Scientia Ad Sapientiam

Scientia Ad Sapientiam
“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador consciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consciência. Mostrar todas as postagens

Human Fractals - fragmentação humana e manipulação dos desejos inconscientes

Leave a Comment
matrix-pod

Human Fractals Addenddum


Esta postagem se tornou grande demais, então decidi subdividi-a em seções ( fractals practice) igualmente proponho uma continuidade com o título acima, o link está aqui Human Fractals Addenddum.

PRIMEIRA PARTE - HUMAN FRACTAL
Compreendendo a Programação da Condição Humana

SEGUNDA PARTE
Mergulho Profundo em nossa Condição Social

TERCEIRA PARTE
Soluções para Salvar a sua Sanidade

"Aclamada série de Adam Curtis que examina a ascensão do auto-consumo tendo como pano de fundo a dinastia Freud. Para muitos políticos e empresários, o triunfo do EU é a expressão máxima da democracia, onde o poder finalmente se mudou para o povo. Certamente as pessoas podem sentir que estão no comando, mas estarão realmente? O século do EU conta a história não contada e às vezes controversa do crescimento da sociedade de consumo de massa na Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Como foi o auto-consumo criado, por quem, e com que interesses? A dinastia Freud está no coração desta história social. Sigmund Freud, fundador da psicanálise, o seu sobrinho Edward Bernays, que inventou as relações públicas, Anna Freud, filha devotada de Sigmund e atual PR guru e o neto de Sigmund, Matthew Freud.A Obra de Sigmund Freud sobre o tenebroso mundo do subconsciente mudou o mundo. Com a introdução de uma técnica para sondar a mente inconsciente, Freud forneceu ferramentas úteis para entender os desejos secretos das massas. Inconscientemente, a sua obra serviu como precursora para um mundo cheio de doutores políticos, magnatas, marketing e a crença da sociedade de que a busca de satisfação e felicidade é o objetivo último do homem."




HUMAN FRACTALS
Segmentação humana - o ide e o ego disponíveis na prateleira de um super mercado.

Powerplant_fields

Seres humanos fragmentados, segmentados e controlados para mover o sistema - a Matrix é real?

Sociedade consumista e falsa democracia baseada na manipulação dos desejos inconscientes - o que é a Matriz?

A morte do ego - ou o lado da luz - na noite escura da alma.LEIA COMO SE LIBERTAR NO FINAL DO ARTIGO



Retorne aqui em breve para ler nova crítica semiótica após rever toda a série da BBC



O documentário da BBC "The Century of the Self" (2002)

descreve a irônica jornada de como a revolução de psicoterapeutas e filósofos nos anos 60 e 70 contra as ideias de Freud sobre o inconsciente (acusadas de terem se tornado instrumentos do mundo do Marketing, Publicidade e Propaganda Política para fins de manipulação) resultou no oposto: o surgimento do sujeito fractal, vulnerável, isolado e, acima de tudo, ganancioso.

A partir da confluência das neurociências, ciências cognitivas, cibernética e Inteligência Artificial, procura fazer um mapeamento do funcionamento do cérebro para desvendar o enigma da mente e da consciência. Em termos práticos, criar modelos simulados do cérebro para sua virtualização, monitoramento e controle para fins mercadológicos e políticos.

Partindo da constatação que o cinema hollywoodiano reflete a agenda tecno científica das últimas décadas, em nossos estudos sobre os filmes gnósticos na produção cinematográfica norte-americana recente percebemos uma tendência introspectiva dos protagonistas: narrativas em que se descreve como o protagonista torna-se prisioneiro do seu próprio mundo mental (memórias, traumas, sonhos, projeções, etc.) e como ele realiza um mapeamento desse território onírico para encontrar o caminho de saída de conspirações e tramas.

De filmes como “Vanilla Sky” (talvez o primeiro nessa linha) até o recente “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton, vemos estórias com geografias alegóricas de mundos mentais, cartografias da mente coletiva (como a série “O Prisioneiro”, 2009) e elaboradas topografias da mente por meio de sonhos dentro de sonhos ("A Origem", 2010).
Tendo essa discussão como contexto, o documentário da BBC  “O Século do Ego” (The Century of the Self, 2002) trás preciosas informações históricas sobre as origens desse verdadeira tendência de endocolonização dos indivíduos pela Ciência, Publicidade e Marketing. A série é dividida em quatro episódios: episódio 1: “Máquinas da Felicidade”; episódio 2: “Engenharia do Consenso”; episódio 3: “Há um Policial Dentro da Sua Cabeça e Devemos Destruí-lo”; episódio 4: “Oito Pessoas Bebericando Vinho em Kettering”.
A série (240 minutos no total) inicia descrevendo como as ideias de Freud foram traduzidas nos EUA através de sua filha, Anna Freud, e pelo seu sobrinho, Edward Bernays (o inventor da profissão de Relações Públicas) como técnicas para controle das massas na era da democracia: a teoria do inconsciente trazida para o cerne do mundo da propaganda e do marketing. É a era da produção em massa e do conformismo em uma sociedade de consumo cujo leque de opções para o mercado era limitado.

"Oito Pessoas Degustando Vinho"
(Eight People Sipping Wine in Kettering)


O terceiro episódio é o mais importante por abordar o ponto de viragem decisivo dentro da engenharia do controle social nos anos 60 e 70: o momento em que as ideias de Freud são acusadas de serem as responsáveis por governos e corporações manipularem os sentimentos das pessoas e transforma-las em consumidores ideais. Filósofos como Wilhelm Reich e Hebert Marcuse e ativistas estudantis começaram questionar o pressuposto da teoria do inconsciente de que havia um Eu irracional, oculto, que deveria ser controlado pelos indivíduos para o bem da sociedade. Os oponentes diziam que Freud estava errado sobre a natureza humana: o eu interior não precisaria ser reprimido e controlado, mas, ao contrário, deveria ser encorajado a se expressar. Em consequência, teríamos uma sociedade melhor fundamentada num novo ser humano.
fractal



O documentário demonstra que o resultado dessa revolução foi o oposto: um indivíduo vulnerável, isolado e acima de tudo ganancioso, mais aberto à manipulação pelo mundo dos negócios e governos. Podemos definir esse indivíduo compulsivo em representar sua intimidade para os outros como um “sujeito fractal”. Tal qual o fractal* da geometria é um sujeito que se torna um nódulo que apenas ratifica o que lhe é externo. A aparência narcísica de um ego grandioso que encobre um esvaziamento da própria subjetividade que, sitiado, adapta-se e reproduz mimeticamente o entorno para sobreviver. É o sujeito fractal, como um fragmento que reproduz dentro de si, infinitamente, o padrão do todo. Vulnerável e sem defesas, reproduz ideias e sentimentos como fossem originais e verdadeiros, mas não passam de reprodução repetitiva de padrões.



*Objeto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhantes ao objeto original.

Documentário - O Século do Ego (The Century of The Self)

Sociedade consumista e falsa democracia baseada na manipulação dos desejos inconscientes.


1: “Máquinas da Felicidade”;
Título original: Happiness Machines

episódio
Parte 1 - O documentarista Adam Curtis e BBC contam como as idéias do pai da psicanálise - Sigmund Freud - foram aplicadas pelo seu sobrinho Edward Bernays e bisneto Matthew Freud para ajudar as corporações e políticos na manipulação dos desejos inconscientes das pessoas.

2: “Engenharia do Consentimento”;
Título original: The Engineering of Consent.

Episódio
Parte 2 - Documentário da BBC sobre como aqueles no poder usaram as teorias freudianas para controlar multidões perigosas numa era da democracia de massas.Esse episódio fala como a filha de Freud, Anna Freud, divulgou a psicanálise nos EUA e no mundo.

