rolo compressor de culturas alheias ao seu sistema. Seu verdadeiro intuito é subjugar um grupo em benefício próprio. Porém, Lawrence subverte o próprio sistema ao se inserir na cultura regional dos beduínos. “Sou alguém fora do comum. Vim de um país gordo, de gente gorda”. “Você não é gordo, responde o beduíno. “Não. Eu sou diferente”.
Assim a história começa a ser vista pelo outro lado.
Mas quem é o real?
Poderia ser tudo o que é transmitido através da escrita ou conto?
Quem é o contador da história?
Ele descreve o que ele vê ou o que pensa que vê?
No texto “A Filosofia e os Fatos”, de Portelli, essas narrativas constituem matéria não exclusivamente literária, mas também histórica. “A construção da narrativa em si, quer seja justa ou equivocada pode enganar-se no momento da interpretação”. Surge a indagação, essa história contada é representativa? De quem?
A própria descrição já contém um fator subjetivo, pois depende do olho de quem vê. Essa representatividade não significa normalidade. E o outro lado? Quem não está dentro dessa história é o anormal?
Entramos no campo das possibilidades, da subjetividade das experiências imaginadas. Portelli nos lembra que a sociedade não é uma rede geometricamente uniforme como a abstração das ciências sociais nos representa.

Outrossim, podemos questionar quem constituiu essa rede de informação, quem se imbuiu da autoridade de dividir, fracionar, ditar regras, normas, tudo em benefício de um sistema que hoje vemos defasado. Quem não permite que possamos ver do outro lado?
Segundo Pedro Demo, em seu texto “A Ambivalência na Sociedade de Informação”, a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. Exemplificando essa manipulação, voltamos ao filme “Matrix” e a cena da pílula oferecida ao personagem Neo. A pílula é o elemento catalisador, a desconstrução da realidade manipulada, a ampliação da visão, a possibilidade de enxergar a realidade de outro modo. Nesse ponto, o papel do educador é fundamental. O bom preceptor é quem dá a pílula para que seu pupilo veja além dele. Segundo o filósofo humanista Krisnahmurti, o verdadeiro propósito da educação é ajudar a descobrir o que nós queremos, para que possamos nos entregar de mente, corpo e coração naquilo que amamos fazer. Ao ser puxado para o caminho da tradição, do medo, da hereditariedade familiar, das exigências da sociedade, o homem se aniquila e impede o fluxo verdadeiro, por medo de não conseguir sobreviver no mundo, pela enxurrada de informações que nos chegam diariamente, com um único propósito de nos classificar em um pensamento estabelecido como o padrão. Krisnahmurti ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em um mundo dividido em “ismos”, em ocidente e oriente, mas afirma que não amar o que se faz gera conflito e a doença social moderna.

O homem e sua grande invenção – a máquina [sistema] perfeita que irá destruí-lo.


A doença social se resume no excesso. A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas, quando que sua eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Por isso, a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos como produtos do crescimento que nós produzimos, numa produção de bens e aumento deliberado do consumo como propósito de vida. Vivemos dentro de um pensamento capitalista ordenado por grandes corporações, uma minoria dominante que gere, regula, classifica, e controla nas esferas econômicas, políticas e sociais.
No documentário Zeitgeist são debatidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como ocorre o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável. Sair dessa classificação dominante seria inverter o jogo, olhar as coisas sob novas perspectivas. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. Uma sociedade que esmaga o diferente relegando-o em um limbo social, econômico e cultural só tem a saída para a desintegração. Vivemos, pois, encarcerados em um sistema capitalista que depende do crescimento. Para sair desse colapso, deveríamos buscar um objetivo que seria a sobrevivência sustentável do homem através de um método próximo da proposta científica atual com um diferencial: toda política seria redundante, pois eliminaríamos opiniões e interesses da minoria dominante, e os campos de conhecimento, a ciência seria usada para gerir recursos globalmente, coordenar a produção de forma eficiente, num sistema de verdadeira distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos Estados e nações. Ou seja, a corporatocracia que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos. A eficiência seria uma economia baseada em recursos para toda a humanidade. Portanto, urge repensar a Educação e dissolver programas de comportamento sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas do mundo atual. Não podemos mais nos ancorar em sistemas tradicionais, no único pensar dito superior. Isso significa exclusão e desintegração. Devemos aliar ao conhecimento novas informações que colaborem e integrem o homem. No documentário “Entrevista com Milton Santos”, vemos que há uma parcela de pensadores, homens que formam o corpo social e crítico de um país como o Brasil, que não se deixam subjugar pela autoridade etnocêntrica e selvagem atual. Milton nos diz que não há produções excessivas de informações, mas de ruídos, os fatos estão à mostra e as notícias são interpretações desses fatos. Afinal, as agências de informação são controladas por grupos financeiros, e os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. Ele ressalta que reclamamos contra os autoritarismos, os inevitáveis “ismos” e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento padrão, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos que são apenas limitadores da verdadeira liberdade e cidadania.


“Porque no Brasil jamais teve cidadãos, nós a classe média não queremos direito, queremos privilégios, e os pobres não têm direito. Não há, pois, cidadania nesse país, nunca houve”.
Milton Santos


A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas. Nosso principal objetivo deveria ser a sobrevivência sustentável em um sistema de distribuição global sem interferência dos controladores do Estado e nações, a Corporatocracia, que regula um sistema cuja finalidade é o lucro, o domínio e o poder econômico. Segundo Pedro Demo em seu texto “Ambivalência na Sociedade da Informação” - a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas, e quando traduzida em telecomunicação tende fortemente o instrucionismo. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. A dificuldade de olhar as coisas sob novas perspectivas, invertendo um pouquinho desse jogo, poderia evitar o colapso do sistema atual. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. A atual sociedade é fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder. Isso gera conflito e desintegração. E cria mecanismos para perpetuação desse poder e achatamento de grupos e esferas que não compartilham desse propósito. No documentário Zeitgeist são discutidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como acontece o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável.
Quando o principal objetivo é a sobrevivência sustentável do homem, com um método próximo do que seria a proposta científico de hoje, com um diferencial: daqui por diante, toda política é redundante, pois não se trata de opiniões e interesses da minoria dominante, mas sobre ciência e como gerir recursos globalmente, coordenar a produção para a demanda de forma eficiente, num sistema de distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos estados e nações, a saber, a corporatocracia, que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos, passando-se então para a Economia Baseada em Recursos a toda humanidade.
Deve-se também, para entender esse sistema que assegura o consumo apenas do necessário e o quanto se pode crescer e, tendo essa exata noção, deve-se repensar a Educação e dissolver Programas de Comportamentos Sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas deste mundo atual.

