Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Manual do sobrevivente em caso de estupro mental desvios de caráter e ego zoides no mundo torpe

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Manual do Sobrevivente Moral

Em situações de desvios de caráter
Personalidades egozóides
Mundos deturpados
Ambientes de pressão e repressão
Direitos cerciados, censura à liberdade de expressão


Nossos currículos omitem frequentemente o treinamento para o lobby como também omitem qualquer dose teórica de discussão sobre Ciência Política. Esta omissão não é involuntária, mas constitui uma repressão vitoriana que corre em nosso sangue desde o século XIX. A política é tida como coisa suja, a representação de interesses é vista como um assunto publicamente inconveniente. Essa repressão vitoriana conduz o assunto para o submundo não-oficializado, onde então vale tudo, onde, no esterco e na escuridão, vegeta essa planta autoritária que está escondida em todos nós, pronta para florescer as flores do Mal.

Vamos à definição

Lobby é a ação de influenciar sobre o tomador de decisão na esfera do poder público. A atuação persuasora sobre o poder público. O esforço para influenciar, a tentativa de, a ação para. Por extensão, pode-se chamar de lobby também o grupo de pessoas que exerce essa influência, ou o mecanismo de pressão ou de representação junto ao poder público. A esse último, os franceses chamam de "groupes de pression" e os norte-americanos de "interest groups".

Lobby deve ser distinguido de relações públicas, porque não se trata apenas de uma comunicação social com diversos públicos, mas de uma ação específica visando obter um resultado concreto.
A comunicação social tem por objeto os públicos, o lobby tem como objeto a "tomada de decisão". Relações públicas pode preparar as bases constituintes do poder, esclarecer, persuadir, mas a culminação de uma campanha de opinião é obtida por um momento específico em que se encontra o interesse e a autoridade.

Da mesma forma, a ação comercial ou de venda não pode ser confundida com a de lobby.
O marketing tem por objeto o comprador, cliente, o consumidor, enquanto o lobby (novamente) tem por objeto o poder decisório. Mesmo nas empreiteiras e fornecedoras de governo, onde o tomador de decisão política pode coincidir com o comprador, há o cuidado de distinguir em funções diferentes as duas atividades.

Cabe ainda lembrar que o lobby não é uma profissão e nem poderá ser (mesmo sendo exercido em sua grande maioria por profissionais de relações públicas), dado que o ato de influenciar pode vir a ser exercido por pessoa ou grupo de qualquer agremiação profissional. Não posso imaginar um lobista portador de carteirinha profissional. O fato de o lobby não ser uma profissão não impede que seja registrado, protocolado, classificado para efeito de controle social e de estabelecimento de uma ética própria.

Desta forma, não existe lobby junto à opinião pública, como não existe lobby junto à imprensa.
O lobby, como consumação última de uma campanha de opinião pública, é o beneficiário de relações públicas. Fazer lobby também não deve ser visto como competência exclusiva da recentemente regulamentada profissão de relações públicas.

O lobby é

sempre pejorativo quando outros são beneficiados; quando somos nós os beneficiados, não se usa a expressão. Os democratas norte-americanos usam a expressão contra grupos econômicos vinculados ao Partido Republicano: neste sentido, o lobby das petroleiras.

Saindo fora do debate semântico, fazem lobby todos os grupos da sociedade, todas as pessoas físicas e jurídicas, os grupos de interesses, representantes de ideologias de direita e de esquerda. O lobby não é departamentalizado dentro da estrutura da empresa. Fazem lobby em tempo parcial todos os executivos, desde o presidente do conselho até o engenheiro de obras.
Fazem lobby em tempo integral geralmente uma ou mais pessoas localizadas em diretorias ou assessorias a nível de presidência. Essa "assessoria política", ao mesmo tempo, esclarece a diretoria, planeja a ação e articula os contatos.

O lobby mais comum é o individual, de uma empresa ou de um grupo econômico;
mas ele atinge a sua forma mais complexa quando atua coletivamente através de grupos de pressão, associações de classe, consórcios, sindicatos, sociedades civis, clubes de diretores, associações comerciais ou federações de indústria.

É evidente que o lobby, transformado em instrumento do poder econômico, torna se nocivo, precisando ser regulamentado e controlado pelo poder público. Mas ele não é necessariamente um instrumento prejudicial à sociedade aberta e à representação democrática. A representação dos interesses tanto se pode fazer através das urnas, como através dos grupos de interesse. Nota-se a sua presença nas sociedades mais formalmente democráticas, como uma alternativa de eficácia mais rápida e segura.

A imagem é contundente dos conflitos de interesses que muitas vezes explodem no espaço público. Pode acontecer em qualquer esquina, em qualquer tempo, porém dificilmente conheceremos cara a cara quem são os agentes que provocam ou disparam as forças de pressão sobre os interesses da sociedade.

PERFIL DO LOBBYIST

  1. Conhecimento de Governo.
  2. Cultura Geral.
  3. Conhecimento Jurídico.
  4. Senso Comercial.
  5. Discrição/Confidencialidade.
  6. Tato Político.
  7. Postura.
  8. Conhecimento do Produto.
  9. Integridade Ética.

COMO MONTAR UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE O AMBIENTE EXTERNO


Regras Básicas:
  • 1. A informação é fundamental.
    Conhecer o ambiente sobre o qual se vai trabalhar.
  • 2. Evitar identificação político-partidária da empresa.
  • 3. Evitar "figurões" para a direção das relações externas. Procurar profissionais.
  • 4. Trabalhar no curto e no longo prazo.
  • 5. Evitar pontos de conflito entre a empresa e o meio ambiente.
  • 6. Identificar variáveis futuras. Ter canais próprios para identificar metas do governo.
  • 7. Análise da estrutura econômica, política e social.
  • 8. A imprensa é um material básico de trabalho.

LEITURA CRÍTICA DA IMPRENSA

  1. Destrinchar a notícia. Identificar sua origem. Foi "press-release"? Quem distribuiu? Quem está pagando?
  2. Análise comparativa de vários jornais. Identificar pontos comuns (estruturas de frases repetidas) em vários jornais, que possam fornecer pista para a origem da notícia.
  3. Analisar o balanço dos veículos. Conhecer o endividamento dos periódicos. Dívida em dólar ou real? Com que banco?
  4. Analisar a carteira de anunciantes. De quem o jornal depende?
  5. Interesses ostensivos do veículo.
  6. Conhecer os interesses não-explícitos. Perfil do proprietário e dos jornalistas.
  7. Analisar notícias em nível nacional. Às vezes a notícia surge em outras praças.
  8. Acompanhar o perfil das autoridades. A sua política, os seus pronunciamentos, os seus interesses.
  9. Procurar o "off" em contatos informais com os jornalistas.
  10. Compreender como um jornalista produz a notícia.


    Combinar análises econômico-políticas mais profundas (cenários semestrais) com contatos para análise conjuntural mais frequentes (relatórios de conjuntura) cada 15 dias. Almoços com jornalistas.