3: "Existe um policial em nossas cabeças e ele deve ser destruído"
Título original: There is a Policeman Inside All Our Head: He Must Be Destroyed 

Episódio
Parte 3 - Na década de 1960, um grupo radical de psicoterapeutas desafiou a influência das ideias freudianas na América. Eles foram inspirados pelas idéias de Wilhelm Reich, discípulo de Freud, que se voltou contra ele e foi odiado pela família Freud. Ele acreditava que o eu interior não precisa ser reprimido e controlado mas sim encorajado a se expressar. Daí nasceu um movimento político que procurou criar novos seres, livres da conformidade psicológica que havia sido implantado na mente das pessoas por parte das empresas e da política.
Este programa mostra como isso se desenvolveu rapidamente nos Estados Unidos através da movimentos de auto-ajuda como o Seminário Werber Erhard de Treinamento - até a irresistível ascensão da auto-expressiva: Geração do eu.
Mas as corporações norte-americanas logo perceberam que este novo eu não era uma ameaça, mas a sua maior oportunidade. Era de seu interesse incentivar as pessoas a sentir que eram indivíduos únicos e, em seguida, vender-lhes maneiras de expressar as suas individualidades. Para isso, voltaram-se para técnicas desenvolvidas pelos psicanalistas freudianos para ler os desejos interiores do novo eu.



4: “Oito Pessoas Bebericando Vinho em Kettering”
Título original: Eight People Sipping Wine in Kettering

Episódio
Parte 4 - O documentarista Adam Curtis e BBC contam como as ideias do pai da psicanálise - Sigmund Freud - foram aplicadas pelo seu sobrinho Edward Bernays e bisneto Matthew Freud para ajudar as CORPORAÇÕES E POLÍTICOS na manipulação dos desejos inconscientes das pessoas. Nos 240 minutos de entrevistas e explicações, o documentário mostra coisas como:

  • - Surgimento da psicanálise e a mudança de visão do ser humano;
  • - Adaptação da psicologia freudiana e a criação da profissão de Relações Públicas pelo seu sobrinho Edward Bernays;
  • - Dissociação dos bens de consumo da sua função e associação com as aspirações inconscientes das pessoas - como o cigarro com Liberdade para as mulheres, ou carro com a virilidade masculina;
  • - Influência de Anna Freud - filha do Freud - na divulgação da psicanálise nos EUA;
  • - Utilização da psicologia para adaptação das pessoas aos padrões sociais estabelecidos e torná-las cidadãos e consumidores passivos; 

  • - Experiências pela CIA para tentar mudar a memória das pessoas e alterar sua personalidade; 
  • - Esgotamento da estratégia de CONFORMAÇÃO e manifestações de individualismo e expressividade;
  • - A POLÍTICA e o MARKETING utilizando as idéias de Wilhelm Reich para se adaptarem a essa necessidade de expressão individual;
  • - Apropriação da Hierarquia das Necessidades de Abraham Maslow para categorizar e atender os desejos das pessoas "auto-guiadas";
  • - Há uma excelente entrevista com o psicanalista e filósofo Herbert Marcuse.

 


ASSISTIR AQUI
Ficha Técnica
Título: O Século do Eu (The Century of the Self)

Ano: 2002, 240 min.
Direção: Adam Curtis
Elenco (entrevistados): Werner Erhard, Martin Bergman, Robert Reich, Hebert Marcuse, Tony Blair, Bill Clinton entre outros
Produção: BBC, RDF Media
Distribuição: Independent Feature Project
País origem : Reino Unido


Topografia da Mente: retirando as camadas

Por Wilson Roberto Vieira Ferreira
O que chama a atenção no terceiro episódio do “Século do Ego”, são os depoimentos dos primeiros psicoterapeutas norte-americanos dos anos 60 e 70 que inventaram técnicas para permitir aos indivíduos se libertarem dos controles da sociedade.  Eles relatam o conceito de retirada de camadas de formações mentais. Como fala o psicoterapeuta Werner Erhard, fundador do Curso de Treinamento Erhard nos anos 70: “ Se você retirar todas as camadas você acaba descobrindo um núcleo, uma coisa naturalmente auto expressiva . Isso seria o verdadeiro Eu”.

Mais tarde essa mesma técnica é aplicada nas pesquisas de marketing da Universidade de Stanford nos anos 80 sobre Valores e Estilos de Vida (VALS) com métodos de perguntas sucessivas onde camadas de defesas, pensamento e crenças são retiradas para se chegar o núcleo do verdadeiro desejo do consumidor a ser agregado ao produto.
Freud pretendia entender a dinâmica psíquica através da interpretação dos sonhos. E essa interpretação somente poderia ser simbólica (condensações e deslocamentos da linguagem onírica) como forma de entender o porquê das dinâmicas do psiquismo. Em outras palavras, entender a essência última que permitiria explicar a conexão entre a alma e o corpo.
Ao contrário, a preocupação cartográfica e topográfica já presente nas primeiras abordagens dos psicoterapeutas demonstra uma abordagem não mais metafísica como em Freud, mas agora funcional para fins de manipulação direta: nada de descobrir simbolismos ocultos, mas, agora, mapear funções e camadas.

O documentário vai fundo nessa irônica jornada de busca de autoconhecimento: quanto mais os psicoterapeutas empreendiam técnicas de mapeamento profundo da vida mental, mais as camadas de defesa do ego eram retiradas, tornando-o vulnerável as instâncias de controle sociais e políticas. Chamaram isso de “auto expressividade”.

A Emergência do Sujeito Fractal

matrix-baby
Outro ponto importante desse episódio é a narração dos primórdios do desenvolvimento das técnicas de VALS (Valores e Estilo de Vida) pela Universidade de Stanford, Califórnia, no início dos anos 80. As corporações procuravam entender esse novo consumidor não mais conformista, mas que buscava a “auto expressividade” e a liberdade de transformar-se em novas personas. Pela primeira vez, os pesquisadores começaram a formular questões que não mais envolviam prospecção de dados sobre nível de renda, faixa etária ou nível de escolaridade, mas perguntas profundas sobre como as pessoas se sentem, hábitos e escolhas.
As redes sociais potencializam o impulso confeccionado do sujeito fractal: a necessidade de expor seus sentimentos,motivações e temores.
O retorno dos questionários pelo correio foi surpreendente (86%). 
As pessoas simplesmente adoraram preencher os questionários e muitos foram devolvidos com bilhetes do tipo “vocês têm outros questionários que eu possa preencher?” 
Dessa maneira, o documentário apresenta o momento em que surge esse verdadeiro impulso confessional que mobiliza as pessoas na atualidade.
A cultura crescente do autoconhecimento e auto expressividade dos anos 70 resultou num impulso narcísico em expressar publicamente seus desejos mais íntimos, pensamentos, incertezas e motivações. Um impulso confessional potencializado na atualidade pelo ciberespaço por meio de redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter.

Autores como Richard Sennet chamam esse fenômeno de “ascetismo mundano” derivado da ética protestante tal qual descrita por Weber. Enquanto na ética cristã o ascetismo de um monge é um impulso voltado para o interior (“um monge que se flagela a si mesmo diante de Deus, na privacidade da sua cela, não pensa na sua aparência diante dos outros” – SENNETT, Richard. O Declínio do Homem Público. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 406.), ao contrário, na ética protestante há um componente mundano no ascetismo pela necessidade de demonstrar não somente a Deus mas aos outros a sua renúncia e sacrifício, provando a todos ser um merecedor das graças divinas. Isso se insere na cultura narcísica atual como um impulso confessional como uma performance do eu interior diante dos outros:

oportunidade-estagios
“Ou seja, o narcisismo é o princípio psicológico para a forma de comunicação que chamamos de representação da emoção para outrem, ao invés de uma apresentação corporificada da emoção. O narcisismo cria a ilusão de que uma vez que se tenha sentimento ele precisa ser manifestado – porque no final das contas, o ‘interior’ é uma realidade absoluta” (SENNETT, Richard. O Declínio do Homem Público. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 408.)”.