Na essência do Zeitgeist, temas como comportamento humano – falhas na educação fundamental, fase infância; Crime, violência e medo - A taxiologia – tratado das classificações – medo e violência são partes importantes de um produto de uma sociedade doente, onde quanto maior a igualdade numa sociedade, ou quanto menor a distância entre pobres e ricos, menos criminalidade e melhor nível de educação; Dinheiro igual a dívida, todo dinheiro que existe no mundo é emprestado de uma dívida bancária e assim por diante, fator que torna esse sistema ainda mais crítico são os juros pagos sobre o reembolso do dinheiro emprestado, onde mais dinheiro deve ser criado, perpetuando essa dívida impagável, em efeito bola-de-neve auto-corrosivo.

A eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Daqui resulta que a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos e o produto do crescimento que nós produzimos. Considere a produção de bens e o aumento deliberado do consumo como propósito da vida, que é viver para o consumo no sistema capitalista, onde a economia depende do crescimento. Se o crescimento é estagnado, o sistema entra em colapso. Esta paralisação, por sua vez, tem a ver com o sistema monetário, que se alimenta do débito a partir da falência, ou quebra do sistema de países inteiros como no caso recente da Grécia, na dependência na figura do FMI – leia-se: famílias que controlam as indústrias e empresas que controlam a economia global - cujo objetivo final é o crescimento de suas reservas econômicas, sustentar a existência de uma espécie endêmica, visto que a economia é a força motriz deste crescimento, portanto, quanto mais pessoas doentes, produz-se mais drogas, cria-se toxicodependência, subsistência e sub-empregos, mais subserviência e controle, e assim por diante...

Uma grande mentira bem contada e, voilà, uma grande verdade incontestável.


No depoimento de Milton, vemos que produzimos muito mais comida do que se pode comer, descobriu-se que a comunidade européia premia quem deixa de produzir comida, e castiga quem produz mais do que a cota estabelecida – por quem?

A questão da fome não é sobre produção mas sim de distribuição, a exemplo de epidemias de fome na África onde os E.U.A recusou ajuda caso condições políticas não fossem atendidas. A fome deixa de ser o centro da questão da humanidade e sua organização em uma sociedade mal-intencionada será o foco.
Caso continuemos entorpecidos pela realidade que nos cerca, o receituário do Banco Mundial seja seguido, teremos que aprender a conviver com a morte pela sede em breve, onde os recursos hídricos também serão monopolizados, sobre premissa de que não haverá água para todos, quando na verdade, há as Transnacionais da Água, sob a lógica de suas ações na bolsa financeira, muralhas do capitalismo fragmentando o espaço por controle, poder e lucro. Quando deveríamos reiniciar o debate sobre nossa civilização, abandonado em função do crescimento econômico, juros, inflação e outras abstrações, onde civilização não é objeto de discussão, abrindo precedentes para barbáries como essa, na qual se mata povos e nações indiscriminadamente.

A mídia e sua fábula de globalização, onde o homem deixou de ser o centro do mundo em função do dinheiro em estado puro, fruto de uma geopolítica proposta pelos economistas, impostas pela mídia, controlada pela corporatocracia, onde 6 empresas controlam 90% do mercado da mídia mundial. Ancorada no livre-mercado com trilha para o paraíso, sua antropologia moderna criou seu Homo-Davos, pregando o fim da história através de fundos para anestesiar a pobreza, quando deveria intermediar as reais necessidades da humanidade, e não maçantes repetições de informações compradas notoriamente percebidas. Uma nova ordem mundial estabelecida em competitividade sem limites morais. Não há produção excessivas de informações mas de ruídos, existem os fatos, e as notícias são interpretações destes fatos, com as grandes agencias são controladas por grandes grupos financeiros, os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. A informação como instrumentos de processos globalitaristas, produzindo formas totalitárias de vida.

As formas tradicionais de democracia atuais não convencem os mais pobres. Procuram uma alternativa numa globalização solidária, por meio de ONGs e organizações do terceiro setor. Mas o Estado no seu exercício através da política, torna-se indispensável se socializadores, pois as forças de desigualdades são muito mais fortes que no passado, onde não se discute o papel da democracia, seqüestrada e condicionada, cabendo apenas o poder ao cidadão na esfera política, substituir um governo que não gosta e colocar outro que talvez venha a gostar, participando do que seria real democracia, apenas os representantes das minorias dominantes, definidas anteriormente. A palavra perde seu conceito original e tornam-se vazias pois o tempo mudou, e sua coerências não reflete-se principalmente na atuação política. Reclamamos contra os autoritarismos, fascismo, nazismo e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento standard, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos limitadores que pressupõe liberdade e cidadania, apenas na retórica da globalização.

Coisas realmente simples, como a técnica como plataforma para a liberdade – segundo depoimento dos Crenaques da Serra do Cipó, ainda no filme com Milton – ser universal aqui mesmo olhando para evolução de nossa própria existência, vai permitir - sem abandonar - o que a gente é, um povo indígena, somos perfeitamente universais, a exemplo do índio jornalista e produtor gráfico, Ailton Crenaque, que usa a Rede Povos na Floresta como tecnologia da comunicação para integrar o povo indígena e seringueiro.
Este fenômeno pode se multiplicar, por enquanto há uma coerção contra estas formas, limitadas em termos renovadores por escassez de recursos e falta de incentivo dos legisladores, porém pela demanda que vem de baixo, de forma explosiva, teremos alguma coisa nova acontecendo através daqueles com ‘curiosidade aguçadas’, numa grande utopia para o século vinte e um.

Tudo isso precisa ser mudado para que haja uma sociedade correta, equânime. Tendemos a achar que isso é tarefa impossível. Não é, somos eu e você que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhemos cria infelicidade ou contribui para a destruição da humanidade. A mudança ocorrerá quando não estivermos na busca pelo poder, quando eliminarmos inveja, ódio e antagonismo. Quando em nossos relacionamentos causarmos alguma transformação. Assim estaremos de forma genuína a criar uma nova sociedade, formada por pessoas livres da tradição, das correntes do autoritarismo. Somente o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade. O fogo sagrado subtraído por Prometeu não deve ser exclusivo de uma minoria.

O fogo só tem razão quando alimenta e aquece na escuridão.
Dessa forma, concluímos através de um pensamento de Krisnahmurti, pois apenas descobriremos a resposta quando rompermos com o medo:

“Veremos o quão importante é trazer para a mente humana a revolução radical.

Essa crise é uma crise na consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as velhas normas, os velhos padrões, e as antigas tradições. 

E, considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva, agressão e assim por diante... 
O homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. 
E construiu a sociedade nestes termos”.

“O que estamos tentando, como toda essa discussão e retórica, é ver se não podemos fazer acontecer uma radical transformação da mente.          

