Scientia Ad Sapientiam

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“Não há homem imprescindível, há causa imprescindível. Sem a força coletiva não somos nada” - blog da retórica magia/arte/foto/imagem.

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Music is the weapon and knowledge is power

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Knowledge is Power 

and Music is the Weapon of the Future


Femi Kuti

Music is the Weapon - Fela Kuti 

FELA! 

OFF BROADWAY [WHAT?]



The St. John Coltrane African Church

is my documentary short about The St. John Coltrane African Orthodox Church. It profiles the leaders and organizers of this faith and shares in the unique spiritual experience to be found every Sunday in the heart of the San Francisco’s Fillmore District. Produced in pursuit of a Certificate in Digital Filmmaking at The San Francisco School of Digital Filmmaking, A JOYFUL NOISE resulted in a commission for me to create a second, more in-depth film for the church.

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A arte zen do amor inquebrável desde o aço à civilização

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A arte zen do amor inquebrável desde o aço à civilização moderna

Quem com ferro feres, com ferro serás ferido.
Ou então a célebre 'casa de ferreiro, espeto de pau'

Com quantas dobras do tempo se forja um coração inquebrável?

A história, implacável, assim como os fatos ora transmutados em mitos, não nos deixa escapa-los. Quer queira ou não estamos impregnados deles em nosso DNA. Somos atos transformados em consequências, somos a herança do seu criador. Porém sempre haverá a remota chance de mudar de direção, em qualquer direção que for, lá estará o acaso ou o resultado de uma escolha que passou.

“A Pátria não é ninguém. São todos. E cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acovardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam,mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originalmente no amor.”
Rui Barbosa

Quiçá sairemos às ruas e encontraremos melhores caminhos que este?
Que se encontre o amor maior que este, que prova todos os corações no fogo das paixões de Rui, nas parábolas de Jesus, ou ainda nas reflexões de Quinn.

"Viva pela espada, morra pela espada".

Ou então "Olho por olho, dente por dente"

Este dito de Jesus vem de Mateus 26:52, que descreve um discípulo (identificado em João 18:10 como sendo Simão Pedro) sacando uma espada para defender Jesus no Jardim das Oliveiras, mas que é admoestado por Jesus, que lhe pede que guarde a arma:
"Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada. (Mateus 26:52)"
Orígenes sugeriu que a "espada" nos evangelhos seja interpretada como uma imagem[2] , cuja exegese seria consistente com a Epístola aos Efésios: "Tomai o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus» (Efésios 6:17)"

E também com a Epístola aos Hebreus:
"Pois a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e que penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e pronta para discernir as disposições e pensamentos do coração.(Hebreus 4:12)"

A arte do aço provado pelo fogo


A expressão "Casa de ferreiro, espeto de pau" é usada quando se quer dizer que uma pessoa hábil em determinada coisa, não usa essa habilidade a seu favor.
Não acredito! João, o melhor pedreiro, pagou para Antônio construir o muro da casa dele, casa de ferreiro, espeto de pau. Presumivelmente detém as competências nesse dado ramo ou atividade, utilizava em beneficio do próximo, contudo, parece dicotomicamente não aplicar tais competências e experiências adquiridas em situações ou circunstâncias, em geral de âmbito pessoal, que lhe seriam benéficas, obviamente aplicáveis e sobretudo úteis. Ex.: Um pedreiro vive a reformar a casa dos outros, no entanto a sua própria casa ele não arruma.

O ferreiro aplica todo o seu tempo no ofício de fazer espetos de ferro para os outros que não lhe sobra tempo de fazer espetos de ferro para si próprio; usando em sua casa espetos de pau.




Além da civilização


“A articulação de um modo de vida mais simples (feita por Quinn) vai conquistar aqueles que a globalização deixou de fora”. Publishers Weekly

Os moradores de rua e os jovens estão convergindo rapidamente para o território sócio-econômico que identifiquei neste livro como um território que se encontra “Além da civilização”. A maior parte dos moradores de rua foram lançados nele involuntariamente, ao passo que muitos jovens anseiam inconscientemente por ele, como qualquer pessoa que deseja mais da vida do que apenas a chance de comer na manjedoura onde o mundo está sendo engolido. É a eles e a suas esperanças que este livro é particularmente dedicado.

Uma das crenças mais fundamentais da nossa cultura é a de que a civilização deve continuar a qualquer custo, sejam quais forem as circunstâncias. Implícita nessa crença está outra: a de que a civilização é a mais importante invenção humana e jamais deve ser abandonada.
Daniel Quinn, conhecido por seu transformador romance Ismael, adotado em escolas e universidades de mais de vinte países, questiona em Além da Civilização a forma como o homem se posiciona em relação ao restante da comunidade da vida, orientando-nos a viver como membros dessa comunidade, e não como senhores dela.

Em uma prosa densa, mas leve e agradável, ele nos apresenta uma série de pequenos ensaios de uma página, com idéias e reflexões que nos fazem vislumbrar uma nova alternativa para salvar o mundo, que envolve a desconstrução da civilização e a revisão de antigos paradigmas de nossa sociedade.

Por que a civilização planta o alimento para trancá-lo e depois obriga os indivíduos a ganhar dinheiro para comprá-lo de volta? Por que não progredimos além da civilização e abandonamos o estilo hierárquico de vida que causa grande parte de nossos problemas sociais?

Usando metáforas criativas e bastante eficazes, Quinn desfila para nós suas idéias sobre os problemas da sociedade humana e aponta caminhos rumo a um novo território, “além da civilização”. Esse território não é um espaço geográfico, mas um inexplorado espaço cultural, social e econômico situado “do outro lado” da organização hierárquica da civilização.

A jornada que conduz a esse território não representa um modo de demolir a hierarquia da civilização, mas, antes, apresenta uma maneira de deixá-la para trás. É a “rota de escape” para um futuro no qual as pessoas comuns podem reivindicar sua dignidade, alegria, igualdade e autoconfiança. Essa rota está, é claro, escondida; de outro modo, teria sido descoberta anteriormente. Mas, como Quinn demonstra, está escondida onde se encontram todos os grandes segredos: bem à vista de todos.

Zen and the arte of motorcycle maintenance - an inquiry into values


Veja a galeria de máquinas motocycles históricas, motocicletas custom desde 1930.


Robert M. Pirsig (1974)
(Ed. Harper Torch Philosophy, New York, 1999, 540 pgs.)

Resenha crítica de “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas – Uma Investigação Sobre Valores”, de Robert M. Pirsig (1974)


Kerouac 


Os tensos e intensos anos 1960 já haviam passado mas ainda eram visíveis no espelho retrovisor quando Robert M. Pirsig publicou Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas em 1974.

Após ter sido recusado por 121 editores, este “romance filosófico” e quase auto-biográfico impactou de modo marcante a literatura norte-americana dos anos 70, vendendo mais de 5 milhões de cópias mundo afora.

Mas este não era só um best seller a ser esquecido no próximo verão como uma modinha passageira, mas também um livro que seria considerado por boa parte da crítica literária como uma obra definidora de época.