PLANO DE LOBBY

Metodologia de trabalho

I. DEFINIÇÃO DO OBJETO DO LOBBY

  1. O que queremos? Qual é o nosso pleito?
  2. É legal?
  3. É moral?
  4. Coincide com a causa pública ou com o interesse da sociedade?
  5. Coincide com o "discurso" ou ideologia do governo?
  6. Qual é o nosso poder político de barganha?
  7. Qual o atrativo (político, ideológico, econômico, eleitoral) que nosso pleito apresenta?
  8. Qual é a imagem política de nossa empresa? Temos contencioso social/político?
  9. Quais os nossos pontos fortes e pontos fracos? (LISTAR)
  10. Qual é o poder de barganha de nossos possíveis aliados?

II. MONTAGEM DA ESTRATÉGIA

  1. Identificação dos interesses ou pleitos. Definição do projeto. O QUÊ
  2. Localização das áreas que decidem no governo. Definição dos segmentos do ambiente político. ONDE
  3. Identificação de oportunidades e ameaças no ambiente. ONDE
  4. Identificação dos atores e aliados. QUEM
  5. Identificação dos oponentes e/ou interesses contrários. QUEM
  6. Determinação do momento oportuno para a ação. QUANDO
  7. Elaboração do orçamento de investimentos na campanha ou no projeto. QUANTO
  8. Definição da "lógica dos acontecimentos" da sequência e das etapas da campanha. COMO

III. INICIAR A COALIZÃO

  1. Identificação dos atores principais (poder decisor. aliados. oponentes).
  2. Identificação dos segmentos favoráveis e desfavoráveis do ambiente.
  3. Análise do nosso poder de barganha.
  4. Avaliação do poder de barganha de nossos aliados.
  5. Seleção de aliados.
  6. Negociação com os aliados.
  7. Identificação dos oponentes.
  8. Avaliação do poder de barganha dos oponentes.
  9. Formulação de estratégias ofensivas e defensivas.
  10. Antecipação de contra-respostas dos oponentes.
  11.  Negociação com os oponentes.
  12. Consolidação da coalizão.

IV. DESENVOLVER A CAMPANHA ("PUBLlCIZING")

  1. Definição do projeto. Elaboração do documento básico.
  2. Preparo interno da empresa.
  3. Formação do grupo de pressão: entidade de classe, fundação, grupo de opinião, assessorias de comunicação social, assessorias especiais.
  4. Escolha dos instrumentos de comunicação social: imprensa, relações públicas, carta a congressistas, busca de aliados dentro do governo, visitas à empresa. etc.
  5. Escolha e treinamento dos agentes.
  6. Redação e divulgação dos documentos. "press-releases" e "mailing lists".
  7. Iniciar a campanha: levar a questão ao público. Escolher o momento certo.
  8. Criar uma atitude favorável por parte da opinião pública.
  9. Escolher o momento certo e trabalhar as áreas decisórias do governo individualmente ou em grupo. Negociar.
  10. Participar de comissões de assessoramento dos legisladores.
  11. Fechar a questão. Concluir a negociação.

V. ESTRUTURA DO LOBBY

  1. Definição de responsabilidades e autoridade.
    Distribuição dos "papéis".
  2. Identificar os executivos que atuarão na campanha.
    Áreas internas da empresa envolvidas na discussão do problema.
  3. Definir o orçamento de cada projeto.
  4. Contratar assessoria individual externa.
    Contratar os agentes do lobby.
  5. Contratar empresas especializadas em comunicação social para apoio de campanha e facilitação de contratos.
  6. Organizar os recursos internos: instalações. secretaria, "mailing list", material promocional, folheteira, banco de dados, assessoria técnica de produto, sistemas de informações, comunicações e correspondências.
  7. Treinar as pessoas envolvidas.
  8. Definir com o presidente da empresa a sua participação pessoal.


Problema Moral do "LOBBY"

PRIMEIRO

O debate das relações entre o poder e os diversos grupos de pressão ou lobbies traz, freqüentemente, o tema da moralidade e da corrupção. 
Este ensaio procura enfocar um pequeno aspecto, dentro da imensidão dos problemas dessa área. Ao percorrer a sua extensão, conclui-se que a questão está longe de ser encerrada. Por falta talvez de maior debate e amadurecimento por parte dos próprios dirigentes, as pessoas envolvidas sentem-se desconfortáveis ou com má consciência ao abordar o assunto.

A questão da propina no lobby levanta mais perguntas do que respostas: 

É possível julgar moralmente o comportamento político?
Há maior anomalia no tráfico político brasileiro do que em outros países?
Um "Estado de Exceção" produz um ambiente moral melhor ou pior do que o de outros sistemas abertos?
O capitalismo selvagem é mais corruptor do que o comunismo?
A pressão pela sobrevivência durante a recessão aumenta as práticas de corrupção?
Quem é o corruptor: quem pressiona para obter um favor ou quem o dá em troca de um ganho pecuniário?
É possível julgar moralmente quem dá uma propina?
Você daria propina para salvar uma vida?

Em maior ou menor escala, o comportamento político usa as paixões humanas e nisso está o seu potencial de provocar juízos morais
As relações de poder são relações de troca. De um lado, alguém recebe apoio ou sustentação; de outro, os
contribuintes esperam algo em câmbio. Em toda relação de poder existe o tráfico de influência: quem recebe apoio dá algo em troca para manter as bases de apoio.
Mesmo o presidente de uma empresa, acionista controlador que seja, sabe que deve fazer concessões em troca de apoio de determinados acionistas ou diretores.
É, pois, ingênuo supor que o comportamento político esteja na esfera do ideal. Quem vota favorece alguém; o votado deve corresponder às expectativas e interesses de seus constituintes até um ponto que ele considere razoável. Do sistema representativo, o tráfico político estende a sua asa sobre quase todas as esferas da ação do poder, chegando finalmente até a instância que estamos abordando. ou seja, o tráfico de influências nas atividades comerciais.
Esse tráfico político, que poderíamos considerar teoricamente normal, deve ser delimitado por princípios da Razão Moral superior. a respeito às leis e aos direitos humanos, o bem comum, o interesse público, a segurança nacional. Porém, já dizia Maquiavel que os interesses têm raízes mais profundas do que as convicções. 
Dada a grande pressão dos interesses humanos, o comportamento político precisa ser controlado e posto a descoberto para que os instrumentos da sociedade possam exercer o seu controle. 
Há momentos em que a sociedade civil se torna delinqüente, como dramaticamente descreve William Golding em O Senhor das Moscas. Momentos esses em que se pode até pôr em dúvida a capacidade da própria sociedade civil de vigiar os seus próprios atos, como no caso das sociedades totalitárias, as sociedades fascistas ou nazistas, por exemplo.
Teoricamente, uma sociedade aberta favorece mais o controle do comportamento político do que uma sociedade totalitária ou autoritária, ou uma sociedade revolucionária no seu período de "terror". Porém, o julgamento moral torna-se difícil numa comparação forçada entre uma sociedade autoritária do tipo "despotismo esclarecido" de Frederico II, na Prússia, e uma sociedade aberta, porém revolucionária, como o da Revolução Francesa. Qual delas foi mais delinquente em seu comportamento político?