Não aceitar as coisas como elas são, entende-las, mergulhar nelas, examiná-las. Usar o seu coração, a sua mente e tudo o que você tem pra descobrir 
um jeito de viver diferente. Mas isso depende de você e de mais ninguém. Porque nisso não há professor, nem aluno, não há um líder, não há guru, 
não há mestre, nem há salvador... Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder, você é tudo e... Entender é transformar o que há”.
Krishnamurti


Reposição de mentes atrofiadas através da semeadura de espécies mentais novinhas em folha.


Em uma sociedade basicamente errada, não pode haver meio de vida correto. Nosso meio de vida, qualquer que seja, leva à guerra, à miséria geral e à destruição, e isso é perfeitamente óbvio. Nossa ocupação, seja qual for, contribui inevitavelmente para que haja conflito, decadência, implacabilidade e sofrimento.
Então, a atual sociedade é basicamente errada, fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder, de modo que cria meios de vida errados, como as profissões de soldado, policial, advogado. Por sua própria natureza, essas profissões são um fator de desintegração da sociedade, e quanto mais soldados, policiais e advogados, mais evidente se torna a decadência da sociedade. No mundo todo há cada vez mais homens de negócios que os acompanham.
Tudo isso precisa ser mudado para que seja fundada uma sociedade correta, e achamos que essa é uma tarefa impossível. Não é, e somos você é eu que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhamos cria infelicidade para um outro ou contribui para a destruição da humanidade, como vemos diariamente. Só haverá mudança quando você e eu não estivermos buscando poder, quando não formos invejosos, cheios de ódio e antagonismo. Quando, em nossos relacionamentos, causamos alguma transformação, estamos ajudando a criar uma nova sociedade formada por pessoas que não estão pressas à tradição, que não pedem nada para si mesmas, que não estão em busca de poder, porque são ricas por dentro, encontraram a realidade. Só o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade, só o homem que ama pode transformar o mundo.
No campo educacional e filosófico, educação, trabalho e dinheiro – o que é educação e como decidir com o quê trabalhar – parte III de Krishnamurti – o verdadeiro propósito da educação é ajudá-lo a descobrir o que quer, para que você, quando for adulto, possa se entregar de mente, coração e corpo aquilo que realmente ama fazer. Descobrir o que realmente gosta de fazer exige bastante inteligência, porque, se tiver medo de não ser capaz de ganhar a vida, ou de não se encaixar nessa sociedade podre, nunca descobrirá. Mas, se não tiver medo, se recusar-se a serem puxados para o caminho da tradição por seus pais, professores, pelas exigências superficiais da sociedade, você poderá descobrir o que realmente ama fazer. Portanto, para descobrir, você não pode ter medo de não conseguir sobreviver.
Mas muito de nó ainda tem esse medo. O que será de mim se eu não fizer o que meus pais querem? Se não me encaixar na sociedade, perguntam-se. Com medo, fazemos o que nos mandam fazer, e nisso não há amor, há apenas contradição, e esta contradição intima é um dos fatores que criam ambição destrutiva.
Autoconhecimento – medo e raiva e violência - Parte dois de Krishnamurti – ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em conceitos de um mundo dividido “ismos” de todo tipo. Desse modo, a função básica da educação é ajudá-lo a descobrir o que realmente ama fazer, para que você entregue a mente e o coração aquilo. Porque isso cria dignidade humana, varre para longe a mediocridade, a mesquinha mentalidade burguesa. Por essa razão é tão importante ter os professores certos... Descobrirão a resposta quando amarem o que estão fazendo. Se você é engenheiro porque precisa ganhar a vida, ou porque seu pai ou a sociedade esperam isso de você, esse é outra forma de compulsão, e compulsão, sob qualquer forma, cria contradição, conflito.
Mas se você realmente ama ser engenheiro, ama arquivologia ou até mesmo a ciência, ama plantar uma árvore, pintar um quadro, ou escrever uma poesia, não por status e para ser admirado, mas apenas porque ama o que faz, então descobrirá que não está competindo com ninguém.
O autor Pensa que este é o segredo: amar o que se faz. Talvez queira trabalhar com a cabeça, ou produzir algo com as mãos. Alguma destas coisas é o que você realmente ama. Ou seu interesse é meramente uma reação à pressão social?

“As únicas limitações que temos como raça humana são aquelas que impomos a nós mesmos... 
Numa sociedade decadente, a Cultura, se for verdadeira deve também refletir decadência, e a menos que queira desacreditar e trair - 
em relação à sua função social - a cultura deve mostrar o mundo 
como mutável e ajudar a mudá-lo”.

Quando não tiver mais nada 

Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
E quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal
Haraie nama krsna, yadavaya nama há (3x)
Yadavaya madhavaya Krsna vaya nama há
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Adeus dor


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO


Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012 

TEMAS | TEXTOS
CLAVAL, P. Espaço e Poder. Rio de Janeiro : Zahar, 1978, p. 7-21.
ARAÚJO, Valdeí. O Arquivo e o Monstro. Resenha sobre o texto de RICHARDS, Thomas. The Imperial Archive: knowledge and fantasy of Empire. London, New York: Verso, 1993.
PORTELLI, Alessandro. A Filosofia e os Fatos. Narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. Tempo. v. I, n.2. Rio de Janeiro, 1996. p. 59-72.
DEMO. Pedro. Ambivalências da sociedade da informação. Ciência da Informação, v.29, n.2, mai/ago/2000. Brasília-DF. IBICT, 2000, p. 37-42.
KRISHNAMURTI, J. O que você está fazendo com a sua vida?: Passagens selecionadas sobre grandes questões que nos afligem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era. 2008.

FILMES
Lawrence da Arábia, 1962. Direção David Lean.
Vênus Negra, 2010. Direção Abdellatif Kechiche.
Zeitgeist – the movie, 2007 – Dirigido por Peter Joseph. Disponível em
Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá: uma proposta libertaria para estes dias tumultuados. 2001. Direção Silvio Tendler.
Bram Stoker's Drácula, 1992 (EUA). Direção: Francis Ford Coppola.
The Matrix - 1999 (EUA) – Direção Andy e Larry Wachowski

Vale a pena destacar da Sinopse o seguinte: Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais se encontra conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.