"Existe um policial em nossas cabeças e ele deve ser destruído"
(There is a Policeman Inside All Our Head: He Must Be Destroyed) 


Podemos definir esse indivíduo compulsivo em representar sua intimidade para os outros como um “sujeito fractal”. Tal qual o fractal da geometria (objeto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhantes ao objeto original), é um sujeito que se torna um nódulo que apenas ratifica o que lhe é externo. A aparência narcísica de um ego grandioso encobre um esvaziamento da própria subjetividade que, sitiado, adapta-se e reproduz mimeticamente o entorno para sobreviver. É o sujeito fractal, como um fragmento que reproduz dentro de si, infinitamente, o padrão do todo.
Vulnerável e sem defesas, reproduz ideias e sentimentos como fossem originais e verdadeiros, mas não passam de reprodução repetitiva de padrões.

O Círculo vicioso produção/mal estar/consumo

power-plantsmatrix-baby-02

Outro ponto importante focado neste terceiro episódio do “Século do Ego” foram as profundas transformações ocorridas na organização do trabalho e da produção industrial com a descoberta dos sujeitos “autoexpressivos” pelas pesquisas da Universidade de Stanford. A descoberta de um “ego infinito” que quer experimentar diversas identidades e estilos de vida obrigava a produção de um vasto leque de produtos costumizados, voltados a uma segmentação de mercado cada vez mais crescente. Isso confrontava as velhas restrições da produção em massa que disponibilizava pouca variedade de produtos para indivíduos conformados.
garden city pilot plan
retro-futurism-gillettes-metropolis

Como desafiar uma estrutura industrial que se acostumara a gerar lucros à base da padronização e repetição? A solução estava nos computadores que permitiram aos fabricantes produzir economicamente pequenos lotes de bens de consumo até chegar às formas on demand atuais. A produção flexível conduz a precarização do trabalho e a produção da instabilidade, insegurança e medo.

"A Engenharia do Consentimento"
(The Engineering of Consent)



for rent

As consequências foram mudanças radicais das plantas de fábricas, das organizações de trabalho e das relações trabalhistas.

"Máquinas da Felicidade"
(Happiness Machines)


Legenda: A produção flexível conduz a precarização do trabalho e a produção da instabilidade, insegurança e medo.
Diante da necessidade de produtos e serviços que atendam a infinitas formas de desejos e identidades, a produção flexível e a flexibilidade das relações trabalhistas impõem-se: organogramas com funções novas e outras que desaparecem da noite para o dia, contratos temporários, estagiários, autônomos, terceirização, fragilização sindical e do espírito de classe profissional, precarização do trabalho etc.


O clima organizacional resultante é de instabilidade, insegurança e medo. Se no passado, na tradicional produção em massa, a loucura do trabalho se manifestava em neuroses e alienação (devido ao trabalho repetitivo e monótono), agora na produção flexível impera a paranoia, psicose, esquizofrenia e depressão. Principalmente porque com a fragmentação profissional, o indivíduo faz a introjecção da culpa, considerando-se um “perdedor”, “incompetente” ou “não focado ao sucesso”.

O narcisismo e a auto expressividade confessional são as formações reativas diante desse mal estar do cotidiano de trabalho. A necessidade em confessar-se para outros em redes sociais  demonstra esta busca por grupos de apoio, formação de comunidades de autoajuda que, ironicamente, produzem um efeito contrário: a repetição fractal de padrões e clichês quando se achava estar expressando uma “verdade” interior.

Quanto mais os relatos de fragmentos emocionais e de mal estares se disponibilizam nas redes, mais se transformam em dados brutos para o desenho de verdadeiras cartografias mentais realizadas pelos analistas de redes sociais das grandes corporações. E mais essas cartografias serão as bases para o lançamento de novos produtos, identidades e estilos de vida cujos consumidores acreditam serem formas de autoexpressividade que dê algum significado a uma vida insegura e imprevisível.  E dessa forma fecha-se o círculo perverso produção/mal estar/consumo.

Portanto, o título desse documentário “O Século do Ego” é irônico:  na verdade os espectadores veem a história do assalto ideológico ao ego. Sob a promessa de liberação do indivíduo das restrições sociais por psicoterapeutas e filósofos, vemos as corporações encorajarem as pessoas a se sentirem pessoas especiais ao oferecê-las maneiras de expressar essa individualidade. O marketing e a publicidade encorajam as pessoas nesse propósito mas o ego torna-se fractal: fragmentos de padrões idênticos ao todo.




skye-isle-florida-aerial-urban-sprawl-subdivisionsuburbssuburbs-04suburbs-03

house-developmentsuburbs-02

urban-expansion-shutterstock-com
Legendas: padronização dos subúrbios americanos, verdadeiras fábricas de consumidores em troca de horas de trabalho para atender a desejos e sonhos criados pela indústria do consumo. Subdivisões dos mesmos estilos de vidas com técnicas aplicadas em neurociência para reter os medos e produzir felicidade a partir de realidades controláveis pela economia de mercado, direito a propriedade e liberdade econômica (livre iniciativa). Manipulação, obediência e controle às elites corporativas e políticas globais.

suburbs-01



fontes:
Assista on-line
https://vimeo.com/album/2645505
Baixe a série completa
http://mcaf.ee/pidt3
Sinopse e crítica do documentário
http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/03/documentario-o-seculo-do-ego.html


About the music:

The song is a commentary on societal pressure to adopt a certain lifestyle: the "cool" youth culture or a comfortable, mundane suburban existence in a housing subdivision. Anyone who does not conform to these expectations is regarded as an outcast.

FIM DA PRIMEIRA PARTE - HUMAN FRACTAL
Compreendendo nossa condição social

Na linha do raciocínio do SER FRACTAL em tempos de SUPER SELF, entrando na fila desde sempre, agora você verá cair as fichas e as peças se encaixar na sua cabeça.

SEGUNDA PARTE -
Mergulho Profundo em nossa Condição Social




Clube da luta
assista o filme completo

O filme, aparentemente inocente, foi original conceitualmente ao retratar o drama interno de cada indivíduo na sociedade moderna quando ele começa a mudar sua percepção da realidade. As angústias paranoicas de seu protagonista vão revelando as camadas profundas onde todos fomos condicionados a aceitar, ou não. A partir desse ponto os limites e fronteiras entre realidade e ficção confundem-se, bem como o consciente começa um diálogo com o inconsciente. E assim iremos mergulhar mais profundamente neste debate com mais exemplos transversais nesta cinematografia.

"A televisão foi a nossa babá. Ela nos fez pensar que um dia seríamos milionários, astros do cinema, estrelas do rock, mas nós não somos, aos poucos vamos nos dando conta disso, e nós estamos muito revoltados.

A televisão é a arma do consumismo, ela nos faz querer possuir coisas.

Temos empregos que odiamos, para comprar porcarias que não precisamos, e agradar pessoas que nós não gostamos.

Seja isso.

Compre isso.

Você não precisa entender, apenas faça.

Ande na moda, compre roupas caras que vão durar pouco tempo, compre celulares, televisões, carros.

Você não precisa dessas coisas pra viver, mas não precisa saber disso, então continue comprando. Mantenha o capitalismo funcionando, faça isso cegamente.

Passe sua vida trabalhando para poder possuir coisas.

Continue sendo usado por eles.

Como os macacos mandados ao espaço, você faz somente o que te disseram pra fazer, te ensinaram a apertar alguns botões, então você o faz. Você não entende nada do que está acontecendo, e depois você morre.

E a sua morte não fará diferença, pois existem muitos igual a você. Pessoas dispostas a passar toda a sua vida sendo apenas idiota úteis.