Uma coisa têm as sociedades fechadas em comum: elas tranquilizam mais um observador ingênuo beneficiário da situação. Não apresentam "escândalos". O comportamento dos dirigentes e dos grupos de pressão é cercado de uma ideologia oficial que os "santifica". Em contraposição, a sociedade aberta, com o escrutínio dos órgãos de informação pública, apresenta na superfície a intranquilidade que caracteriza o jogo aberto dos interesses, o eriçamento das contradições e conflitos, a massificação das paixões. O bom burguês é levado ao cotidiano escândalo moral da sociedade aberta.
A entrada para a era da "abertura" brasileira deve, sem dúvida, ter despertado em muitos brasileiros a visão de uma sociedade em conflito, onde as tensões se apresentam em campo aberto, onde o desacordo é expresso até com violência, onde cada grupo e cada minoria se acha no dever de vir lutar pelos seus interesses à luz do dia. A violência cotidiana dessa expressão dos interesses e desacordos é que põe algumas pessoas em sobressalto. 
É preciso ter humildade e esperança para aceitar que esse livre jogo das expressões venha a produzir uma sabedoria coletiva. Às vezes, é esperar demais supor que se chegue a soluções sábias. A democracia, já dizia Churchill, é o menos mau de todos os regimes.

SEGUNDO

Outra questão é a dificuldade de julgar a moralidade das ações dos outros. 
No folclore popular, sempre que os outros estão ganhando nós estamos sendo roubados.
A autoridade é sempre corrupta quando os favorecidos não somos nós.
O julgamento moral em política é quase impossível no momento em que a ação decorre. Julgar se um agente usou os meios apropriados, se não feriu o bem comum, pode ser feito a posteriori, no futuro, pelos historiadores políticos. Quando muito, podemos julgar os nossos próprios atos. Quando muito porque, mesmo aí, a psicologia freudiana nos ensinou o quanto de submerso, inconsciente e nebuloso existe em nosso próprio comportamento.

Em política, freqüentemente a moral é decorrente de uma "ética de situação" pela qual uma dada ação só pode ser julgada dentro de coordenadas ad hoc do aqui e do agora, dentro de um contexto concreto que pode justificar ou não a moralidade.
Devem existir "princípios eternos" superiores, como, por exemplo, o respeito pela vida, mas o comportamento político cotidiano está às voltas com problemas mais comezinhos, como: fazer concessões, vender-se ou não, dar ou receber propinas, exercer coerção sobre pessoas utilizando a influência de seus superiores, amedrontar, etc.
O esforço para moralizar uma determinada época consiste em estabelecer as "regras do jogo", os "códigos de ética", criar dispositivos de controle ou de divulgação.
Apesar de todo esforço que deve continuar sendo feito, assim mesmo resulta difícil julgar moralmente as outras pessoas. Só podemos julgar moralmente a nós mesmos.


TERCEIRO


Após Watergate, muitas empresas norte-americanas, apanhadas no escândalo das propinas políticas, e até algumas tendo os seus dirigentes condenados criminalmente, viram-se às voltas com a necessidade de uma moralização das práticas comerciais. Algumas filiais brasileiras de multinacionais têm, até hoje, a prática de exigir de seus diretores e gerentes a assinatura de um compromisso anual de não exercer nenhuma pressão sobre funcionários governamentais que possa ser classificada como coerção, extorsão ou corrupção. Algumas empresas controlam rigorosamente, através de "Políticas de Dar e Receber Presentes", a troca de favores entre diretores e figuras no poder público.

No processo de "abertura", a própria sociedade brasileira está se tornando consciente da necessidade de ampliar os controles. Sabe-se que a própria "comunidade de informações" está voltada, hoje, para o acompanhamento de situações e de grupos onde se suspeita de abuso do poder econômico ou de prática de corrupção. Praticamente, todos os ministérios e secretarias de Estado estão se organizando para "auditar" e corrigir comportamentos. Essa ação de "auditoria" do poder público é sem dúvida necessária e elogiável, mas não esgota o assunto. 

É a própria sociedade civil quem deve exercer a "auditoria" sobre as suas práticas políticas.

Como não acredito no "rearmamento moral", só posso esperar que os diversos grupos que compõem a sociedade não só debatam os seus "códigos de ética", mas exerçam o controle, pondo a público as questões. Independente de qualquer imperativo religioso ou confessional, a sociedade deve exercer os seus mecanismos de consciência à luz da Razão Moral. 
Os órgãos de imprensa têm particularmente o dever de escrutinizar o comportamento político em todas as questões de interesse e bem comum. Tornar o jogo conhecido pela opinião pública. "Disclosure", ou disposição para estar aberto ou transparente, é um requisito de todos os cidadãos quando o que fazem afeta o bem comum.
A sociedade da "abertura" não tem um único centro de poder, mas vários; não tem um só partido no poder, mas vários; não tem uma só ideologia, mas varias. Conviver com esse pluralismo requer estar sendo devassado e escrutinizado diariamente. A sociedade que sobreviver à "abertura" deverá dar prioridade ao cumprimento das leis e ao respeito pelos direitos humanos, deverá, portanto, colocar no mais alto nível o imperativo moral.

QUARTO


Dar dinheiro ou bens de valor venal elevado em troca de favores políticos está muito ligado à opinião popular sobre os lobbies. Aqui entra a questão da propina nas trocas de favor.
Em Brasília, usa-se a terminologia anglo-americana para isso: "brabe", "bribery" (suborno) ou "bribing" (ato de subornar).

Eis, aqui, o resultado de minhas investigações:
  1. Algum empresários não aprovam "em nenhuma hipótese" essa prática em suas empresas, mesmo à custa de perder negócios ou reduzir a atuação em certos setores.
  2. Outros sabem que alguém nos seus escalões inferiores dá propina, mas oficialmente desconhecem a questão.
  3.  Alguns consideram que isso "faz parte das regras do jogo" e, caso necessário, aceitam a situação.
  4. Para alguns, há uma distinção entre aceitar fazer "em nome da sobrevivência da empresa" e não desejar fazê-lo em nome pessoal, como se fosse possível distinguir com nitidez a responsabilidade moral da pessoa física e da jurídica.
  5. Há quem costume classificar áreas ou setores onde a prática da propina é "condição do negócio", e outras em que não é.
  6. Outros levantam a questão de quem é o corruptor: o funcionário do governo ou seu intermediário que propõe o percentual de ganho, ou o funcionário da empresa que dá a propina, como se deixar-se corromper não seja parte da corrupção.
  7. Há ainda a questão de saber se a propina só consiste em "dar dinheiro" ou alternativas como a promoção no emprego, o favor sexual, etc. O folclore machista está saturado de episódios de natureza sexual, etc.
  8. Há quem considere a propina como um costume cultural, apontando povos mais ou menos corruptos, no que vai um traço de preconceito nacional ou racial.