Talvez não seja exagero sugerir que Zen representou para os anos 70 algo de similar ao que significou para os anos 1950 o fenômeno On The Road – Na Estrada, que Jack Kerouac publicou em 1957 e que logo se tornou uma grande inspiração para a chamada Geração Beat.

Apesar de não ser nada parecido com um panfleto celebratório do ideário hippie, a discussão sobre a herança, as contradições e os sonhos da contra-cultura nos crazy sixties é algo que marca as páginas de Robert M. Pirsig.


Sem ser um livro rotulável como hippie ou beatnik, ainda assim sente-se a presença de um diálogo com as várias vertentes contra-a-corrente que marcaram o pós-2ª Guerra. Uma tentativa de diagnosticar os males de seu tempo e sugerir estradas de melhor qualidade norteia como uma bússola esta viagem de motocicleta que realizam pai e filho através dos EUA.

Todo o agito utópico, psicodélico e lúdico da Geração Hippie já parecia em maré baixa em 1974, quando o livro foi publicado e tornou-se um estouro editorial. Mas as questões levantadas durante os anos 1960 continuavam prementes e urgentes, assim como os ideais de vida alternativa que foram propostos por aqueles que se revoltaram contra o Sistema yankee na época – fim dos anos 1960 e começo dos 1970 – em que este derramava bombas e napalm sobre o Vietnã, apoiava e financiava ditaduras militares na América Latina e prosseguia lobotomizando mentes com propaganda anti-comunista em um contexto de Guerra Fria.

Easy Rider

O plot narrativo do livro de Pirsig parece prestar tributo a certos road movies libertários como Easy Rider – Sem Destino (1969), de Dennis Hopper, hoje consagrado como um clássico do cinema sessentista. Há no protagonista de Pirsig algo daquela atitude “Born To Be Wild” que se encarna nos motoqueiros interpretados por Hopper e Peter Fonda.

Também o protagonista de Zen é descrito como uma espécie de rolling stone, mais interessado em ir do que em chegar, devorando quilômetros sem olhar para trás, com seu filho Chris na garupa e frequentemente às lágrimas com tanto nomadismo selvagem.

Mas há em Zen também algo de proustiano, uma busca pelo tempo perdido: o livro relata a jornada que realiza o protagonista para recuperar seu passado – que lhe foi em parte roubado pelos eletrochoques a que foi submetido. Estamos diante de um narrador que tem que lidar com um evento psíquico traumático, o shock treatment pelo qual passou, contra sua vontade, e através do qual procurou-se exterminar sua antiga personalidade.

Em busca das raízes da “insanidade” daquele Phaedrus que ele foi um dia, e cuja memória foi parcialmente dizimada pelo shock treatment, o narrador tenta refazer sua vida pregressa como professor de inglês e de retórica, como estudioso de religiões orientais na Índia, como aluno de um curso de filosofia em Chicago. E assim vai comunicando aos leitores, em uma série de chautaquas, sua filosofia-de-vida, lentamente reconstruída conforme as páginas progridem e os quilômetros são atravessados sobre duas rodas.

Pirsig procede sem pressa pois julga que uma das doenças do século 20 é justamente a impaciência, o corre-corre, a ansiedade, a incapacidade de estar com a mente quieta e o coração tranquilo. A sociedade ultra-tecnológica de racionalidade triunfante, longe de ter-nos conduzido a uma civilização sábia, com sujeitos capazes de meditação atenta e reflexão profunda, levou-nos aos labirintos de cimento e poluição destas selvas-de-pedra que chamados de metrópoles, polvilhadas por massas de frenéticas “formigas que trafegam sem porquê” (como cantarola Raul Seixas em “S.O.S”).


Phaedrus tem consciência de ser alguém que saiu dos trilhos da normalidade, tornando-se um perigoso questionador de autoridades e sistemas: “he was released from any felt obligation to think along institutional lines and his thoughts were already independent to a degree few people are familiar with. He felt that institutions such as schools, churches, governments and political organizations of every sort all tended to direct thought for ends other than truth, for the perpetuation of their own funcions, and for the control of individuals in the service of these functions.” (148)

A grande viagem que Pirsig nos descreve não é apenas através das estradas, rumo ao topo de montanhas, às margens dos rios, mas também a viagem interior de um personagem em busca da verdade sobre si mesmo. Uma busca inseparável de seu esforço de decifração do grande enigma do mundo.

Sua motocicleta não flui apenas sobre terra e asfalto, levantando poeira física, mas flui também pelos trilhos da lembrança, a-trippin’ down the memory lane… Ele tenta encontrar seu caminho em meios aos escombros, tentando colar os cacos de passado e de memória que restaram no filme um tanto desconexo e confuso de sua consciência.

Neste sentido, Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas lembra, em alguns de seus temas e episódios, outro clássico da literatura norte-americana da segunda metade do século XX: Um Estranho no Ninho, de Ken Kesey, que também traz vívidas e impressionantes descrições sobre as sequelas deixadas por certos bárbaros processos psiquiátricos, como a terapia-de-choque e a lobotomia.

Ken Kesey

Uma das primeiras teses que o livro apresenta ao leitor é de uma tendência, naqueles que foram chamados de hippies (e, uma geração antes, de beatniks), de revolta contra a massificação e a tecnologia. Em boa parte da trip, o narrador e seu filho Chris são acompanhados pelos amigos John e Sylvia, o casal Sutherland, descritos como um par de rebeldes radicalmente “anti-tecnológicos” e “anti-sistema”. É como um modo de escapar de uma sociedade tecnocrática, desumanizadora e mortífera que John e Sylvia sobem em suas motocicletas e aderem a um estilo de vida de outsiders.

Mas Pirsig logo aponta o paradoxo na atitude daqueles que pensam protestar contra a tecnologia, mas sentados numa BMW de duas rodas e motor possante. A imagem um tanto caricatural do hippie como uma criatura natureba, abraçadora de árvores, com flores nos cabelos, que só aprecia cenários idílicos, que nunca come nada industrializado, que tem seu próprio pomar e horta, é posta em questão pelo livro de Pirsig. Zen nos faz pôr em dúvida se existiu de fato na história cultural da América do Norte nos 1960 qualquer real movimento, disseminado e significativo, que questionasse as raízes do projeto tecno-científico ocidental.



A revolta contra a massificação, o consumismo, o individualismo, os valores do capitalismo selvagem, muitas vezes se dá através de um radical virar às costas a “tudo isso que está aí”, ao Sistema como um todo – podemos pensar, por exemplo, em Chris McCandless, vulgo Alexander Supertramp, cuja vida-viagem foi descrita com tanta vivacidade e brilhantismo tanto no livro-reportagem de Jon Krakauer quanto no filme de Sean Penn, Into the Wild – Na Natureza Selvagem.