Quando olhar pra uma empresa,pense nos funcionários como simples tijolos, que constituem uma parede onde os pobres trabalham para que os ricos fiquem mais ricos. E cada tijolo pode ser facilmente substituído. Assim como você. Porque você não é especial, você não vai mudar o mundo, somos todos feitos da mesma matéria orgânica em decomposição.

Então pense sobre isso.

Você não é seu emprego, não é o quanto tem na carteira, você não é as roupas que veste, não é o seu carro, você é apenas uma merda ambulante que faz de tudo pra chamar atenção.

Pare de tentar satisfazer suas necessidades através da compra excessiva. Logo você será apenas uma estatística, vai deixar de ser humano.

Esta é a sua vida, e ela está acabando a cada minuto."

Clube da luta honesto - resumindo a má conduta, o caos moral
e passando o sabão na ética

 

Clube da luta para crianças

   


Clube da luta para os letrados, descolados e afins 


O Fim do Clube da luta:

A morte do ego - ou o lado da luz - na noite escura da alma



Distorção ótica

O Lado da Luz na Noite Escura da Alma

Autor Kim Hutchinson

O fenômeno conhecido como a noite escura da alma é algo que muitos buscadores espirituais vivenciam em sua jornada para alcançar a iluminação, pode ser um processo doloroso e assustador, mas também pode ser libertador e emancipador, tudo depende de sua perspectiva e sua capacidade de se manter distante.

Descascando a Cebola

A palavra “noite” é enganosa, este é um processo longo e felizmente é assim, eu duvido que você desejasse experimentar o processo de purificação de uma vez só, minha jornada de noite escura começou em 1994 e culminou no ano de (2013), embora isso possa parecer uma enorme quantidade de tempo, eu não passei pelo processo continuamente, graças a Deus, mas sim em etapas, o comprimento e a intensidade do processo é determinado pelo grau de purificação necessário, pense nisso como descascar uma cebola, cada camada que você tira para fora traz lágrimas aos seus olhos, você para por um tempo se recuperando e depois segue para a próxima camada, quando chegar ao núcleo você está no coração de sua angústia, isso é muitas vezes a parte mais difícil do processo é por isso que vem por último, você construiu a sua força e sua capacidade para enfrentar o(s) problema(s) do núcleo, o seu EU superior não vai deixar você acessar este núcleo até que esteja pronto, a boa notícia é que você já enfrentou o pior, nada do que você descobrir durante este processo vai ser tão ruim quanto a dor original que você experimentou, você foi forte o suficiente para enfrentá-la uma vez, assim você é mais do que capaz de liberá-la agora e quando estiver purificada, ela terá se ido para sempre.

A Morte do Ego

Essencialmente a noite escura da alma é a morte do (maligno) ego, eu digo “maligno” mas o ego não é inerentemente mau ou tem necessidade de ser extinto, o ego fornece a alma a ilusão da separação para que possamos explorar as criações que diferem do campo unificado do amor no qual nos originamos, porém o ego em sua forma atual é muito dominante, vivemos em uma era egocêntrica, o culto do ego é comemorado através de nossa adoração a celebridades, fama, fortuna, beleza superficial e poder, o comportamento narcisista muitas vezes é recompensado neste clima dirigido pelo ego, o mundo externo é resultado da projeção da malignidade de nosso estado coletivo do ego, ele não têm a amabilidade do processo de despertar e iluminação, ele vê o processo de despertar espiritual como uma ameaça à sua própria existência e em muitos aspectos, está certo, à medida que você começar a se lembrar mais de suas origens espirituais o fascínio do ego diminui, isso acaba quebrando o domínio do ego sobre você então ele começa a encolher de tamanho, do ponto de vista do ego isso equivale à morte, então ele não vai se render sem luta, a chave é não resistir ao ego, não resistir não é fácil, na verdade o seu ego vai fazer de tudo ao seu alcance para se apegar ao velho, mas seu EU superior sabe como agir melhor.

Crise Existencial

Conforme nós despertamos das sombras da nossa vida de sonhos na Terra para tomarmos conhecimento da natureza ilimitada, eterna da alma, a forma e o pensamento baseado em ilusões da nossa vida começam a se dissolver, o próprio fundamento da existência humana desmorona, levando a uma crise existencial de fé, os sintomas incluem:


Introspecção profunda e angústia

  • Questionamento do significado e do propósito da vida 
  • Sentir que a vida não tem sentido 
  • Isolamento, sentindo-se sozinho, separado dos outros 
  • Enfrentando a mortalidade 
  • Sentindo-se vazio, desprovido de alegria


Sua crise existencial pode separá-lo dos outros, a batalha que você está lutando é interna, é semelhante à depressão, exceto que é espiritual e não de natureza mental, o ego está lutando por sua vida, portanto, resiste ao processo de purificação, lembre-se, porém, que estes sintomas resultam da perspectiva do ego sobre a vida, a alma sabe que tudo tem um significado, prazer e beleza, depois de substituir o seu ego pela sua alma/EU superior, a vida se torna vibrante novamente.

A purificação Pelo Fogo

À medida que o domínio do seu ego é desmontado, o seu mundo externo refletirá esse processo interno, aquilo que não serve para o seu bem maior vai desabar, embora esta fase possa parecer destrutiva e dolorosa está na verdade ajudando-o a romper o domínio do ego sobre você, obrigando-o a entregar tudo o que você tem de mais caro, é como diz o velho ditado: “Cuidado com o homem que não tem nada a perder”, este homem é absolutamente destemido, quando você perde todos os seus valores do ego, ele libera o seu medo que se estilhaça, por favor, note que não estou defendendo que você tem que perder tudo, só estou explicando o que às vezes acontece durante o processo, por exemplo, se você tiver uma perda (pode ser divórcio, perda de emprego, falência) saiba que isso ajudou a quebrar o domínio do ego sobre você, quanto mais dramática a perda, mais rápido o processo de purificação, conforme você se esvazia do seu ego/medo, você cria mais espaço para abrigar o amor, a luz, a sabedoria, a beleza da sua alma e a alegria.

A Fênix Ressurge

Neste ponto as coisas podem parecer sombrias e sem esperança, mas para citar outra velha joia: “É sempre mais escuro antes do amanhecer”, eu comparo isso a afundar nas profundezas escuras, você sente como se nunca mais fosse ver a luz do dia novamente e que tudo está perdido, então de repente, seus pés tocam a terra e você é capaz de empurrar o fundo dando-lhe o impulso que o leva de volta para a luz, você está quase no fim desta curva de aprendizagem e quando você sair do outro lado da noite escura você vai redescobrir a alegria e a beleza do mundo, você é a Fênix que está sendo purificada pelo fogo, depois que você se livrar dos medos do ego você irá “renascer” ou se transformar em uma versão mais livre, mais feliz de vibração superior de você.

TERCEIRA PARTE
Soluções Para Salvar a sua Sanidade

Perspectiva Superior
Compreenda que a escuridão, medo e ego são ilusões, você é uma criança de amor e luz, suas experiências atuais são simplesmente um sonho que a sua alma está tendo, ela quer entender melhor o amor e a luz, mas não pode fazê-lo sem um contraste, já que o ego não é real tente mudar sua natureza de um ditador narcisista para uma pequena criança assustada, então, quando ele agir, o amor o alimentará, em vez de combatê-lo ou ser controlado por ele.

Não Resistência
Não resista ao processo, quanto maior a resistência, mais os sintomas são dolorosos, lembre-se, o que você resiste, persiste, não dê nada para o seu ego empurrar, basta seguir o fluxo e lembre-se, o ego está lutando por sua vida, ao invés de tentar destruí-lo, ame-o e ensine-o a confiar em seu espírito para que ele se sinta seguro, o ego pode ser treinado novamente.

Não Retenha
Libere tudo o que não serve mais ao seu bem maior, não importa o quão assustador possa parecer, até que você deixe ir os velhos elementos baseados no ego nada de novo e espiritualmente edificante pode entrar em sua vida, pense nisso como limpar a casa, você está livrando seu corpo da escuridão e da densidade para dar lugar à leveza.