Toda essa questão é pelo menos muito controversa, como se vê. O mal entendido é ainda mais favorecido pelo obscurecimento e pela atmosfera de mistério que o cerca. 
Não discutir a questão é talvez mais daninho do que deixar como está.


Gilberto Freire já escreveu sobre o sentido de culpa e má consciência que o brasileiro tem diante do lucro, identificando as suas raízes culturais e religiosas. Em nossa sociedade, ainda de certa forma rural, o homem de negócios ainda tem um grande espaço a ganhar quanto à legitimidade social de seu trabalho. O empresário é periodicamente alvo das acusações da má consciência popular. No assunto em pauta, o empresário é responsabilizado pelo grau de corrupção das práticas comerciais. O lobby empresarial está ligado popularmente à idéia de propina. Na realidade, o grande vilão na sociedade brasileira não é o Estado, é o homem de negócios. Eis por que é duplamente importante que o próprio empresário promova a luta contra a corrupção.



No sentido de contribuir com algo concreto, sugiro, aqui, aos empresários algumas medidas:

  1. Estar pronto a esclarecer a ética em qualquer caso concreto.
  2. Evitar ou abandonar a vinculação com pessoas do poder ou seus intermediários que sejam conhecidos como recebedores de propina.
  3. Detectar, internamente, as áreas envolvidas e fazer uma profilaxia organizacional.
  4. Introduzir no treinamento dos executivos a discussão da ética de negócios.
  5. Colaborar com grupos de trabalho, visando coibir as práticas incorretas.
  6. Estabelecer uma "Política para Dar e Receber Presentes" ou "Brindes", e fazê-la cumprir pelos diretores, gerentes e associados.
  7. Colaborar ativamente com todos os setores vivos de consciência da sociedade (como a imprensa) para o progresso da moralidade pública.
  8. Examinar detidamente as áreas de contencioso da empresa sob o ponto de vista não apenas legal, mas ético.
  9. Conduzir o planejamento estratégico para a dimensão social e ética, evitando que suas diretrizes sejam produto de uma "mente tecnocrática".
  10. Evitar associações com pessoas ou grupos que reconhecidamente atuam contra o interesse público e bem comum.

QUINTO

Um gesto de boa vontade para com as pessoas de fora é a prática de dar presentes. Dar presentes não deve ser confundido com dar propinas. Um presente é simbólico, elegante, sem alto valor venal, não é negociado, não é dado no momento do favor, não é para ser devolvido, é, enfim, um sinal de atenção. 

Os presentes são geralmente baseados em sugestões dos diretores ou gerentes, adquiridos e distribuídos pela área de relações públicas, numa época determinada (o Natal, por exemplo), em categorias de valor conforme uma classificação em quatro ou cinco níveis de beneficiado.
A instituição cujos funcionários recebem brindes deve do mesmo modo elaborar uma política para o recebimento de presentes. O funcionário ou diretor presenteado deve levar o fato ao conhecimento da presidência ou da direção geral, para que o assunto não esteja carregado de mal-entendidos. Presentes, mesmo de alto valor, não devem ser recusados; são aceitos como gesto de simpatia ou de troca de atenção, mas, conforme o nível, poderão ser destinados a um fundo central e depois sorteados entre os membros da organização ou doados a uma instituição de caridade. 
Pode-se estabelecer um nível de valor pelo qual o presente fique com o destinatário, seja destinado ao fundo geral para sorteio ou seja destinado a uma instituição filantrópica.

Em breve acompanhe aqui a continuação dessa série MANUAL DO SOBREVIVENTE MORAL:


  • Poder, Política e Desenvolvimento Organizacional
  • Cultura Empresarial Brasileira
  • Política e Responsabilidade Social da Empresa
  • Elegia do Empresário Falido (Ou: Vamos Tentar Tudo Outra Vez)
  • Esta Crise Ameaça Levar-nos à Desmoralização Interna,
  • A Responsabilidade Democrática numa Sociedade em Crise
  • Pensar Claro, Primeiro Passo para uma Regeneração Política
  • Especulação sobre a Possibilidade do Socialismo no Brasil
  • Como Crescer numa Era de Retórica Populista
  • Para Ajudar a Compreender a Função da Imprensa
  • Como Fazer "LOBBY" com a Oposição no Poder
  • Negociação
  • É Hora de nos Livrarmos do Raciocínio Tecnocrático






Flores Astrais
Secos e Molhados

Um grito de estrelas vem do infinito
E um bando de luz repete o grito
Todas as cores e outras mais
Procriam flores astrais

O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia
O verme passeia na lua cheia






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Vida pela arte, diversidade cultural após estado sitiado pelo futebol

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Vida pela arte, diversidade cultural após estado sitiado pelo futebol

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Só a vivência multicultural poderá dizer.


fanfarras
A mostra “Artevida” explora a relação entre ‘arte e vida’, com foco nas práticas artísticas brasileiras e, particularmente do Rio de Janeiro, entre os anos 1950 e início de 1980. A exposição se propõe conectar e ler certa produção de arte deste período, do Brasil e do sul global, extraindo ligações e correspondência pelas narrativas múltiplas, e desafiar cânones históricos, fora do eixo do hemisfério norte.
A partir destas hipóteses curatoriais, artevida reúne cerca de 110 artistas, oriundos de quatro continentes, e quase 300 obras, em alguns dos espaços culturais mais importantes da cidade: Casa França-Brasil, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Biblioteca Parque Estadual. São pinturas, esculturas, instalações, fotografias, desenhos e vídeos, selecionados pelos curadores, de cerca de 25 países do Leste Europeu, da África, Ásia, do Oriente Médio e das Américas, com ênfase em artistas do sexo feminino.
A exposição está dividida em em quatro eixos, com duas seções principais: Artevida (corpo), na Casa França-Brasil, compreende subseções em torno do autorretrato, do corte e do corpo em transformação; a linha orgânica e a trama como alternativas para a ortodoxia da abstração geométrica; obras interativas, articuladas e participativas, como as obras Bichos de Lygia Clark.
Artevida (política), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reúne obras feitas sob ou na resistência a regimes autoritários e segregacionistas, em torno de temas como vultos, feminismos, banners, mapas e símbolos nacionais, guerra e violência, racismo, votos e eleições, manifestações, trabalho, censura e prisão.
Os outros dois eixos são: Artevida (arquivo), na Biblioteca Parque Estadual, com cocuradoria de Cristiana Tejo, contará com parte do arquivo de Paulo Bruscky, artista baseado em Recife, com cerca de 400 ítens, expostos em vitrines temáticas, selecionados a partir de seu arquivo de 70 mil documentos: livros de artista, arte postal, convites de exposições, cartas entre artistas, carimbos, adesivos, revistas, recortes de jornal etc. Também faz parte desta seção, na Biblioteca, o Arquivo Graciela Carnevale, membro do Grupo de Arte de Vanguardia de Rosário (Argentina).
Artevida (parque), na Escola de Artes Visuais do Parque Lage estarão obras da artista maceioense Martha Araújo, no palacete neoclássico, a instalação da japonesa Tsuruko Yamazaki no parque e um projeto inédito, o único comissionado pela exposição, do artista do Benin Georges Adéagbo, nas Cavalariças, dentro dos jardins do Parque Lage.
*A parte da exposição que acontece no MAM entra em cartaz no dia 19 de julho.