McCandless queima todo seu dinheiro, abandona seu carro e adere a um estilo-de-vida nômade como andarilho e caroneiro, até que enfim parte para o Alaska para ficar em meio à natureza selvagem. Mas também neste caso a situação de McCandless é paradoxal: se, por um lado, como fiel seguidor de Thoreau, ele vai em busca de um lugar que possa chamar de Walden, ele ao mesmo tempo não consegue recusar completamente toda a vida civilizada: lembremos que ele constrói seu refúgio contra a friaca em um ônibus abandonado, que leva consigo manuais de botânica que o auxiliam na escolha dos alimentos, além de carregar consigo seus livros prediletos. Trata-se claramente, portanto, de uma recusa de certos aspectos da civilização, enquanto outros continuam sendo valorizados como benesses muitas vezes essenciais para a sobrevivência.

Em sua obra Pirsig está constantemente mostrando estas contradições daqueles que se colocam na contra-corrente das tendências culturais hegemônicas – como os hippies e beatnikes. A leitura de Zen me fez pensar naqueles que estiveram envolvidos nos eventos que mais marcaram época na era Flower Power.

Tudo bem que durante os dias que durou a lendária festa de Woodstock em 1969 era o maior barato tomar banho pelado no rio, rolar na grama molhada pelo orvalho da madrugada ou brincar de guerrinha de lama. No interior do estado de Nova York, redescobria-se um cenário onde a natureza ainda não havia sido tão transformada (e poluída) pelo engenho humano – em contraste, por exemplo, ao corredor polonês de arranha-céus em Manhattan.


Mas a maior parte daqueles que estiveram no festival ali chegaram em automóveis e motocicletas, com o desejo expresso de curtir música amplificada em mega altofalantes, e poucos dias depois estariam talvez em suas casas com ar condicionado, bebendo cerveja enlatada, guardando comida industrializada no freezer…

Em suma: é quase impossível ser um hippie que defende fanaticamente um estilo-de-vida arcaico e roots, condenatório da tecnologia, e ao mesmo tempo estar em êxtase com o LSD e ouvindo a guitarra elétrica de Jimi Hendrix. Pois estas experiências psicodélicas e estéticas são inimagináveis sem os avanços tecnológicos precedentes. O próprio Albert Hoffmann não criou sua “poção mágica”, tão celebrada pelos hippies, enquanto trabalhava para a indústria farmacêutica em um laboratório high-tech? E seria concebível toda a apologia do “amor livre” sem que antes houvesse surgido e se disseminado outro rebento farmacológico do início dos anos 60, a pílula anti-concepcional?

Eis portanto um dos “problemas” que Pirsig persegue em seu livro: aqueles que se dizem anti-sistema, contra-cultura, críticos da tecnologia, são os mesmos que louvam motocicletas, guitarras elétricas e drogas sintéticas, ou seja, “produtos” da racionalidade tecno-científica ocidental que supostamente estava em questão para os movimentos sociais norte-americanos nos anos 60.

O que Pirsig investiga a fundo neste seu romance-viagem, sem mencionar Adorno e Horkheimer, é algo semelhante ao que os autores da Escola de Frankfurt chamavam de Razão Instrumental. Zen procura decifrar o enigma do porquê o século XX tornou-se um pesadelo – resumível em nomes como Hiroshima, Auschwitz, Chernobyl… – e quais os possíveis caminhos para uma vida mais zen.

O que a manutenção de motocicletas tem a ver com tudo isso? Seria muito demorado repassar todos os argumentos de Pirsig livro afora, então aqui intento uma modesta tentativa de síntese, com as minhas próprias palavras, da defesa entusiasmada que faz o narrador de um sujeito que não é só o piloto de sua motoca, mas também o seu mecânico.

Em meio à reflexão sobre a racionalidade científica e seus produtos tecnológicos, a motocicleta que carrega os personagens através da América selvagem aparece como digna da atenção do filósofo – e não só por ter se tornado uma espécie de símbolo libertário, pelo menos de acordo com grupos como os Hell’s Angels (vide o livro de Hunter S. Thompson) e todos os “asseclas” do estilo-de-vida Easy Rider.

A motocicleta, que pode ser considerada uma bicicleta motorizada e complexificada, é ao mesmo tempo o resultado histórico de um processo de avanço tecnológico indissociável da tecno-ciência ocidental. O século XX tem uma de suas peculiaridades justamente no fato de ser o primeiro século com produção em massa de novos meios de transporte individual, veículos movidos por motores de combustão interna e que queimam combustíveis fósseis…

O livro de Pirsig silencia quase completamente sobre os subprodutos ecológicos destes inventos – como a poluição que recobre tantas das metrópoles globais, repletas de carangas que são junkies de gasolina e peidam pelos escapamentos densas nuvens de CO2…

Ele prefere se deter sobre um fenômeno que analisa detidamente e que ele chama pelo nome de “dualismo sujeito-objeto”: este fenômeno é “encarnado” por seu amigo John Sutherland, aquele sujeito que só quer saber de pilotar sua motoca e curtir sua viagem, mas não entende bulhufas sobre a mecânica e o funcionamento interno do objeto que possui. Sempre que a joça enguiça, John precisa sair correndo em busca da ajuda salvífica de um especialista.

Já o narrador é o entusiástico defensor da tese: “seja você seu próprio mecânico” – o que exige um conhecimento técnico dos processos envolvidos no funcionamento de uma motocicleta que a grande maioria dos usuários nunca se preocupa em adquirir.

Isso lembra um pouco o modo como lidamos com outros produtos tecnológicos, como telefones celulares ou aviões. A grande maioria dos usuários de celular não compreende o processo histórico através do qual as tecnologias de comunicação foram mutando e se transformando. Julgam desnecessário compreender o longo caminho trilhado desde os tempos de Graham Bell até a era do Skype, dos smartphones, da telefonia via satélite.

De modo similar, quase todos os passageiros de um grande avião seriam incapazes de explicar em detalhes como é possível que um jumbo de milhares de toneladas possa planar no ar como uma águia, assim como desconhecem a história das evoluções que separam os primeiros experimentos de Santos Dumont e dos irmãos Wright dos atuais boeings 737 ultra hi-tech.


Lidamos com os bens tecnológicos, via de regra, como meros usuários de um serviço, ou possuidores de um objeto que foi inventado por outros, sendo que deixamos a uma casta de especialistas o trabalho de criar, compreender, ajustar e operar aquilo que não temos paciência ou interesse para tentar compreender.

Para o narrador do romance de Pirsig, realizar a manutenção da própria motocicleta aparece como um meio de superar essa cisão entre o usuário e o especialista. Trata-se de compreender intimamente a motocicleta não como um punhado “morto” de matéria, mas como resultado de um longo processo através do qual o engenho humano foi compreendendo e transformando a natureza, aprendendo a controlar suas forças e dar direção às suas energias.

Além disso, realizar uma constante manutenção da motoca é acreditar em sua durabilidade, na possibilidade de tê-la como possante companheira de jornada por toda uma vida, o que é um antídoto contra a mentalidade descartista típica de tempos de obsolescência programada – aquele tipo de ideologia que tenta nos convencer que só seremos pessoas plenas caso tenhamos o “carro do ano” e que devemos trocar de moto a cada 5 anos (ou menos…).