Guias Espirituais
Conte com a ajuda dos reinos espirituais, chame seus guias espirituais, família de alma, grupo de alma, entes queridos que já partiram, os anjos, os mestres ascensos, a Mãe Terra, o Pai Sol,
Criador/Deus/Deusa e com quem mais você ressoar, esteja aberto para receber ajuda de todas as formas.

Suporte dos Parentes
Encontre almas afins com quem você pode compartilhar suas experiências, você não está sozinho, há muitos outros que estão passando por isto atualmente ou que recentemente passaram pela noite escura da alma, peça a seus guias espirituais para ajudá-lo a encontrar essas pessoas, ou elas encontrarem você, então preste atenção às mensagens que recebe de forma intuitiva, se um estranho parar e falar com você, ele/ela pode ser sua alma gêmea.




Você precisa de amor e cuidado agora, seja o seu próprio melhor amigo, fale suavemente e com amor a si mesmo, liberte-se de obrigações e compromissos que estão drenando você, defina limites saudáveis com os outros, trate-se com luvas de pelica, coma uma dieta saudável, beba muita água pura, durma quando você estiver cansado, pratique exercícios conscientes tais como yoga, Tai Chi e Qigong, medicina de energia também pode ajudar a aliviar a gravidade e duração dos sintomas, acima de tudo nunca se esqueça, você é um filho precioso do divino.

! -- Awakening Time -- !

ADVERTÊNCIA


Não siga a diante deste ponto se você não quiser entrar em conflito com suas crenças,
valores e éticas dogmáticas.


Aprisionados numa espécie de Quantum Mental, estaremos deixando essa realidade nos dominar?

Talvez tanta informação sirva para conhecer as regras do jogo para posteriormente derrubá-las.

Leia aqui sobre o que é a Matrix e como transcender o ego (original em inglês).

O acesso a ciência e a difusão do conhecimento via rede - conexão entre as pessoas - poderá um dia nos libertar da arquitetura hierarquizada nefasta que ainda prevalece, aprisionando corações e mentes na trilha, no rumo ou na linha das regras desse jogo sujo, mantendo inalteradas - desde tempos imemoriais - as baixas vibrações energéticas. Capturando nossas fontes de energia mentais, motoras e sensitivas, similarmente como o efeito neste experimento de super condutores aprisionados em um campo magnético induzido. Talvez seja a hora de apropriar-se de tamanho conhecimento proporcionado pela conectividade em nosso tempo para quebrar os elos enferrujados que ainda insistem em manter as pessoas em seus devidos lugares.
O autor deseja muito que seja este o momento ideal para evoluir e elevar a vibração neste mundo em transformação.
Quantum Levitation Demonstration 
Quantum superconductors locked in a magnetic field as demonstrated by Tel-Aviv University at The Maryland Science Center in Baltimore, MD - October, 2011.Video by The Association of Science-Technology Centers (ASTC). Nassim Haramein • The connected universe • The Resonance Project  • Quantum World: Awaken Your Mind • Quantum Physics • Quantum University. Posted by The Resonance Project on Terça, 20 de outubro de 2015

The solar system's relative motion through space
Many years ago, Nassim Haramein directed animators to create a simple animation to illustrate the approximate relative motions of the solar system as being heliocentric. Years later, as animation technology improved, more accurate and higher-definition animations have been created. Nassim Haramein • The connected universe • The Resonance Project - Traduction Française • The Resonance Project - Página Oficial Hispana • Jamie Janover • Cosmometry
Posted by The Resonance Project on Domingo, 18 de outubro de 2015

Ciência, Informação e Poder

Quais são as relações entre estes entes culturais com a manipulação dos desejos humanos?
Quando ficção e realidade se unem dentro da condição mental do indivíduo.
O vídeo a seguir explica de forma simples como atua a manipulação de massa na engenharia moderna da dominação, via controle total do que chamamos 'realidade' ( audiobook em inglês)

Nesta lição as origens da corrupção humana é investigada através da percepção distorcida da realidade, o indivíduo pode desenvolver hábitos que podem corromper sua existência durante suas experiências na vida.



Quais as relações entre magia, arte e a cultura?

ADVERTÊNCIA

"Recentemente tenho lido das principais cabeças da física quântica que creem que a "informação é uma substância super estranha"; e que essa substância subjaz em todo universo...".

Aproveite a oportunidade e veja o
DOCUMENTÁRIO COMPLETO ALAN MOORE
(0:58 Citação substância super estranha)


Reino Espiritual

"...Que é mais fundamental do que a gravidade ou o eletro magnetismo,
ou as duas forças nucleares Assim, tendo a sugerir que todo nosso universo físico é o subproduto da informação primordial".


"No princípio havia o verbo"

A perturbadora criação de Serpieri - Druuna de 1985

ADVERTÊNCIA

Conteúdo inapropriado para crianças sem educação não formal, oníricas, imagens estimulantes e raciocínios críticos sobre racismo, etnicidade, gênero, sexualidade, movimentos religiosos e sociais e conflitos de classes.

Excertos a partir do documentário biográfico de Alan Moore,
famoso escritor do HQ Watchmen entre outros.






Categories: Documentary, Biography, Arts and Culture Alan Moore writer, artist and performer is the world's most critically acclaimed and widely admired creator of comic books and graphic novels.
In THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE we see a portrait of the artist as contemporary shaman, someone with the power to transform consciousness by means of manipulating language, symbols and images. The film leads the audience through Moore's world with the writer himself as guide, beginning with his childhood background, following the evolution of his career as he transformed the comics medium, through to his immersion in a magical worldview where science, spirituality and society are part of the same universe. 


Para quem se interessar mais sobre o mago dos quadrinhos, leia o recente artigo publicado no The Guardian sobre a cultura catastrófica dos super heróis em nossa era, tornando-se "uma distração perigosa", contribuindo para sua visão de que a informação em nossa sociedade está sendo pulverizada em ritmo colapsador iminente. Vale a pena ler a opinião dos leitores do jornal e dos seguidores de Moore.

Outra parte interessante do universo Mooriano é aquele em que se trata do universo sexual e a questão do gênero e - se você ficou curioso sobre essa moça chamada Druuna lá em cima - pode se deliciar com um artigo muito interessante sobre a Druuna aqui
Druuna é uma pobre moça bem dotada que perambula num futuro não muito distante, onde uma doença viral transformou os seres humanos em mutantes. O espírito de porco dos humanos reina, pervertidos e covardes, a morbidez acontece neste ambiente quando a protagonista precisa se prostituir para conseguir alguns antibióticos e salvar seu querido namorado. Interessado? Na especificidade do tema cientifico sobre sua atrativa abundancia, assista a um vídeo sobre a evolução da bunda. Sim! Nós somos potência e referência mundial no assunto, e nós a amamos! 



http://www.wakingtimes.com/2014/09/27/light-side-dark-night-soul/
http://www.bodymindsoulspirit.com/what-is-the-ego-and-how-can-we-transcend-it/

http://www.wakingtimes.com/2015/10/08/what-is-matrix/
http://www.theguardian.com/books/2014/jan/21/superheroes-cultural-catastrophe-alan-moore-comics-watchmen
https://www.reddit.com/r/books/comments/3dtht2/
http://www.papodehomem.com.br/18-paolo-eleuteri-serpieri-e-porque-gostamos-tanto-de-bunda-mulheres-e-nanquim/

Read More...