SERVIÇO

CASA FRANÇA-BRASIL

BIBLIOTECA PARQUE ESTADUAL

ESCOLA DE ARTES VISUAIS DO PARQUE LAGE
Terça a domingo, 10 às 20h. Grátis.
De 28 de junho até 21 de setembro de 2014

O QUE

ArteVida

QUANDO

de 26/06 a 21/07
Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 10:00 às 20:00

QUANTO

Catraca Livre

ONDE

Escola de Artes Visuais do Parque Lage
http://www.eavparquelage.rj.gov.br/eavText.asp?sMenu=ESCO&sSume=PNOVA
Rua Jardim Botânico, 414
Jardim Botânico - Sul
Rio de Janeiro
(21) 3257-1800
Casa França-Brasil
http://www.fcfb.rj.gov.br/
R. Visc. de Itaboraí, 78
centro - Centro
Rio de Janeiro
(21) 2332-5120
Biblioteca Parque Estadual - Rio
Av. Presidente Vargas, 1261
Centro - Centro
Rio de Janeiro
Estação do Metrô Central
Central do Brasil

Evento conta com espetáculos de música, dança, artes plásticas, cinema, teatro, além de oficinas de diversos temas.

xtudoDe 14 de julho a 2 de agosto, todas as unidades do estado do Teatro Sesi receberão espetáculos de música, dança, artes plásticas, cinema, teatro, além de oficinas de diversos temas. Trata-se da edição de 2014 do festival “X-Tudo Cultural Sesi”.
O evento conta tanto para artistas já reconhecidos nacionalmente como para novos talentos locais, oferecendo ao público um panorama do cenário cultural da atualidade. O cantor Otto será o responsável pela abertura do festival com um show no Teatro Sesi Centro.
Nomes como Metá Metá, Nicolas Krassik, Mahmundi estão na programação musical do X-Tudo, que também contará apresentações de novos nomes do rap e rock. Entre as apresentações teatrais estão os espetáculos “Blefes Excêntricos”, ” Peça Ruim” e “Memória Inventada do Sonho de Alguém”.
Além disso, a agenda ainda conta com apresentações dos grupos de dança Rio Maracatu, Pulsar Cia. e, também, apresentações ao ar-livre no Largo do Machado e Feira de Vinil. Entre as oficinas e palestras estão temas como imersão teatral, consciência corporal e composição musical.
Os ingressos custam R$10. Confira a programação completa de apresentações e oficinas no site do X-Tudo Cultural, assim como a localização de todas as unidades do Teatro Sesi.
fonte:http://xtudo.firjan.org.br/novidades/novidades-do-x-tudo-cultural-2014-sesi-cultural.htm

O Baukurs Cultural apresenta a exposição “Linhas e Línguas, Curt Nimuendajú e os índios no Brasil”, em cartaz até o dia 26 de agosto, com entrada franca.

O espaço cultural mostra, em fotos e desenhos, a trajetória do autor do mais expressivo mapa etnográfico sobre culturas indígenas.
Curt Nimuendajú é um etnólogo que traçou o mais importante e minucioso mapa dos povos indígenas no país, no início do século XX. Alemão de Jena, Curt Unckel viveu mais de 40 anos entre índios brasileiros relatando, com detalhes, seus costumes, riquezas materiais e línguas, em um trabalho que resultou na catalogação de mais de 50 etnias indígenas.
O espaço mostrará, em fotos e desenhos, a trajetória do autor do mais expressivo mapa iconográfico sobre culturas indígenas.
Curt Unckel é o etnólogo que traçou o mais importante e minucioso mapa dos povos indígenas no país, no início do século XX. Alemão de Jena, viveu mais de 40 anos entre índios brasileiros relatando, com detalhes, seus costumes, riquezas materiais e línguas, em um trabalho que resultou na catalogação de mais de 50 etnias indígenas.
O evento reúne fotos e desenhos doetnólogo, além da instalação, em escala real, do mapa etno/histórico dos índios e das suas línguas no Brasil, na primeira metade do século XX. O material exposto terálegendas em português e alemão.

SERVIÇO

Curt Nimuendajú

O QUE

Linhas e línguas, Curt Nimuendajú e os índios no Brasil

QUANDO

de 12/06 a 26/08
Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 10:00 às 16:00
Domingos das 12:00 às 17:00

QUANTO

Catraca Livre

ONDE

Baukurs Cultural
baukurs.com.br
Rua Goethe , 15
Botafogo - Sul
Rio de Janeiro
21.2294-6017

O Instituto Moreira Salles apresenta de 9 de fevereiro a 23 de novembro a exposição “Em 1964″, que relembra o ano do início da ditadura no Brasil, com entrada gratuita.

A mostra faz parte de uma programação anual para discutir os 50 anos do golpe militar. Em 1964 propõe uma imersão neste momento decisivo para o país a partir do ponto de vista de artistas e intelectuais cujos acervos estão sob a guarda do IMS ou que têm vínculos diretos com suas atividades.
Será possível visitar a exposição Em 1964, que permitirá ao espectador explorar os fatos culturais do período por meio de obras marcantes da literatura, da fotografia, do cinema e da música presentes nos acervos do IMS.
A exposição exibirá fotografias do cineasta Jorge Bodanzky, feitas em Brasília no momento do golpe militar, mas trará também fotos de Chico Albuquerque e Henri Ballot documentando o cotidiano, como feiras, supermercados e outros costumes da vida diária dos brasileiros. Outro destaque da fotografia será um ensaio inédito em espaços expositivos da fotógrafa Maureen Bisilliat sobre Iemanjá, além de muitas outras atrações.

SERVIÇO

O QUE

EM 1964Ditadura-IMS

QUANDO

de 09/02 a 23/11
Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 11:00 às 20:00

QUANTO

Catraca Livre

ONDE

Instituto Moreira Salles Rio de Janeiro
http://ims.uol.com.br/
Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea - Sul
Rio de Janeiro
(21) 3284-7400

Breve história da baderna

Desde Aristóteles se sugere que o Estado existe para o bem da população, mas raras são as vezes que os anseios do povo foram atendidos, além dos momentos de confronto, manifestações e protestos.


por Rodrigo Elias

And now you do what they told ya…

R.A.T.M.

O governo instaurado, evidentemente, não chama a população para “conversar pacificamente”, uma vez que aquele não reconhece nesta um interlocutor político; o governador do Rio de Janeiro, recentemente, afirmou que a população não age politicamente de forma “espontânea”, o que é apenas uma atualização da negação que o Estado dispensa desde sempre à maior parte da sociedade no que diz respeito à sua capacidade “política”. A única ação “política” que o Estado pode reconhecer na sociedade, em nosso caso, é o voto.