“ Estamos fazendo ensaios do que será a humanidade... Nunca houve”.
Milton Santos


[1] Luciana Nabuco – jornalista proteiforme -  colaborou anotando tudo num esforço supra humano de por ordem em minhas idéias, e ajudou na escrita deste devaneio.
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Um passeio no mundo expressionista

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Um passeio no mundo livre expressionista

expressionismo

Ensaio um passeio no mundo livre

Primeiro devo pedir desculpas pela ausência. Ando por aí sem muita cabeça para escrever, e os recursos estão precários.
Agora, um pouco mais sobreo e consciente do que aconteceu, volto aqui nesta mesma cadeira para tentar compilar as experiências destes tempos de afastamento.
E a viagem foi longa e agitada.   rota viagem RJ-MS (2)
Computados mais ou menos dois mil quilômetros, passando da região sudeste ao centro-oeste do Brasil, depois de me ver arrancado à força da cidade maravilhosa, acabei curtindo a viagem e, como sempre, procurei pelas informações mais interessantes e suas possibilidades.
No princípio, não entendi onde estava e nem como faria as coisas acontecerem, tanto foi a desorientação que não consegui sacar a câmera da mochila e fazer alguns cliques da nova residência. Nem ao menos dei-me conta da diversidade que a "pequena" cidade de Dourados apresentava.
As pessoas apresentavam-se de forma heterogenia, o comércio diversificado e a surpresa de encontrar um complexo de lojas num shopping central na cidade, que não deixa-a distante de qualquer outra cidade voltada para o consumo em qualquer lugar do planeta. E todas as mazelas que a acompanham vieram juntas com a enxurrada que caia do céu e deixava barrenta as ruas que dão acesso ao centro desta cidade.
rota viagem RJ-MS
No colocar-me em outro campo cultural e deslocar-me entre contextos contrastantes, fez-me olhar para o próprio lugar de onde vim e onde, a partir de hoje viverei. Levado a estabelecer paralelos e compreender as divergências das vivências em diferentes rotinas e situações, a latitude contrastante no roteiro Cidade Maravilhosa-Interior-Megalópole engendrou em mim o clímax do entendimento.
Sem dúvidas, deslocar-se é algo prazeroso, libertador e criativo. A importância e o choque de culturas foi crucial para entender este momento e "cair a ficha".
O entendimento só foi assimilado após visita à FAAP, já no meio da viagem de volta ao Rio, parei em sampa para visitar e rever pessoas especiais.
Foi uma experiência importante porque o contato com a arte e ajuda de um guia maravilhoso e solícito, surgiu o supervisor monitor de classes Marcio, a quem agradeço pelo tour na faculdade de artes plásticas em São Paulo, que foi a chave para entender o propósito da viagem.
Logo de cara, tropecei no que há de mais rico de um movimento que cativa-me e ao mesmo tempo me perturba a mente - mostra de expressionismo - entrega aos olhos da alma uma riqueza de sentidos traduzidos em traços simples e técnicas chapantes. Algo que fez de imediato pensar sobre meus próprios trabalhos, além de lançar um olhar crítico nas filosofias e movimentos a que venho investigando.
pro-cultura
O suporte é simples e acessível a quaisquer mortais, entre naquins e gauches, xilogravuras, litos e pinceladas fortes, fui imediatamente arrebatado para dentro das angústias e incertezas que aquelas imagens passavam, e assim pude instantaneamente compreender, intuitivamente, o significado de que só é possível ser verdadeiro dando um passo à frente, mesmo que a direção seja desconhecida. Sabendo da importância de estar em movimento mas não vivendo a radical experiência, não se pode ser real, e aí reside o verdadeiro significado do ser e estar vivo.
Por mais livros e informações que recebemos na confusão de nossa rotina, somente a real experiência e a radicalidade dos eventos sucessivos é capaz de traduzir, em nossos desejos, a vontade inexorável de expressar e comunicar nossa realidade de forma expressionista.
Porque é disso que se trata a vida, é por isso que estamos aqui consumindo, não apenas produtos e sim sensações, sentidos, aspirações, posicionamentos sociais, estes se concretizaram de forma dramática em mim a partir da clara síntese de Gilles Lipovetsky, que foi outro achado na terra da garoa. Enquanto a chuva caía - O Império do Efêmero - foi o abrigo mais seguro e promissor, caminho para seguir a viagem nesta compreensão.
Como andarilho, me vi incitado a vencer os limites estabelecidos pela minha própria cidade, e ao mesmo tempo motivado a criar as oportunidades, lançando mão de recursos até então não explorados. A escassez em meus trabalhos poderia ser em si mesma a motivação para representa-los.
Prometo reunir aqui algumas ilustrações e fotos que fizeram parte desta viagem em breve.
Então retorne neste post para conferir as atualizações.


expressionismo  (4) expressionismo  (5) expressionismo  (6) expressionismo  (7)  expressionismo  (2) 
legenda artes
fig.1
Marco Paulo Rolla. A coqueteleira, 1991, acrílico em tela.
fig.2
Marina Cram.ST,_1967. Nanquim e guache papel
fig.3
Marina Caram, Menina pobre, menina rica,1954,
nanquim no papel
fig.4
Emile Tuchband. Cristo, st, óleo sobre tela
fig.5
Marco Paulo Rolla. Lavajato, 1991, acrílica em tela

 

O Museu de Arte Brasileira da FAAP apresenta

expressionismo  (3)
A partir de 15 de fevereiro, a exposição Marcas do Expressionismo, que reúne cerca de 90 obras de seu acervo, entre pinturas, gravuras e desenhos.
O visitante terá a oportunidade de apreciar obras de artistas brasileiros e estrangeiros radicados no Brasil, representantes das artes visuais nacionais do século XX e da primeira década do século XXI. Obras de Anita Malfatti, Flávio de Carvalho e Oswaldo Goeldi, notáveis artistas do movimento modernista brasileiro, são as grandes atrações da mostra pela quantidade de obras que os representa, pela qualidade artística das mesmas e, fundamentalmente, por serem os mais significativos expoentes do Expressionismo nas artes visuais brasileiras. As fortes e fragmentadas linhas encontradas nos desenhos de Anita e Flávio e nas gravuras de Goeldi são exemplos dessa manifestação, assim como a ousada e impetuosa paleta de cores utilizada por estes dois primeiros artistas. Participam da exposição, também, desenhos de Marina Caran e Heinz Kühn, fortes nas formas e conteúdos; pinturas de Juarez Magno, Pierre Chalita, Émile Tuchband e Otoni Gali Rosa, produzidas nas últimas décadas do século XX, e obras de artistas mais contemporâneos como Herman Tacasey e Marco Paulo Rolla.
Segundo o curador da mostra, José Luis Hernández Alfonso, o objetivo da exposição é constatar que o cerne dessa tendência artística se manteve atuante quanto aos seus fundamentos conceituais e seus aspectos formais, apesar do tempo transcorrido desde seu surgimento e graças à solidez atemporal dos valores artísticos, gerados na busca por revelar os caminhos que levam ao mundo interior do ser humano e sua existência: análogos e universais sempre.