A cultura consumista e descartista é claramente descrita por Pirsig como junk, como um estilo-de-vida de baixa qualidade. E, como o próprio título do livro já aponta, alguns dos remédios possíveis para curar as tendências estúpidas e destrutivas do capitalismo ocidental estão… no Oriente.

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas reitera aquela apologia das sabedorias orientais tão recorrente na contra-cultura dos anos 50 e 60  – é só lembrar, por exemplo, de George Harrison e sua adesão ao hare krishna, sua paixão pelas cítaras, suas canções (especialmente na carreira solo) recheadas com mantras, sua admiração pelo guru Maharishi, ou em John Lennon indo buscar inspiração para “Tomorrow Never Knows”, canção que encerra Revolver, no Livro Tibetano dos Mortos.

O fato dos Beatles – influência imensuravelmente impactante sobre a cultura dos sixties – terem passado um tempo morando na Índia, na época do White Album, é apenas um dentre centenas de outros casos de orientalização manifestada na era Hippie.

Beatles e o Maharishi

Os Beatles na Índia com o Maharishi em 1968

Os principais conceitos do sistema filosófico de Phaedrus (o personagem de Pirsig antes do eletro-choque) têm confessas similaridades com noções do zen budismo, do hinduísmo, do taoismo. É como se Pirsig estivesse tentando traduzir para um público ocidental o que significa, por exemplo, o Tao ou o Zen. Mas não há nada no livro que cheire à pregação dogmática ou fanática – e o trecho do livro que descreve o período do personagem na Índia, quando ele estuda misticismo e religiões orientais em Benares, mostra bem as contradições irreconciliáveis entre uma mente formada nos rigores do racionalismo ocidental e uma mente mística que busca o completo silenciamento dos raciocinações em prol de uma intuição a-intelectual.

No fundo, Phaedrus está muito mais “ancorado”, conhece muito mais profundamente, tem uma carga de leitura muito maior, no racionalismo filosófico ocidental – e os diálogos-com-pensadores de maior envergadura do livro de Pirsig se dão em relação a Platão, Sócrates, Aristóteles, Kant…

O Oriente, longe de “impregnar” o texto, faz aparições esporádicas, um tanto fragmentárias, e sempre em contraponto com a exacerbada valorização do racional que caracteriza o galho socrático da história da filosofia. Pirsig tem plena consciência de que o zen budismo está longe de valorizar a razão tanto assim – e que um grande mestre zen budista, através de seus ditos misteriosos ou de enigmáticos e indecifráveis koans, pretende conduzir a mente a um dilema insolúvel que a faça desesperar dos poderes racionais.

O zen budismo está todo organizado como um sistema de atentados contra a megalomania da razão; deseja a todo momento pôr a razão em maus lençóis, mostrar a razão em toda sua pequenez e todo seu ridículo; o mestre fica contente quando a mente do discípulo atinge um estado que Pirsig descreve como stuck, tradutível como “travado”, “estacionado”, “estagnado”.

Eis uma grande oposição entre dois sistemas de pensamento: de um lado, o racionalismo científico ocidental, que se orgulha pelos avanços tecnológicos imensos e variados que possibilitou, e que aponta como panacéia uma tentativa de compreensão de mundo neutra, objetiva, desapaixonada, “puramente racional”; de outro, as milenares doutrinas orientais, que valorizam a meditação, a serenidade, a paz de espírito, a busca pelo nirvana, a harmonização entre o humano e a natureza a que pertencemos, com a valorização da intuição pré-intelectual e da abertura de consciência (awareness)…

Se Phaedrus acaba lançado no turbilhão da insanidade, talvez seja pois seu corpo parece estar no centro de um cabo-de-guerra entre o Ocidente e o Oriente, sendo que ele ouve o chamado tanto das motocicletas quanto dos monastérios. E todo esse livro-viagem parece animado pelo desejo de reconciliar o que antes era pensado como oposição, unir aquilo que a compreensão dualista separa.

Pirsig retrata um pensamento acostumado a operar com oposições dualistas – Phaedrus adora dividir o mundo entre a mentalidade clássica e a romântica, entre as pessoas hip e os squares, entre o ocidente e o oriente… – ao mesmo tempo que vai progressivamente descobrindo uma doutrina, muito próxima do taoísmo e do monismo spinozista, e que procura demolir todo tipo de oposição dual. Não mais a razão contra a emoção, não mais o espírito contra a matéria, mas uma compreensão mais plena que abrace ambos os pólos da oposição e toda a imensidão que há entre eles e fora deles.

No fundo, talvez não haja ilusão maior do que a de se pensar que se compreende a vida por inteiro, que é possível dominá-la com a razão; talvez não haja megalomania mais perniciosa do que pensar que qualquer linguagem inventada por humanos possa dar conta de descrever o espetáculo inominável do universo. No fim das contas, a viagem da vida talvez não valha tanto pelo ponto de chegada, que para todos nós é o túmulo, mas pela própria jornada por estes caminhos tão estranhos, polvilhados de beleza e de mistério. A jornada é a recompensa.

“Sábio é quem se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Fernando Pessoa. E este espetáculo é tão maior que a linguagem e a razão! Não conheço frase que melhor sintetize essa sabedoria que transcende a razão do que o sarcástico e sagaz ditado zen: “quando o sábio aponta para a Lua, o idiota fica olhando para o dedo…”


Na sequência, uma seleção de alguns dos trechos do livro que mais me impressionaram:

“Clichés and stereotypes such as ‘beatnik’ or ‘hippie’ have been invented for the antitechnologists, the antisystem people, and will continue to be. But one does not convert individuals into mass people with the simple coining of a mass term. John and Sylvia are not mass people and neither are most of the others going their way. It is against being a mass person that they seem to be revolting.” (21)

* * * * *

“…to tear down a factory or to revolt against a government or to avoid repair of a motorcycle because it is a system is to attack effects rather than causes; and as long as the attack is upon effects only, no change is possible. The true system, the real system, is our present construction of systematic tought itself, rationality itself, and if a factory is torn down but the rationality which produced it is left standing, then that rationality will simply produce another factory. If a revolution destroys a systematic government, but the systematic patterns of thought that produced that government are left intact, then those patterns will repeat themselves in the suceeding government…” (122)

* * * * *

“It’s sometimes argued that there’s no real progress; that a civilization that kills multitudes in mass warfare, that pollutes the land and oceans with ever larger quantities of debris, that destroys the dignity of individuals by subjecting them to a forced mechanized existence can hardly be called an advance over the simpler hunting and gathering and agricultural existence of prehistoric times. But this argument, though romantically appealing, doesn’t hold up. The primitive tribes permiteed far less individual freedom than does modern society. Ancient wars were committed with far less moral justification than modern ones. A technology that produces debris can find, and is finding, ways of disposing of it without ecological upset. And the schoolbook pictures of primitive man sometimes omit some of the detractions of his primitive life – the pain, the disease, famine, the hard labor needed just to stay alive. From that agony of bare existence to modern life can be soberly described only as upward progress, and the sole agent for this progress is quite clearly reason itself.” (157)