A ideia de que o Estado existe para o bem da sociedade é tão antiga quanto infantil

Aristóteles, talvez o mais importante filósofo político da Antiguidade (seguramente o mais famoso), expôs ainda no século IV a.C. o princípio segundo o qual o que conhecemos como “Estado” (ele chamava de πολις, “cidade”) existe para garantir a felicidade de um grupo – a coisa mudava de figura quando o governo se corrompia. É bom lembrar, entretanto, que Aristóteles se empenhou em construir sistemas explicativos muito gerais, “filosóficos” no melhor sentido do termo. Ele estava muito mais preocupado em entender como as coisas funcionavam do que em dar conta da real constituição, por exemplo, dos regimes políticos - não custa lembrar que cultivava um certo desprezo pela História.
Muito diferente, por exemplo, do seu contemporâneo Platão. Este outro grego, pelo menos no que vemos em seu relato em "A república" sobre os fatos que levaram à condenação de Sócrates, seu mestre, sabia muito bem que o Estado não era necessariamente guardião de virtudes. Podia ser, aliás, o exato oposto.
alegoria-badernaO fato é que a ideia exposta por Aristóteles acabou caindo nas graças dos líderes políticos e religiosos ocidentais ao longo de toda a Idade Média. Era muito comum, quando se tentava explicar a origem do poder político dos governantes (por si só eticamente inexplicável), dizer que este, além de dado por Deus, existia para o bem dos súditos. Toda teoria política ao longo de mil anos foi uma variação deste tema. Ora pendendo mais para o lado de Deus, que só poderia querer o bem da sua criação, ora para um suposto acordo feito entre homens em um passado remoto no qual decidiam pela fundação de um Estado para a garantia da felicidade e da segurança de todos. Registre-se que nunca houve prova de que este suposto acordo ancestral tenha acontecido, mesmo que uma única vez. Trata-se evidentemente da mais eficaz mitologia política da qual se tem notícia e que não está totalmente fora de uso.
Boa parte das teses mais radicais ao longo do período posterior, sobretudo entre os séculos XVII e XIX, recorrem a esta ênfase humana do mito do Estado – e podemos colocar neste mesmo saco todos os livres-pensadores franceses, os constitucionalistas ingleses, os “pais fundadores” norte-americanos, os filósofos iluministas, os revolucionários de 1789, os liberais e democratas do século XIX, os comunistas do século XX. A naturalização da necessidade da existência do Estado ficou mais associada ao nome do inglês Thomas Hobbes (1588-1679), porém esta talvez tenha sido apenas uma das vozes mais perceptíveis em um coral muito bem afinado.
Mas é claro que nem todos concordavam com isso. Maquiavel, há exatos quinhentos anos, em 1513, expunha de maneira crua em "O príncipe" qual era o objetivo do Estado. Nada de felicidade da comunidade. Nada de segurança dos cidadãos. O Estado existia para perpetuar a si próprio. A verdade era tão evidente e tão desconcertante que o escritor florentino foi condenado unanimemente: suas obras foram consideradas heréticas por católicos e protestantes (em uma época na qual estas facções não se entendiam sobre nada), liberais e comunistas. Ser chamado de “maquiavélico” ainda é ofensivo. Entretanto, Maquiavel não estava apenas dando conselhos a um governante para conquistar o governo e manter o poder: ele estava mostrando que os governantes bem-sucedidos e as formações estatais que tiveram alguma perenidade (as cidades-estados italianas da sua época viviam grande instabilidade) gastavam todas as suas energias na autopreservação, independente do julgamento das suas ações.
Outros dois que perceberam de maneira bastante clara – ou tiveram a audácia de colocar isso em letra impressa – esta natureza das formações estatais foram Marx e Engels (em cujos nomes cometeram-se e cometem-se, injustamente, muitas atrocidades, não apenas físicas, mas intelectuais). O primeiro, observando o funcionamento corriqueiro do parlamento da Renânia, ainda na década de 1840, percebeu que o Estado funciona basicamente para proteger aqueles que controlam o próprio Estado; Engels, 40 anos depois, em seu "A origem da família, da propriedade privada e do Estado" (1884), mesmo com todas as críticas possíveis ao flagrante evolucionismo (aliás, comum na época) e, talvez, sua incorporação de tese já anunciada por John Locke (1632-1704), também vai expor o funcionamento do Estado em termos de uma proteção muito seletiva de grupos sociais: os que controlam o Estado.


O objetivo do Estado não é a sua segurança e a sua felicidade: é que você obedeça e pague impostos. O governo em prol da sociedade só existe quando a sociedade está mobilizada contra o Estado. Para criar e garantir direitos, a sociedade precisa constranger permanentemente e de todas as formas possíveis quem é o governo. Pelo menos é o que tem acontecido nos últimos 600 anos.

Em tempo 1: Houve uma experiência no século XX na qual o Estado dizia ser (e acreditava ser) a manifestação total da vontade da sociedade, assim como a maior parte da sociedade acreditava (com uma boa dose de medo, é verdade) que o Estado era a manifestação suprema de todas as suas vontades. O nome desta experiência é “nazismo”.

Em tempo 2: Os vândalos eram um povo germânico que vivia no norte da Europa e foi um dos invasores do Império Romano no século V. Fugiam da fome e da guerra, e acabaram entrando em território imperial. Em pouco tempo, chegaram às margens do Mediterrâneo e atravessaram para o norte da África. Eles eram cristãos, mas de uma dissidência chamada de "arianismo", considerada uma heresia pela Igreja romana - motivo pelo qual eram amaldiçoados, perseguidos e combatidos. Quando invadiram a África, elegeram como alvos preferenciais as igrejas e os mosteiros cristãos romanos - "vandalismo" passou a significar, no vocabulário de origem latina, a destruição daquilo que é respeitável por sua beleza e por sua antiguidade. Os vândalos, bem como os outros povos germânicos, acabaram triunfando sobre o Império Romano. Não porque eram mais fortes: a população romana, sobrecarregada, faminta e violentada com a opressão do Estado e da Igreja, aderiu aos recém-chegados. A primeira grande transformação na sociedade ocidental em nossa era se deu naquele momento.


Leia esta história na íntegra

Leia também o especial "MANIFESTAÇÕES" no site da revista de história, e compreenda quem é o VÂNDALO.

fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/breve-historia-da-baderna

Observatório da Imprensa

Adital

Por Cátia Guimarães

Um consenso em torno da coerção necessária


É cada vez mais concreto o quanto essa noção abstrata de democracia e o seu correspondente Estado de direito são dois elementos circulares de uma farsa produzida para manter ou estabilizar as relações de dominação. Em nome da democracia e do Estado de direito, vale tudo, até ferir a democracia e o Estado de direito, desde que se faça isso através de instituições como a polícia, o judiciário e a imprensa, que compõem o Estado de direito garantidor da democracia. Há muito que a tradição marxista sabe que a forma assumida pelo Estado – democracia, ditadura, monarquia... – representa variações coerentes com a correlação de forças e o grau de hegemonia vigente em cada local, em cada contexto histórico, mas que, em todas essas situações, a função do Estado é garantir, com as armas que estiverem disponíveis, os interesses da classe dominante. Por isso, no capitalismo, a combinação de mecanismos de cooptação e consenso nos regimes ditatoriais com mecanismos de violência e coerção nos contextos democráticos é e sempre será parte do jogo.