Expressionismo

O começo do século XX, na Europa, singularizou-se por um dinâmico movimento cultural nas diferentes esferas do conhecimento humano. Mudanças formais e conceituais deram origem a tendências artísticas de vanguarda que compartilhavam novas visões e interpretações da arte e cujos representantes se autoproclamavam condutores de uma cultura que estava à frente de seu tempo. Surgidas no caminho de um espaço histórico cercado pelos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial e se prolongaram até o término da Segunda Guerra Mundial, as denominadas “vanguardas históricas” foram todas elas influenciadas – em conjunto ou indistintamente – tanto pelos reais problemas sociais daqueles acontecimentos bélicos – devastação, miséria e mortes –, como por suas consequências psicológicas – angústias e pessimismos em escala individual e coletiva. No comportamento das vanguardas intervieram também, significativamente, os progressos científico-tecnológicos e sociais e suas decorrências na vida pessoal e social dos indivíduos motivados, entre outras coisas, pelos avanços da industrialização e dos meios de transporte, os novos tipos de emprego e costumes na vida das pessoas, o mercantilismo e a cultura de massas. Em sentido geral, no imaginário estético dos protagonistas das vanguardas, a arte deveria ter uma afinidade integral com a vida, a sociedade e a realidade do ser humano, a fim de transformá-lo em um espectador ativo e mobilizado, capaz de apreender e interpretar a obra de arte.


Entre essas manifestações artísticas, o Expressionismo, surgido na Alemanha, reuniu artistas de diferentes níveis intelectuais e produções marcadas pela diversidade formal.
O movimento defendia uma arte voltada para a interiorização da criação artística, ou seja, mais pessoal e intimista, em que predominava a visão do artista, sua reflexão individual e subjetiva. Do ponto de vista formal, o Expressionismo passou a ser entendido como um modo de deformar e alterar a realidade para expressar a natureza e o ser humano de uma maneira mais subjetiva, dando primazia à revelação dos sentimentos, mais do que à descrição objetiva da realidade. Assim concebido, o Expressionismo invadiu todo o universo artístico das vanguardas, desde o Fauvismo, o Futurismo e o Cubismo até o Dadaísmo e o Surrealismo. Interpretado nesse sentido, e seguindo os passos das artes visuais até os dias de hoje, pode-se convir que a essência do Expressionismo passou além de seu tempo, ao vê-lo extrapolar qualquer época e território.


SERVIÇO

 
Data: de 15 de fevereiro a 29 de maio de 2011
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 Higienópolis
Informações: (11) 3662-7198
E-mail: museu.secretaria@faap.br
Horários: de terça a sexta, das
10h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado)
ENTRADA FRANCA







Ain´t over until it´s over - a viagem ainda não acabou

Em sentido geral, no imaginário estético dos protagonistas das vanguardas, a arte deveria ter uma afinidade integral com a vida, a sociedade e a realidade do ser humano, a fim de transformá-lo em um espectador ativo e mobilizado, capaz de apreender e interpretar a obra de arte.
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Em tempo de guerra no Rio somente a arte

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Brasil, até quando você vai lutar contra si mesmo?
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Fotografia na publicidade – entre a tecnica e a teoria

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Fotografia na publicidade – entre a tecnica e a teoria: o ensino de fotografia para os cursos de graduação em publicidade e propaganda

 

por Renata Voss Chagas* 
 

Índice

1 Histórico do Ensino da Publicidade no Brasil

2 A imagem publicitária

3 Normatização ética e jurídica da imagem

4 A disciplina fotografia nos cursos de graduação em publicidade e propaganda

5 Conclusão

Resumo

 

O presente trabalho tem como objetivo estudar o ensino de fotografia nos cursos de publicidade. Para isso foi feito um levantamento do histórico do ensino de comunicação no Brasil, dando ênfase aos cursos com habilitação em publicidade e propaganda. Pontua-se também questões específicas da estrutura da fotografia publicitária e as questões jurídicas vinculadas a este tipo de imagem. Após o levantamento, percebe-se que o aluno desta matéria deve trabalhar teorias relacionadas à fotografia, tendo o aprendizado da técnica como ferramenta para execução dos seus trabalhos.

Palavras chave: comunicação; publicidade; propaganda; ensino; fotografia.

O mercado publicitário está em constante evolução e para que ele se mantenha é preciso investir em seus profissionais e em sua capacitação. Porém, pouco se discute sobre o processo de formação dos profissionais desta área. O ensino da propaganda é algo relativamente recente no Brasil e se compararmos o processo de crescimento e as necessidades do mercado de trabalho atrelados ao desenvolvimento acadêmico nesta área perceberemos a distância que os separa. Uma das matérias que possui algumas especificidades dentro do curso de graduação é a fotografia, que quando aplicada à publicidade exige linguagem e técnicas diferenciadas, bem como um regimento jurídico específico. Torna-se, portanto necessário o estudo específico da configuração da imagem publicitária por parte daqueles que se graduam em publicidade.

 

1 Histórico do Ensino da Publicidade no Brasil

No Brasil, o ensino da publicidade surge em paralelo às primeiras agências. Quem já atuava na área ensinava de maneira informal aos que também queriam atuar. As agências eram conhecidas “como ’escola do batente’, essa prática pedagógica reproduzia em plena idade moderna a rotina das medievais corporações de ’artes e ofícios”1.

Por ser uma profissão nova, ainda não eram ofertados cursos nesta área. Após o 1o Salão Nacional de Propaganda, evento organizado em 1950 pelo Museu de Arte de São Paulo, o diretor do Museu incentivou a criação de um curso de arte publicitária. Rodolfo Lima Martensen foi responsável pela pesquisa das necessidades de mercado e pela elaboração da estrutura da Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo 2.

Baseando-se nos modelos de ensino europeus e americanos e após análise Martensen elaborou uma fórmula de ensino que se adaptasse à realidade brasileira, criando o Anteprojeto da Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo. O curso da Escola de Propaganda foi lançado em 1952, porém em 1964 ela se desvincula do Museu e passa a se chamar Escola de Propaganda de São Paulo, já como Escola Superior 3.