* * * * *

“No one is fanatically shouting that the sun is going to rise tomorrow. They know it’s going to rise tomorrow. When people are fanatically dedicated to political or religious faiths or any other kinds of dogmas or goals, it’s always because these dogmas or goals are in doubt. The militancy of the Jesuits he somewhat resembled is a case in point. Historically their zeal stems not from the strenght of the Catholic Church but from its weakness in the face of the Reformation. It was Phaedrus lack of faith in reason that made him such a fanatic teacher. (…) He was telling them you have to have faith in reason because there isn’t anything eles. But it was a faith he didn’t have himself.” (190)

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“What was behind this smug presumption that what pleased you was bad, or at least unimportant in comparison to other things? It seemed the quintessence of the squareness he was fighting. Little children were trained not to do ‘just what they liked’ but… but what?… Of course! What others liked. And which others? Parents, teachers, supervisors, policemen, judges, officials, kings, dictators. All authorities. When you are trained to despise ‘just what you like’ then, of course, you become a much more obedient servant of others – a good slave. When you learn not to do ‘just what you like’ then the System loves you. But suppose you do just what you like? Does that mean you’re going to go out and shoot heroin, rob banks and rape old ladies? (…) Soon he saw there was much more to this than he had been aware of. When people said, ‘Don’t do just what you like’, they didn’t just mean, ‘Obey authority’. They also meant something else. This ‘something eles’ opened up into a huge area of classic scientific belief which stated that ‘what you like’ is unimportant because it’s all composed of irrational emotions within yourself.” (297)

* * * * *

“…at the cutting edge of time, before an object could be distinguished, there must be a kind of nonintellectual awareness, which he called awareness of Quality. You can’t be aware that you’ve seen a tree until after you’ve seen the tree, and between the instant of vision and instant of awareness there must be a time lag. We sometimes think of that time lag as unimportant. But there’s no justification for thinking that the time lag is unimportant – none whatsoever. The past exists only in our memories, the future only in our plans. The present is our only reality. The tree that you are aware of intellectually, because of that small time laf, is always in the past and therefore is always unreal. Any intellectually conceived object is always in the past and therefore unreal. Reality is always the moment of vision before the intellectualization takes place. There is no other reality. The preintellectual reality is what Phaedrus felt he had properly identified as Quality. (…) He showed a way by which reason may be expanded to include elements that have previously been unassimilable and thus have been considered irrational. I think it’s the overwhelming presence of these irrational elements crying for assimilation that creates the present bad quality, the chaotic, disconnect spirit of the 20th century.” (315 – 327)

* * * * *

“One thing about pioneers that you don’t hear mentioned is that they are invariably, by their nature, mess-makers. They go forging ahead, seeing only their noble, distant goal, and never notice any of the crud and debris they leave behind them. Someone else gets to clean that up and it’s not a very glamorous or interesting job.” (326)

* * * * *

“Reality is, in its essential nature, not static but dynamic. And when you really understand dynamic reality you never get stuck. It has forms but the forms are capable of change.” (364)

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

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Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012

Fundamentos no homem racional


A origem do pensamento / A origem da divisão / O mundo divido


por Leo Barros [1] 
e Luciana Nabuco

Toda ação parte do pensar. O mundo dominante ocidental divide o pensamento em campos de conhecimento, áreas filosóficas, econômicas, informacionais, arquivísticas, etc...  Atualmente há uma deficiência na base do sistema dominante. Urge uma discussão sobre o propósito dessas áreas e como elas são trabalhadas no campo científico e assim propor mudanças de paradigma.
O homem ocidental se forja na Grécia, pátria mãe da criação de conceitos. O paradigma grego do pensamento racional se perpetua no homem moderno. Continuamos seguindo a lógica dos pensadores universais. Legitimando essa visão superior.
O pensamento racional é o fogo subtraído dos deuses por Prometeu, cujo nome significa “aquele que pensa antes”. Através dessa chama divina o homem ocidental começa a classificar, dividir o mundo em esferas de superior/inferior, civilidade/barbárie, para então apreender o poder, reconhecer a sua autoridade.
Essa racionalidade se estabelece como verdade absoluta, única visão do mundo, sabedoria superior a ser seguida, detentora de um amplo imaginário que dá significado às formas, apropriando-se delas e estabelecendo controle e poder. Um exemplo disso é visto no filme “Matrix”, onde a Matriz é uma forma de controle do mundo, olho que tudo vê. A construção desse mundo depende de quem detém o saber. Mais adiante, ao analisarmos o documentário “Zeitgest” veremos quem são esses agentes que fragmentam o mundo. Por domínio, o homem ocidental cria mecanismos para centralizar a produção do conhecimento e assim determinar a separação entre civilizados e bárbaros.

O controle da Informação / O grande arquivo do pensamento / Dividir para dominar


Dentro desse raciocínio, “conhecer é saber, é poder”, o arquivo se insere como a materialização dos projetos de dominação. Conhecer para ter o poder. Ter o poder para dominar. O arquivo é o registro dessa instituição que detém o conhecimento, refletindo-se na figura do Estado. A arquivologia por conseguinte é o saber do Estado. Todo esse corpo de conhecimento se fundamentou nas bases clássicas do pensamento moderno. Esse pensamento, como vimos,
se apóia em uma visão etnocêntrica. Ou seja, a exclusão de tudo o que não está inserido dentro do grupo racional e superior.
Tudo o que é desconhecido, fora de uma classificação é o estranho, o diferente, o “monstruoso”. Ironicamente, é o próprio saber que constrói o conceito de “mostruosidade”, senão a retórica dualista não teria sentido. Um exemplo disso é visto no filme “Vênus Negra”, história verídica da africana Sarah Baartman, que no século XIX era exibida em feiras européias como um ser degenerado devido às suas peculiaridades físicas, e foi catalogada pelo pensamento ocidental em bancas de cientistas e naturalistas, dissecada física e moralmente como “monstro”.
A ciência, uma das divisões do campo de conhecimento, é usada como auxiliar do pensamento superior ocidental. Esse sistema classificatório de espécies chamado taxonomia corrobora todo esse discurso colonialista e etnocêntrico. Segundo Valdei Araújo no texto “O Arquivo e o Monstro”, o monstro existe para ocupar o espaço do que é errado, defeituoso, degenerado. Vemos claramente essa idéia no filme “Drácula” de Bram Stocker, onde o personagem principal personifica o desconhecido, a aberração. O temor do outro que não conhecemos, da
cultura desconhecida relegada ao plano da aberração.
Surge então o conceito de “Arquivos Utópicos”, descrições idealistas para impressões de domínio e compreensibilidade do real. Nesse contexto, o papel do arquivista é com o levantamento e organização de dados, levando em consideração aspectos como: contexto e construção, verdade e mentira, história oral, documentos sensíveis, sigilosos, confrontamento de fontes, fatos e subjetividade, memória e imaginário e outros tipos de documentação. O homem encontra assim seus mecanismos de dominação. O filme “Lawrence da Arábia” ilustra bem essa idéia. Nele, o jovem tenente do Império Britânico é designado em uma missão de reconhecimento e catalogação de tribos árabes. Lembrando que um espaço dominado é um espaço catalogado dentro do pensamento etnocêntrico. Lawrence irá registrar aspectos culturais, geográficos e políticos de um grupo desconhecido para ampliação do Império Britânico. Inútil dizer que essa classificação nada tem de inocente, pois o Império é o rolo compressor de culturas alheias ao seu sistema. Seu verdadeiro intuito é subjugar um grupo em benefício próprio. Porém, Lawrence subverte o próprio sistema ao se inserir na cultura regional dos beduínos. “Sou alguém fora do comum. Vim de um país gordo, de gente gorda”. “Você não é gordo, responde o beduíno. “Não. Eu sou diferente”.
Assim a história começa a ser vista pelo outro lado.
Mas quem é o real?
Poderia ser tudo o que é transmitido através da escrita ou conto?
Quem é o contador da história?
Ele descreve o que ele vê ou o que pensa que vê?
No texto “A Filosofia e os Fatos”, de Portelli, essas narrativas constituem matéria não exclusivamente literária, mas também histórica. “A construção da narrativa em si, quer seja justa ou equivocada pode enganar-se no momento da interpretação”. Surge a indagação, essa história contada é representativa? De quem?
A própria descrição já contém um fator subjetivo, pois depende do olho de quem vê. Essa representatividade não significa normalidade. E o outro lado? Quem não está dentro dessa história é o anormal?
Entramos no campo das possibilidades, da subjetividade das experiências imaginadas. Portelli nos lembra que a sociedade não é uma rede geometricamente uniforme como a abstração das ciências sociais nos representa.