Informação Conhecimento Poder

Leave a Comment

O poder da informação


Informação de qualidade gera conhecimento. Conhecimento qualificado gera poder. Poder serve para duas coisas: controlar e modificar a realidade.
Acontece que o poder dentro do atual sistema significa controle e exploração.
Informação de qualidade provoca mudança, irremediavelmente. Ora porque incomoda, ora porque favorece o empoderamento, que por sua vez permite a transformação.
Quem tem conhecimento tem poder.
E não é um poder falível ou que tem tempo determinado. Ele é repassado de geração em geração, mesmo que você não saiba, alguém sabe e, se domina-o, controla e usufrui dessa vantagem. Daí a necessidade de se compreender como se dá esse processo em nosso sistema.
Por isso vou compartilhar aqui um pedaço de um texto muito bom e esclarecedor. Boa aventura.


Informação Conhecimento Poder



Artigo 19, Declaração Universal dos Direitos Humanos


“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão; esse direito inclui a liberdade de ter opiniões sem sofrer interferência e de procurar, receber e divulgar informações e idéias por quaisquer meios, sem limite de fronteiras”.

“Conhecimento é poder”, afirmou Francis Bacon nos idos de 1605. A aceitação desta máxima implica no reconhecimento de que o acesso ao poder está diretamente relacionado
ao acesso a informações. Difundir o conhecimento significa compartilhar e democratizar o
poder. Restringi-lo, por sua vez, resulta na concentração do poder nas mãos daqueles que
detêm o acesso a informações.
Assim, o exercício prático do princípio constitucional de que “todo poder emana do povo” está condicionado ao acesso da população ao conhecimento e à informação. A noção de democracia, consagrada pela Constituição Federal brasileira, está vinculada à capacidade
dos indivíduos de participarem efetivamente do processo de tomada de decisões que
afetam suas vidas. Não existe democracia plena se a informação está concentrada nas mãos de poucos.
De fato, as instituições provedoras de conhecimento e de informação sempre caminharam
lado a lado com a idéia de democracia. A escola, a imprensa e as bibliotecas foram sustentáculos das democracias nascentes, e a ampliação de seu acesso à população resultou na consolidação e no aprofundamento da democracia.
As sociedades modernas também ratificaram um conjunto de direitos que se vinculam à
disseminação do conhecimento e da informação. São os direitos à educação, à liberdade de
expressão, de imprensa e de manifestação do pensamento e à informação.
O direito à informação é o direito de todo indivíduo de acessar informações públicas, ou
seja, informações em poder do Estado ou que sejam de interesse público. Embora a Constituição Federal brasileira proteja a liberdade de informação, o exercício deste direito no País é dificultado pela ausência de uma lei que regulamente obrigações, procedimentos e prazos para a divulgação de informações pelas instituições públicas.

Características de um verdadeiro regime de acesso


A jurisprudência internacional já deixou claro que as obrigações dos Estados, destinadas a fazer valer os direitos protegidos nos tratados de direitos humanos, englobam uma série de obrigações, tanto de cunho negativo (abster-se de), quanto positivo (tomar medidas concretas para). Entre as obrigações
positivas, os textos internacionais citam explicitamente a obrigação de adotar legislação adequada.

Princípio IV

Para ter acesso ao parecer apresentado por ONGs no caso, veja www. article19.org/pdfs/cases/inter-american-court-claude-v.-chile.pdf. Para o respectivo comunicado de imprensa, veja www.article19.org/pdfs/press/inter-american-court-a19-foi-amicus-brief.pdf.
www.justiceinitiative.org/db/resource2?res_id=103448

A necessidade de adoção de legislação de acesso à berdade de Expressão da ONU, OEA e OSCE. Tais Relatores têm se reunido anualmente para elaboração e publicação de uma Declaração Conjunta sobre diferentes temas relacionados à liberdade de expressão. Em sua declaração de 2004, eles afirmaram que:

O direito de acessar informação detidas pelas autoridades públicas é um direito humano fundamental que deve ser efetivado no nível nacional através de legislação abrangente (por exemplo, leis específicas sobre liberdade de informação), baseada na premissa da máxima abertura, estabelecendo a presunção de que toda informação é acessível, sujeita apenas a um restrito sistema de exceções.

Em 1999, a Artigo 19 preparou e publicou um grupo de princípios com o objetivo de estabelecer clara e precisamente as formas pelas quais os governos podem alcançar a abertura máxima das informações oficiais, de acordo com os melhores critérios e práticas internacionais. Os princípios foram baseados nas normas e em padrões internacionais e regionais, nas práticas estatais em desenvolvimento (legislação nacional e jurisprudência de tribunais nacionais) e nos princípios gerais de direito reconhecidos pela comunidade das nações. São o produto de um extenso processo de estudo,
análise e consultas sob a facilitação do Artigo 19 e utilizando a vasta experiência e trabalho realizado por organizações parceiras em diversos países.

PRINCÍPIO 1. MÁXIMA DIVULGAÇÃO

A legislação sobre liberdade de informação deve ser orientada pelo princípio de máxima divulgação.

PRINCÍPIO 2. OBRIGAÇÃO DE PUBLICAR

Os organismos públicos devem estar obrigados a publicar informação considerada essencial.

Organismos públicos devem, no mínimo, ter a obrigação de publicar as seguintes categorias de informação:

  • Informação sobre como o organismo público opera, incluindo custos, objetivos, contas já verificadas por peritos, normas, empreendimentos realizados, etc., particularmente nas áreas onde o organismo presta serviços diretos ao público;
  • Informações sobre quaisquer solicitações, queixas ou outras ações diretas que o cidadão possa levar a cabo contra o organismo público;
  • Orientações sobre processos por meio dos quais o cidadão possa exercer sua participação, com sugestões para propostas políticas ou legislativas;
  • O tipo de informação guardada pelo organismo e como é mantida esta informação; e
  • O conteúdo de qualquer decisão ou política que afete o público, juntamente com as razões que motivaram a decisão bem como o material relevante de análise que serviu de apoio à decisão.


PRINCÍPIO 3. PROMOÇÃO DE UM GOVERNO ABERTO

Organismos públicos devem promover
ativamente um governo aberto.

PRINCÍPIO 4. ÂMBITO LIMITADO DAS EXCEÇÕES

As exceções devem ser clara e rigorosamente desenhadas
e sujeitas a rígidas provas de “dano” e
“interesse público”.

PRINCÍPIO 5. PROCESSOS PARA FACILITAR O ACESSO

As solicitações de informação devem ser processadas
rapidamente e com imparcialidade, e uma
revisão independente de quaisquer recusas deve
estar à disposição das partes.

PRINCÍPIO 6. CUSTOS

Custos excessivos não devem impedir o cidadão
de solicitar informações.

PRINCÍPIO 7. REUNIÕES ABERTAS

Reuniões de organismos públicos
devem ser abertas ao público.

PRINCÍPIO 8. DIVULGAÇÃO TEM PRIMAZIA

As leis que são inconsistentes com o
princípio de máxima divulgação devem
ser alteradas ou revogadas.

PRINCÍPIO 9. PROTEÇÃO DE DENUNCIANTES

Indivíduos que divulguem informações sobre irregularidades
– denunciantes – devem ser protegidos.

O Brasil e o Acesso à Informação


O Brasil tem tomado diversas medidas esparsas que visam ao aprimoramento da transparência administrativa, como, por exemplo, a criação de websites que disponibilizam informações sobre contas públicas e processos legislativos, a criação de comissões de combate à corrupção e o desenvolvimento de programas informativos destinados ao público em geral. Estas iniciativas, no entanto, não são suficientes e devem ser fortalecidas pelo estabelecimento de um verdadeiro regime de acesso à informação. O acesso a informações em poder do Estado não pode ser encarado como boa prática
administrativa ou ação progressiva desta ou daquela administração. Ele deve ser compreendido, tanto pelos funcionários e agentes do Estado como pela população em geral, como um direito fundamental do cidadão. Essa visão exige uma política pública clara para o setor, política esta que pode ser lançada com a aprovação de uma lei de acesso aplicável a todos os órgãos de governo, em todas as suas instâncias.
O direito de acesso à informação está previsto no inciso XXXIII, do artigo 5º. na Constituição Federal, mas ainda não foi regulamentado. Existe hoje um projeto de lei sobre o tema parado no Congresso Nacional, aguardando análise pelo plenário, desde 2003. Um novo pré projeto de lei também está em elaboração no Executivo e deve ser apresentado ao Congresso, em 2009.
É necessário que atores da sociedade civil se mobilizem para debater o conteúdo destas propostas e sua
adequação aos padrões internacionais. Existem já hoje inúmeras experiências sobre as quais podemos nos debruçar para discutir sucessos e desafios daqueles que prática o direito à informação.