Sobre esta escola sabe-se que tinha caráter prático e profissionalizante, nunca se propondo a “criar monstrinhos comunicólogos” 4. O ensino da propaganda no Brasil surge com um caráter unicamente técnico, se distanciando já em seu início do modelo de universidade que visa a produção científica. Levando em consideração o excesso de preocupação em atender prioritariamente necessidades técnicas, as questões que envolvem a reflexão são deixadas de lado: percebendo a área de comunicação um campo marginalizado “ao saber universitário, uma vez que estes estudos não asseguram habitualmente uma função científica, mas as funções subsidiárias da pedagogia, da profissionalização e da prestação de serviços”5

Sabe-se que “desde 1962, o ensino de Comunicação Social, em nível de graduação, foi regido por um currículo mínimo homologado pelo Ministério de Educação – MEC”6. Através do currículo mínimo fixado pelo Conselho Federal de Educação – CFE - eram apresentadas as matérias que deveriam compor os cursos superiores. A partir dessas matérias, as instituições de ensino as desdobravam nas disciplinas – que eram subcampos da matéria – e formavam assim o seu currículo pleno7. Desta forma, o CFE dava autonomia para universidade formular suas estruturas curriculares8. Foi apenas no terceiro currículo mínimo - Parecer no 631/69 - que o CFE abordava a importância das atividades profissionais, obrigando as instituições de ensino a disponibilizarem estrutura laboratorial para o exercício da profissão9. Nele também constavam as habilitações específicas e opção da habilitação polivalente. O quinto currículo mínimo “também apresenta um projeto de resolução, propostas para a melhoria do ensino, instalações e laboratórios para cada habilitação, com a descrição dos equipamentos necessários”10. Compreende-se então a preocupação em enfatizar, por meios legais, a necessidade de estrutura técnica para o funcionamento dos cursos de comunicação social, pois dessa forma as instituições de ensino são obrigadas a se regularizar tendo em vista a melhoria dos recursos ofertados para realização dos cursos. Porém, “o professor não é um técnico. (...) É antes de tudo um sujeito integrado com o mundo e sabedor de seu papel social”11. Ou seja, percebe-se a necessidade de dar ênfase também às disciplinas teóricas, que passam a atuar como sendo de importância secundária, tanto pelos discentes, como pelos docentes que têm visão tecnicista e transmitem o conhecimento de modo repetitivo. Outra consideração, é que

“que talvez o maior desafio seja transformar os atuais cursos de comunicação na tentativa da construção de um profissional completo. Tais cursos preparam os alunos para algo idealizado (...) prepara-se para uma escola ideal, mas muito longe do “mundo real”12

Pode-se perceber que as disciplinas de caráter teórico também figuram nos pareceres, porém enfatizamos que o desenvolvimento de pesquisas com esse caráter nesta área ainda é pequeno:

“em 1998 existiam (...), provavelmente 4 mil docentes, dos quais 30% são doutores e nem a metade são mestres. (...) seriam necessários 33 anos para que o sistema conseguisse terminar de doutorar todos os professores necessários para os cursos de comunicação hoje existentes no país…”13

A nova LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – tem como característica a flexibilidade, pois ela determina a extinção dos currículos mínimos e estabelece as diretrizes curriculares para os cursos da educação superior14. As novas Diretrizes Curriculares “irão permitir às IES definir diferentes perfis de seus egressos e adaptar estes perfis às rápidas mudanças do mundo moderno”15.

Acredita-se que com a proposição dos currículos mínimos o MEC tinha como objetivo nivelar a formação do profissional estando ele em qualquer parte do país, porém há a desconstrução da visão de um ensino superior igual para todos exposta no Parecer 776/97.

O campo de comunicação é “uma área em que o esforço pedagógico e profissionalizante se sobrepõe ao trabalho científico, tornando-se por isso uma área desacreditada, olhada com suspeição por parte das outras áreas do saber”16. Pontua-se aqui o descrédito gerado como conseqüência da importância exagerada dada às atividades técnicas e pela falta de ênfase - em muitos cursos - às teorias existentes na área, tornando assim a publicidade e a comunicação áreas com suas estruturas fragilizadas.

2 A imagem publicitária

Hoje, é difícil imaginar publicidade dissociada de suas imagens. Com a evolução da linguagem publicitária, a imagem passa a ser não mais factual e traz consigo a construção de uma realidade idealizada, de algo que muitas vezes não existe, não aconteceu de verdade. A imagem publicitária “é submetida a pressões múltiplas: busca de um certo impacto visual; aptidão em solicitar uma pulsão, mobilizar um interesse, coordenar uma conduta;”17. As imagens publicitárias, assim, “procuram criar no público o desejo de consumo de um produto ou mesmo de um estilo de vida por meio do apelo visual.”18.

A publicidade se utiliza da retórica – que pode ser definida como a arte da palavra artificial – em sua estrutura. Talvez o descrédito da publicidade venha junto com o descrédito da retórica que é representada, neste caso, pela parte não-verdadeira da comunicação, a parte ficcional19.

No processo de criação publicitária o que deve ocorrer é que o emissor transforma uma proposição simples através da retórica para que o receptor dessa mensagem reconstrua a proposição inicial20. Sobre a função da retórica, o que é dito de maneira ’figurada’ poderia ser dito de maneira direta, mais simples, mais neutra 21.

Fotografias são imagens técnicas que transcodificam conceitos em superfícies22. É por esse caminho que a fotografia publicitária segue. As agências ou clientes decidem o que querem comunicar e cabe ao fotógrafo utilizando a técnica transpor para o papel através de imagens os conceitos solicitados: “a imagem retorizada, em sua leitura imediata, se liga ao fantástico, ao sonho, às alucinações: a metáfora se torna metamorfose, a repetição desdobramento, a hipérbole gigantismo, a elipse levitação etc”23.

A imagem busca promover o produto, “não pode portanto haver aí restituição analógica, cópia passiva de uma realidade exterior” 24. Em publicidade “o sentido é preexistente ao acontecimento”25: O fotógrafo constrói a cena, decide os tipos físicos que irão aparecer, qual o tom que a imagem vai passar, etc. Dessa forma, de um lado temos uma construção que deve basear-se na realidade cultural local e, por outro lado temos o perigo de a imagem publicitária constituir uma nova realidade, idealizada e distante da cultura local a depender do recorte dado.

Deve-se na construção da imagem publicitária ter uma visão responsável, pois ela pode se basear nos modos de vida do público-alvo e na idealização do que seria uma vida melhor. Muitas vezes a imagem transmite uma vida que por mais que o consumidor tente não irá conseguir ter. Essa situação pode frustrar este consumidor gerando como conseqüência a falta de crédito dada às fotografias publicitárias. Então, é preciso estudar muito bem os limites entre o sonho, a realidade e a possibilidade de crescimento econômico do público. Se não for construída de forma coerente, a imagem trará uma visão distorcida de uma realidade que não existe ou pode criar desejos de adequação à imagem proposta na peça publicitária.

Chama-se atenção para a necessidade de incentivar a veiculação de imagens com conteúdos que tragam algum aspecto novo para a sociedade, pois imagens apenas descritivas podem não mais ter efeito no público pretendido pela agência e pelo cliente anunciante: “A tautologia verbal é freqüente em publicidade. (...) visualmente ela é talvez realizada por simples apresentação do próprio produto, como se apenas sua presença dispensasse qualquer outro comentário”26.