Isso se expressa de forma muito direta na grande imprensa que é, também, instrumento da democracia burguesa. Por isso, ela pode pluralizar seus públicos, diversificar os colunistas, usar de vez em quando uma imagem produzida por midiativistas, denunciar um senhor aqui, ajudar a prender um policial violento acolá. Pode até escrever e ler em voz alta um belo editorial demea culpa, lamentando seu apoio à ditadura encerrada. Mas sempre que for preciso, ela vai afiar as ferramentas, espalhar a poeira, tirar a ferrugem e usar todas as armas de que dispuser para, em nome da democracia, legitimar um consenso em torno da coerção necessária. Está no seu DNA.
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Preparação Pós Copa do Mundo 2014 - O Apocalipse será aqui?

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De Olho (Grande) nas Próximas Eleições


Esta é a minha homenagem aos políticos de nosso amado país. 

Preparando o espírito para o pós copa do mundo 2014, ou o apocalipse now.

Siga a cartilha nestes vídeos e você, amigo sofredor, seu dia-a-dia vai ser bombado infinitamente de esperança e fé. Tem que acreditar.
Especialmente nas instituições financeiras, nos partidos políticos e no crescimento econômico das políticas públicas do investimento privado

Se deu nó na sua cabeça, você não está só! Então, seja bem vindo ao Estado Democrático do Direito Privado.

Segura o fôlego e boa viagem!

Aderindo ao discurso político no seu dia-a-dia



Somos um Rio



Jingle recusado R.Maia




COMENTÁRIO REMOVIDOS OU MODERADOS NOS VÍDEOS A SEGUIR: Questão de segurança pública [rs].


Assista a série a seguir, a saga que deu origem a trilogia de não ficção que deixaria George Lucas com recalque. Beijo no ombro da hipocrisia brasileira.

O Império Contra-ataca

Compositor: Marcelo D2 - O Império Contra Ataca (Part. Black Alien, B Negão, Speedfreaks, Jackson)

Atenção terráqueos leve-me ao seu líder Aquele que toma sua casa e o teu salario e você fica Parado otário Vou usar sua mente antes que você aposente Não entendeu porque não é malandro,puxo forte prendo E no beat vo levando,mas por favor doutor não me leve Pra cadeia Fui pro lugar errado,assine meu habeas corpus no local Indicado, Minha família quer tudo como quem não quer nada,black Alien parceiro comigo na parada. Pensamentos mortais por detrás das grades,da cela Detritos Federais tentam me botar na sequela mais Comigo tá tudo certo tá tudo tranquilo,como se eu Tivesse dando um rolé descendo o rio Nilo ou o rio Amazonas também eu sei que era neguinho neném que Nasceu la em belém eo iiuu iepe iupi ai ei me da um Microfone que eu derrubo um rei meidei meidei Mayday,eu tenho uma pistola de ouro que nem Goldfinger,eu mostro a minha rima as mina mostra sua Ginga,meu estilo é que nem dos trapalhões circense Acrobático,o mar gelado que te da um choque Anafilático,enquanto nada com os tubarões,caça com os Leões,na capa de confrontesco,confronta os Dragões,transforma o deserto em oásis,atravesso sem Transpirar,somos uns dos azes,das ruas eu tenho cartão De acesso,testemunha ocular da história,como repórter Esso,eu nunca corri da ku klux klan e nem dos alemão porque Agora eu vou correr de um irmão que nem Poncio Pilatos o Filha da puta que lave as mãos,que nem galactos devore Os planetas de marte a plutão. E o b. Negão tá aí? Então me ajuda no refrão. O império contra o lado negro da força 
Speedy
Eu sou speedy na maior sempre sagaz qual o problema Sem crise,se para no ar alguma duvida pense duas vezes Com atenção redobrada,pra começa a me esculacha, Eu já mandei mais de 15.Parado vira alvo então passe Correndo pra não leva tiro,mas vê se passa em Zig Zag,senão tua camisa branca,de vermelho,nego Tinge,parado vira alvo,por isso você nunca vai me ver Deitado à salvo,eu vivo sempre correndo risco,e quando Eu quero dar um trisco eu dou meu jeito,só não pode Fica parado esperando toma caroçada é di bem Feito,speedy tá aqui pa te ensina pa te explica,você Presta atenção na lição Jackson moleque sangue Bom,começou a rimar com todo respeito.
Outro mano
Eu entro no seu sonho como estrela da morte,exploro os Limites destruo o individuo,o pesadelo continua me Torno um homem mais forte com destreza coragem o os Olhos no lugar numa fração de segundos grande força Hipnotiza pessoa de cabeça fraca precisa se ligar, nas Ruas sozinhos todos temos nossos Caminhos,ultrapassamos Barreiras aprendemos com isso,duas pickups e tal dj Animando a festa churrasco no quintal a casa cai Quando róla um som do tim maia racional O império contra ataca o lado negro da força Compre meu disco vista a camisa vá ao show,ligue 0800 E sinta o flow,eu entro em sua casa como virús letal,o Cérebro é a arma a uzi é o vocal,de um lado zé Gonzales,de um outro rodrigo nuts,o melhor trio de dj Do brasil,dz cuts,eu continuo na luta filho da Puta... é rapa isso é o que há isso é pra chapa,o tempo tá Sinistro e não é difícil se estressa,eu sou b. Black
Vulgo b. Negão,sangue bom digo na sua cara,então Segura é pura pressão,vou te dizer vou te fala Cumpadi,o qeu se passa nessa terra,qual é o preço que Tu vale, se não se enquadra no padrão de gente, te Olham diferente,beneficentes querem apagar a sua Mente,por isso segura na pressão meu irmão,peido na Hora errada cumpadi não tem perdão,sou soldado do funk Por isso não se espante quando eu der meu sangue por Alguma coisa que eu leve fé... Foram muitas tempestades,mais eu ainda tô de pé,como água mole pedra dura,minha verbe te perfura,e sua Barrera se dissolve vira poeira,diluida no ar.... Ou ou ou ou ou, não ri pra mim não amigo não sou Dentista meus camaradas não tão de bigode na Pista,speedyfrits! 
Larga do meu pé,não adianta vim tirando onda por que Eu vo rir quando eu quiser,então se liga mané,que eu Já me cansei de te explica como é que é,se logo quando Amanhece fico de macaco,sou quem manda na minha Cabeça,mas mesmo assim permaneço sentado,tranqüilo em Mi mesa,falando gritando,com a voz potente como a de Um trovão,dando pra ouvir onde quer que Esteja,esteja,esteja,esteja,esteja... O império contra ataca o lado negro da força Pazzzz LCND

O Império Contra Ataca = A Cara do Novo[?]