Paula Martins é advogada mestre em direitos humanos e coordena o escritório brasileiro da ARTIGO 19.

Razões do atraso brasileiro


Diante desse quase consenso no mundo desenvolvido, cabe uma pergunta: por que no Brasil não se formou uma massa crítica a favor do direito de acesso a informações logo depois do retorno do país à democracia, em 1985.
Passaram-se mais de vinte anos e o tema “acesso a informações” ainda não faz parte da agenda nacional. Pior ainda, viceja entre algumas autoridades brasileiras uma atitude próxima do auto-engano. Muitos acreditam que a Constituição já garante esse direito – quando se sabe que o inciso 33 do artigo 5º é apenas um falso brilhante, quase uma letra morta por falta de regulamentação.
É comum ouvir que um dos grandes obstáculos para haver uma lei brasileira é a liberação inexpugnável da nossa história seria composta pela Guerra do Paraguai, pelo processo de demarcação das fronteiras internacionais e pela ditadura militar (1964-1985).
Essa é uma explicação possível, ouvida rotineiramente nos corredores do poder em Brasília. Mas, nas últimas duas décadas de democracia, o cenário se tornou mais sofisticado. Não são apenas traficâncias e vergonhas do passado as preocupações de governantes. Se assim o fosse, nada impediria o Executivo e o Legislativo de chegarem a um acordo para aprovar uma lei de acesso a informações públicas, tratando do presente e do futuro – o que não seria uma solução completa, muito pelo contrário, mas certamente removeria o país do estado catatônico em termos de direito de acesso.

As 21 entidades que compõem o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, criado em 2003, defendem de maneira enfática e completa a abertura dos arquivos. Não há como relativizar nessa área.

A sociedade da informação


O acirramento dos conflitos bélicos, a ampliação dos limites à proliferação de armas nucleares, os conflitos ideológicos que marcaram o século XX e o medo dos “estragos” que uma política ampla de transparência poderia causar ao poder dominante levaram até mesmo democracias consolidadas a garantir liberdades clássicas (como a liberdade de expressão e de imprensa) mas postergar a criação de um sistema coeso de acesso à informação pública.
A abertura de segredos militares e a “transparência excessiva” poderiam ser corrosivas para os governantes de turno, ainda que salutares para cidadãos e cidadãs.
Felizmente, uma série de mudanças ocorridas no mundo, nas duas últimas décadas, contribuiu para a aceitação crescente do direito de acesso a informações.
A transição de diversos países para a democracia é um desses fatores.
Simultaneamente, o progresso nas tecnologias de informação mudou a forma pela qual as sociedades usam a informação e se relacionam com ela.
O avanço dessas tecnologias aumentou a capacidade de a população fiscalizar o poder público e participar dos processos de tomada de decisão. Com isso, a informação se tornou ainda mais importante para os cidadãos. O resultado foi o aumento na demanda pelo respeito do direito de acesso à informação.

MENDEL, Toby. Freedom of Information: A Comparative Legal Survey. 2ª.edição. Paris: UNESCO, 2008, p. 4.

Em 1990, somente 13 países haviam adotado leis nacionais relacionadas ao tema. Em 2008, mais de 70 países já têm leis de acesso à informação5. Numa era na qual a informação adquire um papel definidor da própria essência dos tempos em que vivemos, não faz sentido que algumas nações se omitam na garantia definitiva de tal direito, como ainda ocorre no Brasil.

Como dito anteriormente, esta publicação é fruto das discussões do seminário Controle Social das Políticas Públicas e Acesso à Informação: Elementos Inseparáveis, co-organizado pela ANDI e pela Artigo 19. Os capítulos que seguem respeitam a forma em que o seminário foi estruturado.
O primeiro capítulo trata da importância das leis de acesso à informação e apresenta o marco regulatório brasileiro nesse campo. O segundo capítulo debate a capacidade de o Estado fornecer informações. O Capítulo 3 discute a importância do acesso à informação para a sociedade civil organizada, o Legislativo e o Ministério Público. O volume se encerra com uma reflexão sobre as relações da imprensa com a ampla garantia do acesso à informação.

A mensagem central é de que o almejado controle das autoridades públicas e de suas decisões só pode ocorrer efetivamente com a garantia concreta do direito de acesso às informações públicas.

A sufocante passagem de O Processo, do escritor checo Franz Kafka, é um dos diálogos travados pelo personagem central do livro, Josef K., na torturante busca por compreender as razões pelas quais está sendo processado por um Estado Nacional.
De forma dramática, ela representa como a tentativa frustrada de acesso a informações que deveriam ser públicas pode ter conseqüências da maior gravidade para o cidadão ou a cidadã. Não raro, os porteiros da informação são o fiel da balança entre o alcance de pleitos legítimos da cidadania e o seu malogro.

A longa espera de um cidadão ou cidadã pela decisão quanto a um processo seu no INSS ou na justiça; a incansável busca pelos familiares de desaparecidos durante o regime militar por informações quanto aos seus entes queridos; a necessidade de compreender por que um pedido essencial foi recusado por um órgão público; as tentativas sucessivas de se obter uma informação qualquer junto a uma concessionária de serviço público; o anseio de acionistas em entender as circunstâncias de uma decisão dos executivos de uma empresa; e tantas outras situações, com muita freqüência, aproximam-se do interminável labirinto kafkiano ilustrativo da busca frustrada de uma informação específica.
Institucionalizar instrumentos para o acesso a informações é a forma encontrada pelas democracias para impedir que os “porteiros da informação”, em um claro abuso de poder, desrespeitem um direito
fundamental de todos os indivíduos, reconhecido e consagrado por diversos instrumentos internacionais de direitos humanos: o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o artigo 19 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, o artigo 13 da Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos, o artigo 9 da Carta Africana sobre os Direitos Humanos e dos Povos e o artigo 10 da Convenção Européia sobre Direitos Humanos.
Cada um deles reconhece o acesso a informações públicas como direito humano fundamental.

“Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde. ‘É possível, mas agora não’. Uma vez que a porta da lei  continua como sempre aberta, e o porteiro se posta ao lado, o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso, o porteiro ri e diz: ‘Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição.
Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala, porém, existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a visão do terceiro’. O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casaco de pele, o grande nariz pontudo e a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta. Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido, e cansa o porteiro com seus pedidos.
Muitas vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que costumam fazer os grandes senhores, e no final repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que se havia equipado bem para a viagem, lança mão de tudo para subornar o porteiro. Este aceita tudo, mas sempre dizendo: ‘Eu só aceito para você não achar que deixou de fazer alguma coisa’. Durante todos esses anos, o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos, amaldiçoa em voz alta o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo. Torna-se infantil, e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião. Finalmente, sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está escurecendo em volta ou se apenas os olhos o enganam. Contudo, agora reconhece no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se até ele. ‘O que você ainda quer saber?’, pergunta o porteiro, ‘você é insaciável’. ‘Todos aspiram à lei’, diz o homem, ‘como explicar que, em tantos anos, ninguém além de mim pediu para entrar?’ O porteiro percebe que o homem já está no fim, e para ainda alcançar sua audição em declínio, ele berra: ‘Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a”.

KAFKA, Franz – O processo. Tradução de Modesto Carone. 2ª. Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1989, pp. 230-232.