Desde que entrou em vigor o Código de Defesa do Consumidor em 1991, as propagandas que trazem meias-verdades ou as omitem perdem espaço27. A partir de sua implantação o consumidor se mostra mais exigente buscando informações sobre o produto; logo, não se pode pensar que ele esteja passivo em relação às imagens que são propostas nas campanhas publicitárias, pois esse tipo de imagem “não tem por pivô o emissor mas o destinatário.”28

3 Normatização ética e jurídica da imagem

A partir da necessidade da existência de um órgão que guiasse os princípios éticos e profissionais instituída, em 1985 a ABRAFOTO – Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade - que é uma “entidade civil, sem fins lucrativos ou políticos, e destina-se única e exclusivamente a zelar pelos interesses coletivos, morais, culturais e materiais dos profissionais e empresas que se dediquem à produção de fotografia para publicidade.” 29.

Apesar de funcionar desde 1985 e de ter criado uma padronização no relacionamento fotógrafo-cliente/agência, a ABRAFOTO ainda tem um longo caminho a percorrer: o lento processo de conscientização dos clientes e agências para a qua

lidade da imagem que ele compra, fazendo com que estes contratem um profissional especializado.

4 A disciplina fotografia nos os cursos de graduação em publicidade e propaganda

Para abordar a questão do ensino da fotografia nos cursos de publicidade e propaganda, serão abordados alguns pontos relacionados aos currículos mínimos e diretrizes curriculares.

Com o quinto currículo mínimo, tem-se a relação entre as atividades específicas da profissão de publicitário e as matérias da habilitação em publicidade e propaganda expostas na Resolução 02/84. Ao se observar as disciplinas do quinto currículo mínimo não temos nas matérias ou disciplinas obrigatórias da parte específica a presença da fotografia para a habilitação em publicidade.

Porém, pontua-se que para a formação do currículo pleno as instituições poderiam desdobrar as matérias em disciplinas relacionadas, podendo portanto, a disciplina de fotografia ser ofertada aos cursos com habilitação em publicidade e propaganda - principalmente após a exigência de estrutura laboratorial feita pela Resolução no 02/84, que fazia com que as instituições que ofertassem a habilitação publicidade e propaganda implantassem estúdio fotográfico e laboratório fotográfico. Mas, observa-se que muitas instituições têm dificuldade em manter a estrutura laboratorial necessária e cabe ao docente avaliar qual a melhor maneira de ministrar a disciplina sem o aparato necessário.

Com as novas diretrizes curriculares vê-se que as instituições de ensino passaram a ter mais flexibilidade para estruturar suas matrizes curriculares; com isso a disciplina fotografia passou a fazer parte de muitas estruturas curriculares.

Nas últimas décadas muitos professores “são geralmente os regressados das próprias carreiras em que estudaram, muito deles habilitados à docência através de cursos de pós-graduação” 30, havendo uma valorização da prática e experiência no mercado de trabalho em detrimento do desenvolvimento de pesquisas teóricas que possam servir de base para atividades práticas levando os alunos a uma prática não reflexiva. Os professores que vêm desta formação “geralmente reproduzem em sala de aula conteúdos assimilados de forma abstrata, sem a preocupação de confrontá-los com a realidade cotidiana dos ofícios midiáticos em constante mudança e transformação”31.

Coloca-se em questão a relação entre teoria e prática vista em muitas escolas de comunicação que visam preparar seus alunos para o mercado de trabalho. Observamos que como a maioria dos professores vêm do mercado de trabalho e não têm carreira acadêmica em publicidade, é natural que haja uma tendência à transmissão de conhecimentos práticos aos alunos. Porém, isso não deveria ser desta forma, já que “o ensino superior tem como um de seus focos a preocupação com a formação geral que contemple a reflexão sobre o conteúdo e que privilegie a dimensão crítica da ação profissional sobre a sociedade”32.

Reconhecemos então a necessidade, na disciplina de fotografia, de uma formação não puramente técnica. Porém, como apontamos anteriormente, o ensino de publicidade começou de maneira técnica com curso do Museu de Arte de São Paulo. Podemos afirmar que esse modo de ensino do curso traz seus reflexos até hoje.

Propõe-se, então, que a formação dada na matéria de fotografia seja da técnica aplicada à realidade de mercado de trabalho e da reflexão sobre ética na construção de imagens publicitárias.

Assim, é preciso adaptar a disciplina para o curso de publicidade, pois, como já foi exposto, a imagem publicitária possui diversas particularidades que os egressos do curso de comunicação social com habilitação em publicidade e propaganda precisam ter conhecimento.

Pontua-se a necessidade do estudo de retórica, semiótica, história da fotografia, bem como textos que abordem questões mais subjetivas relacionadas à fotografia. Tais elementos, se associados e relacionados à fotografia publicitária, podem fornecer base teórica para o desenvolvimento de produção de fotografias no decorrer do curso. Desta forma, o conteúdo técnico poderia ser exposto paralelamente sendo visto como ferramenta para execução de uma imagem previamente pensada, avaliada e discutida com os alunos e não como elemento chave para o aprendizado.

Ressalta-se a importância do diálogo em sala de aula na elaboração de imagens publicitárias, pois é no meio acadêmico que devemos buscar as mudanças possíveis para o mercado de trabalho, tentando agir socialmente modificando e produzindo novos conteúdos para veicular numa publicidade que já está com sua estrutura visual desgastada. Afirma-se que é através do estudo acadêmico que é possível tentar esta mudança.

A disciplina não deve ter como objetivo formar fotógrafos, pois de acordo com a possibilidade que as novas diretrizes curriculares dão no tocante à criação de novas habilitações, temos o curso de Bacharel em Fotografia. Coloca-se então a necessidade de se elaborar um plano de ensino para a disciplina fotografia de forma a atender as necessidades de mercado, levando também os alunos a um momento de reflexão e pesquisa.

No que diz respeito à questão das atividades experimentais propostas pelas novas diretrizes: [...] a conquista relacionada à inscrição de atividades experimentais viu-se ameaçada pela prática meramente para lazer e divertimento dos alunos, levando a um experimentalismo inconseqüente [...]33

Enfatiza-se que a prática na disciplina de fotografia deve ter um objetivo previamente esclarecido no plano de ensino interligando a atividade com conteúdo teórico para que o projeto não seja meramente um exercício técnico. Sabe-se que “as novas gerações, que demonstram fascínio pelo fazer midiático, mas se revelam descontentes em face do antagonismo ou do descompasso que identificam no saber midiático disseminado pela academia”34.