O retorno do Jedi - Campanha Sérgio Gabral




Guerra nas Estrelas - Debate para a Prefeitura do Rio 2012








Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga Planet Hemp Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga, mc no microfone em atitude e HC Representa o Hip Hop, pesadelo do pop, não ta ligado na missão? Foda-se!! A Terra já girou o suficiente pra fazer o sol nascer várias vezes E você não percebe que não apita nada nesse esquema Se não faz parte da solução, então faz parte do problema Telefone sempre quebrado por falta de pagamento Parabéns, pelo seu novo aumento salarial: uma mariola e dois sacos de amendoim Nakayama sem sal, é cumpadi! A riqueza de opções que lhe são dadas é impressionante Uma variedade imensa de uma unidade Te apagam ou te apagam, se adaptam ou te cagam pra fora da panela Monocultura é a maior seqüela Herança Colonial, não reza nessa cartilha, dá processo criminal Underground ou mainstream a maioria age igual pra mim Caminhos diferentes que levam pro mesmo fim Eu tenho P-L-A-N-E-T H-E-M eu tenho P, eu pego o rock, rap, hardcore, eu pego o ragga, misturo a porra toda e continuo a minha saga Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga, mc no microfone em atitude e HC Representa o Hip Hop, pesadelo do pop, não ta ligado na missão,foda-se Esse é meu som, e ele representa o que sou Esse é meu vôo e é em cima da batida que eu vou Eu e B-negão representando a família, cercado de sangue-bom, como a água cerca a ilha Deixei meu nome nos muros da vida como um bom grafiteiro Lembra? 021, (HuHaHa) Rio de Janeiro Ando de norte a sul e sempre encontro meus irmãos considerados,em qualquer jurisdição Take 2, recomeçou o ataque verbal, de um MC com o controle total Sofisticado como Tom Jobim Revolucionário como Zumbi foi pra mim. Fantástico Como Mandela soube se impor, Fantástico Como Malcolm X foi preto, Fantástico Como grande Otello, Fantástico Como Pelé jogando provou, Que porra é essa que chega na pressão? 100% groove e atitude no som. Segura: Planet Hemp é o nome da minha quadrilha Puxo forte, prendo, eles procuram, mas não acham a trilha Marcelo D-2 sou eu. Rápido como quem rouba, um Robin Hood dos meus Do underground ao mainstream, a maioria é igual pra mim Caminhos diferentes que levam por mesmo fim Ele bate no bumbo e você sente no peito, esse é o Planet Hemp fazendo efeito Toda porrada que entra no ouvido sai da guitarra, raprockandrollpsicodeliahardcoregga Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga, mc no microfone em atitude e HC Representa o Hip Hop, pesadelo do pop, não ta ligado na missão? Foda-se



Talk Show do Rafucko: Marcelo Freixo 

Uma entrevista a luz de velas com Marcelo Freixo. 

Entrevista realizada em 19/05/2014.
Acesse o site do Rafucko - humor com coragem. http://rafucko.com

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Candidatos a Presidencia Buzz no Twitter

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Buzz no Twitter sobre o debate dos candidatos à Presidência

A E.Life, empresa brasileira em inteligência de mercado e gestão do relacionamento 2.0 nas redes sociais, monitorou o buzz sobre o primeiro debate dos candidatos à Presidência, que aconteceu no dia 5 de agosto, na TV Bandeirantes. A E.Life analisou o volume das mensagens publicadas via Twitter sobre cada candidato entre as 10h do dia 5 de agosto e 12h do dia 6 de agosto. Além dos volumes, foram analisadas também as principais hashtags – organizadores e sinalizadores de informação utilizados em posts no Twitter e sinalizados por # – associados a cada um dos participantes.


debate-candidatos-tweets-vol

Dilma Marina Plínio Serra


hashtags-candidata-dilma O debate na Band foi muito associado à Dilma, nos tweets que aconteceram durante a programação. Através das hashtags, foram notados dois movimentos: um de apoio à candidata, manifesto em expressões como #lula, #pt e #agoraedilma, #ondavermelha (há um movimento pró-Serra com #ondaazul), e outro de apoio a Serra: #serra45, #serravence, #serra. Algumas falhas, como o fato de a candidata gaguejar, geraram críticas expressas por termos como #fail, #dilmafail ou #deusemas Demais candidatos, como #serra, #marina e #plínio foram citados

hashtags-candidato-serra Serra também foi muito associado ao debate, conforme demonstram as hashtags relacionadas ao tema: #debate, #debateband. Nota-se um movimento de entusiastas do candidato, que divulgaram conteúdo associado à vitória do candidato: #serravence, #ondaazul. Críticas à postura de Serra no debate surgem nos tweets, quer por brincadeiras – #trocadilhofail, #piadasfail (piada sobre a diferença de postura entre Serra e Marina: “enquanto Marina Planta árvores, José Serra” – ou por propostas políticas: #jaouvimosissoantes. #dilma, #plinio e #marina foram associados ao candidato.


hashtags-candidata-marina Marina foi muito associada às piadas e trocadilhos sobre seu posicionamento político, com destaque para aquela relacionada ao plantio de árvores. #pelavoltadoscassinos e #vivaobingo surgem de uma brincadeira originalmente publicada pelo perfil @nairbello acerca de alguns dados trabalhados pela candidata. Grupos de apoio se posicionaram frente às redes sociais: #euvotomarina, #marinapresidente. Algumas pessoas, a partir de um posicionamento da candidata em defesa dos índios, passaram a defendê-la e pedir debate através de #euquerodebate.


hashtags-candidato-plinio Plínio Arruda foi associado a Dilma através de piadas, como por exemplo “Plínio Arruda ganhou a pele no pescoço que a Dilma tirou. #MáDistribuiçãoDe- Pelanca”, publicada originalmente por @nairbello. O fato de o candidato ter ficado em primeiro lugar nos trending topics mundiais suscitou uma série de piadas denominadas #plinioarrudafacts. A postura ácida do candidato gerou expressões como #euri e #trollrito (internauta que faz piada com outros internautas). Grupos de apoio ao candidato se manifestaram - #plinio50.














O estudo tornou possível uma leitura rápida daquilo que se falava sobre a performance dos candidatos no debate, durante o desenrolar do programa. “É importante observar que o candidato Plínio, mesmo sendo a revelação do debate e ter aparecido nos trending topics do Twitter, teve um número de menções menor que os demais. Não se sabe de uma relação comprovada entre entrar nos trending topics e o volume de buzz no Twitter. Nossa hipótese é de que o algoritmo dos TT leve em consideração o passado, ajudando a identificar as novidades, picos repentinos de temas e assuntos que nunca tiveram grande volume e que aparecem com picos pela primeira vez”, diz Alessandro Barbosa Lima, CEO da E.Life. O levantamento foi realizado por meio do Tweetmeter, software desenvolvido pela própria E.Life para monitorar, em tempo real, a comunicação boca a boca online.


fonte: E.LIFE Proxxima Setembro 2010






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by The Hedonist Cover Art: "Portrait of Sun Ra", oil on canvas by Paul David Elsen

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