Relevância do acesso à
informação: perspectiva individual


As múltiplas relações sociais que caracterizam a vida em uma sociedade democrática são marcadas por
um elemento fundamental: a necessidade de o indivíduo fazer escolhas.
Essas escolhas serão tão mais próximas do ponto ótimo almejado pelo indivíduo quanto mais informações ele ou ela detiver sobre as opções, os caminhos, as alternativas e as possibilidades disponíveis. O pressuposto desta idéia é que a tomada de decisões bem informadas beneficiará o indivíduo, enquanto decisões tomadas no escuro serão prejudiciais.

Os mais diferentes níveis de escolha na vida cotidiana estão relacionados ao acesso à informação
– desde a simples compra de um produto em um supermercado, até a decisão de votar neste ou naquele
candidato à Presidência da República. No exercício da democracia, em que o processo eleitoral é parte fundamental do regime, mecanismos institucionais devem possibilitar que o eleitorado tome decisões bem informadas. Estes mecanismos estão vinculados à oferta do maior volume possível de informações. No Brasil, por exemplo, criou-se a ferramenta conhecida como Horário Eleitoral Gratuito que permite aos candidatos expor suas idéias ao eleitorado por meio das empresas de radiodifusão.

No mundo das relações privadas, a exigência, por exemplo, de que produtos que contenham elementos
transgênicos explicitem isto ao consumidor é uma forma de garantir uma escolha informada por parte do indivíduo, já que ele pode desejar ou rejeitar consumir esse tipo de substância.
Além de permitir a realização de escolhas mais qualificadas, o acesso à informação é central, ainda
na perspectiva individual, para a consecução de um conjunto de direitos.
Em outras palavras, o acesso à informação é um direito que antecede outros.
Uma família que tenha um filho com deficiência somente terá condições de exigir o direito de matricular
a criança em uma escola regular, caso tenha tido acesso prévio à informação de que toda criança, independentemente de quaisquer características individuais, tem o direito de matrícula em uma escola da rede regular de ensino. O mesmo poderíamos dizer sobre o acesso a medicamentos de distribuição gratuita, a benefícios previdenciários, entre outros exemplos.

Relevância do acesso à
informação: perspectiva coletiva


Além de ser um direito de todo e qualquer indivíduo, o acesso à informação é um direito difuso, ou seja, que pertence à coletividade. Isso porque o acesso amplo a informações públicas resulta em ganhos para a comunidade de maneira geral.
Conhecer as informações em poder do Estado permite o monitoramento da tomada de decisões pelos governantes – que afetam a vida em sociedade. O controle social mais atento dificulta o abuso de poder e a implementação de políticas baseadas em motivações privadas.

Ao mesmo tempo, decisões de políticas públicas tomadas com base em informações amplas e de qualidade terão resultados mais eficientes. Um governante não pode tomar uma decisão adequada sobre a alocação de recursos na área de segurança pública, por exemplo, se não tem disponíveis informações de qualidade sobre a ocorrência de crimes em uma região.
Ao direito do indivíduo de acessar informações públicas contrapõe-se o dever de os atores públicos divulgarem informações e serem transparentes. O cumprimento desse dever contribui para aumentar a eficiência do poder público, diminuir a corrupção e elevar a accountability.

Mundo real e suas complexidades


Com o crescimento exponencial da população mundial, diversos elementos da vida em sociedade passaram a ser executados por intermediários ou representantes. Não é possível que todos participem
da gestão de um país, da mesma forma como não podemos sobreviver a partir de trocas comerciais feitas exclusivamente com pessoas conhecidas.
A todo momento, delegamos ações importantes e até mesmo centrais para nossa vida a terceiros. Delegamos aos representantes eleitos o governo da cidade, do estado e do país. Delegamos aos professores a educação de nossos filhos e filhas. Delegamos ao mecânico o conserto de nosso veículo.


Esse processo de delegação gera inevitavelmente uma diferenciação entre os indivíduos: a especialização. E a especialização gera, por sua vez, assimetria de informações. Quando os pais delegam a educação de seus filhos e filhas a uma instituição educacional, eles passam a ter menos informações do que a instituição sobre o andamento do processo educacional da criança, mesmo sem perder o poder originário de decidir sobre a educação dos seus filhos.

Quando elegemos um prefeito, novamente entramos em um processo de assimetria brutal de informações. Considere o exemplo de um chefe do Executivo municipal que foi eleito com a plataforma de construir três novas escolas. Uma vez conduzido ao cargo, o governante vem a público salientar que, infelizmente, os recursos da prefeitura são insuficientes para cumprir a promessa. No entanto, o eleitorado não dispõe das mesmas informações que o Executivo para verificar a validade da informação.

Existem duas formas não excludentes de reduzir os riscos e custos associados às assimetrias de
informação que caracterizam as nossas sociedades: o aprofundamento das relações de confiança e o estabelecimento de mecanismos institucionais de acesso às informações detidas pelos agentes especializados.
Por uma série de razões – afetivas, por exemplo –, um eleitor pode confiar no esclarecimento prestado
pelo prefeito mencionado acima, independentemente do acesso às informações que comprovem as causas apresentadas para a não- construção das escolas.
Porém, as relações de confiança – que podem e devem ser fortalecidas – não são suficientes para o
alcance de escolhas de qualidade e para a efetivação de outros direitos. É preciso, portanto, que o direito de acesso à informação seja garantido na prática. O primeiro passo para isso é a construção de marcos regulatórios concretos que possibilitem a consecução deste direito.

QUEM SOMOS


A ARTIGO 19 trabalha para que todos e todas, em qualquer lugar, possam se expressar de forma livre, acessar informação e desfrutar de liberdade de imprensa. Nós compreendemos a liberdade de expressão como três coisas:


1. Liberdade de expressão é o direito de se pronunciar


É o direito de expressar opiniões políticas, culturais, sociais e econômicas
É o direito ao dissenso
É o que dá sentido à democracia eleitoral e credibilidade pública à administração

2. Liberdade de expressão é a liberdade de imprensa


É o direito de uma mídia livre e independente para reportar sem medo, interferência, perseguição ou discriminação
É o direito de fornecer conhecimento, dando voz aos marginalizados e denunciando a corrupção- é o que cria um ambiente no qual as pessoas se sintam seguras para questionar a ação do governo e favorecer o controle social do poder

3. Liberdade de expressão é o direito a saber

É o direito de acessar toda mídia, internet, arte, artigos acadêmicos e informação mantida pelo governo
É o direito de demandar direitos à saúde, a um meio ambiente saudável, à verdade e à justiça
É o que mantém governos responsáveis e cumpridores de suas promessas, obrigações e ações, o que previne a corrupção, que prospera com o sigilo

fontes:
http://artigo19.org/?p=2072
http://artigo19.org/wp-content/uploads/2014/02/PROTESTOFINALFINAL.jpg
http://artigo19.org/wp-content/uploads/2014/02/PROTESTOFINALFINAL2.jpg

Acesso à informação e controle social das políticas públicas; coordenado por Guilherme Canela e Solano Nascimento . Brasília, DF : ANDI ; Artigo 19, 2009.
132 p.

Palavras chave: Direitos Humanos, Acesso à informação, Controle social, Políticas públicas.

Mais referencias
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/sociedades-secretas-brasil-lado-oculto-poder-806578.shtml
Read More...

_hedonism_taken_serious

by The Hedonist Cover Art: "Portrait of Sun Ra", oil on canvas by Paul David Elsen

World_cloud

banner

Louco ou criativo, depende de que lado voce está.
Inovador ou bizarro, ousado ou abusado, diferente ou excêntrico, qual sua imagem?

Sponsors

googlebrothers in art mutimedianikon assure successfujifilm sponsor


partner parceria sebrae

partner parceria afiliados Kombinacao%20Sound%26Entertainment%20-%20CajonSalvador%20-%20EsculaxocomxQuantcast