Outrossim, podemos questionar quem constituiu essa rede de informação, quem se imbuiu da autoridade de dividir, fracionar, ditar regras, normas, tudo em benefício de um sistema que hoje vemos defasado. Quem não permite que possamos ver do outro lado?
Segundo Pedro Demo, em seu texto “A Ambivalência na Sociedade de Informação”, a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. Exemplificando essa manipulação, voltamos ao filme “Matrix” e a cena da pílula oferecida ao personagem Neo. A pílula é o elemento catalisador, a desconstrução da realidade manipulada, a ampliação da visão, a possibilidade de enxergar a realidade de outro modo. Nesse ponto, o papel do educador é fundamental. O bom preceptor é quem dá a pílula para que seu pupilo veja além dele. Segundo o filósofo humanista Krisnahmurti, o verdadeiro propósito da educação é ajudar a descobrir o que nós queremos, para que possamos nos entregar de mente, corpo e coração naquilo que amamos fazer. Ao ser puxado para o caminho da tradição, do medo, da hereditariedade familiar, das exigências da sociedade, o homem se aniquila e impede o fluxo verdadeiro, por medo de não conseguir sobreviver no mundo, pela enxurrada de informações que nos chegam diariamente, com um único propósito de nos classificar em um pensamento estabelecido como o padrão. Krisnahmurti ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em um mundo dividido em “ismos”, em ocidente e oriente, mas afirma que não amar o que se faz gera conflito e a doença social moderna.

O homem e sua grande invenção – a máquina [sistema] perfeita que irá destruí-lo.


A doença social se resume no excesso. A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas, quando que sua eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Por isso, a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos como produtos do crescimento que nós produzimos, numa produção de bens e aumento deliberado do consumo como propósito de vida. Vivemos dentro de um pensamento capitalista ordenado por grandes corporações, uma minoria dominante que gere, regula, classifica, e controla nas esferas econômicas, políticas e sociais.
No documentário Zeitgeist são debatidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como ocorre o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável. Sair dessa classificação dominante seria inverter o jogo, olhar as coisas sob novas perspectivas. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. Uma sociedade que esmaga o diferente relegando-o em um limbo social, econômico e cultural só tem a saída para a desintegração. Vivemos, pois, encarcerados em um sistema capitalista que depende do crescimento. Para sair desse colapso, deveríamos buscar um objetivo que seria a sobrevivência sustentável do homem através de um método próximo da proposta científica atual com um diferencial: toda política seria redundante, pois eliminaríamos opiniões e interesses da minoria dominante, e os campos de conhecimento, a ciência seria usada para gerir recursos globalmente, coordenar a produção de forma eficiente, num sistema de verdadeira distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos Estados e nações. Ou seja, a corporatocracia que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos. A eficiência seria uma economia baseada em recursos para toda a humanidade. Portanto, urge repensar a Educação e dissolver programas de comportamento sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas do mundo atual. Não podemos mais nos ancorar em sistemas tradicionais, no único pensar dito superior. Isso significa exclusão e desintegração. Devemos aliar ao conhecimento novas informações que colaborem e integrem o homem. No documentário “Entrevista com Milton Santos”, vemos que há uma parcela de pensadores, homens que formam o corpo social e crítico de um país como o Brasil, que não se deixam subjugar pela autoridade etnocêntrica e selvagem atual. Milton nos diz que não há produções excessivas de informações, mas de ruídos, os fatos estão à mostra e as notícias são interpretações desses fatos. Afinal, as agências de informação são controladas por grupos financeiros, e os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. Ele ressalta que reclamamos contra os autoritarismos, os inevitáveis “ismos” e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento padrão, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos que são apenas limitadores da verdadeira liberdade e cidadania.


“Porque no Brasil jamais teve cidadãos, nós a classe média não queremos direito, queremos privilégios, e os pobres não têm direito. Não há, pois, cidadania nesse país, nunca houve”.
Milton Santos


A sociedade produz resíduos e suga reservas econômicas. Nosso principal objetivo deveria ser a sobrevivência sustentável em um sistema de distribuição global sem interferência dos controladores do Estado e nações, a Corporatocracia, que regula um sistema cuja finalidade é o lucro, o domínio e o poder econômico. Segundo Pedro Demo em seu texto “Ambivalência na Sociedade da Informação” - a potencialidade informativa dos novos meios de comunicação ainda está presa a acessos elitistas, e quando traduzida em telecomunicação tende fortemente o instrucionismo. Ou seja, em certo sentido, todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível. A dificuldade de olhar as coisas sob novas perspectivas, invertendo um pouquinho desse jogo, poderia evitar o colapso do sistema atual. Em uma sociedade basicamente errada não pode haver meio de vida correto. A atual sociedade é fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder. Isso gera conflito e desintegração. E cria mecanismos para perpetuação desse poder e achatamento de grupos e esferas que não compartilham desse propósito. No documentário Zeitgeist são discutidos temas do comportamento humano, o sistema corrosivo financeiro mundial, como acontece o colapso social e o que poderíamos fazer para evitar o inevitável.
Quando o principal objetivo é a sobrevivência sustentável do homem, com um método próximo do que seria a proposta científico de hoje, com um diferencial: daqui por diante, toda política é redundante, pois não se trata de opiniões e interesses da minoria dominante, mas sobre ciência e como gerir recursos globalmente, coordenar a produção para a demanda de forma eficiente, num sistema de distribuição global, oferecendo tudo para todos onde for necessário, sem interferência dos controladores dos estados e nações, a saber, a corporatocracia, que regula o sistema cuja finalidade é lucro, domínio e poder econômicos, passando-se então para a Economia Baseada em Recursos a toda humanidade.
Deve-se também, para entender esse sistema que assegura o consumo apenas do necessário e o quanto se pode crescer e, tendo essa exata noção, deve-se repensar a Educação e dissolver Programas de Comportamentos Sociais limitadores de mudanças ou quaisquer revoluções nos paradigmas deste mundo atual.