Reafirma-se também a necessidade do egresso do curso de comunicação social com habilitação em publicidade e propaganda ter conhecimentos das normas éticas e jurídicas que regem a fotografia publicitária, bem como do conhecimento sobre a linguagem e os elementos que a constituem. Compreende-se que a universidade deve ser um lugar para que haja momentos de reflexão e discussão sobre as conseqüências sociais que a imagem publicitária traz, como também sobre a ética no uso em publicidade. Entende-se, portanto, que cabe ao docente escolher quais os melhores caminhos para se atingir este objetivo, o qual acreditamos estar integrado à sociedade contemporânea em seus aspectos artísticos, culturais, legais, etc.

5 Conclusão

A história do ensino de propaganda no Brasil é relativamente recente. Pode-se reconhecer que é através do desenvolvimento de estudo teórico contínuo dentro dos cursos superiores em publicidade que será possível inserir mudanças mais consistentes no mercado de trabalho.

Embora aparente ser algo simples, a fotografia publicitária traz consigo certa complexidade, pois envolve a estrutura social na qual estamos inseridos e o profissional da área de propaganda precisa estudar a fundo essa contextualização, pois é dela – visto que cada publicidade tem seu público a ser alcançado - que depende o desenvolvimento do seu trabalho.

Acredita-se que foi na Escola de Propaganda em São Paulo – a qual preconizou o ensino de propaganda no país - que a idéia do ensino tecnicista teve início. O ensino da fotografia para estes cursos não deve ser apenas técnico, deve ser acompanhado de textos e autores da área que reflitam sobre a função social da imagem publicitária, suas conseqüências, seu caráter de imagem elaborada, construída para um determinado fim. Porém, para que tal estrutura de ensino seja aplicada, é preciso que o docente e as faculdades busquem conhecimentos específicos da área.

As mudanças necessárias no mercado de trabalho devem ser estudadas e sugeridas pelo pesquisador na área de comunicação. É mais coerente que aconteça dessa forma do que num processo caótico e inverso onde o mercado dita as regras, sem estudar as reais potencialidades e conseqüências das ações midiáticas.

Pontua-se que o saber e o fazer midiático devem caminhar juntos na estrutura dos cursos de graduação em comunicação social com habilitação em publicidade e propaganda. Existe uma maior valorização do fazer; este, em pouco tempo, se desestrutura, pois é através da busca pelo saber midiático que conseguimos construir bases sólidas para realizar as mudanças que se exige do mercado de trabalho.

O presente trabalho é apenas uma pequena contribuição do que é possível ser estudado na área de publicidade. Ainda há muito a pesquisar, pois se trata de uma área extensa e que precisa de momentos reflexivos para desenvolver-se como área de estudo acadêmico.

 

1 MELO, José Marques de. O campo acadêmico da comunicação: história concisa. In: MELO, José Marques de (org.). Pedagogia da Comunicação: matrizes brasileiras. 1. ed. São Paulo: Angellara, 2006. p. 09
2 MARTENSEN, Rodolfo Lima. GRACIOSO, Francisco; PENTEADO, J. Roberto Whitaker. Propaganda brasileira. São Paulo: Mauro Ivan Marketing Editorial Ltda, 2004.
3 ibidem
4 ibidem
5 RODRIGUES, Adriano Duarte. Os estudos da comunicação na universidade. Disponível em: . Acesso em: 19 de julho de 2007. p. 02.
6 MOURA, Cláudia Peixoto de. O Curso de comunicação social no Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curriculares. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. p. 77.
7 ibidem
8 SOUZA apud MOURA, 2002
9 DIAS, Samia Cruañes de Souza. A Criação da habilitação Publicidade e Propaganda no Brasil: seus problemas e soluções. In: 1o Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho - Mídia Brasileira: 2 séculos de história, 2003, Rio de Janeiro. Trabalho apresentado ao GT6 – História da Mídia Persuasiva. Disponível em: . Acesso em: 10 de março de 2007.
10 MOURA, op. cit., , p. 94
11 FERREIRA, Jorge Carlos Felz. Reflexões sobre o ser professor: a construção de um professor intelectual. Disponível em: . Acesso em: 17 de julho de 2007. p. 04
12 ibidem, p.05
13 COSTA, Rosa Maria Dalla. Ensino de Comunicação no Brasil: realidades regionais que caracterizam sua história. In: ENDECOM 2006 – Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação, 2006, ECA/USP. Trabalhos apresentados. São Paulo, 2006. Disponível em: . Acesso em: 24 de abril de 2007.
14 MOURA, op. cit..
15 MEC apud MOURA, 2002.
16 RODRIGUES, op. cit., p. 02
17 PÉNINOU, Georges. Física e Metafísica da Imagem Publicitária. In: METZ, Christian et al. A análise das imagens. Tradução de Luís Costa Lima e Priscila Viana de Siqueira. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1974. p. 62
18 ZUANETTI, Rose et al. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 2002. p. 140.
19 DURAND, Jacques. Retórica e Imagem Publicitária. In: METZ, Christian et al. A análise das imagens. Tradução de Luís Costa Lima e Priscila Viana de Siqueira. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1974.
20 ibidem.
21 ibidem, p. 20.
22 FLUSSER, Villém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Tradução do autor. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
23 DURAND, op. cit., p. 22.
24 PÉNINOU, op. cit, p. 78.
25 ibidem, p. 79.
26 DURAND, op. cit., p. 43.
27 CADENA, Nelson Varón. Brasil – 100 Anos de Propaganda. São Paulo: Edições Referência, 2001.
28 PÉNINOU, op. cit, p. 67.
29 ABRAFOTO – Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade. Guia Abrafoto. Disponível em: . Acesso em: 10 de março de 2007.
30 MELO, op. cit., p. 24.
31 ibidem, p. 24/25.
32 TOMITA, Íris Yae; TERUYA, Teresa Kazuko. Modos de ver uma propaganda: um estudo sobre a formação do olhar do estudante de publicidade e propaganda. In: ENDECOM 2006 – Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação, 2006, ECA/USP. Trabalhos apresentados. São Paulo, 2006. Disponível em: Acesso em 24 de abril de 2007. p. 03.
33 CARDOZO, Missila Loures; GOBBO, Sonia Maria; ARAÚJO, William Pereira de. ESPM: a pioneira escola de propaganda. In: MELO, José Marques de (org.). Pedagogia da Comunicação: matrizes brasileiras. 1. ed. São Paulo: Angellara, 2006. p. 129.
34 MELO, op. cit., p. 25.

*Especialista em Fundamentos Científicos e Metodológicos em Docência e Pesquisa no Ensino Superior pela Faculdade de Alagoas (FAL) e graduada em Publicidade pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas (CEFET). Trabalha há quatro anos com fotografia publicitária, atualmente é sócia da Urucum Estúdio Fotográfico e leciona na Faculdade Integrada Tiradentes (Fits) e na ESAMC-Mauricio de Nassau. E-mail: renata.voss@gmail.com
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