Na essência do Zeitgeist, temas como comportamento humano – falhas na educação fundamental, fase infância; Crime, violência e medo - A taxiologia – tratado das classificações – medo e violência são partes importantes de um produto de uma sociedade doente, onde quanto maior a igualdade numa sociedade, ou quanto menor a distância entre pobres e ricos, menos criminalidade e melhor nível de educação; Dinheiro igual a dívida, todo dinheiro que existe no mundo é emprestado de uma dívida bancária e assim por diante, fator que torna esse sistema ainda mais crítico são os juros pagos sobre o reembolso do dinheiro emprestado, onde mais dinheiro deve ser criado, perpetuando essa dívida impagável, em efeito bola-de-neve auto-corrosivo.

A eficiência deveria ser a ausência de resíduos. Daqui resulta que a nossa sociedade é extremamente ineficiente. Considere os resíduos e o produto do crescimento que nós produzimos. Considere a produção de bens e o aumento deliberado do consumo como propósito da vida, que é viver para o consumo no sistema capitalista, onde a economia depende do crescimento. Se o crescimento é estagnado, o sistema entra em colapso. Esta paralisação, por sua vez, tem a ver com o sistema monetário, que se alimenta do débito a partir da falência, ou quebra do sistema de países inteiros como no caso recente da Grécia, na dependência na figura do FMI – leia-se: famílias que controlam as indústrias e empresas que controlam a economia global - cujo objetivo final é o crescimento de suas reservas econômicas, sustentar a existência de uma espécie endêmica, visto que a economia é a força motriz deste crescimento, portanto, quanto mais pessoas doentes, produz-se mais drogas, cria-se toxicodependência, subsistência e sub-empregos, mais subserviência e controle, e assim por diante...

Uma grande mentira bem contada e, voilà, uma grande verdade incontestável.


No depoimento de Milton, vemos que produzimos muito mais comida do que se pode comer, descobriu-se que a comunidade européia premia quem deixa de produzir comida, e castiga quem produz mais do que a cota estabelecida – por quem?

A questão da fome não é sobre produção mas sim de distribuição, a exemplo de epidemias de fome na África onde os E.U.A recusou ajuda caso condições políticas não fossem atendidas. A fome deixa de ser o centro da questão da humanidade e sua organização em uma sociedade mal-intencionada será o foco.
Caso continuemos entorpecidos pela realidade que nos cerca, o receituário do Banco Mundial seja seguido, teremos que aprender a conviver com a morte pela sede em breve, onde os recursos hídricos também serão monopolizados, sobre premissa de que não haverá água para todos, quando na verdade, há as Transnacionais da Água, sob a lógica de suas ações na bolsa financeira, muralhas do capitalismo fragmentando o espaço por controle, poder e lucro. Quando deveríamos reiniciar o debate sobre nossa civilização, abandonado em função do crescimento econômico, juros, inflação e outras abstrações, onde civilização não é objeto de discussão, abrindo precedentes para barbáries como essa, na qual se mata povos e nações indiscriminadamente.

A mídia e sua fábula de globalização, onde o homem deixou de ser o centro do mundo em função do dinheiro em estado puro, fruto de uma geopolítica proposta pelos economistas, impostas pela mídia, controlada pela corporatocracia, onde 6 empresas controlam 90% do mercado da mídia mundial. Ancorada no livre-mercado com trilha para o paraíso, sua antropologia moderna criou seu Homo-Davos, pregando o fim da história através de fundos para anestesiar a pobreza, quando deveria intermediar as reais necessidades da humanidade, e não maçantes repetições de informações compradas notoriamente percebidas. Uma nova ordem mundial estabelecida em competitividade sem limites morais. Não há produção excessivas de informações mas de ruídos, existem os fatos, e as notícias são interpretações destes fatos, com as grandes agencias são controladas por grandes grupos financeiros, os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pré-determinados. A informação como instrumentos de processos globalitaristas, produzindo formas totalitárias de vida.

As formas tradicionais de democracia atuais não convencem os mais pobres. Procuram uma alternativa numa globalização solidária, por meio de ONGs e organizações do terceiro setor. Mas o Estado no seu exercício através da política, torna-se indispensável se socializadores, pois as forças de desigualdades são muito mais fortes que no passado, onde não se discute o papel da democracia, seqüestrada e condicionada, cabendo apenas o poder ao cidadão na esfera política, substituir um governo que não gosta e colocar outro que talvez venha a gostar, participando do que seria real democracia, apenas os representantes das minorias dominantes, definidas anteriormente. A palavra perde seu conceito original e tornam-se vazias pois o tempo mudou, e sua coerências não reflete-se principalmente na atuação política. Reclamamos contra os autoritarismos, fascismo, nazismo e caímos noutro globalizante, onde se exige um comportamento standard, mesmo modelo, mesma bula, uma variedade de caminhos limitadores que pressupõe liberdade e cidadania, apenas na retórica da globalização.

Coisas realmente simples, como a técnica como plataforma para a liberdade – segundo depoimento dos Crenaques da Serra do Cipó, ainda no filme com Milton – ser universal aqui mesmo olhando para evolução de nossa própria existência, vai permitir - sem abandonar - o que a gente é, um povo indígena, somos perfeitamente universais, a exemplo do índio jornalista e produtor gráfico, Ailton Crenaque, que usa a Rede Povos na Floresta como tecnologia da comunicação para integrar o povo indígena e seringueiro.
Este fenômeno pode se multiplicar, por enquanto há uma coerção contra estas formas, limitadas em termos renovadores por escassez de recursos e falta de incentivo dos legisladores, porém pela demanda que vem de baixo, de forma explosiva, teremos alguma coisa nova acontecendo através daqueles com ‘curiosidade aguçadas’, numa grande utopia para o século vinte e um.

Tudo isso precisa ser mudado para que haja uma sociedade correta, equânime. Tendemos a achar que isso é tarefa impossível. Não é, somos eu e você que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhemos cria infelicidade ou contribui para a destruição da humanidade. A mudança ocorrerá quando não estivermos na busca pelo poder, quando eliminarmos inveja, ódio e antagonismo. Quando em nossos relacionamentos causarmos alguma transformação. Assim estaremos de forma genuína a criar uma nova sociedade, formada por pessoas livres da tradição, das correntes do autoritarismo. Somente o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade. O fogo sagrado subtraído por Prometeu não deve ser exclusivo de uma minoria.

O fogo só tem razão quando alimenta e aquece na escuridão.
Dessa forma, concluímos através de um pensamento de Krisnahmurti, pois apenas descobriremos a resposta quando rompermos com o medo:

“Veremos o quão importante é trazer para a mente humana a revolução radical.

Essa crise é uma crise na consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as velhas normas, os velhos padrões, e as antigas tradições. 

E, considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva, agressão e assim por diante... 
O homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. 
E construiu a sociedade nestes termos”.

“O que estamos tentando, como toda essa discussão e retórica, é ver se não podemos fazer acontecer uma radical transformação da mente.          

Não aceitar as coisas como elas são, entende-las, mergulhar nelas, examiná-las. Usar o seu coração, a sua mente e tudo o que você tem pra descobrir 
um jeito de viver diferente. Mas isso depende de você e de mais ninguém. Porque nisso não há professor, nem aluno, não há um líder, não há guru, 
não há mestre, nem há salvador... Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder, você é tudo e... Entender é transformar o que há”.
Krishnamurti


Reposição de mentes atrofiadas através da semeadura de espécies mentais novinhas em folha.


Em uma sociedade basicamente errada, não pode haver meio de vida correto. Nosso meio de vida, qualquer que seja, leva à guerra, à miséria geral e à destruição, e isso é perfeitamente óbvio. Nossa ocupação, seja qual for, contribui inevitavelmente para que haja conflito, decadência, implacabilidade e sofrimento.
Então, a atual sociedade é basicamente errada, fundada na inveja, no ódio e no desejo de poder, de modo que cria meios de vida errados, como as profissões de soldado, policial, advogado. Por sua própria natureza, essas profissões são um fator de desintegração da sociedade, e quanto mais soldados, policiais e advogados, mais evidente se torna a decadência da sociedade. No mundo todo há cada vez mais homens de negócios que os acompanham.
Tudo isso precisa ser mudado para que seja fundada uma sociedade correta, e achamos que essa é uma tarefa impossível. Não é, e somos você é eu que temos que cumpri-la. Hoje, qualquer meio de vida que escolhamos cria infelicidade para um outro ou contribui para a destruição da humanidade, como vemos diariamente. Só haverá mudança quando você e eu não estivermos buscando poder, quando não formos invejosos, cheios de ódio e antagonismo. Quando, em nossos relacionamentos, causamos alguma transformação, estamos ajudando a criar uma nova sociedade formada por pessoas que não estão pressas à tradição, que não pedem nada para si mesmas, que não estão em busca de poder, porque são ricas por dentro, encontraram a realidade. Só o homem que busca a realidade pode criar uma nova sociedade, só o homem que ama pode transformar o mundo.
No campo educacional e filosófico, educação, trabalho e dinheiro – o que é educação e como decidir com o quê trabalhar – parte III de Krishnamurti – o verdadeiro propósito da educação é ajudá-lo a descobrir o que quer, para que você, quando for adulto, possa se entregar de mente, coração e corpo aquilo que realmente ama fazer. Descobrir o que realmente gosta de fazer exige bastante inteligência, porque, se tiver medo de não ser capaz de ganhar a vida, ou de não se encaixar nessa sociedade podre, nunca descobrirá. Mas, se não tiver medo, se recusar-se a serem puxados para o caminho da tradição por seus pais, professores, pelas exigências superficiais da sociedade, você poderá descobrir o que realmente ama fazer. Portanto, para descobrir, você não pode ter medo de não conseguir sobreviver.
Mas muito de nó ainda tem esse medo. O que será de mim se eu não fizer o que meus pais querem? Se não me encaixar na sociedade, perguntam-se. Com medo, fazemos o que nos mandam fazer, e nisso não há amor, há apenas contradição, e esta contradição intima é um dos fatores que criam ambição destrutiva.
Autoconhecimento – medo e raiva e violência - Parte dois de Krishnamurti – ensina e reverte a visão ocidental e não se detém em conceitos de um mundo dividido “ismos” de todo tipo. Desse modo, a função básica da educação é ajudá-lo a descobrir o que realmente ama fazer, para que você entregue a mente e o coração aquilo. Porque isso cria dignidade humana, varre para longe a mediocridade, a mesquinha mentalidade burguesa. Por essa razão é tão importante ter os professores certos... Descobrirão a resposta quando amarem o que estão fazendo. Se você é engenheiro porque precisa ganhar a vida, ou porque seu pai ou a sociedade esperam isso de você, esse é outra forma de compulsão, e compulsão, sob qualquer forma, cria contradição, conflito.
Mas se você realmente ama ser engenheiro, ama arquivologia ou até mesmo a ciência, ama plantar uma árvore, pintar um quadro, ou escrever uma poesia, não por status e para ser admirado, mas apenas porque ama o que faz, então descobrirá que não está competindo com ninguém.
O autor Pensa que este é o segredo: amar o que se faz. Talvez queira trabalhar com a cabeça, ou produzir algo com as mãos. Alguma destas coisas é o que você realmente ama. Ou seu interesse é meramente uma reação à pressão social?

“As únicas limitações que temos como raça humana são aquelas que impomos a nós mesmos... 
Numa sociedade decadente, a Cultura, se for verdadeira deve também refletir decadência, e a menos que queira desacreditar e trair - 
em relação à sua função social - a cultura deve mostrar o mundo 
como mutável e ajudar a mudá-lo”.

Quando não tiver mais nada 

Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
E quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração... Acordará
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência... Adormecerá
E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral
Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal
Haraie nama krsna, yadavaya nama há (3x)
Yadavaya madhavaya Krsna vaya nama há
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Adeus dor


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO


Aventura Racional do Homem e o Futuro em 2012 

TEMAS | TEXTOS
CLAVAL, P. Espaço e Poder. Rio de Janeiro : Zahar, 1978, p. 7-21.
ARAÚJO, Valdeí. O Arquivo e o Monstro. Resenha sobre o texto de RICHARDS, Thomas. The Imperial Archive: knowledge and fantasy of Empire. London, New York: Verso, 1993.
PORTELLI, Alessandro. A Filosofia e os Fatos. Narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. Tempo. v. I, n.2. Rio de Janeiro, 1996. p. 59-72.
DEMO. Pedro. Ambivalências da sociedade da informação. Ciência da Informação, v.29, n.2, mai/ago/2000. Brasília-DF. IBICT, 2000, p. 37-42.
KRISHNAMURTI, J. O que você está fazendo com a sua vida?: Passagens selecionadas sobre grandes questões que nos afligem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era. 2008.

FILMES
Lawrence da Arábia, 1962. Direção David Lean.
Vênus Negra, 2010. Direção Abdellatif Kechiche.
Zeitgeist – the movie, 2007 – Dirigido por Peter Joseph. Disponível em
Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá: uma proposta libertaria para estes dias tumultuados. 2001. Direção Silvio Tendler.
Bram Stoker's Drácula, 1992 (EUA). Direção: Francis Ford Coppola.
The Matrix - 1999 (EUA) – Direção Andy e Larry Wachowski

Vale a pena destacar da Sinopse o seguinte: Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais se encontra conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.

“ Estamos fazendo ensaios do que será a humanidade... Nunca houve”.
Milton Santos


[1] Luciana Nabuco – jornalista proteiforme -  colaborou anotando tudo num esforço supra humano de por ordem em minhas idéias, e ajudou na escrita deste devaneio.
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